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domingo, 11 de março de 2012

Os antigos

O Mundial indoor de Istambul trouxe de volta três nomes que andavam sumidos no cenário do atletismo internacional.

Yelena Isinbayeva passou dois anos experimentando a vida de atleta comum, viu as adversárias crescerem (Fabiana Murer foi quem tirou melhor proveito do ostracismo da musa), mas, em 2012, ela voltou com tudo e toda prosa. Dia desses, de passagem por Estocolmo, a russa fez 5,01m e estabeleceu novo recorde mundial indoor para o salto com vara. Em Istambul, ela bem que tentou, sem sucesso, subir a marca em um centímetro. Besteira: com 4,80m ela se tornou campeã mundial pela sexta vez (a quarta em estádio coberto).

Pamela Jelimo foi campeã olímpica dos 800m rasos, em Pequim, com apenas 18 anos de idade. Não satisfeita, cravou as oito melhores marcas da temporada, conquistou a extinta Golden League (venceu as seis provas que disputou) e embolsou o prêmio de um milhão de dólares. Contudo, o ouro e o dinheiro parecem ter feito mal à queniana. Em 2009, ela foi a 21ª do ranking mundial, e em 2010 e 2011, não conseguiu correr nenhuma vez a distância abaixo dos 2 minutos. Mas correu em Istambul no tempo de 1min58s83 e está voltando para casa com um título mundial, coisa que seu currículo não tinha.

Justin Gatlin, ao contrário de Isinbayeva e Jelimo, não estava sumido só por problemas de resultados na pista, mas por um resultado positivo num antidoping realizado em 2006. Campeão olímpico dos 100 e bronze nos 200m rasos em Atenas/2004, o norte-americano pegou quatro anos de suspensão e não pôde, sequer, tentar competir em Pequim. Ele voltou às pistas timidamente em 2010, correndo acima dos 10s nos 100m e passando longe dos 20s00 nos 200m. Ano passado, concentrou-se apenas nos 100m e conseguiu a única marca que obteve abaixo dos 10s desde que voltou da suspensão - 9s95. Nada, contudo, que assombrasse, já que houve quatro americanos e um monte de jamaicanos mais rápidos que ele em 2011. Só que, em Istambul, ele enfrentou o campeão olímpico e mundial no 4x100m, o jamaicano Nesta Carter, e venceu os 60m rasos - como fez em Birmingham/2003, no único título indoor que possuía.

(fotos: iaaf.org)

sábado, 10 de março de 2012

Volta por cima



Karlshure, 12 de fevereiro de 2012: o costa-riquenho Nery Brenes disputa sua primeira competição na temporada indoor e vence a prova dos 400m. Contudo, é desclassificado por ter buscado as raias internas antes da distância regulamentar.


(foto: BBC)

Birmingham, 18 de fevereiro de 2012: Nery Brenes, campeão dos 400m rasos no Pan de Guadalajara, lidera a prova indoor com folga, quando, sozinho, tropeça e cai na reta de chegada.





Istambul, 10 de março de 2012: Nery Brenes, em 45s11, se torna campeão mundial indoor dos 400m rasos.

Uma notícia boa e uma melhor ainda

(foto: iaaf)


A notícia boa é que Mauro Vinícius da Silva, embora não tenha repetido a marca de ontem, ficou com o ouro no Mundial indoor de Atletismo de Istambul. Dois saltos a 8,23m de distância asseguraram ao brasileiro um título mundial supreendente, já que, até, sei lá, anteontem, os resultados dele não eram muito expressivos.

E a notícia melhor ainda é que, quando assinalou 8,23m pela primeira vez, Mauro Vinicius fez um salto horrível, não tocou na tábua de impulsão e ficou a quase 25cm da massa que delimita os saltos válidos.

Ou seja, ele ficou com o ouro e ainda tem potencial pra fazer um salto muito melhor.

Ficou distante

(Foto: iaaf)


Bronze no salto em distância do Mundial indoor de Doha, Keila Costa passou longe de repetir sua atuação de dois anos atrás. Com a marca de 6,45m, a pernambucana foi hoje apenas a 11ª colocada e não conseguiu vaga para a final em Istambul.

Amanhã, ela ainda deve competir no salto triplo.

sexta-feira, 9 de março de 2012

A marca é boa

Com os 8,28m que saltou nas eliminatórias do Mundial indoor de Istambul, agora há pouco, Mauro Vinícius da Silva teria sido quarto colocado no mundial de Daegu e vice-campeão olímpico em Pequim/2008 no salto em distância. É bem verdade que a última final olímpica não teve lá grandes marcas na caixa de areia, mas, fazer o quê?, são os números.

Bom salto? Sem dúvida. Esperança pra Londres? Calma: só no ano passado, oito caras saltaram para além dessa marca. O que vale é que foi a melhor marca do ano e o melhor salto da vida do brasileiro.

domingo, 4 de março de 2012

Sob o teto em Istambul

(foto: http://istanbul2012wic.org )


O Mundial indoor de atletismo de Istambul, no próximo fim de semana, não é, exatamente, uma prévia olímpica, mesmo em março de 2012. Isso não quer dizer, por outro lado, que o campeonato deva ser subestimado. É claro que muita gente que já está de olho nas Olimpíadas não vai competir, mas é certo, porém, que esse pessoal vai ficar atento a quem estiver correndo, saltando e arremessando neste fim de semana.

Fabiana Murer não vai tentar defender o título mundial que conquistou em Doha, dois anos atrás. As polonesas Monika Pyrek e Anna Rogowska, campeã mundial outdoor em Berlim/2009, também não vão a Istambul . Entretanto, rivais suas, como a norte-americana Jenifer Suhr, a cubana campeã pan-americana Yarisley Silva, a britânica Holly Bleadsdale e a alemã Silk Spiegelburg estarão na disputa, assim como Yelena Isinbayeva – que, só pra meter medo em todo mundo, dias atrás, saltou 5,01m.

A prova genuína de velocidade vai ser a dos 60m rasos, porque não existe corrida indoor dos 100. No masculino, vale observar o que Justin Gatlin, homem mais rápido dos Jogos de Atenas/2004 e já sem muita pretensão nas provas outdoor, principalmente depois de longa suspensão por doping, vai fazer. Favoritismo, porém, é da dupla jamaicana – Nesta Carter, campeão olímpico e mundial em revezamentos, e Lerone Clarke, que não deve ter muita chance de ir pros Jogos de Londres e deverá correr tudo o que pode em Istambul. Eles devem protagonizar boa briga com o líder do ranking deste ano, o norte-americano Trell Kimons, outro que tem chances remotas de estar em Londres no mês de agosto.

Na mesma distância, no feminino, Veronica Campbell, atual bicampeã olímpica dos 200m rasos, bronze nos 100m rasos em Pequim e ouro no 4x100m em Atenas, é o grande destaque jamaicano, embora o favoritismo da prova seja da ianque Tianna Madison, que fez os três melhores tempos do ano e só deve assistir às olimpíadas pela televisão mesmo.

Outra prova que deve ser interessante é a do salto em altura feminino. Mesmo sem a grande estrela da prova dos últimos dois ciclos olímpicos, a croata Blanka Vlasic, o torcedor verá duas das maiores rivais da moça saltando em Istambul: a russa Anna Chicherova, bronze em Pequim e campeã mundial em Daegu e que tem batido Vlasic com certa frequência de uns tempos pra cá, e a italiana Antonietta Di Martino, bronze em Daegu. Duvido que Vlasic não assista à prova.

Boa, imagino, vai ser a luta pelo ouro no arremesso de peso masculino. A prova contará com o líder do ranking mundial outdoor do ano passado e vice-campeão do mundo em Daegu, o canadense Dylan Armstrong, o campeão olímpico Tomasz Majewski, da Polônia, o atual campeão mundial David Storl, da Alemanha, o atual vice-campeão olímpico e ex-campeão do mundo Christian Cantwell, dos EUA, além do também americano Heese Hoffa, que há muito não se destaca, mas sempre conquista boas posições.

Contudo, se eu pudesse escolher só uma prova pra assistir nesse campeonato (exceto, é claro, os saltos de Isinbayeva), eu pediria a prova dos 60m c/ barreira. É claro que o vencedor de Istambul não vai sair batendo no peito e exigindo medalha de ouro em Londres, mas ver em ação os dois últimos campeões olímpicos dos 110m c/ barreiras – Liu Xiang, que finalmente está de volta, e Dayron Robles, o vilão de Daegu – vale o ingresso sempre. E, de quebra, ainda tem o norte-americano Terrence Trammel, prata em Sydney/2000 e Atenas/2004.

Há outros nomes relevantes pra acompanhar, seja em nível nacional, como Keila Costa, bronze no mundial de dois anos atrás no salto em distância, e que vai competir, também, no triplo, e a velocista Ana Cláudia Silva, campeã pan-americana dos 200m rasos em Guadalajara, e que vai correr os 60m, seja em nível internacional, como a australiana Sally Pearson, prata em Pequim, campeã mundial em Daegu e líder do ranking mundial nos 100m c/ barreiras, e a queniana Pamela Jelimo, ouro em Pequim nos 800m rasos, que há muito não conquista nada relevante.

Em suma, da próxima sexta-feira até o domingo, vale a pena dar uma olhada no que Istambul tem pra mostrar.