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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Disciplina maldita

A convocação das sete ginastas brasileiras que vão para a aclimatação em Londres (disputam cinco vagas nos Jogos) foi um tremendo tiro no pé. A exclusão aparentemente definitiva de Jade Barbosa das Olimpíadas é o pior desfecho possível para a tragédia de erros que foi o caso envolvendo a atleta contra a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Todos erraram, mas nem todos os erros têm o mesmo peso.

Jade errou. Hesitou na hora de assinar o tal termo de compromisso para vestir a camisa da CBG, que tem patrocinador diferente do seu, e não se apresentou à seleção, ao contrário das outras colegas convocadas. Percebeu o erro. Demorou pra fazê-lo, é verdade, mas o fez. Implorou pra voltar e disse que aceita as condições da Confederação. Pronto. Isso deveria bastar.

A CBG erra. Primeiro, porque foi tão intransigente quanto a própria atleta no caso do termo não assinado. E erra, agora, porque, com o intuito de mostrar força e de dar um recado de intolerância contra a indisciplina, deixou em casa a melhor ginasta do time. Duvido, no fim das contas, que o patrocinador da Confederação queira o fardo de ter sido pivô involuntário da celeuma. E esse caso pode resultar desastroso para a equipe em Londres (o discurso hipócrita da CBG de que o Brasil já está entre os 12 melhores do mundo não vai convencer ninguém, quando o resultado mostrar que as meninas não foram além disso nos Jogos).

É preciso dizer que o Brasil por muito pouco não ficou sem equipe feminina na ginástica artística. A vaga veio com a repescagem, dependendo de uma nota razoável de Daniele Hypólito na trave, com drama, sem brilho. Sinal de uma modalidade que renovou muito pouco desde nos últimos quatro anos e que, indiscutivelmente, o país ficou para trás no cenário mundial da disputa. Abrir mão da única ginasta que teve alguma atuação decente pela seleção nesses últimos anos beira a burrice.

Nesse ciclo olímpico, na prova do salto, Jade conquistou medalha de bronze no Mundial de Roterdã/2010 e foi quarta colocada no de Tóquio, ano passado. Esses dois resultados foram as únicas participações de uma brasileira numa final por aparelhos, nos últimos três anos.

Além disso, ela coleciona um bronze no individual geral do Mundial de Stuttgart/2007 e foi décima colocada em Pequim, quando competiu gravemente contundida na mão e teve de ficar um ano afastada do esporte por isso. Foi, também a dona das melhores notas da seleção, na campanha olímpica de 2008, que deixou o Brasil em oitavo lugar.

Uma medalha para Jade não era provável, diga-se, mas ela era, sem dúvida, a melhor aposta da ginástica feminina brasileira. Poderia fazer, ao menos, um bom papel no salto e no individual geral.

Currículo, ela tem. Pedir desculpas, ela pediu. Mas isso não foi suficiente para que a CBG perdoasse a moça. O discurso de que o time é vencedor só por estar lá já começou a ganhar eco. E, pelo jeito, estará na bagagem da delegação, quando desembarcar ao Brasil.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Foi a folhinha

Ter vencido a seletiva norte-americana com o segundo melhor tempo do ano, ser o atual campeão olímpico e vice mundial da prova não foram apelo forte o suficiente para que Michael Phelps disputasse os 200m livre em Londres. O ianque, segundo seu treinador, preferiu se concentrar mais nas provas de revezamento.

É possível que o calendário olímpico da natação tenha feito o multimedalhista abdicar dessa disputa. As eliminatórias dos 200m livre estão marcadas para a sessão matutina do dia 29, com as semifinais para a noturna. Nestas mesmas sessões, o revezamento 4x100m livre dos EUA entra na piscina para defender o título suado 2008. A decisão dos 200 livre está marcada para a noite do dia 30, quando estão marcadas também as semifinais dos 200 borboleta (eliminatárias pela manhã).

Qual seja, em dois dias, se tudo der certo, o norte-americano terá nadado sete vezes, com perspeciva de, no dia seguinte, cair na piscina outras três - para as provas do 4x200 livre e para a final dos 200 borboleta. Claro que provavelmente ele seja poupado de uma ou outra prova de revezamento, mas vai ser, ainda assim, uma maratona desgastante.

Porque, no fim das contas, Michael Phelps vai disputar os 100 e 200 borboleta, os 200 e 400 medley e os revezamentos 4x100 livre e medley e 4x200 livre. E disputar sete medalhas nos Jogos Olímpicos, para quem completou 27 anos no sábado passado, é um desafio ao condicionamento físico, um acinte. Sete medalhas em Londres, sem importar a cor delas, se vierem, virão com mais sacrifício do que os oito ouros de Pequim, quando, inclusive, o calendário lhe foi mais simpático.

Olhos abertos


(foto: zimbio.com)

Ninguém duvidava que Usain Bolt se classificasse para defender, em Londres, os títulos dos 100 e 200m rasos. E suas marcas nas seletivas jamaicanas não foram nada desprezíveis - 9s86 e 19s83, respectivamente. Entretanto, o que deve estar tirando o sono do jamaicano é que esses tempos não foram suficientes para bater seu compatriota Yohan Blake.

É claro que o importante numa seletiva olímpica é a vaga. Mas é pouco achar que Bolt estava correndo em Kingston só pensando no carimbo no passaporte, e não, no resultado em si. Ele sabe - Blake também - que esse duelo caseiro era uma importante batalha de uma guerra psicológica que deve eclodir em Londres. E Blake, essa batalha, venceu.

Admito que o título mundial nos 100m rasos não foi o que mais me espantou em Blake - e acho que nem a Bolt. Porque muito mais se creditou sua vitória ao erro do adversário, que queimou a largada, do que à velocidade do campeão. Só fui perceber que o homem era rápido de verdade, quando venceu os 200m rasos no meeting de Bruxelas, com um tempo muito próximo do recorde do compatriota (até fiz uma crônica sobre o caso).

Se eu já pensava que Blake poderia vencer os 200m rasos em Londres, começo a acreditar que isso seja possível, também, nos 100. E acho que agora até o Homem-Raio, embora ainda favorito, também acredita nisso.

domingo, 1 de julho de 2012

As últimas



Com a vitória do Canadá agora há pouco sobre o Japão, estão definidas as seleções do femininas de basquete em Londres. As canadenses ficaram com a quinta e última vaga do pré-olímpico. A superstição recomenda champagne: as duas últimas participações canadenses em Jogos Olímpicos coincidiram com as duas únicas medalhas do basquete feminino do Brasil.

O Canadá se junta a Croácia, Turquia, França e Rep. Tcheca, que haviam conquistado a vaga anteontem, a Brasil, Angola, Austrália, Rússia e China, campeões dos pré-olímpicos continentais, EUA, campeão mundial, e Grã Bretanha, país-sede.

Entre as doze seleções estão todas as medalhistas das quatro últimas olimpíadas (EUA, Austrália, Rússia e Brasil) Em relação às Olimpíadas de Pequim, são seis novas seleções: saem Mali, Nova Zelândia, Letônia, Bielorrússia, Espanha e Coreia do Sul, entram França, Canadá, Angola, Turquia, Croácia e Grã Bretanha. Essas quatro últimas seleções, aliás, estreantes na modalidade.

Ficam, também, definidas as duas chaves olímpicas. O Brasil estreia contra a França. A tabela brasileira está aqui.

Grupo A
EUA
Rep. Tcheca
China
Angola
Croácia
Turquia

Grupo B
Austrália
Rússia
Brasil
França
Canadá
Grã Bretanha

sábado, 30 de junho de 2012

Resta um

O pré-olímpico feminino de basquete da Turquia se revelou generoso com as seleções europeias. Das cinco vagas em jogo, quatro foram definidas ontem, nos confrontos das quartas de final, e se viram arrebatadas pelos quatro times do Velho Continente. Assim, Croácia, que nem havia participado do último mundial, Rep. Tcheca, atual vice-campeã do mundo, França e Turquia vão a Londres.

(Comentário necessário: assim como no pré-olímpico de boxe masculino e de vôlei feminino, a Turquia se aproveitou do fator casa.)

Agora, Argentina, Canadá, Coreia do Sul e Japão disputam a vaga restante. Pela campanha que fez no campeonato mundial de dois anos atrás, quando terminou entre as oito primeiras do torneio, dá pra pensar que as sul-coreanas sejam favoritas ao lugar que restou no avião olimpico.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pontualidade britânica




Com a divulgação dos grupos e tabelas do vôlei e do handebol, o torcedor brasileiro já pode se programar para acompanhar a Seleção Canarinho pela TV, nos Jogos de Londres. Pelo menos, na primeira fase de cada um dos esportes coletivos.

A participação tupiniquim nas Olimpíadas começa dois dias antes da Cerimônia de Abertura, com o futebol. No dia 25, fazendo o jogo de fundo de uma rodada dupla, em Cardiff, o time de Marta entra em campo contra Camarões. No dia seguinte, no mesmo estádio, será a vez do sub-23 masculino estrear contra outro time africano - o Egito.

No dia 28, o primeiro de competições pós-Abertura, a TV Record, que transmite os Jogos Olímpicos com exclusividade na TV aberta, terá de escolher entre mostrar, às 10h30 (horário de Recife e Brasília), o time feminino de futebol do Brasil enfrentando a Nova Zelândia ou o de handebol estreando contra a Croácia. Esse problema não existe para as TV por assinatura (ESPN Brasil e SporTV), já que devem exibir os jogos em mais de um canal - o BandSports não disse, ainda, se vai disponibilizar mais de um canal de transmissão para seus assinantes.

Essa coincidência de horários em partidas das seleções brasileiras ocorre ainda algumas vezes nesses primeiros dias de Olimpíadas. No dia 30, por exemplo, enquanto Brasil e Rússia se enfrentam no basquete feminino, Brasil e EUA entram em quadra pelo vôlei feminino.

Em relação aos horários, o mais cedo que um time brasileiro entrará em campo ou em quadra será em 3 de agosto, com Brasil x China pelo vôlei feminino. No mais, todas as partidas envolvendo um selecionado verde-amarelo não vai ocorrer antes das 7h15 da manhã - bom, especialmente, para as TVs.

Outro fato a ser observado é que o vôlei masculino do Brasil, embora cambaleante nas duas últimas temporadas, foi bastante privilegiado na confecção da tabela. Todas as partidas do sexteto nacional serão em horário nobre em Londres, na sessão noturna (no caso do vôlei, a partir das 20h, horário local, 16h, horário de Recife e Brasília). E mais: quatro dos cinco jogos da primeira fase são dos que encerram o dia de competições, estão marcados, a princípio, para as 22h no relógio britânico.

Para que se tenha ideia do que isso significa, o time masculino de basquete dos EUA jogou todas suas partidas de primeira fase em Pequim/2008 na sessão da noite. Além do quê, a previsão é de que, às 22h, as competições diárias de atletismo, ginástica e natação (três modalidades de grande audiência global nos Jogos) já tenham encerrado, restando poucas opções TV ao espectador olímpico.

Veja a tabela de partidas do Brasil na primeira fase dos esportes coletivos. Os horários são de Recife e Brasília, quatro horas a menos que o fuso horário inglês no período.

25/7
14h45 - Futebol fem. - Brasil x Camarões

26/7
15h45 - Futebol masc. - Brasil x Egito

28/7
10h30 - Futebol fem. - Brasil x Nova Zelândia
10h30 - Handebol fem. - Brasil x Croácia
16h00 - Basquete fem. - Brasil x França
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Turquia

29/7
07h15 - Basquete masc. - Brasil x Austrália
11h00 - Futebol masc. - Brasil x Bielorrússia
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Tunísia

30/7
12h45 - Vôlei fem. - Brasil x EUA
12h45 - Basquete fem. - Brasil x Rússia
15h30 - Handebol fem. - Brasil x Montenegro

31/7
12h45 - Basquete masc. - Brasil x Grã Bretanha
15h45 - Futebol fem. - Brasil x Grã Bretanha
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Rússia

1º/8
10h30 - Futebol masc. - Brasil x Nova Zelândia
10h30 - Basquete fem. - Brasil x Austrália
12h15 - Handebol fem. - Brasil x Grã Bretanha
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Coreia do Sul

02/8
12h45 - Basquete masc. - Brasil x 3º Pré-Olímpico Mundial
16h00 - Vôlei masc. - Brasil x EUA

03/8
05h30 - Vôlei fem. - Brasil x China
10h30 - Basquete fem. - Brasil x Canadá
12h15 - Handebol fem. - Brasil x Rússia

04/8
12h45 - Basquete masc. - Brasil x China
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Sérvia

05/8
07h15 - Handebol fem. - Brasil x Angola
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Sérvia
18h15 - Basquete fem. - Brasil x Grã Bretanha

06/8
16h00 - Basquete masc. - Brasil x Espanha
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Alemanha

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Últimos times

A partir da próxima segunda-feira, o basquete começa a definir as últimas equipes classificadas para os Jogos Olímpicos. As últimas, mesmo. Porque todos os outros esportes coletivos já definiram seus representantes.

Semana que vem, em Ankara, na Turquia, 12 seleções definem as cinco últimas vagas para o basquete feminino. Na semana seguinte, em Caracas, Venezuela, 12 brigarão pelas três vagas restantes no masculino.

Em ambos os pré-olímpicos, o mesmo sistema de disputas: na primeira fase serão quatro grupos com três times, passando os dois melhores aos mata-matas. No feminino, quem vencer o primeiro jogo play-off estará classificado automaticamente para Londres, restando, aos quatro perdedores, lutar por uma vaga. No masculino, os vencedores do primeiro play-off irão às semifinais, onde, aí, sim, os dois ganhadores se classificarão para Londres, ao que os perdedores se baterão pelo terceiro posto.


Basquete Feminino - Ankara, Turquia - 25/6 a 1º/7

Grupo A - Turquia, Japão, Porto Rico
Grupo B - Rep. Tcheca, Nova Zelândia, Argentina
Grupo C - Croácia, Coreia do Sul, Moçambique
Grupo D - França, Mali, Canadá

Basquete Masculino - Caracas, Venezuela - 02/7 a 08/7

Grupo A - Grécia, Porto Rico, Jordânia
Grupo B - Venezuela, Lituânia, Nigéria
Grupo C - Coreia do Sul, Rússia e Rep. Dominicana
Grupo D - Macedônia, Angola, Nova Zelândia

terça-feira, 19 de junho de 2012

Bandeira do tênis

Primeiro, Novak Djokovic foi escolhido para carregar o pavilhão da Sérvia na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Londres/2012. Agora, Maria Sharapova foi apontada como a porta-bandeira da Rússia no desfile. Existe, na Espanha, uma campanha muito forte - entre os próprios atletas, diga-se - para que Rafael Nadal entre no Estádio Olímpico, dia 27 de julho, carregando o pendão nacional. E ainda é possível que Roger Federer também conduza a bandeira suíça - o que só não deve ocorrer por ele já ter recebido essa homenagem em Pequim/2008.

O tênis, que será disputado na grama sagrada de Wimbledon, está em alta ou não está, nos Jogos de Londres?

Em contrapartida, o Brasil depende de convite para inscrever alguém na modalidade. E o trunfo do país, obviamente, não são os títulos do postulante principal da vaga, Thomaz Bellucci, mas o simples fato de o Brasil sediar a próxima olimpíada. Pouco para quem já teve uma bicampeã de Wimbledon e um tricampeão em Roland Garros.

sábado, 2 de junho de 2012

Na casa dos caras

Comprovando a boa forma, o chinês Liu Xiang venceu os 110m c/ barreiras, no meeting atletismo de Eugene (EUA), o Prefontaine Classic, válido como etapa da Diamond League. Seu tempo de 12,87s igualou a melhor marca mundial do cubano Dayron Robles, mas não conta para homologação do recorde por causa do vento, que tinha velocidade superior de 2,4m/s no instante da prova.

Mesmo sem o recorde homologado, foi uma grande vitória de Xiang sobre Arries Merrit, segundo, com 12,97s, Jason Richardson, campeão mundial ano passado, e David Oliver, melhor corredor da prova neste ciclo olímpico. A vitória em território ianque, contra os melhores ianques dessa competição, atesta, assim como a conquista em Xangai, há algumas semanas, que Xiang é forte candidato ao ouro em Londres. Hoje, talvez, o mais forte de todos.

Primeira lista

A União Internacional de Pentatlo Moderno (UIPM) anunciou ontem o nome de 72 pentatletas aptos aos Jogos Olímpicos de Londres - 36 homens, 36 mulheres. Yane Marques, como se sabia, é a única brasileira. Ainda não são, contudo, os 72 classificados pros Jogos.

Cada país só pode mandar dois atletas por gênero. Assim, Alemanha, Itália, Rússia, Grã Bretanha, Coreia do Sul, China e Hungria terão de optar, até o dia 15 deste mês, por apenas dois de seus qualificados. No feminino, a Grã Bretanha, com cinco selecionáveis, é quem terá de cortar mais da própria carne, ao que Rússia e Itália, no masculino, com quatro, são os que deixarão em casa mais gente apta. A Rússia, aliás, também terá de escolher por duas entre quatro participantes do feminino, e é, portanto, o país que qualificou mais pentatletas e o único que formaria uma seleção olímpica B.

Graças a essa cota, ainda há sete vagas no masculino indefinidas e nove entre as mulheres. A lista definitiva dos 72 vai ser divulgada no próximo dia 16.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

É isso mesmo?

No domingo logo cedo, com a lista dos doze classificados na mão, o blog de Bruno Voloch cravou os dois grupos do vôlei feminino para os Jogos de Londres. De um lado, Brasil, EUA, China, Sérvia, Turquia e Coreia do Sul; na outra chave, Grã Bretanha, Itália, Japão, Rússia, Argélia e República Dominicana. Segundo Voloch, a divisão dos grupos se deu pelo ranking das equipes, o que tem uma certa lógica.

Os EUA lideram o ranking mundial e a Grã Bretanha é o país-sede. São, pois, os cabeças-de-chave. O Brasil é o segundo do ranking e com o Japão em terceiro, foi um para cada lado, o que se sucedeu até que os dois piores ranqueados, Argélia e Coreia do Sul também seguissem para grupos diferentes. O problema, porém, não é o grupo em que o Brasil caiu, que é bem difícil nesse panorama; o problema é que o blog dele, até o momento, é a única fonte confiável que deu essa divisão (sim, confiável).

Procurei no site da FIVB, e nada. No dos Jogos Olímpicos, zero. No da CBV, idem. Menos ainda no site oficial do vôlei norte-americano e no italiano. Só encontrei referência a esses supostos grupos nas páginas em inglês e em polonês da Wikipédia. Páginas, registre-se, atualizadas depois da postagem de Voloch.

Há três hipóteses e, ao que me parece, todas igualmente válidas:

1) eu não procurei direito. Existe, em algum lugar da web, uma informação ofical e precisa que confirma a notícia trazida por Bruno Voloch e que vai me fazer, assim que a encontrar, postar um novo texto sobre o assunto, pedindo desculpas ou coisa assim;

2) um dia, em algum site oficial (FIVB.org, por exemplo) foi dito que os grupos seriam divididos assim. Voloch, atento, anotou. E, agora, a página foi retirada do ar, pois eu não a encontrei. Essa hipótese se parece muito com a primeira e me fará, também, pedir desculpas, também com algum constrangimento;

3) ou, numa variação da última hipótese, o anúncio era de que o ranking seria utilizado no emparceiramento do sorteio das chaves - algo que o handebol, por exemplo, fez. Assim, digamos, EUA e Grã Bretanha seriam cabeças de chave, e o sorteio vai dizer se vão enfrentar Brasil ou Japão, Itália ou China, Rússia ou Sérvia etc., e essa informação tenha causado o que me parece a confusão no blog de Voloch.

Por hora, eu vou acreditar nessa terceira hipótese. Voloch pode ter, simplesmente, cometido um engano, nada que diminua a credibilidade (falando sério) de um dos poucos jornalistas corajosos que reprovaram a marmelada do Brasil contra a Bulgária no mundial passado.http://www.blogger.com/img/blank.gif

Se você encontrar um link que esclareça o assunto, ponha aí no comentário. Minha busca continua.



Nova atualização: não mencionei, também, que o blog das Irmãs Mello, Vôlei sem Fronteiras, também informou que os grupos seriam esses. A fonte delas é o site russo championat.ru.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Fácil e preocupante

O sorteio desta tarde colocou Rússia, Croácia, Montenegro, Angola e Grã Bretanhano caminho da Seleção Brasileira feminina de handebol. Carne de pescoço, mesmo, é a Rússia, campeã mundial em 2009, medalha de prata em Pequim/2008. Croácia e Montenegro não têm lá muita tradição na modalidade (a Croácia é potência do handebol, mas só do masculino). Angola tem um handebol emergente, sempre conquista títulos africanos, sempre consegue um ou outro bom resultado em mundiais, mas nunca levantou nenhuma taça relevante de verdade (feito o Brasil, diga-se). E a Grã Bretanha, que montou um time só pra participar dos Jogos Olímpicos, não deve oferecer resistência a ninguém, deve ser uma anfitriã generosa e derrotada - ao menos, no handebol. No mundial passado, o Brasil, no torneio que decidia entre o quinto e o oitavo lugar, venceu a Croácia por um gol de diferença e a Rússia por incríveis 16. Assim, não será surpresa se o Brasil, apesar da pouca tradição, terminar em segundo ou até em primeiro no grupo. Tudo certo, não é? O sorteio trouxe boa sorte às brasileiras, hein?

Não. Não é bem assim.

O grupo pode ser considerado fácil. Tanto pelo momento que as meninas do handebol atravessam, com vitórias recentes sobre França, Suécia, Rússia e dois empates contra a Noruega, quanto, principalmente, pelos times que formam o outro grupo - Noruega, França, Espanha, Dinamarca (as quatro semifinalistas do mundial passado), Suécia (campeã europeia) e Coreia do Sul (seleção não-europeia mais tradicional do esporte). Daí, vem a preocupação.

Se o Brasil passar (e, convenhamos, vai passar) para as quartas-de-final, é certo que vai enfrentar uma seleção de ponta - exceção que talvez se faça à Suécia. Por isso, não entendo ainda ao certo o clima de otimismo dos sites nacionais, exaltando a "sorte" que as brasileiras deram ao escapar do grupo da morte. Porque é uma sobrevivente da lá que as aguarda no primeiro mata-mata.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Pela cara?


(foto: ITTF.com)

A Seleção Brasileira feminina de tênis de mesa terá, em Londres, uma chinesa naturalizada. Gui Lin tem 18 anos de idade e mora no país desde os 12. Curioso é que a convocação dela deixou Jéssica Yamada fora do time e dos Jogos, mesmo depois de ela haver competido, inclusive, no mundial por equipes deste ano, em Dortmund. Lin se junta à veterana Lígia Silva, que vai para a terceira olímpiada, e Caroline Kumahara.

Não vou criticar tecnicamente a decisão. Também não vou aludir o ranking mundial pra dizer se a decisão foi correta, já que as duas estão muito próximas nessa classificação - de acordo com o site da Federação Internacional de Tênis de Mesa, Jéssica é a 247ª do mundo, enquanto Gui Lin, a 258ª, ou seja, posições bastante parecidas. Não posso é deixar de refletir sobre duas questões.

1) Teria Jéssica Yamada sido preterida por ser Gui Lin uma chinesa? Espero que não. Porque esse pensamento determinista é tão ingênuo (e preconceituoso) quanto o de quem acha que todo brasileiro é apaixonado por futebol e pela seleção, de que todo nordestino sabe dançar forró ou mesmo que, como no ensinamento execrável e ultrapassado de Cesare Lombroso, criminoso tem cara de mau. Que a escolha da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa tenha sido por Gui Lin, e não, "pela chinesa".

2) Qual o ganho da naturalização de atletas pro esporte brasileiro? Além do tênis de mesa, o basquete masculino vai contar com um estrageiro no elenco, o armador norte-americano Larry Taylor. E é claro, também, que não são os primeiros naturalizados defendendo as cores do país numa edição olímpica. Foi assim com três argentinos de nascimento, o basqueteiro dos anos 1960 Antonio Succar, o tenista Fernando Meligeni e canoísta Sebastián Cuattrin, foi assim com a pentatleta norte-americana Samantha Harvey, foi assim com o soviético da Bielorrúsia Victor Mirshauswka, que defendeu o basquete brasileiro na medalha de bronze em Tóquio/1964. Nada que sugira, como se vê, que o esporte nacional esteja contratando atletas estrangeiros (como algumas federações nacionais fazem) ou que haja uma campanha de importação de desportistas em massa. Nada disso. Também é diferente do caso do ginete Rodrigo Pessoa, que nasceu em Paris, mas, sendo filho do brasileiro Nelson Pessoa, é cidadão brasileiro.

O que me dá medo é que, um dia, algum gênio de cartola perceba que é mais rápido e barato naturalizar campeões em potencial do que formar atletas brasileiros. E aí, sim, o esporte brasileiro passe a correr o risco de ser um fim em si mesmo, com o resultado - a medalha - sendo mais importante do que a popularização e massificação da prática esportiva, e que as categorias de base e o esporte escolar percam ainda mais o pouco da importância que têm por aqui.

domingo, 27 de maio de 2012

Sem adivinhação

Das seis seleções classificadas para os Jogos de Londres esta semana, no handebol feminino, quatro enfrentaram o Brasil no Mundial de 2011. A Espanha, algoz da seleção nas quartas, conseguiu uma das vaga. Rússia, Croácia e França, batidas pelas brasileiras em dezembro passado, também vão às Olimpíadas. Dinamarca, tricampeã olímpica que volta aos Jogos depois da ausência em Pequim, e Montenegro foram as outras equipes classificadas da semana.

Com isso, os oito primeiros colocados no Mundial do Brasil - Noruega, França, Espanha, Dinamarca, Brasil, Rússia, Croácia e Angola - estarão em Londres. A eles se juntam Montenegro (que eliminou a Romênia), Coreia do Sul (tradicionalíssima), Suécia (campeã europeia) e Grã Bretanha (só pra constar mesmo). Ainda que haja um ligeiro favoritismo para a Noruega, a promessa de muito equilíbrio. Talvez o pódio de esporte coletivo mais difícil de prever para as Olimpíadas deste ano. E o legal é que as brasileiras têm jogado de igual pra igual com essa turma.

Ligeiro balanço

A vitória da Sérvia por 3-2 sobre o Japão classificou os dois times para os Jogos de Olímpicos. As duas últimas vagas do vôlei feminino. Dançou a Tailândia. Hora de fazer o balanço.

Serão, em Londres, quatro times diferentes em relação a Pequim. Saem Cuba, Venezuela, Cazaquistão e Polônia, entram República Dominicana, Coreia do Sul e as estreantes Turquia e Grã Bretanha. Nada excepcional. A título de comparação, de 2004 para 2008, foram quatro equipes novas também.

A grande estreia é mesmo a Turquia, vôlei que investiu em profissionais estrangeiros nos clubes e no comando técnico da seleção. Porque a estreia da Grã Bretanha não vai acrescentar um grama ao peso da competição, é estreia com cara de despedida.

Cuba é a ausência mais dolorosa. Mas só pela tradição, pelo nome, pela camisa. A bola que as chicas vêm jogando não faz falta. Mas que vai ser estranho uma olimpíada sem elas, isso vai ser.

Favoritismo é, pela ordem, da Itália (que sempre fraqueja nessas horas) e dos EUA. Mas ninguém menospreze a força das russas, das brasileiras e das chinesas. O pódio não deve ter ninguém fora desse grupo celeto e de sempre. Também não se substime o Japão, que não joga nada há dois anos, mas foi bronze no mundial de 2010. Turquia e Coreia do Sul devem dar algum trabalho, são seleções emergentes, mas não devem ir além das quartas - o que não será mau para elas. As outras seleções devem fazer figuração. Só.

sábado, 26 de maio de 2012

Fiel da balança


Exceto para a Rússia, que já se classificou, e para Taiwan e Peru, já que ninguém achava mesmo que fossem pras Olimpíadas, a madrugada promete muita emoção no pré-olímpico feminino de vôlei. Ou não! Porque se Cuba vencer a Tailândia, no primeiro jogo da rodada derradeira, Coreia do Sul, Japão e Sérvia nem precisarão entrar em quadra para irem aos Jogos de Londres.

Triste que o vôlei das cubanas só tenha relevância, num pré-olímpico, por um resultado que possa interessar a terceiros. Triste que o time nem ia disputar o campeonato por falta de grana e ficou fora das olimpíadas por falta de bola.

Cuba é tricampeã olímpica e tri-mundial. Hoje, é só o fiel da balança, é o time que divide os classificados e os eliminados. Essas "chicas" não saltam.

(foto: FIVB.org)

sábado, 19 de maio de 2012

Medo medalhando



O revezamento da Tocha Olímpica começou nesse sábado. O fogo sagrado veio de Olímpia, na Grécia, e aportou na Grã Bretanha, onde percorrerá, durante 69 dias, algo em torno de 13 mil quilômetros e será conduzido por oito mil pessoas. Quem acenderá a Pira Olímpica é sempre o segredo-mor da Cerimônia de Abertura, mas é certo que o atleta que recebeu a tocha em território britânico foi escolhido muito bem, o iatista Ben Ainslie, medalhista de ouro nas três últimas olímpiadas. A festa para a chegada do fogo pagão à terra da rainha não esconde, porém, que até esse revezamento da tocha passa pelo chato espírito proibitivo que tomou conta das olimpíadas londrinas.

Por medida de segurança, está proibido o uso de telefone celular nos locais de competição durante as Olimpíadas. Também é por questão de segurança que falam em instalar mísseis em prédios residenciais próximos ao Parque Olímpico. O medo britânico do terrorismo é bem justificável, diga-se. O atentado do Setembro Negro, em Munique/1972, e a bomba que explodiu no parque olímpico de Atlanta/1996, durante um show musical, já são, por si sós, bons indicativos de que é necessário cuidar da segurança. E imagine, então, o efeito causado pelos atentados ao metrô londrino, dois dias depois de a cidade ter sido eleita para sediar os Jogos.

As medidas, contudo, não ficam só nisso aí.

Por questão de higiene e, consequemente, de saúde, os atletas britânicos receberam a recomendação de não apertarem a mão de seus adversários. Alegando proteção aos direitos da marca olímpica, o comitê organizador conseguiu vetar uma série de palavras e expressões das propagandas de quem não patrocine as Olimpíadas - expressões como dois mil e doze, Londres 2012, vinte doze e outras só podem aparecer nas campanhas publicitárias, se obedecerem a algumas normas. Prometem, também, ficar atentos ao marketing de emboscada, como o de uma cervejaria que colocou um monte de modelos holandesas uniformizadas nas arquibancadas da Copa da Àfrica do Sul, há dois anos. E exortando a proteção aos direitos de transmissão dos Jogos, está proibida a veiculação de fotografias e vídeos de competições olímpicas por parte de espectadores nas redes sociais.

Medo de terroristas, medo de mãos sujas, medo de golpes do capitalismo estão transformando os Jogos Olímpicos de Londres num chatice sem tamanho, num festival de proibições. Nem o revezamento da tocha escapou.

Com medo de que a tocha seja alvo de protesto em redor do mundo, como foi em 2008, o fogo olímpico não sairá da Grã Bretanha. A corrida, que serve para engajar os povos no movimento olímpico, que mostra que os Jogos não são de uma cidade ou de um país, mas da humanidade inteira, ficou restrita, fechada, sem a graça de antes.

O cronograma da organização dos Jogos está sendo cumprido à risca, o orçamento, dizem, não extrapolou, os estádios e arenas foram construídos de modo sustentável, o Parque Olímpico revitalizou uma zona esquecida da cidade de Londres etc., etc. Tudo perfeito, não fosse o medo. O medo de tudo.

(foto: london2012.com)

Acabou a pose




Depois de ter ameaçado não disputar o pré-olímpico feminino de vôlei no Japão, por falta de dinheiro, a Seleção Cubana corre, de fato, o risco de não se classificar para Londres. E na bola, não na grana. Porque o time perdeu por 3-0 da Coreia do Sul na estreia do pré-olímpico e a eliminação parece eminente. Se não for aos Jogos, será uma pena, porque a tradição cubana no vôlei é imensa, mas não será injusto, porque faz tempo que as chicas não assustam ninugém.

Além de Cuba e Coreia do Sul, participam do torneio a Rússia e a Sérvia, representando a europa, o Peru, pela América do Sul, e Japão, Taiwan e Tailândia, que são os asiáticos ao lado das sul-coreanas. A distribuição de vagas é generosa: os três primeiros colocados na competição, que é de pontos corridos, se classificam para Londres, bem como o melhor asiático fora desse grupo. Como indica minha calculadora científica, são quatro vagas para oito times, concorrência de um para dois, o que é só matemático, não é prático.

Na prática, Peru, Tailândia e Taiwan não oferecem muito risco a ninguém. Uma vitória de alguém do trio contra alguém do quinteto será surpresa, zebra, mesmo! Sobram, de fato, cinco times para quatro vagas.

A Rússia, mesmo com a força que tem feito para perder títulos, não ficará fora dos Jogos de Londres. Nem que queira. O Japão, pela tradição que tem, pela campanha que fez no mundial de 2010 e pelo fato de jogar (de novo) em casa, também não deverá ficar sem vaga para as Olimpíadas. Sobram Sérvia, Cuba e Coreia do Sul para duas vagas.

Nas condições normais, Cuba nem estaria jogando esse pré-olímpico, mas teria, sim, ficado com a vaga da Norceca - que perdeu para a República Dominicana. O ciclo olímpico das cubanas é tenebroso, é ainda pior do que fora o de Pequim/2008. Há muito tempo o time não faz uma campanha decente no Grand Prix e fez um mundial bisonho no Japão, há dois anos, quando perdeu sete dos onze jogos que disputou. Some-se aí o eterno fantasma desertor, quando as jogadoras ouvem o canto sereia capitalista e abandonam a seleção noutro pais, fenômeno que se acentuou bastante nos últimos anos e tirou algumas das melhores jogadoras da ilha. Por isso, como as condições não são nada normais, Cuba perder para a Coreia do Sul foi normal. E não será nenhum assombro se perder para as russas e japonesas.

Se não ocorrer nada fora do previsto, resta às cubanas um jogo pela classificação. Nesta quarta-feira, pela quarta rodada, as caribenhas enfrentam a Sérvia. Se vencerem, as chances de visarem o passaporte para o Reino Unido são grandes; se perderem, dirão que a ajuda que a FIVB deu ao time foi dinheiro desperdiçado. Haja o o que houver nesse pre-olímpico, é triste ver o que o voleibol mais vitorioso dos anos 90 está jogando em 2012.

(foto: FIVB.com)

No tempo certo




Depois de um título surpreendente em Atenas/2004 e de uma frustração em Pequim/2008, Liu Xiang resolveu não deixar dúvida nenhuma no começo desta temporada: vai a Londres atrás do bicampeonato olímpico. Hoje, na etapa de Xangai da Diamond League, a segunda do circuito, o chinês venceu os 110m c/ barreiras com o tempo arrasador de 12s97. A marca é muito significativa. Não só é a melhor do ano como também faz do ex-campeão o segundo corredor, desde 2009, a concluir a prova abaixo dos 13s - o norte-americano David Oliver é o outro.

Não quer dizer, no entanto, que Xiang seja favorito absoluto ao título. A meu ver, inclusive, com gente como Xiang, Oliver, o cubano campeão olímpico, Dayron Robles, e o norte-americano campeão mundial, Jason Richardson, a corrida dos 110 com barreira tem tudo pra ser de tirar o fôlego, algo como foi o 4x100m livre da natação masculina em Pequim. O que a marca comprova é que a prata que Xiang conquistou no mundial de Daegu (ou o ouro que perdeu, graças ao esbarrão de Dayron Robles) não foi à toa. Ele está bem fisicamente e os anos de contusão e ostracismo estão superados.

domingo, 6 de maio de 2012

Ferimento. Apenas, ferimento



Desde que venceu o Mundial feminino do Japão/2010, a Seleção Russa de vôlei estancou subitamente. O fracasso no pré-olímpico foi só outro atestado da queda brusca do jogo delas.

Primeiro, em Moscou, na Copa Yeltsin do ano passado, a Rússia perdeu para um time B do Brasil nas semifinais. Depois, no Grand Prix, perdeu para a Seleção Brasileira novamente. Aí, no europeu, o time não conseguiu vaga nem para a Copa do Mundo do ano passado nem para o Grand Prix deste ano. E, agora, sem ter a Itália pelo caminho, Gamova & Cia. não conseguiram a vaga olímpica no classificatório continental.

É nítido que, em quadra, o time russo sente muita falta de Kosheleva, um dos destaques do título mundial de 2010, contundida já há um bocado de tempo. Ausência que levou a uma inexplicável convocação de Artamonova, repetindo o erro da campanha de Pequim. O passe continua uma lástima, Startseva, a levantadora, não é lá essas coisas e Gamova não consegue mais pontuar de qualquer ponto da quadra.

Fim das russas? Calma.

Jogar o qualificatório no Japão ainda não é o fim dos tempos. São oito times (dois europeus) brigando por três vagas, sem a concorrência de Cuba e, possívelmente, do Brasil. Assim, convenhamos, a Rússia se classifica pra Londres.

E em Londres, depois desse sufoco, é bom lembrar que o último título olímpico da Rússia/URSS foi nessas condições. Em 1988, numa época em que só havia oito times no vÔlei olímpico feminino (e não 12), a vaga europeia ficou com a Alemanha Oriental, que bateu a URSS na decisão do europeu de 1987. A sorte das sovieticas é que o Continente Africano preferiu não mandar time nenhum para Seul, o que abriu uma vaga num pré-olímpico mundial. Resultado? A URSS venceu o pré-olímpico e, em Seul/1988, não perdeu para ninguém. Serve para os que gostam de história e, até, para os supersticiosos...

Sim, o vôlei das russas está mal. Mas, não, elas não são peso morto. Em Londres, como sempre acontece, darão trabalho e lutarão pelo título. Ninguém pense nada diferente.

(foto: FIVB.org)