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sábado, 30 de junho de 2012

Do bronze e do nada ao penta sem África



Dez anos atrás, a Família Scolari conquistou, na Ásia, o improvável quinto título brasileiro numa Copa do Mundo de futebol. Um time que tinha oito remanescentes de dois dos mais retumbantes fracassos da longa história do Futebol Brasileiro.

Campeões mundiais em 2002, os titulares Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo e os reservas Dida, Luizão e Juninho Paulista estavam no time medalhista de bronze em Atlanta/1996. Os outros dois ex-olímpicos foram os também titulares Ronaldinho Gaúcho e Lúcio, que estavam no grupo que naufragou em Sydney/2000.

Em 1996, depois de uma campanha titubeante na primeira fase, quando até perdeu para o Japão, o Brasil chegou às semifinais e foi eliminado num jogo dramático e inesqucível contra a Nigéria de Kanu. A Seleção Canarinho ainda conquistou o bronze, dois dias depois, goleando Portugal, mas aumentou o vexame das semis, se recusando a esperar pelo pódio no dia seguinte - as medalhas foram entregues logo depois do jogo, sem muita cerimônia, sem qualquer brilho, como fora, aliás, o futebol do time naqueles Jogos.

Quatro anos mais tarde, num time sem qualquer jogador acima dos 23 anos, a Seleção fraquejou, novamente, diante do futebol africano e não conseguiu avançar para a final. Nem para as semifinais, aliás. Derrotado pela África do Sul na primeira fase, o time enfrentou Camarões nas quartas e conseguiu a proeza de ser eliminado com um gol de ouro, quando tinha dois jogadores a mais em campo.

Curiosamente, a Copa de 2002 foi a única entre 1994 e 2010 que o Brasil não jogou contra nenhum time africano. Quase enfrentou Senegal nas semis, mas os turcos se encarregaram de tirar os senegaleses da Copa. Deve ter sido melhor assim. Porque seria injusto um futebol em que Rivaldo e Ronaldo jamais fossem protagonistas de um título mundial.

(foto: FIFA.com)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Classificação calculada

Acabou o suspense: o Brasil está na fase final da Liga Mundial de Vôlei. A França era a última ameaça ao posto brasileiro de melhor segundo colocado, e não podia perder ponto algum nos confrontos deste fim de semana. Porém, agora há pouco, em Dallas, os franceses venceram os italianos por 3 sets a 2 e perderam um ponto precioso. Com isso, o Brasil se junta a Polônia, Alemanha, Bulgária e Cuba na fase decisiva da competição. França e EUA ainda disputam a outra vaga, com direito a um confronto direto amanhã à noite, também na terra do Tio Sam.

O vôlei do Brasil não foi dos melhores nessa fase inicial da Liga, houve três derrotas para a Polônia (e uma para o Canadá), mas os pontos conquistados sobre a Finlândia e o próprio Canadá mantiveram a equipe na luta pelo decacampeonato.

A fase final será disputada a partir da próxima quarta-feira, em Sófia, na Bulgária.

Sem goleira-artilheira



Saiu agora há pouco a convocação da Seleção Brasileira feminina de handebol para os Jogos Olímpicos de Londres. Das 14 convocadas, apenas a goleira Mayssa Pessoa não esteve no elenco nacional que disputou o Mundial do ano passado, em São Paulo. Sobrou, assim, para a goleira reserva Babi, que, em São Paulo, havia até começado algumas partidas em lugar de Chana Masson, a titular da meta brasileira.

Babi ganhou notoriedade no esporte nacional quando fez o gol da vitória do time misto da Seleção sobre a Tunísia, na última rodada da primeira fase. Curiosamente, a goleira repetiu o lance no jogo seguinte, contra a Costa do Marfim, mas o árbitro não validou o gol, alegando que o jogo já havia encerrado. É possível que o técnico da seleção, o dinamarquês Morten Soubak, tenha optado pela experiência de Mayssa, que tem 28 anos de idade, contra 24 de Babi.

Seleção Brasileira feminina de Handebol - Convocadas

Goleiras - Chana, Mayssa
Armadoras-Centrais - Ana Paula, Mayara
Armadoras-Esquerda - Duda Amorim, Silvia Helena
Armadoras-Direita - Deonise, Francine
Ponteiras-Esquerda - Fernanda, Samira
Ponteiras-Direita - Alexndra, Jéssica

Foto: handballbrazil2011.com

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pontualidade britânica




Com a divulgação dos grupos e tabelas do vôlei e do handebol, o torcedor brasileiro já pode se programar para acompanhar a Seleção Canarinho pela TV, nos Jogos de Londres. Pelo menos, na primeira fase de cada um dos esportes coletivos.

A participação tupiniquim nas Olimpíadas começa dois dias antes da Cerimônia de Abertura, com o futebol. No dia 25, fazendo o jogo de fundo de uma rodada dupla, em Cardiff, o time de Marta entra em campo contra Camarões. No dia seguinte, no mesmo estádio, será a vez do sub-23 masculino estrear contra outro time africano - o Egito.

No dia 28, o primeiro de competições pós-Abertura, a TV Record, que transmite os Jogos Olímpicos com exclusividade na TV aberta, terá de escolher entre mostrar, às 10h30 (horário de Recife e Brasília), o time feminino de futebol do Brasil enfrentando a Nova Zelândia ou o de handebol estreando contra a Croácia. Esse problema não existe para as TV por assinatura (ESPN Brasil e SporTV), já que devem exibir os jogos em mais de um canal - o BandSports não disse, ainda, se vai disponibilizar mais de um canal de transmissão para seus assinantes.

Essa coincidência de horários em partidas das seleções brasileiras ocorre ainda algumas vezes nesses primeiros dias de Olimpíadas. No dia 30, por exemplo, enquanto Brasil e Rússia se enfrentam no basquete feminino, Brasil e EUA entram em quadra pelo vôlei feminino.

Em relação aos horários, o mais cedo que um time brasileiro entrará em campo ou em quadra será em 3 de agosto, com Brasil x China pelo vôlei feminino. No mais, todas as partidas envolvendo um selecionado verde-amarelo não vai ocorrer antes das 7h15 da manhã - bom, especialmente, para as TVs.

Outro fato a ser observado é que o vôlei masculino do Brasil, embora cambaleante nas duas últimas temporadas, foi bastante privilegiado na confecção da tabela. Todas as partidas do sexteto nacional serão em horário nobre em Londres, na sessão noturna (no caso do vôlei, a partir das 20h, horário local, 16h, horário de Recife e Brasília). E mais: quatro dos cinco jogos da primeira fase são dos que encerram o dia de competições, estão marcados, a princípio, para as 22h no relógio britânico.

Para que se tenha ideia do que isso significa, o time masculino de basquete dos EUA jogou todas suas partidas de primeira fase em Pequim/2008 na sessão da noite. Além do quê, a previsão é de que, às 22h, as competições diárias de atletismo, ginástica e natação (três modalidades de grande audiência global nos Jogos) já tenham encerrado, restando poucas opções TV ao espectador olímpico.

Veja a tabela de partidas do Brasil na primeira fase dos esportes coletivos. Os horários são de Recife e Brasília, quatro horas a menos que o fuso horário inglês no período.

25/7
14h45 - Futebol fem. - Brasil x Camarões

26/7
15h45 - Futebol masc. - Brasil x Egito

28/7
10h30 - Futebol fem. - Brasil x Nova Zelândia
10h30 - Handebol fem. - Brasil x Croácia
16h00 - Basquete fem. - Brasil x França
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Turquia

29/7
07h15 - Basquete masc. - Brasil x Austrália
11h00 - Futebol masc. - Brasil x Bielorrússia
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Tunísia

30/7
12h45 - Vôlei fem. - Brasil x EUA
12h45 - Basquete fem. - Brasil x Rússia
15h30 - Handebol fem. - Brasil x Montenegro

31/7
12h45 - Basquete masc. - Brasil x Grã Bretanha
15h45 - Futebol fem. - Brasil x Grã Bretanha
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Rússia

1º/8
10h30 - Futebol masc. - Brasil x Nova Zelândia
10h30 - Basquete fem. - Brasil x Austrália
12h15 - Handebol fem. - Brasil x Grã Bretanha
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Coreia do Sul

02/8
12h45 - Basquete masc. - Brasil x 3º Pré-Olímpico Mundial
16h00 - Vôlei masc. - Brasil x EUA

03/8
05h30 - Vôlei fem. - Brasil x China
10h30 - Basquete fem. - Brasil x Canadá
12h15 - Handebol fem. - Brasil x Rússia

04/8
12h45 - Basquete masc. - Brasil x China
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Sérvia

05/8
07h15 - Handebol fem. - Brasil x Angola
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Sérvia
18h15 - Basquete fem. - Brasil x Grã Bretanha

06/8
16h00 - Basquete masc. - Brasil x Espanha
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Alemanha

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Fácil e preocupante

O sorteio desta tarde colocou Rússia, Croácia, Montenegro, Angola e Grã Bretanhano caminho da Seleção Brasileira feminina de handebol. Carne de pescoço, mesmo, é a Rússia, campeã mundial em 2009, medalha de prata em Pequim/2008. Croácia e Montenegro não têm lá muita tradição na modalidade (a Croácia é potência do handebol, mas só do masculino). Angola tem um handebol emergente, sempre conquista títulos africanos, sempre consegue um ou outro bom resultado em mundiais, mas nunca levantou nenhuma taça relevante de verdade (feito o Brasil, diga-se). E a Grã Bretanha, que montou um time só pra participar dos Jogos Olímpicos, não deve oferecer resistência a ninguém, deve ser uma anfitriã generosa e derrotada - ao menos, no handebol. No mundial passado, o Brasil, no torneio que decidia entre o quinto e o oitavo lugar, venceu a Croácia por um gol de diferença e a Rússia por incríveis 16. Assim, não será surpresa se o Brasil, apesar da pouca tradição, terminar em segundo ou até em primeiro no grupo. Tudo certo, não é? O sorteio trouxe boa sorte às brasileiras, hein?

Não. Não é bem assim.

O grupo pode ser considerado fácil. Tanto pelo momento que as meninas do handebol atravessam, com vitórias recentes sobre França, Suécia, Rússia e dois empates contra a Noruega, quanto, principalmente, pelos times que formam o outro grupo - Noruega, França, Espanha, Dinamarca (as quatro semifinalistas do mundial passado), Suécia (campeã europeia) e Coreia do Sul (seleção não-europeia mais tradicional do esporte). Daí, vem a preocupação.

Se o Brasil passar (e, convenhamos, vai passar) para as quartas-de-final, é certo que vai enfrentar uma seleção de ponta - exceção que talvez se faça à Suécia. Por isso, não entendo ainda ao certo o clima de otimismo dos sites nacionais, exaltando a "sorte" que as brasileiras deram ao escapar do grupo da morte. Porque é uma sobrevivente da lá que as aguarda no primeiro mata-mata.

sábado, 28 de abril de 2012

Os 17 com ele


(foto: fivb.org)

É claro que a convocação de Ricardinho pra disputa da Liga Mundial deste ano monopolizou o noticiário do vôlei neste fim de semana. Até o blog de Bruno Voloch reconheceu. O cara não joga pela Seleção Brasileira desde a Liga Mundial de 2007, quando, aliás, foi até escolhido o melhor jogador do campeonato, e não é pra menos o alvoroço causado pelo retorno dele. Ele é um dos melhores levantadores da história (talvez, o melhor) e sua ausência pode ter sido um dos fatores que levaram o Brasil a não trazer o ouro de Pequim (enfatizo, um dos fatores, um dos!). Todas as explicações sobre o corte dele pro Pan do Rio/2007 me soam estranhas e nem vou repeti-las ou especular. Passou - eu acho. Certo é que a lista de Bernardinho teve muito mais que o nome agora ex-desafeto.

Lucarelli e Maurício foram ótimas convocações. Estão entre os 18 jogadores da primeira fase da Liga Mundial e, ao que parece, concorrem com João Paulo Bravo pela vaga como quarto ponteiro no time definitivo - somente 14 disputarão a fase final da Liga, na Bulgária. Maurício foi campeão da Liga em 2010, mas atuando como líbero reserva de Mário Júnior. Assim como Bravo, se destaca no passe. Já Lucarelli, se aprender a passar e continuar com a potência que tem no ataque, será titular absoluto da seleção no próximo ciclo olímpico. Pensando no presente, com Dante, Murilo e Giba no elenco, o que, teoricamente, faz com que reste apenas uma vaga na posição, acho que João Paulo Bravo e Maurício têm mais chances do que Lucarelli, com pequena vantagem para Bravo, pois tem sido convocado regularmente. Contudo, o exemplo de Marlon, que revezava a titularidade do time com Bruno, deve alertá-lo.

(Convocar Bruno em vez de Marlon tem o mesmo efeito prático do contrário. Os dois têm um estilo parecido, oscilam bastante e não era incomum o reserva terminar uma competição no time principal. No fim das contas, Ricardinho volta mesmo é pra ser titular da seleção.)

Já na saída de rede, a surpresa foi Renan. O cara tem 22 anos e 2,17m e, com Leandro Vissotto, Théo e Wallace, está com o grupo só pela experiência mesmo. Vissotto, que tem sido titular da posição, dificilmente deixará de ser convocado pra fase decisiva da Liga e pras Olimpíadas. Se Bernardinho optar por três opostos, sem problemas, Théo e Wallace (que é o do Cruzeiro, não o do Sesi) estão dentro. Mas, se apenas dois jogadores da posição forem convocados, acho que o cruzeirense tem vantagem, embora Théo tenha sido convocado mais vezes e até tenha sido campeão mundial na Itália/2010.

Serginho e Mário Jr. como líberos era o esperado. Assim como, no meio-de-rede, a não convocação de Gustavo, com Éder, Lucão e Sidão no elenco. Até aqui, uma convocação indiscutível.

O único senão na lista é Rodrigão. Certo, ele foi, pra mim, o melhor jogador da seleção no Mundial da Italia há dois anos, tem uma história longa e vitoriosa no time etc., etc. Mas não vem jogando mais nada. Aliás, esse ano, passou mais tempo na reserva do Sesi do que em quadra. Repito, é o único senão.

Se a seleção não tem mais o favoritismo destacado que teve nos últimos anos, ao menos tem time pra disputar, de igual pra igual, com qualquer um. Conquistar o deca da Liga Mundial e o tri olímpico não são obrigação. Mas elenco para lutar por esses títulos, ao que indica a convocação de ontem, a seleção tem.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Youtube olímpico VII

Em homenagem ao Dia do Goleiro, um momento histórico para um guarda-metas brasileiro numa Olimpíada. O momento maior, talvez.

Seul, 1988. Naqueles Jogos, assim como em Los Angeles/1984, não havia limite de idade para inscrever um jogador no torneio olímpico de futebol. Essa restrição de seleções sub-23, inchertadas por até três atletas de qualquer idade, só começou a valer em 1992. Em 1984 e 1988, a única restrição era que o jogador jamais houvesse disputado uma Copa do Mundo.

A Seleção Brasileira fazia uma campanha irretocável na Ásia. Sob comando técnico de Carlos Alberto Silva, o time de Romário, Bebeto, Neto, Jorginho, Valdo, André Cruz e Geovani venceu todos os jogos da primeira fase (4-0 Nigéria, 3-0 Austrália e 2-1 Iugoslávia). Nas quartas, a vítima foi a rival eterna Argentina, num suado 1-0, gol de Geovani lá de longe. Parêntese: depois dessa derrota para o Brasil, nunca mais a Argentina competiu no futebol olímpico sem chegar à decisão do torneio - não foi a Barcelona/92 nem a Sydney/2000, foi prata em Atlanta/1996 e ouro em Atenas/2004 e Pequim/2008. Nas semis, Brasil vs Alemanha. Alemanha Ocidental.

Nos tempos do (pseudo-)amadorismo, a Alemanha do lado leste do muro tinha muita tradição olímpica, com quatro medalhas e um título em Montreal/1976. Mas, nas Copas do Mundo, nada. Já os alemães capitalistas, ao contrário, tinham tradição de apanhar nos campeonatos do COI, mas, vira e mexe, sempre estavam (e estão) entre os quatro melhores dos mundiais da Fifa. Contudo, os germano-ocidentais desses Jogos eram diferentes: como pregava o regulamento, eram profissionais virgens de Copa, mas bons de bola, como Juergen Klismann, que seria campeão mundial na Itália, dois anos depois - daquele time, além de Klinsmann, Thomas Haessler, Frank Mill e Karlheinz Riedle também venceram a Copa de 1990.

A campanha alemã em Seul era bastante tranquila. Na fase inicial, 3-0 sobre a China e 4-1 na Tunísia, com uma derrota muito a contento diante da Suécia, por 2-1. Derrota boa (que é o outro nome para resultado arranjado) porque colocou os germânicos diante de Zâmbia no mata-mata. Zâmbia, que assombrara o mundo fazendo 4-0 na Itália, recebeu o placar de volta nas quartas e voltou pra casa. E a Alemanha Ocidental estava nas semifinais olímpicas, pela primeira vez.

O jogo entre Brasil e Alemanha foi dominado amplamente pelos europeus no tempo normal. Depois de um injusto 0-0 no primeiro tempo, Holger Fach inaugura o marcador aos 5 minutos da segunda etapa, graças à falha da linha burra brasileira. Só aí é que o Brasil acordou em campo e chegou ao empate aos 34, com um gol do Romário (prenúncio de que, em semifinal, o baixinho faz gol de cabeça). Mas, um minuto e meio depois, Klinsmann sofre um pênalti que vai mudar a história do jogo.

O zagueirão Wolfgang Funkel cobrou rasteiro, no canto esquerdo, e foi a vez do herói brasileiro naquele dia aparecer. Taffarel fez a defesa em dois tempos, não deu rebote e levou o jogo para a prorrogação. Diga-se, de passagem, que ele já havia feito ótimas defesas durante a partida e era somente graças a ele que a vitória não foi alemã já no primeiro tempo.

Na prorrogação, os dois times cansaram, mas destaca-se uma arrancada de Romário que quase parou dentro do gol. E foi só. Pênaltis. Um momento histórico, de verdade.

Taffarel abriu os trabalhos defendendo a cobrança de Janssen, ao que João Paulo converteu seu chute e fez Brasil 1-0. Aí, Klinsmann deslocou o goleiro e acertou a trave, enquanto Luis Carlos Winck (se lembra dele?) quase não tomou distância pra dobrar a vantagem da seleção canarinho. Kleppinger e Romário deixaram o marcador em 3-1, e bastava ao Brasil um gol ou uma defesa para ir à final. Fach fez. E André Cruz, famoso por suas cobranças de falta, não. Brasil 3-2. Perigo? Tudo certo. O dia era de Taffarel e ele espalmou pra longe o chute de Wuttke e as chances alemãs. Brasil na final. Taffarel? Três pênaltis defendidos, o herói do dia. E, um dia, se converteria num herói das decisões por pênaltis também em Copas do Mundo.

Quatro dias depois, o Brasil seria derrotado pela União Soviética por 2-1 e ficaria com a prata. Na luta pelo bronze, os alemães passariam por cima do time italiano com um 3-0.

O mais curioso de tudo é que, depois desse 27 de setembro de 1988, nunca mais uma seleção masculina alemã foi derrotada numa decisão por pênaltis. Falo em Copas do Mundo, Mundiais sub-17 e sub-20, campeonatos europeus (adultos ou de jovens). Histórico o feito de Taffarel ou não? E também nunca mais o futebol masculino alemão conseguiu chegar, de novo, aos Jogos Olímpicos.

Por tudo disso, em homenagem ao Dia do Goleiro, é que vale a pena ver essa meia hora de vídeo, com narração alemã, do compacto da partida. Uma das grande partidas de futebol nos Jogos Olímpicos.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Começa por aqui




A saga brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres/2012 começa no dia 25, antevéspera da cerimônia de abertura, quando as meninas do futebol entrarem em campo contra Camarões. A partida será no Millennium Stadium, em Cardiff, um dos estádios mais bonitos do mundo, que já foi sede, inclusive, da Copa do Mundo de Rugby de 1999. No dia seguinte, no mesmo gramado, o time masculino enfrenta o Egito.

Quis o sorteio que o País de Gales fosse a porta de entrada para a delegação do Brasil nas Olimpíadas do Reino Unido. Quis o sorteio, também, que a seleção feminina, cambaleante como está, ficasse num grupo relativamente fácil, em que pudesse enfrentar a Grã Bretanha, mas também Nova Zelândia e Camarões.

O sorteio ainda determinou que o time de Mano Menezes também ficasse numa chave tranquila e com boas possibilidades de pegar um adversário mediano nas quartas-de-final, pois, se terminar mesmo em primeiro lugar, joga contra o segundo colocado do grupo da Espanha - que deve ser, convenhamos, Honduras, Japão ou Marrocos.

O primeiro evento olímpico de verdade foi hoje. E o Brasil começou, ao que parece, com sorte.

Futebol - Torneio masculino
Grupo A
Grã Bretanha
Senegal
Emirados Árabes
Uruguai

Grupo B
México
Coreia do Sul
Gabão
Suíça

Grupo C
Brasil
Egito
Bielorrúsia
Nova Zelândia

Grupo D
Espanha
Honduras
Japão
Marrocos

Futebol - Torneio feminino
Grupo E
Grã Bretanha
Nova Zelândia
Camarões
Brasil

Grupo F
Japão
Suécia
Africa do Sul
Canadá

Grupo G
EUA
França
Colômbia
Coreia do Norte

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Luvas de casa



No mundial masculino de boxe amador do ano passado, em Baku, que distribuía entre seis e dez vagas olímpicas para cada uma das 11 categorias de peso, os turcos não conseguiram nada. Zero vaga. Mas, aí, no pré-olímpico europeu, que terminou no último sábado, a reviravolta. Enquanto França e Grã Bretanha conquistaram duas vagas cada uma, e Rússia, Itália e Alemanha só aumentaram em um o número de seus atletas no ringue londrino, a Turquia carimbou logo seis passaportes. O pré-olímpico foi em Trabzon, na Turquia, e isso pode explicar essa enxurrada turca no torneio continental. E traz, por que não?, boas perspectivas para o córner brasileiro também.

O pré-olímpico das Américas é entre 4 e 13 de maio, no Rio de Janeiro. O Brasil já tem três vagas asseguradas (todas muito bem conquistadas no mundial) e deve conseguir mais algumas. Talvez, até, supere o número de seis lutadores numa Olimpíada, recorde nacional estabelecido em Helsinque/1952 e igualado em Atlanta/1996, Sydney/2000 e Pequim/2008. Não só porque Cuba, o bicho papão, já tenha sete classificados e só possa pleitear mais quatro vagas, mas porque lutar em casa propicia esses milagres. Por quê?

Não sei. Sei, porém, é que o santo caseiro dos ringues, que esteve na Turquia semana passada, já deu um título pan-americano ao brasileiro Pedro Lima, no Rio/2007, na categoria meio-médio ligeiro, mas ele, sequer, conseguiu representar o país em Pequim. Se o pré-olímpico tivesse sido aqui, e não, no Caribe...

sábado, 14 de abril de 2012

Muito além do nervosismo

(foto: FIVB.org)


Vôlei brasileiro anda tenso. Nem nos tempos áureos em que os brazucas se digladiavam em cima e embaixo da rede com os cubanos a coisa era desse jeito. Esse final de ciclo olímpico tem sido desgastante além da conta e a pressão sobre os protagonistas do esporte por aqui parece insuportável.

Os clubes da Superliga (masculina, principalmente) podem ter sido vítimas do fim previsível da hegemonia da seleção brasileira. Também não se descarte o número excessivo de jogos como razão pra que ninguém fale mais a mesma língua na babel do vôlei nacional. Deve haver uma ou outra razão além dessas (más arbitragens, em alguns casos, são o motivo mais visível pro jogador perder a cabeça), mas o fato é que todo mundo está nervoso.

Senão, recordemos.

Na Copa do Mundo masculina, em novembro do ano passado, num jogo contra a Argentina, Serginho foi defender (?!) Murilo de uma bronca de Bernardinho e fez uma sugestão bastante deselegante ao treinador do time. Anúncio de clima pesado na seleção? Prenúncio de tensão exagerada na Superliga.

Já na Superliga, num jogo ainda no primeiro turno entre Sesi e Cimed, em São Paulo, Murilo e Bruno se desentenderam feio por causa de uma marcação duvidosa da arbitragem. Tão feio, que Murilo entrou na quadra catarinense pra discutir com o levantador a respeito do lance. Não foram só eles que perderam a cabeça.

Lorena, que até parece gostar do confronto direto com torcida e jogadores rivais, também já levou a pior desses momentos dissonantes. No segundo turno, em Florianópolis, o oposto do Vôlei Futuro começou a discutir além da conta com a torcida da Cimed e se perdeu em quadra. E houve, ainda, uma discussão dele no segundo jogo semifinal contra o RJX, no Rio, quando teve de ser contido pelos companheiros pra não avançar em cima de Théo, do time da casa.

O RJX, aliás, foi pivô da confusão mais esdrúxula da temporada. Na noite dessa sexta-feira, no terceiro confronto semifinal contra o Vôlei Futuro, Marlon e Riad tiveram de ser apartados pelo time. Riad foi substituído logo em seguida e quis ir embora do ginásio, mas terminou voltando e assistindo, do banco, à derrota carioca.

No fim das contas, os jogadores depois das brigas dizem que "é do jogo", que "até já fizeram as pazes" e aquele lenga-lenga de sempre.

É preciso observar que os alterados não são jogadores inexpressivos, não foram discussões de Zé Buchudo com Mané Dois Toques. São atletas de seleção (ou selecionáveis, vá lá), que jogam em clubes de investimento pesado, que são paparicados por sites, jornais e TVs. E são só mais um reflexo de que alguma coisa está errada no vôlei brasileiro.

Porque a esse destempero em quadra somam-se os episódios de nazi-racismo em Belo Horizonte e em Rio do Sul (aí, na SL feminina), somam-se os ginásios de goteiras inexplicáveis, somam-se os horários e datas de jogos alterados quase em cima da hora pra satisfazer a televisão, somam-se os atletas que se contundiram devido ao excesso de jogos.

Seja no calendário de competições, seja na direção dos clubes, da seleção, das federações, da confederação, seja lá onde for, há algo de podre na quadra brasileira e isso nem a mídia oficial consegue mais esconder.

domingo, 8 de abril de 2012

Fechou a conta na quadra. E o Brasil?

Nesta semana, definiram-se as seis vagas olímpicas que restavam no handebol masculino. Quem não conseguiu classificação aos Jogos por não ter sido campeão continental ou mundial, ou não ser a própria Grã Bretanha, teve de se virar num dos três torneios pré-olímpicos. Suécia, Hungria, Croácia, Islândia, Espanha e Sérvia foram agraciadas com o direito de competir em Londres.

Curiosidade: dos quatro semifinalistas em Pequim/2008, só a França, campeã mundial em 2011, já estava assegurada nos Jogos; Islândia, Espanha e Croácia tiveram de ralar um mais um bocadinho. Mas todo mundo passou, sem trauma, sem drama.

E o Brasil?

A Seleção Brasileira jogou o pré-olímpico na Suécia. Mesmo sem vaga e sempre correndo por fora, até que não fez muito feio. Perdeu um jogo equilibrado para Suécia, venceu a Macedônia num jogo apertado, mas amistoso, já que ninguém tinha mais chances, e, poderia ter vencido a Hungria, no sábado, resultado que, junto à hipotética vitória contra os macedônios, teria levado o time brasileiro para Londres. Mas não venceu. Teve chance de empatar e falhou em dois ataques consecutivos, no finzinho do jogo. Ficou fora, depois de estar presente às duas últimas olimpíadas.

Se Manoel Luiz Oliveira tem a chance de ver seu sétimo mandato à frente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) coroado com uma boa campanha das meninas em Londres, vai ser, e com razão, criticado pelo marasmo nas categorias de base, nos clubes e na seleção masculina - que, na vera, mesmo, perdeu a vaga pra Argentina, em Guadalajara, ano passado. Estagnado, o handebol brasileiro vê, passivamente, o argentino evoluir e assumir a liderança continental da modalidade. Enquanto a Argentina fez uma campanha brilhante no mundial passado, vencendo Suécia e Eslováquia, e empatando com a Coreia do Sul, o Brasil perdeu, até, do Japão, naquele campeonato.

São sete mandatos de Manoel Oliveira, e o Brasil ainda não é capaz de fazer frente a seleções medianas da europa - como é o caso da Hungria (o jogo com a Macedônia não valia muita coisa, né?). São sete mandatos de Manoel Oliveira, e o Brasil também não foi capaz de suplantar os hermanos na luta pela vaga olímpica. Mas, se as meninas voltarem de Londres com medalha, tudo estará bem, dirão que o "o projeto handebol feminino teve êxito", repetirão que foi o "resultado de um longo trabalho" e outras lengas. Não é assim?

(foto: SEED.gov.br)

Fechou a conta na piscina. E o Brasil?

O pré-olímpico mundial deste fim de semana, no Canadá, definiu as quatro últimas vagas olímpicas do polo aquático masculino. Montenegro, Espanha, Grécia e Romênia vão a Londres. A novidade foi a classificação da Romênia, que não ia a uma olimpiada desde Atlanta/1996.

E o Brasil?

A Seleção Brasileira fez uma primeira fase, como esperada, bem irregular no torneio. Levou uma surra da Espanha, perdeu pra única rival de verdade que tem no esporte, o Canadá, goleou a Argentina e empatou com a Turquia. Ruim, mas normal. E, mesmo assim, nas quartas-de-final, ainda ficou a uma vitória da vaga pra Londres. Simples assim. Se vencesse, carimbava o passaporte. Só que tomou de 19-8 da Romênia.

A distância em relação aos europeus é grande demais. Distância que a eterna gestão de Coaracy Nunes Filho (presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, e não da Confederação Brasileira de Natação, como às vezes parece) não fez nada para diminuir.

O Brasil não manda uma seleção para as Olimpíadas desde Los Angeles/1984. Mas tudo bem. Porque, enquanto Cielo trouxer medalha pra casa, ninguém vai questionar o presidente por causa de outro resultado ruim no polo aquático.

(foto: bestswimming.com.br)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Mau retrato

(foto: CBF)


Admito: fui enganado. Ver a Seleção Brasileira feminina de futebol enfrentar EUA e Japão nesta semana me fez acreditar que alguma coisa, ainda que de muito longe, havia mudado. Nem que fosse a mentalidade da CBF, que sempre tratou a modalidade como produto de fim de feira. Ou, pelo menos, eu achava que os jogos serviriam pra preparar o time pras Olimpíadas. Nada disso.

Os dois jogos sem Marta serviram, apenas, para mostrar o que todo mundo sabia desde sempre: sem Marta, sem chance. As duas goleadas que o Brasil sofreu essa semana fazem crer que esse time, sem sua craque, é bem mais fraco do aquele dos anos 90, que tinha Roseli, Sissi, Pretinha, mas do qual ninguém podia esperar muita coisa, além de uma luta danada e alguns resultados surpreendentes. Do time de hoje, quando a dez não joga, não se pode esperar, nem mesmo, que encare um adversário de gabarito.

Mudou o treinador. Saiu Kleiton Lima, em novembro, e voltou Jorge Barcellos, vice-campeão mundial na China, em 2007, e prata em Pequim/2008. E a defesa continua horrível. Aline sabe fazer gol de cabeça, Daiane tem boa estatura, mas as duas não ganham uma bola cruzada na área. Hoje, eu fico até surpreso que Wambach só tenha conseguido fazer um gol de cabeça nessa defesa aos 17 do segundo tempo da prorrogação, na Copa do Mundo do ano passado.

O meio-de-campo e o ataque são incapazes de segurar uma bola, de trocar passes (mesmo aqueles improdutivos, de lado) de evitar que o time adversário se arme e desça com tudo contra a defesa brasileira. Pedir uma boa jogada, então, é querer demais. Querer que as meias chutem de fora da área, arma mortal no futebol feminino, também é pedir muito. Querer que Cristiane se pareça com a que jogou entre 2004 e 2008, então, nem se fala. Mas ela não é, necessariamente, "a maior culpada" de alguma coisa. Seria injusto dizer isso.

Porque o time inteiro não rende bulhufas, como diz meu pai. Elas esperam que Marta receba uma bola casual ali na frente, saia driblando todo mundo e faça o gol sozinha ou presenteie alguém com um passe na cara do gol. Conclusão terrível: se Marta, por azar, ficar fora de alguma partida decisiva nas Olimpíadas, adeus!

Contudo, se as meninas não estão jogando nada, há de se reconhecer que a CBF tem muita culpa nisso. José Maria Marin não entra em campo, não marca a atacante que fez o gol de cabeça, não tabela com Marta, mas ele, que assumiu a CBF há quase um mês, ainda não se pronunciou sobre a modalidade. Ainda não disse o que espera da seleção, se quer manter esse campeonato mequetrefe que chamam de "Copa do Brasil"; não fala nada sobre categorias de base, não está nem ligando se a seleção foi jogar contra os dois favoritos ao ouro olímpico e só chegou ao Japão 48 horas antes da estreia.

Sim, 48 horas foi o que as meninas tiveram para se acostumarem a trocar o dia pela noite no Japão. Certo, a seleção passou uns dez dias treinando em Boston, mas, por que não foi direto para o Japão? Foi dinheiro o que faltou à CBF?

Esses dois jogos, que se juntam à derrota para o Canadá, no mês passado, mostram que a preparação para os Jogos de Londres vai ser tensa e que, mesmo na Inglaterra, o time vai sofrer muito, quando Marta não jogar ou não estiver muito inspirada. Mas o retrato do descaso da CBF com o futebol das mulheres, pra mim, é o uniforme.

Enquanto o time masculino já enfrentou a Bósnia, mês passado, de roupa nova, sem aquela camisa chinfrim de 2011, é esse uniforme velho, surrado, pavoroso que as brasileiras ainda estão estão usando. Feio como o futebol que jogaram no Japão e como é o tratamento que a CBF lhes dá.

domingo, 1 de abril de 2012

Invictos


(foto: ittf.com)

A China venceu os mundiais masculino e feminino de tênis de mesa por equipes. Melhor do que isso: as duas seleções não foram derrotadas em nenhuma série melhor-de-cinco por nenhuma outra seleção. Mas o time masculino foi melhor: fez 3 a 0 em todas os confrontos e saiu de Dortmund, na Alemanha, sem que ninguém conseguisse bater qualquer um de seus jogadores (o time feminino perdeu uma partida nas semifnais, contra Hong Kong, e por isso o título desta postagem é só "Invictos", e não "Invictos e invictas").

(Explicação rápida: nesse mundial, não há confrontos de duplas, só partidas de simples.)

Será que, em Londres, alguém consegue parar os chineses bons de mesa? Difícil, já que, desde a inclusão do tênis de mesa nas olimpíadas, em Seul/1988, a China só não levou quatro medalhas de ouro em disputa, ficando com os outros 20 ouros possíveis (em Atlanta/1996, Sydney/2000 e Pequim/2008, todos os títulos foram chineses).

Antes que eu esqueça, o Brasil terminou o campeonato em 28º lugar, no masculino, e em 36º, no feminino. Isso quer dizer que os dois times segue, para 2014, no Mundial de Tóquio, na segunda divisão. São cinco as divisões no masculino e quatro no feminino, cada uma contando 24 times.

Já podia valer medalha

Semana de jogaços no futebol feminino. De hoje até quinta-feira, no Japão, o time da casa enfrenta EUA e Brasil e, de quebra, ainda hospeda uma partida entre as duas seleções. São jogos amistosos, é claro, mas podem valer muita coisa, já que, com a Alemanha fora do páreo, é bem possível que as três seleções dividam o pódio olímpico (embora não se descarte uma intromissão da Suécia na distribuição dessas medalhas). O desfalque desses amistosos é Homare Sawa, eleita melhor do mundo em 2011, pela Fifa, ausente por problemas de saúde.

Hoje pela manhã, numa reedição da final da Copa do Mundo do ano passado, EUA e Japão empataram em 1 a 1. Kinga abriu o placar para o Japão no primeiro tempo e Alex Morgan, autora do primeiro gol ianque na decisão do mundial, empatou para as visitantes.

Na terça-feira, às 8h da manhã (horário do Recife), o Brasil pega os EUA, o confronto de maior rivalidade do futebol feminino. E na quinta-feira, às 7h45 da manhã, as brasileiras enfrentam as campeãs mundiais e donas da casa. O Bandsports transmite os dois amistosos ao vivo.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Eton foi logo ali

(foto: facebook.com/LuanaBartholo)


Foram apenas 40 dias de treinamento, mas Fabiana Beltrame e Luana Bartholo conquistaram o direito de disputar os Jogos Olímpicos nas regatas do skiff duplo peso leve. A vaga para Londres (Eton, na verdade, pois esta é a sede das provas de remo e canoagem) veio nesse fim de semana, nas raias de Tigre, na Argentina, com um segundo lugar no pré-olímpico latino-americano. Será a terceira olímpíada consecutiva para Fabiana, que vai completar 30 anos mês que vem, e a estreia para Luana, que completou 27 mês passado.

Se pensar em pódio parece um sonho ainda distante, distância aumentada pelo curto período de existência da dupla, Luana Bartholo quer, ao menos, fazer história em seu debut olímpico. Seu desejo, em Londres, é "chegar à final A, estar entre as seis melhores do mundo. Mas, se conseguirmos a final B, já será o melhor resultado do Brasil (no remo feminino) em Olimpíada". Até hoje, o máximo que uma remadora brasileira conquistou numa edição dos Jogos foi o 14º lugar de Fabiana Beltrame no skiff simples, em Atenas/2004, posição que obteve com a segunda colocação na final C. Em Pequim/2008, Fabiana venceu a final D, o que a classificou como 19ª.

A expectativa da carioca, de pôr o barco brasileiro entre os 12 melhores, se explica justamente naquilo que é a maior desvantagem do time: o tempo curto de existência da dupla. O êxito na missão pré-olímpica faz a atleta pensar que as duas podem chegar bem longe.

"Perdemos um pouco (de tempo), sim, porque as outras duplas já estão formadas há pelos menos dois anos. Mas tenho certeza de que com foco e determinação conseguiremnos compensar a falta de tempo. Treinamos juntas só 40 dias e já conseguimos ganhar de duplas campeãs pan-americanas", diz a remadora, que, como Fabiana, também é atleta do Flamengo.

Na Argentina, as brasileiras só ficaram atrás das donas da casa, Milka Kraljev e María Klara Rohner (campeãs no Pan de Guadalajara, competindo no skiff quádruplo). Por outro lado, as remadoras tuniquins deixaram para trás a dupla mexicana Analicia Ramirez e Lila Perez Rul, e o barco das cubanas Yoslaine Dominguez e Yaima Velazquez, ouro e prata, respectivamente, no Pan de Guadalajara (Yaima também foi ouro no Pan do Rio/2007, remando com Ismaray Marrero).

O próximo teste para a agora dupla olímpica do Brasil no skiff peso leve será na segunda etapa da Copa do Mundo de Remo, entre 25 e 27 de maio, em Lucerna (Suíça). Luana Bartholo e Fabiana Beltrame já terão mais dois meses de remadas e poderão mostrar do que serão capazes mais dois meses adiante, quando estarão no lago de Eton, a uma hora de Londres.

Bom de verdade

(foto: handball.no)


Sempre que leio que alguma seleção brasileira de handebol se deu bem contra um gigante europeu, corro pra ver se o time adversário era o titular. Lembro que, ano passado, o time masculino que se aprontava pro Pan de Guadalajara venceu algumas partidas contra a Dinamarca. Um resultado de botar medo em todo mundo, não fosse o fato de os dinarqueses terem vindo ao Brasil com um time sub-25. Mas quando dizem que os dois empates do time feminino contra a Noruega foram animadores, sou obrigado a concordar: as nórdicas levaram para os amistosos da semana passada, em Londres, várias campeãs do mundo de 2011.

A artilheira da decisão contra a França, Kristine Lunde (foto), e também Marit Frafjord, Karoline Breivang, Kari Johansen, Heide Loke, Linn Sulland, e por aí vai. Não descobri se a goleira era Haraldsen, mas tudo bem (só encontrei no site da federação norueguesa informações sobre quem fez os gols do time em cada jogo, nada sobre qualquer outra estatística).

Foram duas provas de fogo e as brasileiras se saíram bem. O primeiro empate, em 29 gols, na quinta-feira, teve como goleadoras a norueguesa Sulland e a ponteira brasileira Alexandra, ambas com 8 gols. Já no segundo amistoso, no sábado, com empate em 25, Duda Amorim marcou 11 vezes e fez mais gols do que todo mundo.

Resultados que fazem o torcedor olhar com esperança para o futuro e com uma pontada de dor para o passado: foi um gol a 15 segundos do fim da partida contra a Espanha, nas quartas-de-final, que tirou o Brasil da caminho da Noruega nas semis. O resultado era imprevisível, mas dá pra pensar que teria sido um jogão.