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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Disciplina maldita

A convocação das sete ginastas brasileiras que vão para a aclimatação em Londres (disputam cinco vagas nos Jogos) foi um tremendo tiro no pé. A exclusão aparentemente definitiva de Jade Barbosa das Olimpíadas é o pior desfecho possível para a tragédia de erros que foi o caso envolvendo a atleta contra a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Todos erraram, mas nem todos os erros têm o mesmo peso.

Jade errou. Hesitou na hora de assinar o tal termo de compromisso para vestir a camisa da CBG, que tem patrocinador diferente do seu, e não se apresentou à seleção, ao contrário das outras colegas convocadas. Percebeu o erro. Demorou pra fazê-lo, é verdade, mas o fez. Implorou pra voltar e disse que aceita as condições da Confederação. Pronto. Isso deveria bastar.

A CBG erra. Primeiro, porque foi tão intransigente quanto a própria atleta no caso do termo não assinado. E erra, agora, porque, com o intuito de mostrar força e de dar um recado de intolerância contra a indisciplina, deixou em casa a melhor ginasta do time. Duvido, no fim das contas, que o patrocinador da Confederação queira o fardo de ter sido pivô involuntário da celeuma. E esse caso pode resultar desastroso para a equipe em Londres (o discurso hipócrita da CBG de que o Brasil já está entre os 12 melhores do mundo não vai convencer ninguém, quando o resultado mostrar que as meninas não foram além disso nos Jogos).

É preciso dizer que o Brasil por muito pouco não ficou sem equipe feminina na ginástica artística. A vaga veio com a repescagem, dependendo de uma nota razoável de Daniele Hypólito na trave, com drama, sem brilho. Sinal de uma modalidade que renovou muito pouco desde nos últimos quatro anos e que, indiscutivelmente, o país ficou para trás no cenário mundial da disputa. Abrir mão da única ginasta que teve alguma atuação decente pela seleção nesses últimos anos beira a burrice.

Nesse ciclo olímpico, na prova do salto, Jade conquistou medalha de bronze no Mundial de Roterdã/2010 e foi quarta colocada no de Tóquio, ano passado. Esses dois resultados foram as únicas participações de uma brasileira numa final por aparelhos, nos últimos três anos.

Além disso, ela coleciona um bronze no individual geral do Mundial de Stuttgart/2007 e foi décima colocada em Pequim, quando competiu gravemente contundida na mão e teve de ficar um ano afastada do esporte por isso. Foi, também a dona das melhores notas da seleção, na campanha olímpica de 2008, que deixou o Brasil em oitavo lugar.

Uma medalha para Jade não era provável, diga-se, mas ela era, sem dúvida, a melhor aposta da ginástica feminina brasileira. Poderia fazer, ao menos, um bom papel no salto e no individual geral.

Currículo, ela tem. Pedir desculpas, ela pediu. Mas isso não foi suficiente para que a CBG perdoasse a moça. O discurso de que o time é vencedor só por estar lá já começou a ganhar eco. E, pelo jeito, estará na bagagem da delegação, quando desembarcar ao Brasil.

domingo, 1 de julho de 2012

As últimas



Com a vitória do Canadá agora há pouco sobre o Japão, estão definidas as seleções do femininas de basquete em Londres. As canadenses ficaram com a quinta e última vaga do pré-olímpico. A superstição recomenda champagne: as duas últimas participações canadenses em Jogos Olímpicos coincidiram com as duas únicas medalhas do basquete feminino do Brasil.

O Canadá se junta a Croácia, Turquia, França e Rep. Tcheca, que haviam conquistado a vaga anteontem, a Brasil, Angola, Austrália, Rússia e China, campeões dos pré-olímpicos continentais, EUA, campeão mundial, e Grã Bretanha, país-sede.

Entre as doze seleções estão todas as medalhistas das quatro últimas olimpíadas (EUA, Austrália, Rússia e Brasil) Em relação às Olimpíadas de Pequim, são seis novas seleções: saem Mali, Nova Zelândia, Letônia, Bielorrússia, Espanha e Coreia do Sul, entram França, Canadá, Angola, Turquia, Croácia e Grã Bretanha. Essas quatro últimas seleções, aliás, estreantes na modalidade.

Ficam, também, definidas as duas chaves olímpicas. O Brasil estreia contra a França. A tabela brasileira está aqui.

Grupo A
EUA
Rep. Tcheca
China
Angola
Croácia
Turquia

Grupo B
Austrália
Rússia
Brasil
França
Canadá
Grã Bretanha

sábado, 30 de junho de 2012

Resta um

O pré-olímpico feminino de basquete da Turquia se revelou generoso com as seleções europeias. Das cinco vagas em jogo, quatro foram definidas ontem, nos confrontos das quartas de final, e se viram arrebatadas pelos quatro times do Velho Continente. Assim, Croácia, que nem havia participado do último mundial, Rep. Tcheca, atual vice-campeã do mundo, França e Turquia vão a Londres.

(Comentário necessário: assim como no pré-olímpico de boxe masculino e de vôlei feminino, a Turquia se aproveitou do fator casa.)

Agora, Argentina, Canadá, Coreia do Sul e Japão disputam a vaga restante. Pela campanha que fez no campeonato mundial de dois anos atrás, quando terminou entre as oito primeiras do torneio, dá pra pensar que as sul-coreanas sejam favoritas ao lugar que restou no avião olimpico.

sábado, 23 de junho de 2012

Idade olímpica

Além do dia da noite da fogueira de São João, a folha indica que 23 de junho é o Dia Olímpico. Nesta data, em 1894, o Barão de Coubertin fundou o Comitê Olímpico Internacional e revigorou (ressuscitou, na verdade) a tradição dos Jogos pagãos da Grécia Antiga. Daquele 23 de junho em diante, a chama do ideal olímpico jamais se apartaria da humanidade, embora alguma vez ou outra o terror e a guerra tenham intentado apagá-la.

Por isso, hoje, 23 de junho, a 34 dias da Abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, é dia para homenagear quatro atletas para quem o fogo sagrado de Olímpia ainda flameja elevado, sem se acomodar com os troféus e medalhas na estante nem se conformar com a passagem indescutível do tempo.


Quando começou a competir, a ginasta Oksana Chusovitina defendia a União Soviética. Em 1990, nos Jogos de Amizade (alguém aí se lembra dos Goodwill Games?), ela conquistou a medalha de ouro na prova do salto (quando ainda era "sobre o cavalo"). No ano seguinte, em Indianápolis, ela se tornou campeã mundial no solo e por equipes. Aí, a URSS acabou, as 15 repúblicas foram cada uma para um lado e, só para competir nos Jogos de Barcelona/92, 12 delas se reuniram sob o pavilhão olímpico e com a alcunha de Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Foi com a equipe da CEI que Chusovitina se tornou campeã olímpica. Nas três olimpíadas seguintes, ela representou seu país natal, o Uzbequistão, e não conquistou medalha alguma. Daí, ela se naturalizou alemã e, em Pequim, com 33 anos de idade, foi prata na prova do salto. Um feito grandioso para quem ainda só competia para pagar o tratamento médico do filho.

O menino, felizmente, já está curado da leucemia, mas a mãe ainda compete. E, no próximo fim de semana, ela vai disputar uma vaga na equipe alemã que vai para Londres. Num esporte em que juventude é fundamental, em que há uma idade mínima limite para disputa de campeonatos internacionais (16 anos), Oksana Chusovitina, aos 37, desdenha da ditadura do tempo e ainda é temida pelas rivais.

Ela não é a única que impõe medo, que quer ir a Londres e que não liga muito para idade.


Intitular sua história como "O Estranho Caso de Dara Torres" não seria ofensa à nadadora norte-americana, nem qualquer insinuação sobre doping, nada disso. Seria, apenas, reconhecer o espantoso rendimento que essa mulher tem nas piscinas, mesmo depois dos 40. Ou melhor, principalmente depois dos 40.

Dara conquistou uma medalha de ouro nos Jogos de Los Angeles, com 17 anos, no revezamento 4x100m livre, sem participar de nenhuma prova individual. Quatro anos mais tarde, em Seul, ela voltou para casa com duas outras medalhas, uma prata e um bronze, ambas em revezamentos. Na prova individual de que participou, os 100m livre, teve de se contentar com o sétimo lugar. Em Barcelona/92, já com 25 anos (idade com que Ian Thorpe, por exemplo, já havia anunciado aposentadoria), ela ajudou o revezamento dos EUA a ficar com o ouro no 4x100m livre. E houve um hiato.

Se não competiu em Atlanta/96, Dara Torres voltou à cena em Sydney/2000 e saiu da piscina com cinco medalhas - dois ouros em revezamentos e três bronzes em provas individuais - 50 e 100m livre e 100m borboleta. Ela era a nadadora mais velha da equipe norte-americana e foi a maior medalhista do time. E houve outro hiato.

Se estava velha para ir a Atenas, com 37 anos, estava em plena forma para nadar em Pequim, com 41. Se não conquistou medalhas de ouro - pois os revezamentos 4x100m livre e medley dos EUA ficaram com a prata -, por outro lado, voltou para casa com o melhor resultado individual de sua carreira olímpica. Superada em 0s01, Dara Torres foi segunda colocada na prova mais rápida da natação. E é nos 50m livre que ela, com 45, disputa no próximo dia primeiro a seletiva olímpica nacional.

Outra que, embora sem sucesso, tentou competir em Londres este ano foi a ciclista francesa Jennifer Longo. Ela pleiteava uma vaga no time nacional da prova de estrada do contra-relógio, mas o quinto lugar no campeonato francês frustrou sua expectativa, e ela não foi convocada para o selecionado olímpico. Teria sido sua oitava olimpíada consecutiva.

A francesa participou de todos os Jogos entre Los Angeles/84 e Pequim/2008. Em 1984 e 1988, a longa prova de estrada não trouxe medalha para Longo. A prata que conquistou em Barcelona/92, na mesma modalidade, não foi bem recebida por ela.

Por isso, quando Jeannie Longo venceu em Atlanta/1996, com 37 anos, depois de pedalar por mais de 100 Km e cruzar a linha de chegada 25s à frente da vice-campeã, diferença absurda no ciclismo, era de se imaginar que ali ela se aposentasse. Mas, não. Em Sydney/2000, ela foi medalhista de bronze no contra-relógio, foi décima colocada na disputa de estrada em Atenas/2004 e, incrívelmente, quarta em Pequim/2008 no contra-relógio.

Se a história de Jennifer Longo-Ciprelli não tivesse um exame positivo de doping em 1987 e uma suspeita recente de uso de EPO, sua carreira esportiva seria, sem dúvida, das mais bonitas. Ainda mais por ter tentado participar dos Jogos de Londres com quase 54 anos de idade.


Também cinquentona em atividade, e que também já teve problemas com um exame antidoping, é a velocista Merlene Ottey. Jamaicana naturalizada eslovena, Ottey vai disputar o campeonato europeu de atletismo na próxima semana, para tentar classificar o revezamento de sua nação adotiva para Londres. Se conseguir, será um feito quase tão extraordinário quanto as medalhas que já conquistou.

Em duas olimpíadas estigmatizadas por boicotes, Ottey saiu das pistas com três bronzes - dois nos 200m rasos em Moscou e Los Angeles, e um nos 100m, em 1984. Seul/1988 não rendeu pódio à jamaicana, mas, em Barcelona, a corrida de 200m rasos teve Ottey na terceira posição outra vez. Em Atlanta/1996, outro bronze (dessa vez, no 4x100m), mas com duas pratas em provas individuais - nos 100 e 200m rasos.

A medalha que lhe faltou nas Olimpíadas, ela só pôde conquistar em campeonatos mundiais. Foi campeã com o revezamento jamaicano do 4x100m em 1991 e foi bicampeã nos 200 em 1993 e 1995. Uma carreira irretocável, diga-se, não fosse uma polêmica em 1999.

Primeiro, foi anunciado que seu exame antidoping dera positivo, mesmo resultado da contra-prova. Ela foi suspensa, não participou do mundial de Sevilla. Entretanto, em 2000, às vésperas dos Jogos de Sydney, ela foi julgada e absolvida. Competiu nas Olimpíadas, tomando, inclusive, o lugar de uma companheira de time que obtivera resultados melhores que os seus na seletiva nacional, e ajudou o time jamaicano a ficar com a medalha de prata no 4x100m. Herdou, ainda, graças à eliminação de Marion Jones, por doping, um lugar no pódio dos 100m rasos - novamente, o terceiro posto. Mas já tinha 40 anos de idade e o ouro ausente nem fez muita falta.

Em Atenas/2004, ela já havia se naturalizado eslovena, mas não trouxe medalhas para sua casa nova, nem nos 100, nem nos 200m rasos. Agora, com 52 anos de idade, Merlene Ottey quer voltar ao cenário olímpico, tentando empurrar o improvável revezamento da Eslovênia.

Se Oksana Chusovitina, Dara Torres e Marlene Ottey estarão em Londres ou não, pouca importa. Elas - assim como Jennifer Longo, que já sabe que não vai - são prova de que medalhas não são o todo do esporte competitivo. Desafiar todo o tempo o próprio tempo é a competição mais dura. Competição que o movimento olímpico disputa há 118 anos, graças ao Barão de Coubertin, que não via razão para os antigos Jogos Olímpicos ficassem esquecidos por mais tempo.

(fotos: ffgym.com; facebook.com)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pontualidade britânica




Com a divulgação dos grupos e tabelas do vôlei e do handebol, o torcedor brasileiro já pode se programar para acompanhar a Seleção Canarinho pela TV, nos Jogos de Londres. Pelo menos, na primeira fase de cada um dos esportes coletivos.

A participação tupiniquim nas Olimpíadas começa dois dias antes da Cerimônia de Abertura, com o futebol. No dia 25, fazendo o jogo de fundo de uma rodada dupla, em Cardiff, o time de Marta entra em campo contra Camarões. No dia seguinte, no mesmo estádio, será a vez do sub-23 masculino estrear contra outro time africano - o Egito.

No dia 28, o primeiro de competições pós-Abertura, a TV Record, que transmite os Jogos Olímpicos com exclusividade na TV aberta, terá de escolher entre mostrar, às 10h30 (horário de Recife e Brasília), o time feminino de futebol do Brasil enfrentando a Nova Zelândia ou o de handebol estreando contra a Croácia. Esse problema não existe para as TV por assinatura (ESPN Brasil e SporTV), já que devem exibir os jogos em mais de um canal - o BandSports não disse, ainda, se vai disponibilizar mais de um canal de transmissão para seus assinantes.

Essa coincidência de horários em partidas das seleções brasileiras ocorre ainda algumas vezes nesses primeiros dias de Olimpíadas. No dia 30, por exemplo, enquanto Brasil e Rússia se enfrentam no basquete feminino, Brasil e EUA entram em quadra pelo vôlei feminino.

Em relação aos horários, o mais cedo que um time brasileiro entrará em campo ou em quadra será em 3 de agosto, com Brasil x China pelo vôlei feminino. No mais, todas as partidas envolvendo um selecionado verde-amarelo não vai ocorrer antes das 7h15 da manhã - bom, especialmente, para as TVs.

Outro fato a ser observado é que o vôlei masculino do Brasil, embora cambaleante nas duas últimas temporadas, foi bastante privilegiado na confecção da tabela. Todas as partidas do sexteto nacional serão em horário nobre em Londres, na sessão noturna (no caso do vôlei, a partir das 20h, horário local, 16h, horário de Recife e Brasília). E mais: quatro dos cinco jogos da primeira fase são dos que encerram o dia de competições, estão marcados, a princípio, para as 22h no relógio britânico.

Para que se tenha ideia do que isso significa, o time masculino de basquete dos EUA jogou todas suas partidas de primeira fase em Pequim/2008 na sessão da noite. Além do quê, a previsão é de que, às 22h, as competições diárias de atletismo, ginástica e natação (três modalidades de grande audiência global nos Jogos) já tenham encerrado, restando poucas opções TV ao espectador olímpico.

Veja a tabela de partidas do Brasil na primeira fase dos esportes coletivos. Os horários são de Recife e Brasília, quatro horas a menos que o fuso horário inglês no período.

25/7
14h45 - Futebol fem. - Brasil x Camarões

26/7
15h45 - Futebol masc. - Brasil x Egito

28/7
10h30 - Futebol fem. - Brasil x Nova Zelândia
10h30 - Handebol fem. - Brasil x Croácia
16h00 - Basquete fem. - Brasil x França
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Turquia

29/7
07h15 - Basquete masc. - Brasil x Austrália
11h00 - Futebol masc. - Brasil x Bielorrússia
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Tunísia

30/7
12h45 - Vôlei fem. - Brasil x EUA
12h45 - Basquete fem. - Brasil x Rússia
15h30 - Handebol fem. - Brasil x Montenegro

31/7
12h45 - Basquete masc. - Brasil x Grã Bretanha
15h45 - Futebol fem. - Brasil x Grã Bretanha
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Rússia

1º/8
10h30 - Futebol masc. - Brasil x Nova Zelândia
10h30 - Basquete fem. - Brasil x Austrália
12h15 - Handebol fem. - Brasil x Grã Bretanha
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Coreia do Sul

02/8
12h45 - Basquete masc. - Brasil x 3º Pré-Olímpico Mundial
16h00 - Vôlei masc. - Brasil x EUA

03/8
05h30 - Vôlei fem. - Brasil x China
10h30 - Basquete fem. - Brasil x Canadá
12h15 - Handebol fem. - Brasil x Rússia

04/8
12h45 - Basquete masc. - Brasil x China
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Sérvia

05/8
07h15 - Handebol fem. - Brasil x Angola
18h00 - Vôlei fem. - Brasil x Sérvia
18h15 - Basquete fem. - Brasil x Grã Bretanha

06/8
16h00 - Basquete masc. - Brasil x Espanha
18h00 - Vôlei masc. - Brasil x Alemanha

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Últimos times

A partir da próxima segunda-feira, o basquete começa a definir as últimas equipes classificadas para os Jogos Olímpicos. As últimas, mesmo. Porque todos os outros esportes coletivos já definiram seus representantes.

Semana que vem, em Ankara, na Turquia, 12 seleções definem as cinco últimas vagas para o basquete feminino. Na semana seguinte, em Caracas, Venezuela, 12 brigarão pelas três vagas restantes no masculino.

Em ambos os pré-olímpicos, o mesmo sistema de disputas: na primeira fase serão quatro grupos com três times, passando os dois melhores aos mata-matas. No feminino, quem vencer o primeiro jogo play-off estará classificado automaticamente para Londres, restando, aos quatro perdedores, lutar por uma vaga. No masculino, os vencedores do primeiro play-off irão às semifinais, onde, aí, sim, os dois ganhadores se classificarão para Londres, ao que os perdedores se baterão pelo terceiro posto.


Basquete Feminino - Ankara, Turquia - 25/6 a 1º/7

Grupo A - Turquia, Japão, Porto Rico
Grupo B - Rep. Tcheca, Nova Zelândia, Argentina
Grupo C - Croácia, Coreia do Sul, Moçambique
Grupo D - França, Mali, Canadá

Basquete Masculino - Caracas, Venezuela - 02/7 a 08/7

Grupo A - Grécia, Porto Rico, Jordânia
Grupo B - Venezuela, Lituânia, Nigéria
Grupo C - Coreia do Sul, Rússia e Rep. Dominicana
Grupo D - Macedônia, Angola, Nova Zelândia

terça-feira, 19 de junho de 2012

Bandeira do tênis

Primeiro, Novak Djokovic foi escolhido para carregar o pavilhão da Sérvia na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Londres/2012. Agora, Maria Sharapova foi apontada como a porta-bandeira da Rússia no desfile. Existe, na Espanha, uma campanha muito forte - entre os próprios atletas, diga-se - para que Rafael Nadal entre no Estádio Olímpico, dia 27 de julho, carregando o pendão nacional. E ainda é possível que Roger Federer também conduza a bandeira suíça - o que só não deve ocorrer por ele já ter recebido essa homenagem em Pequim/2008.

O tênis, que será disputado na grama sagrada de Wimbledon, está em alta ou não está, nos Jogos de Londres?

Em contrapartida, o Brasil depende de convite para inscrever alguém na modalidade. E o trunfo do país, obviamente, não são os títulos do postulante principal da vaga, Thomaz Bellucci, mas o simples fato de o Brasil sediar a próxima olimpíada. Pouco para quem já teve uma bicampeã de Wimbledon e um tricampeão em Roland Garros.

sábado, 2 de junho de 2012

Primeira lista

A União Internacional de Pentatlo Moderno (UIPM) anunciou ontem o nome de 72 pentatletas aptos aos Jogos Olímpicos de Londres - 36 homens, 36 mulheres. Yane Marques, como se sabia, é a única brasileira. Ainda não são, contudo, os 72 classificados pros Jogos.

Cada país só pode mandar dois atletas por gênero. Assim, Alemanha, Itália, Rússia, Grã Bretanha, Coreia do Sul, China e Hungria terão de optar, até o dia 15 deste mês, por apenas dois de seus qualificados. No feminino, a Grã Bretanha, com cinco selecionáveis, é quem terá de cortar mais da própria carne, ao que Rússia e Itália, no masculino, com quatro, são os que deixarão em casa mais gente apta. A Rússia, aliás, também terá de escolher por duas entre quatro participantes do feminino, e é, portanto, o país que qualificou mais pentatletas e o único que formaria uma seleção olímpica B.

Graças a essa cota, ainda há sete vagas no masculino indefinidas e nove entre as mulheres. A lista definitiva dos 72 vai ser divulgada no próximo dia 16.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Fácil e preocupante

O sorteio desta tarde colocou Rússia, Croácia, Montenegro, Angola e Grã Bretanhano caminho da Seleção Brasileira feminina de handebol. Carne de pescoço, mesmo, é a Rússia, campeã mundial em 2009, medalha de prata em Pequim/2008. Croácia e Montenegro não têm lá muita tradição na modalidade (a Croácia é potência do handebol, mas só do masculino). Angola tem um handebol emergente, sempre conquista títulos africanos, sempre consegue um ou outro bom resultado em mundiais, mas nunca levantou nenhuma taça relevante de verdade (feito o Brasil, diga-se). E a Grã Bretanha, que montou um time só pra participar dos Jogos Olímpicos, não deve oferecer resistência a ninguém, deve ser uma anfitriã generosa e derrotada - ao menos, no handebol. No mundial passado, o Brasil, no torneio que decidia entre o quinto e o oitavo lugar, venceu a Croácia por um gol de diferença e a Rússia por incríveis 16. Assim, não será surpresa se o Brasil, apesar da pouca tradição, terminar em segundo ou até em primeiro no grupo. Tudo certo, não é? O sorteio trouxe boa sorte às brasileiras, hein?

Não. Não é bem assim.

O grupo pode ser considerado fácil. Tanto pelo momento que as meninas do handebol atravessam, com vitórias recentes sobre França, Suécia, Rússia e dois empates contra a Noruega, quanto, principalmente, pelos times que formam o outro grupo - Noruega, França, Espanha, Dinamarca (as quatro semifinalistas do mundial passado), Suécia (campeã europeia) e Coreia do Sul (seleção não-europeia mais tradicional do esporte). Daí, vem a preocupação.

Se o Brasil passar (e, convenhamos, vai passar) para as quartas-de-final, é certo que vai enfrentar uma seleção de ponta - exceção que talvez se faça à Suécia. Por isso, não entendo ainda ao certo o clima de otimismo dos sites nacionais, exaltando a "sorte" que as brasileiras deram ao escapar do grupo da morte. Porque é uma sobrevivente da lá que as aguarda no primeiro mata-mata.

sábado, 19 de maio de 2012

Medo medalhando



O revezamento da Tocha Olímpica começou nesse sábado. O fogo sagrado veio de Olímpia, na Grécia, e aportou na Grã Bretanha, onde percorrerá, durante 69 dias, algo em torno de 13 mil quilômetros e será conduzido por oito mil pessoas. Quem acenderá a Pira Olímpica é sempre o segredo-mor da Cerimônia de Abertura, mas é certo que o atleta que recebeu a tocha em território britânico foi escolhido muito bem, o iatista Ben Ainslie, medalhista de ouro nas três últimas olímpiadas. A festa para a chegada do fogo pagão à terra da rainha não esconde, porém, que até esse revezamento da tocha passa pelo chato espírito proibitivo que tomou conta das olimpíadas londrinas.

Por medida de segurança, está proibido o uso de telefone celular nos locais de competição durante as Olimpíadas. Também é por questão de segurança que falam em instalar mísseis em prédios residenciais próximos ao Parque Olímpico. O medo britânico do terrorismo é bem justificável, diga-se. O atentado do Setembro Negro, em Munique/1972, e a bomba que explodiu no parque olímpico de Atlanta/1996, durante um show musical, já são, por si sós, bons indicativos de que é necessário cuidar da segurança. E imagine, então, o efeito causado pelos atentados ao metrô londrino, dois dias depois de a cidade ter sido eleita para sediar os Jogos.

As medidas, contudo, não ficam só nisso aí.

Por questão de higiene e, consequemente, de saúde, os atletas britânicos receberam a recomendação de não apertarem a mão de seus adversários. Alegando proteção aos direitos da marca olímpica, o comitê organizador conseguiu vetar uma série de palavras e expressões das propagandas de quem não patrocine as Olimpíadas - expressões como dois mil e doze, Londres 2012, vinte doze e outras só podem aparecer nas campanhas publicitárias, se obedecerem a algumas normas. Prometem, também, ficar atentos ao marketing de emboscada, como o de uma cervejaria que colocou um monte de modelos holandesas uniformizadas nas arquibancadas da Copa da Àfrica do Sul, há dois anos. E exortando a proteção aos direitos de transmissão dos Jogos, está proibida a veiculação de fotografias e vídeos de competições olímpicas por parte de espectadores nas redes sociais.

Medo de terroristas, medo de mãos sujas, medo de golpes do capitalismo estão transformando os Jogos Olímpicos de Londres num chatice sem tamanho, num festival de proibições. Nem o revezamento da tocha escapou.

Com medo de que a tocha seja alvo de protesto em redor do mundo, como foi em 2008, o fogo olímpico não sairá da Grã Bretanha. A corrida, que serve para engajar os povos no movimento olímpico, que mostra que os Jogos não são de uma cidade ou de um país, mas da humanidade inteira, ficou restrita, fechada, sem a graça de antes.

O cronograma da organização dos Jogos está sendo cumprido à risca, o orçamento, dizem, não extrapolou, os estádios e arenas foram construídos de modo sustentável, o Parque Olímpico revitalizou uma zona esquecida da cidade de Londres etc., etc. Tudo perfeito, não fosse o medo. O medo de tudo.

(foto: london2012.com)

domingo, 6 de maio de 2012

Não à toa, é da Turquia




Se o boxe amador turco se aproveitou do fato de lutar em casa no pré-olímpico, o vôlei feminino da Turquia não deixou por menos. Bateu todo mundo em Ankara, jogou a Rússia no qualificatório mundial do Japão e garantiu vaga, neste domingo, para os Jogos Olímpicos de Londres.

É claro que resumir a conquista ao fator caseiro é muito simplista, porque, nos últimos anos, o vôlei turco tem importado técnicos e jogadoras de primeira linha e mostrou que aprendeu muito com esse pessoal. Não é à toa que José Roberto Guimarães treina o Fenehbarçe, não é à toa que ele conta, no time, com jogadoras como a Logan Tom, Sokolova, Fabiana e Yeon-Kung Kim. Não é à toa que os dois últimos campeões europeus de clube, no vôlei feminino, Vakif, ano passado, e Fenehbarçe, este ano, são turcos. Aliás, o técnico da seleção turca é o brasileiro Marco Aurélio Motta, sucedido na seleção canarinho em 2003, por Zé Roberto.

É por essas e por jogadoras como Darnel Neslihan, Eda Erdem e Neriman Oszoy que as turcas estarão nas Olimpíadas. Pode até ser supresa, mas não é à toa.

(foto: CEV.lu)

domingo, 29 de abril de 2012

Pode correr



O velocista britânico Dwain Chambers está apto a disputar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Londres. Pelo menos, é o que determina a decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS). Ela contrariou a Associação Olímpica Britânica (BOA, na sigla em inglês), que o havia banido por envolvimento no escândalo de doping da Balco, em 2003. O julgamento começou no mês passado e sentença foi divulgada hoje.

Chambers foi medalhista de bronze nos 60m rasos, no Mundial indoor de Atletismo de Istambul, mês passado. Sua única participação olímpica foi em Sydney/2000, quando foi quarto colocado nos 100m rasos. Desde que voltou a competir, em 2006, o corredor só conseguiu uma única vez uma marca abaixo dos 10s nessa prova. Por outro lado, desde 2008, ele sempre termina a temporada como britânico mais rápido do ano.

Em março, o presidente da comissão organizadora dos Jogos de Londres, Sebastian Coe, se pronunciou favorável ao banimento do atleta. Mesmo que contrarie a lógica dos últimos anos e Dwain Chambers não consiga vaga no time britânico, a decisão cria jurisprudência para derrubar a resolução da BOA, que bane do esporte quem tiver suspensão igual ou superior a dois anos por uso de doping.

(foto: iaaf.org)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Começa por aqui




A saga brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres/2012 começa no dia 25, antevéspera da cerimônia de abertura, quando as meninas do futebol entrarem em campo contra Camarões. A partida será no Millennium Stadium, em Cardiff, um dos estádios mais bonitos do mundo, que já foi sede, inclusive, da Copa do Mundo de Rugby de 1999. No dia seguinte, no mesmo gramado, o time masculino enfrenta o Egito.

Quis o sorteio que o País de Gales fosse a porta de entrada para a delegação do Brasil nas Olimpíadas do Reino Unido. Quis o sorteio, também, que a seleção feminina, cambaleante como está, ficasse num grupo relativamente fácil, em que pudesse enfrentar a Grã Bretanha, mas também Nova Zelândia e Camarões.

O sorteio ainda determinou que o time de Mano Menezes também ficasse numa chave tranquila e com boas possibilidades de pegar um adversário mediano nas quartas-de-final, pois, se terminar mesmo em primeiro lugar, joga contra o segundo colocado do grupo da Espanha - que deve ser, convenhamos, Honduras, Japão ou Marrocos.

O primeiro evento olímpico de verdade foi hoje. E o Brasil começou, ao que parece, com sorte.

Futebol - Torneio masculino
Grupo A
Grã Bretanha
Senegal
Emirados Árabes
Uruguai

Grupo B
México
Coreia do Sul
Gabão
Suíça

Grupo C
Brasil
Egito
Bielorrúsia
Nova Zelândia

Grupo D
Espanha
Honduras
Japão
Marrocos

Futebol - Torneio feminino
Grupo E
Grã Bretanha
Nova Zelândia
Camarões
Brasil

Grupo F
Japão
Suécia
Africa do Sul
Canadá

Grupo G
EUA
França
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sábado, 21 de abril de 2012

Entre bandeiras




O Kosovo ganhou um aliado importante para ter seu pavilhão desfraudado nos Jogos Olímpicos. Ontem, a federação de judô do país foi aceita como membro da federação internacional do esporte. Na prática, isso significa mais pressão sobre o Comitê Olímpico Internacional, que ainda não acolheu os kosovares pela falta de um comitê no país. O Kosovo se declarou independente da Sérvia em 2008, mas também ainda não integra a ONU e tem seu território reivindicado pelos sérvios.

Se o Kosovo não for reconhecido pelo olimpismo como estado independente ou membro, é possível que os atletas de lá participem dos Jogos sob uma bandeira olímpica ou, ainda, como parte da delegação da Albânia, já que a maior parte da população local tem ascedência albanesa.

Em miúdos, pelo desenho atual, se Majlinda Kelmendi, quinta colocada no ranking mundial até 52 Kg, conquistar uma medalha em Londres, a bandeira hasteada poderá ser a albanesa (como até já aconteceu em etapas da Copa do Mundo) ou a do COI. O pavilhão de seu país, por enquanto, ainda não pode tremular no território olímpico. Por enquanto.

(foto: IJF.org)

domingo, 15 de abril de 2012

Última braçada


(foto: AOC.org)

Dono de um dos maiores currículos da história da natação, o anglo-australiano Murray Rose faleceu neste domingo, aos 73 anos, vítima de leucemia. Escocês naturalizado australiano, Rose disputou duas Olimpíadas e subiu ao pódio em todas as seis provas de que participou, sendo campeão em quatro delas.

Em Melbourne/1956, Rose foi o nadador mais premiado dos Jogos. Ele venceu os 400 e 1500m livre, além do Revezamento 4x200m livre, na única prova da modalidade, entre Londres/1948 e Seul/1988, que os EUA saíram derrotados da piscina.

Quatro anos mais tarde, em Roma, Rose se tornou o primeiro bicampeão olímpico dos 400m livre - feito que só seria igualado por Ian Thorpe, 44 anos depois. De lambuja, ainda encerrou a carreira olímpica com uma prata nos 1500 e um bronze no 4x200m livre.

Murray Rose não foi o primeiro campeão olímpico australiano, mas foi, sem dúvida, a primeira grande estrela do país na natação. Se hoje a Austrália tem tradição nas piscinas, se produz campeões e recordistas numa escala só inferior à dos EUA, é muito graças ao que Rose fez meio século atrás.

Pernambuco saltando, marchando e lançando

Por muito pouco, mas, muito pouco mesmo, duas atletas pernambucanas não atingiram p índice olímpico no atletismo. Por outro lado, um outro pernambucano, ainda que longe da marca olímpica, bateu um recorde brasileiro no esporte.

Keila Costa ganhou o salto em distância do GP de Santiago, no Chile, com a marca de 6,63m e ficou a dois centímetros da vaga para Londres. Semana passada, ela conseguiu o índice no salto triplo, mas sua especialidade é, mesmo, o salto em distância, prova na qual disputou os Jogos de Atenas/2004 e foi finalista em Pequim/2008, além de ter conquistado o terceiro lugar no mundial indoor de Doha/2010.

Quem quase carimbou o passaporte para o Reino Unido nesse sábado foi a marchadora Érica Sena. Competindo em Rio Maior, em Portugal, a moça completou a marcha de 20 Km em 1h31min53s, e ficou a 36s da marca exigida pela Condeferação Brasileira de Atletismo (CBAt) para os Jogos.

E pra encerrar o noticiário do atletismo pernambucano desse fim de semana, Wagner Domingos, conhecido como "Montanha", quebrou, na Eslovênia, o próprio recorde nacional no lançamento do martelo, com a distância de 72,48m. Contudo, se pensa em ir a Londres, deverá arremessar a 76,08m.

domingo, 8 de abril de 2012

Em Londres por 2020

Em franca campanha para que Doha seja sede das Olimpíadas de 2020, o Qatar anunciou que, pela primeira vez na história, vai mandar uma mulher representando o país nos Jogos. Uma, não, três. A atiradora Bahya Al-Hamad e a corredora Noor Houssain al-Malki e a nadadora Mohammed Wafa Arakji serão as pioneiras. Mais do que para conquistarem medalhas, pois para isso têm poucas chances, as três vão a Londres como cabos eleitorais.

Enviar atletas olímpicas é um recado do comitê local de que, no Qatar, os tempos são outros. Sim, a medida é mais política do que esportiva. Mas é uma medida que muito a contento, principalmente, quando os vizinhos sauditas decidiram, mais uma vez, não inscrever mulheres nos Jogos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Youtube Olímpico V

Pequim, 2008. O atirador norte-americano Matthew Emmons chegou às Olimpíadas lutando pelo bicampeonato. Em Atenas, com a vitória na prova da Carabina Deitado 50m, o homem foi o único ianque, no tiro masculino, a conquistar uma medalha de ouro. Por isso, na China, recaíam sobre a arma dele as maiores chances de título do país.

Emmons disputou duas provas. Tentava novamente o título na prova que o consagrou na Grécia, mas ficou em segundo lugar. Perdeu para o ucraniano Artur Ayvazyan, que disputava sua terceira olimpíada e jamais havia conquistado medalha alguma. Para não sair de Pequim sem conhecer o ponto mais alto do pódio, restava-lhe a Carabina de Três Posições.

Convém dizer que Emmons, em Atenas, atirou nessa prova e não se saiu bem, terminou apenas em oitavo lugar. Só que, quatro anos mais tarde, esta parecia ser a competição que renderia um ouro.

Depois de chegar à final em segundo lugar, o atirador do Tio Sam assumiu a liderança do concurso logo no primeiro disparo. Nos oito tiros seguintes, a distância dele em relação à concorrência só aumentou. No décimo e último tiro, sua vantagem para o vice-líder, o chinês Qiu Jian, era de 1,4 ponto. Para se ter ideia do que isso representa, quando atirou pela última vez, Jian fez 10,0 pontos (a mosca vale 10,9 pontos). Bastava, portanto, um tiro de 8,7 para Emmons ficar com o título, ao passo que seu pior tiro, na sessão final, havia sido 9,7. Traduzindo, quando Matthew Emmons foi atirar pela última vez, era só por protocolo, pra cumprir tabela, o ouro era barbada. E, para completar a festa de Emmons, o segundo colocado era um chinês, resultado importante para os Estados Unidos na guerra quente contra os anfitriões no quadro de medalhas.

Mas ele, inexplicavelmente, falhou. De tão ruim, seu tiro não apareceu nem dentro do alvo eletrônico da TV. Com o inacreditável 4,4, Matthew Emmons fez o pior tiro dentre todos os finalistas, deixou boquiaberta a comentarista de TV (na verdade, Katerina Emmons, atiradora da República Tcheca, campeã em Pequim, e esposa de Matthew), e - dá pra adivinhar, mesmo sem saber mandarim - deixou entre atônito e eufórico o narrador da televisão chinesa, pensando, certamente, noutro ouro do time da casa. Mais do que isso: Emmons terminou em quarto lugar, sem medalha, sem pódio, sem nada.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mira imprevisível

A vida esportiva da arqueira chilena Denisse van Lamoen é das mais insólitas. Em Sydney/2000, com 21 anos recém-completados, Lamoen cheogu como vice-campeã pan-americana, mas foi a 59ª entre 64 competidoras nos tiros de classificação e foi eliminada logo no primeiro confronto. Impossivel participação mais discreta.

Dois anos depois, nos Jogos Sul-Americanos (que, cá pra nós, não têm relevância quase nenhuma), testou positivamente para anfetamina e perdeu as sete medalhas (seis de ouro) que conquistou. De castigo, passou um ano e meio suspensa. Como a equipe chilena não conseguiu vaga para os Jogos de Atenas/2004, ficou fora da disputa, o que também ocorreu para as Olimpíadas de quatro anos mais tarde.

Mas, numa virada quase inacreditável na carreira, num esporte dominado por europeias, norte-americanas, chinesas e, principalmente, sul-coreanas, Denisse van Lamoen se tornou campeã mundial em Turim, no ano passado. Um feito realmente histórico, que, sem exagero algum, a coloca no rol dos grandes esportistas da história do Chile.

Com o título, Lamoen teve o privilégio de ser, até agora, a única representante sul-americana no esporte nas Olimpíadas de Londres. Além disso, aliás, muito além, mesmo, o campeonato de tiro com arco em Turim foi o único título mundial conquistado por um atleta chileno numa modalidade olímpica. É pra entrar pra história ou não é?

Até hoje, o Chile só coleciona duas medalhas de ouro na história do olimpismo, ambas no tênis masculino e em Atenas/2004. Nicolas Massú foi o melhor no torneio de simples e, ao lado de Fernando González, foi também vencedor nas duplas. Lamoen é a chilena certa pra subir no pódio em Londres? Difícil dizer: no Pan de Guadalajara/2011, três meses depois do mundial, ela teve bursite e não ganhou medalha alguma. Foi só outro imprevisto, como era imprevisto um caso de doping numa edição dos Jogos Sul-Americanos e como era imprevisto ganhar o torneio na Itália. Com Denisse van Lamoen, tudo pode acontecer. Tudo, mesmo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Recado anotado e respondido


(foto: Comitê Olímpico Australiano)


Dias atrás, Cielo nadou os 50m livre em 21s85 e disse que aquilo era um recado pra concorrência. Pelo jeito, lá do outro lado do mundo, teve gente que levou a coisa mesmo a sério e respondeu. Não na mesma prova, mas numa moeda ainda melhor.

James Magnussen, no pré-olímpico australiano, nadou os 100m livre em 47s10. É uma marca que lhe daria o ouro em Pequim/2008, mesmo contra nadadores turbinados pelos supermaiôs. É o tempo mais veloz desde 2010, quando o acessório tecnológico foi vetado. O recorde mundial de 46s91, que pertence a Cesar Cielo desde 2009, nunca esteve tão ameaçado. Foi um recado claro e rápido do campeão mundial de Xangai/2011:

"Preparem-se. Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para quebrar esse recorde mundial, porque quero ser considerado o homem mais rápido da história."