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domingo, 14 de novembro de 2010

A prata e a bruxa

Nem o choro do inconformismo, nem a ira dos maus perdedores. A caça às bruxas não combina com este século, nem com a final do Mundial feminino de Vôlei.

É possível lamentar a ausência de Mari e Paula e dizer que as duas poderiam ter feito a diferença nessa final, mas não vou dizer isso: seria desmerecer as meninas que, sem elas, chegaram à final do campeonato.

Também é possível apontar a inépcia das atacantes, o passe ruim e o bloqueio que quase não achou as russas, mas também não vou fazer isso: a Rússia também teve os mesmos problemas, mas tinha uma jogadora que os resolvia.

Prefiro dizer que, com dois desfalques de muito peso – a dupla titular de ponteiras do título olímpico –, a Seleção Brasileira superou uma chave difícil nas duas primeiras fases e uma semifinal épica. Não há qualquer demérito na medalha de prata.

Prefiro dizer que, numa partida fraca de vôlei (as parciais dos cinco sets mostram que não houve equilíbrio), Gamova foi maior do que seus dois metros e dois, e ganhou o ouro quase sozinha. Com 30 anos de idade, ela ataca de qualquer ponto da quadra e do globo terrestre e pontua como se não houvesse outro motivo para ser tão grande.

Eu cheguei a pensar que ela não fosse mais a melhor jogadora do mundo. Mas, agora, eu prefiro dizer que Gamova está acima das outras e, hoje, para nosso azar, foi bruxa.

É Brasil e Rússia

O título do jogo, por si só, torna excessivo qualquer comentário. Estarão em quadra, daqui a pouco, dois times invictos decidindo o título mundial do Vôlei feminino. Também decidiram o título em 2006 – e deu Rússia. Mas essa não é a segunda vez em que o choque entre brasileiras e russas decide alguma coisa.

Em Mundiais, além da decisão passada, as duas equipes, embora noutras fases, também se enfrentaram em jogos decisivos. Em 1986, o Brasil venceu a URSS por 3 sets a 0, na decisão do quinto lugar (mas isso é uma decisão, não é?). No campeonato seguinte, em 1990, o troco soviético: vitória por 3-1 nas quartas-de-final, com direito a um humilhante 15/0 no segundo set. Já nas semifinais de 1994, no Brasil, as donas da casa venceram a Rússia (Rússia, mesmo, sem as repúblicas soviéticas) por 3-2 e foi para a final. Novamente, a vingança russa veio no Mundial seguinte, em 1998, com uma vitória de virada por 3-1, na disputa do terceiro lugar.

No Grand Prix do ano passado, Brasil e Rússia se mediram na primeira rodada da fase final. A vitória brasileira significou o título, pois nenhuma das duas equipes perdeu de mais ninguém, até o final da competição. Antes, a Rússia vencera o Brasil na final de 1999, e o Brasil, na de 1998 e 2006. Em 1996, o duelo aconteceu na última rodada e o título seria russo, se tivesse vencido o Brasil por 3-0 ou 3-1, mas perdeu por 3-2 e o Brasil levou esse título também – à Rússia, o bronze.

Em Jogos Olímpicos, nunca houve uma final entre os dois times. Houve, contudo, duas semifinais – em 1992, quando a Rússia integrava a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), e no famigerado jogo de 2004 – com vitória das europeias, e uma decisão de medalha de bronze, em 1996, com triunfo brasileiro.

Nesse placar quase arbitrário de jogos decisivos (pois incluo, por exemplo, um jogo que valia um quinto lugar num campeonato mundial), a URSS/CEI/Rússia tem 6 vitórias contra 7 do Brasil. É claro que, nesse caso, os números mentem: com duas vitórias em semifinais olímpicas e uma em mundiais, a vantagem no confronto em decisões é russa. O que o placar mostra, isso, sim, é o equilíbrio histórico entre as duas seleções.

Contudo, a história não entra em quadra, não influencia o saque de Thaisa, o ataque de Gamova, o bloqueio de Fabiana. Os números do confronto servem mais para diversão e análise do que previsão. Por isso, quem leva o título? Impossível dizer: é Brasil e Rússia!

sábado, 13 de novembro de 2010

Viva a dança!

Tóquio, 26 de junho de 2005. O Brasil perdia por 2 sets a 0 para o Japão, com um duplo 25/17, em jogo válido pela primeira fase do Grand Prix. Como de praxe, o intervalo para o terceiro set teve a apresentação de um grupo de dança e durou dez minutos. Na volta, o Brasil venceu por 3 a 2 (25/17, 25/21, 20/18).

Tóquio, 13 de novembro de 2010. O Brasil perdia por 2 sets a 0 para o Japão, com parciais de 25/22 e 35/33, em jogo válido pelas semifinais do Campeonato Mundial. Como de praxe, o intervalo para o terceiro set teve a apresentação de um grupo de dança e durou dez minutos. Na volta, o Brasil venceu por 3 a 2 (25/22, 25/22, 15/11).

A propósito: o Brasil foi campeão daquele Grand Prix.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Números que mandam

Das 56 jogadoras que ainda pensam em título, a maior pontuadora é a atacante japonesa Saori. Com 187 pontos, ela só fez menos pontos do que a turca Neslihan, que tem 208. É bom o passe brasileiro ficar atento a Saori: ela tem 18 pontos de saque e lidera as estatísticas desse fundamento.

Outra japonesa aparece bem posicionada, também, nas estatísticas de bloqueio. A meio-de-rede Inoue é a segunda melhor da competição, muito próxima da líder Plchtova, da Rep. Tcheca – que não joga mais. Ainda de acordo com os números da Federação Internacional de Vôlei – FIVB – esse é o fundamento em que as brasileiras mais se destacam. De todos os semifinalista, a única seleção que tem duas jogadoras entre as dez melhores bloqueadoras é a brasileira – Fabiana em terceiro e Thaisa em quarto.

O que assusta, mesmo, é a estatística do ataque russo. Três das quatro melhores jogadoras nesse fundamento são da Rússia. Kosheleva lidera, com Gamova em terceiro e Sokolova em quarto lugar. As três pontuaram em mais 50% das vezes que atacaram. A brasileira que mais se aproxima delas é Sheilla, quinta colocada, com 48,6%. Natália, outro destaque ofensivo do Brasil, tem 45% de eficiência, aparecendo em 12º lugar.

Quem está muito bem em muitos critérios estatísticos é o time dos EUA. Sykora aparece como melhor líbero, Logan Tom é a melhor passadora (apesar do jogo horrendo que fez contra o Brasil) e Glass lidera no levantamento, não obstante o baile que tomou de Lo Bianco na derrota para a Itália.

Curiosamente, Startseva, levantadora da Rússia, o time das melhores atacantes da competição, aparece numa modesta décima posição em seu fundamento, um posto acima de Fabíola. Outra levantadora que, nas estatísticas da FIVB, não tem se destacado é Takeshita. Apontada como melhor levantadora e eleita melhor jogadora do mundial passado, o percentual de aproveitamento de suas levantadas a coloca na oitava posição.

Pelas estatísticas, dá para prever um duelo entre o ataque russo e a defesa norte-americana, numa semifinal, e entre Saori e o block brasileiro, na outra. A matemática promete bons duelos para essa madrugada.

Cardápio

O Mundial feminino de Vôlei entra na última reta e já pode enxergar a bandeira quadriculada. Os quatro times que restam na disputa do título representam três dos quatro continentes presentes à competição – a Oceania não teve representante e a África, representada por Quênia e Argélia, não tinha grandes pretensões, mesmo.

Dentre os quatro semifinalistas estão os dois times que decidiram o Mundial de 2006 – Rússia e Brasil – e os dois que fizeram a final das Olimpíadas de 2008 – Brasil e EUA. O intruso, Japão, é o time da casa e foi beneficiado, surpreendentemente, pela campanha desastrosa da China – a quem só resta, agora, disputar o nono lugar, com Cuba, Polônia e Holanda.

Só Brasil e Rússia estão invictos. Se chegarem à final, no domingo, será a primeira vez, desde o Mundial de 1994, no Brasil, que o título será disputado por duas seleções que não conheceram derrota em toda a competição.

Aliás, se a decisão for Brasil e Rússia, será a primeira vez que dois mundiais consecutivos têm a mesma final. Vale dizer que Japão e União Soviética, teoricamente, fizeram isso em 1960/1962, e em 1970/1974, mas, nessas ocasiões, não havia um jogo final, e sim, uma fase decisiva, com o título sendo decidido nos pontos corridos entre as seis ou oito melhores equipes da primeira fase – essa, sim, disputada em grupos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Para manter a freguesia

Brasil e Japão se enfrentam por uma vaga à decisão do Mundial feminino de Vôlei. O jogo reedita a partida válida pelas quartas-de-final das Olimpíadas de Pequim. Na ocasião, deu Brasil 3 a 0.

A partida de sábado será a mais importante da história do confronto entre brasileiras e japonesas em mundiais. No retrospecto, o Brasil leva vantagem, com quatro vitórias a três. Curiosamente, as vitórias brasileiras foram nos últimos quatro jogos em mundiais entre os dois times. Qual seja, desde 1982, o Japão não sabe o que é vencer o Brasil numa partida válida pelo campeonato mundial.

Brasil x Japão
Brasil – 4v, 13 sets pró
Japão – 3v, 10 sets pró
Nunca se enfrentaram em tie break

Brasil/1960 (Fase final) – Japão 3x1 Brasil
União Soviética/1962 (Fase final) – Japão 3x0 Brasil
Peru/1982 (2ª Fase) – Japão 3x1 Brasil
Tchecoslováquia/1986 (Torneio do 5º ao 8º lugar) Brasil 3x1 Japão
China/1990 (Decisão do 7º lugar) – Brasil 3x0 Japão
Brasil/1994 (Quartas de final) – Brasil 3x0 Japão
Japão/1998 (2ª fase) – Brasil 3x0 Japão

Um jogo em déficit

Seja como União Soviética, seja como Rússia, o selecionado russo já enfrentou o norte-americano por sete vezes em campeonatos mundiais, incluindo dois jogos mata-mata. No primeiro, em 1994, no Brasil, a Rússia venceu os EUA por 3 sets a 1 e avançou às semifinais – em que foi derrotada pelo Brasil. No segundo mata-mata, pelas semifinais do Mundial de 2002, na Alemanha, os EUA precisaram de um tie break para eliminar as europeias. Embora o retrospecto entre os dois times seja o mesmo de Brasil e Japão (4 a 3), a semifinal entre Rússia e EUA promete ser mais equilibrada, até mesmo, pela história recente: de 1994 para cá, em mundiais, cada um venceu dois jogos.

A história do confronto entre os dois times registra, contudo, um encontro marcado que não aconteceu.

URSS e EUA se enfrentariam pela primeira fase do Mundial do Japão, em 1967. No entanto, a partida não ocorreu porque os países comunistas desistiram de participar da competição.

O motivo do boicote foi o Japão não reconhecer a Coreia do Norte e a Alemanha Oriental – inscritas para o mundial – como nações, e, assim, se recusar a executar o hino nacional desses países ou hastear a bandeiras deles. Além disso, não mencionava o nome oficial dos dois países – República Democrática Popular da Coreia (DPKR) e República Democrática da Alemanha (DDR – Deutshe Demokratishe Republik) – preferindo denominá-los “Coreia do Norte” e “Alemanha Oriental”.


Rússia/URSS x EUA
Rússia/URSS – 4v, 16 sets pró
EUA – 3v, 10 sets pró

França/1956 (1ª Fase) – URSS 3x0 EUA
Brasil/1960 (Fase final) – URSS 3x0 EUA
Japão/1967 (1ª Fase – EUA x URSS*
Peru/1982 (2ª Fase) – EUA 3x0 URSS
Brasil/1994 (Quartas-de-final) – Rússia 3x1 EUA
Alemanha/2002 (2ª fase) – EUA 3x2 Rússia
Alemanha/2002 (Semifinal) – EUA 3x2 Rússia
Japão/2006 (2ª fase) – Rússia 3x0 EUA

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Arrependimento

Disse, outro dia, que era constrangedor ver o time de Cuba jogando. Expliquei, fingindo entender de vôlei, que as cubanas não sabiam passar e só tinham uma boa jogadora no ataque, Carcaces. Arrematei que a jovem seleção que foi ao mundial não era digna da tradição cubana dos anos 90.

Faço questão de ser o primeiro a execrar minhas próprias palavras, de me dizer arrependido e de pedir, com a cabeça abaixada, perdão às caribenhas por tê-las ofendido – mas vou entender se isso não for perdoado de maneira alguma.

Quando o Brasil venceu os EUA, mais cedo, supus que a segunda vaga do grupo F para as semifinais era italiana. Bastava-lhe vencer Cuba em três sets, sofrendo, no máximo, 55 pontos. Em suma, foi mais fácil explicar que bastaria um triplo 25/18 sobre Cuba para que as italianas conseguissem a vaga.

Qualquer um de bom senso diria que a missão das bambinas era complicada, pelo fato simples de enfrentar cubanas. Mas eu não tive bom senso. Juntei a campanha ruim de Cuba ao fato de ser um jogo do qual os EUA dependiam. O resultado tosco da soma de jogadoras fracas com política foi igual à Itália classificada. Até poderia ter sido, se, por exemplo, a parcial do primeiro set, 25/16, tivesse se repetido nos demais (vê-la me deu a sensação de ter estado com a razão o tempo todo). Fui um tolo. Um tolo arrependido, agora.

Não considerei que Cuba jogaria com algo, por exemplo, que faltou à Seleção Brasileira masculina naquela partida contra a Bulgária. Para minha surpresa, Cuba jogou com uma Dignidade comovente. Cuba defendeu a tradição passada com uma força que o mundial deste ano não tinha conhecido ainda. E quando parecia que a Itália perdia sets de propósito para poder vencer, mais tarde, por um bom saldo, era a eliminação que se aproximava: Cuba venceu um tie break emocionante e, de uma vez só, eliminou a Itália, colocou os EUA no caminho da Rússia e me deixou constrangido – constrangido por tudo o que eu disse.

Passou no teste

O primeiro teste da Seleção Brasileira foi contra a Rep. Tcheca. Foi um teste de nervos – porque vencer as tchecas só no tie break deixa qualquer um nervoso.

O segundo teste poderia ter sido contra a Holanda. Mas as holandesas só foram ao mundial para jogar às vezes, e uma dessas não foi contra o Brasil. Poderia ter sido contra a Itália, se as italianas tivessem, ao menos, visto o que passou por cima delas. Talvez tivesse sido contra Cuba, que, até, saiu na frente, vencendo um set. Mas, contra esse time de Cuba, jogo nenhum é teste de fato – a não ser, teste para cardíacos, mas esse teste aí é para torcida cubana. E esse teste, definitivamente, não foi contra a Alemanha, que mostrou ser time de uma Kozuch só.

Teste que valeu, mesmo, o verdadeiro teste de vôlei foi contra os EUA. Foi a primeira vez que o Brasil enfrentou um time forte que ofereceu resistência. Foi a primeira vez que um time adversário conseguiu anular Natália e Sheilla, de uma vez só. E foi a primeira vez que o meio-de-rede não serviu como desafogo – porque o passe não esteve bom e o levantamento de Fabiola, hoje, também não foi dos mais primorosos.

No teste de hoje, Hooker saltou como nunca, foi a maior pontuadora do jogo, embora tenha falhado mais do que acertado. Porque, no teste de hoje, bloqueio e defesa do Brasil se posicionaram bem. Fabí, mal de novo no passe, se destacou na defesa, propiciando o que chamam de “volume de jogo”. Aliás, o time inteiro tem defendido muito – até Thaisa, quando está na passagem de saque, consegue frustrar muita atacante com boas defesas.

Quem fez o Brasil passar no teste de hoje foi Jaqueline. Com Natália e Sheilla fora de jogo, a pernambucana se recuperou de um início frustrante – quando levou três blocks em sequência – e se tornou a melhor atacante brasileira da partida.

Que o resultado replicado da final olímpica de Pequim – Brasil 3x1 EUA – seja um bom prenúncio. E que a Seleção passe, com louvor, no próximo teste: o de enfrentar um ginásio lotado, na semifinal contra o Japão. Se passar nesse teste, o prêmio é outro teste – mas, aí, já é outra história.

Reprovadas em matemática

Parecia tudo tranquilo para as norte-americanas. A partida contra o Brasil só decidiria quem ia enfrentar a Rússia ou o Japão, nas semifinais.

Mas eis que a matemática pregou uma peça.

O ponto average dos EUA caiu para 1,090. O da Itália, nesse instante, é de 1,062. Se a Itália vencer Cuba em três sets, sofrendo apenas 54 pontos, está classificada em segundo lugar. Isso equivale a um triplo 25 a 18.

Impossível?

Eu diria que é bem provável.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Donas da casa e, por enquanto, da festa

Dessa vez, o Japão preparou a festa e chegou, pelo menos, ao baile. Recebendo o Mundial feminino de Vôlei pela terceira vez em 12 anos (desde 1998, só o de 2002 não foi lá), as nipônicas, enfim, estão entre as quatro melhores seleções do mundo. É verdade que as anfitriãs não pegaram um grupo difícil, mas é verdade que não têm culpa, por exemplo, se as chinesas (que até as derrotaram) foram para o torneio com tão pouco voleibol na bagagem.

Agora que está nas semifinais e deve enfrentar o Brasil (contra quem fez uma série de amistosos antes do Mundial e a quem venceu na fase final do Grand Prix desse ano), o Japão, no mínimo, já igualou a última boa campanha que teve em mundiais, quando terminou em quarto lugar no Peru, em 1982.

Se existe alguma chance de chegar à final? O amistoso de luxo contra a Rússia, nesta quarta-feira, será um bom indicativo.

Boa engrenagem

Esquecendo o aforismo do “contra tudo e contra todos”, é preciso reconhecer que a Seleção Brasileira feminina de Vôlei se superou e, por que não?, surpreendeu.

Mesmo sem seis campeãs olímpicas, mesmo sem quatro das titulares de Pequim (Mari e Paula por contusão, Fofão e Walewska por aposentadoria), e, até, sem confiar nas duas levantadoras, antes da competição (a superação), o Brasil conquistou a vaga para as semifinais com uma rodada de antecedência (a surpresa). E com um detalhe que aumenta sobejamente o mérito tupiniquim: as brasileiras estavam no grupo mais difícil.

Recordemos as vésperas do início do mundial. Enquanto a Rússia e China tinham caminho aparentemente livre, do outro lado da chave o Brasil ia disputar palmo a palmo com EUA, Itália e Cuba duas vagas às semifinais. De quebra, ainda havia expectativa de jogos complicados contra Holanda e Alemanha. Era um nó que, com tantos problemas de corte na seleção, parecia indesatável.

Porém, (“Ah, porém”, como na música de Paulinho da Viola), depois de um começo vacilante, o Brasil encontrou em Fabíola uma titular indiscutível, viu Natália e Sheilla se destacarem no ataque, e as duas meios-de-rede pontuarem bastante em todos os fundamentos. Resultado? Vitórias mais do que convincentes contra Holanda, Cuba e Alemanha, e uma surra inesquecível sobre a Itália.

E ainda: rivais como a China, Cuba e até a Itália perderam partidas tidas como fáceis e se afastaram da briga – a Itália ainda tem alguma chance, mas não depende apenas de si mesma.

Amanhã, contra os EUA, talvez valha a pena poupar alguém (Sheilla, por exemplo, vem convivendo com dores na região lombar). Em termos de classificação, o resultado da última partida importa pouco, já que a diferença nos pontos average é muito grande e o primeiro lugar é quase certo (certo, se os EUA não vencerem a Holanda daqui a pouco).

O que conta é que o time engrenou e vai ser muito difícil alguém segurar.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Japão x Coreia do Sul? Japão contra todos!

No grupo E, tudo ainda pode acontecer. Até Turquia e Polônia, com duas vitórias, têm chances remotas. A Coreia do Sul e a Sérvia, com três, também estão no páreo. O cenário, que parece apontar para o equilíbrio nas duas últimas rodadas, mudará drasticamente, no entanto, se a Rússia vencer a Sérvia (bem provável) e o Japão vencer a Coreia do Sul (bem possível). Nesse caso, russas e japonesas iriam decidir, na última rodada, o primeiro e o segundo lugares, enquanto o resto dos times cumpriria tabela.

Pensando que a Rússia não deve perder para ninguém no grupo, o jogo que decide a sorte, mesmo, é o clássico oriental, nesta terça-feira. Uma vitória coreana pode, de fato, colocá-la no rumo das semifinais, desde que vença, também, a seleção sérvia na última rodada.

Mas uma vitória coreana daria vida, até, à própria Sérvia. E à Turquia, que vai vencer o Peru, e à Polônia, se passar pela China. E Turquia e Polônia, que se enfrentam na última rodada, por incrível que pareça, poderiam decidir a classificação do grupo.

Para que todo esse sangue não seja derramado na última rodada, basta que o Japão vença a Coreia do Sul logo mais. Sem contas, sem desempate, sem ponto average – e sem emoção, também.

Decisão: EUA x Holanda

Tudo parecia tranquilo no grupo F. Agora, não está mais. A derrota das americanas para as italianas (que pareciam moribundas, depois de perder para Rep. Tcheca e Brasil) pode embolar a classificação no final. Basta que os EUA percam para o Brasil e que a Itália vença os jogos que lhe restam (Tailândia e Cuba) para que as duas seleções dividam a segunda posição na chave. E, se a Alemanha vencer Brasil e Holanda, o empate é quádruplo. Brasil, EUA, Itália e Alemanha teriam os mesmos pontos, no fim da segunda fase.

Pensemos ponto a ponto, evitemos o caos.

Para as previsões não chegarem à fronteira do absurdo, é preciso dizer, primeiramente, que é muito difícil as alemãs vencerem as brasileiras. Imaginemos que o Brasil vença hoje, o que já elimina as derrotadas. Com isso, a única possibilidade de empate no grupo seria entre ianques e bambinas – desde que o Brasil, é claro, vença os EUA.

Se EUA e Itália empatarem em pontos, na briga pelo segundo lugar, a disputa vai paa os pontos average. E hoje, as americanas (1.110) estão muito à frente das italianas (1.002). Só uma diferença absurda de pontos em favor da Itália e contra os EUA classificaria as europeias, nessa hipótese. Ou seja, mesmo perdendo para o Brasil e empatando em pontos com a Itália, os EUA se classificariam. O que resta?

Resta à Itália torcer pela Holanda, logo mais. Sim, a Holanda. Se os EUA perderem para a Holanda, que apresentou um vôlei muito bom contra Itália, Brasil e Cuba (pífio, no entanto, contra a Alemanha), os EUA correm o sério risco de serem eliminados, se perderem para o Brasil – bastaria, que a Itália vencesse seus dois compromissos.

A partida que pode mudar as coisas no grupo F é EUA x Holanda. Uma vitória americana praticamente elimina a Itália. Mas uma derrota…

domingo, 7 de novembro de 2010

Fabiana

Em nome da rivalidade que, na adolescência, tirou meu sono de torcedor, não vou criticar o Brasil por ter perdido um set para esse time de Cuba. Também vou atribuir mais mérito às caribenhas do que erro a Natália por terem-na praticamente anulado no ataque. E também não vou criticar Fabí, nossa líbero, que tem obrigação de passar e defender, mas fez isso muito mal nos dois primeiros sets, porque, em nome da rivalidade que teima em existir, é melhor dizer que foi Cuba quem sacou com eficiência.

Seria melhor falar de Jaqueline, enfim, fez uma partida que lembrou as atuações dela no mundial de 2006. Ou pode ser melhor falar de Fabíola, que fez sua melhor partida na distribuição de jogo, não abrindo mão de levantar para a entrada, para a saída, para o meio fundo e para o meio de rede. Meio de rede. E como o Brasil atacou pelo meio!

Posso falar de Thaisa, com nove pontos de ataque. Pensar que esse número foi maior do que o de Natália seria motivo para saudá-la como destaque ofensivo do time. Seria.

Porque a outra central, Fabiana, fez parecer que Thaisa não atacava. Que ninguém mais atacava – só ela.

Fabiana fez 14 pontos de ataque e, hoje, foi a jogadora de confiança da levantadora. Dia em que uma central é nossa bola de segurança não é um dia comum, é como um 29 de fevereiro no calendário do vôlei.

É de Fabiana que eu falo. Não é da rivalidade, da classificação quase certa ou do prazer secreto de ter eliminado Cuba matematicamente da disputa. O mais, daqui a algum tempo, não vai importar.

sábado, 6 de novembro de 2010

E o Japão...

Agora, só restam três times invictos. Os três que, de fato, estão muito à frente dos outros, no Mundial feminino de Vôlei. Brasil, EUA e Rússia cumpriram o papel de candidatos ao título e venceram, sem passar sufoco e sem perder set, Tailândia, Rep. Tcheca e Peru, respectivamente.

O Japão, que parecia fazer parte desse grupo seleto, ruiu, na rodada de hoje, frente a uma China cambaleante, que acumula três derrotas e quase não pensa mais em semifinal. Ou seja, o Japão mostrou que ainda não evoluiu o suficiente para ser o time de quarenta anos atrás – está mais para a seleção que organiza a festa, anima a torcida e, invariavelmente, perde, como tem sido desde os anos 90.

As nipônicas, por enquanto, se mantêm firmes na batalha pela segunda vaga do grupo. Com a vitória da Turquia sobre a Sérvia e da Polônia sobre a Coreia do Sul, essas quatro seleções se espremem entre a terceira e a sexta posições, com uma vitória a menos que as donas da casa.

Pensando que Sérvia, Polônia e Japão ainda enfrentam a Rússia, e que a Coreia do Sul, depois de três vitórias em seguida, está em declínio, a Turquia é que deve ser a grande rival das japonesas. E o jogo entre as duas seleções, na manhã deste domingo, deve decidir, moralmente, a última vaga às semifinais. Última, mesmo.

Porque, no outro grupo, se Brasil e EUA ainda poderiam ser ameaçados pela Alemanha, agora, pouca coisa mais o indica. Depois da vergonha de três dias atrás, as italianas venceram de maneira furiosa as alemãs, por 3x1. Perderam o primeiro set e venceram o segundo com todo o drama possível, por 32-30. E, a partir daí, a Itália jogou como se ainda pensasse em classificação e trucidou a seleção adversária, com direito a 25-8 no terceiro set. Essa chave caminha para uma definição matemática, com, pelo menos, uma rodada de antecipação.

Constrangedor

O jogo que abriu a rodada, no grupo F, tinha um time tricampeão (mundial e olímpico). Contudo, ao contrário do que o placar leve a crer, não é à Holanda que esses títulos pertencem, mas a Cuba.

Não é, no entanto, a Cuba desse mundial quem tem história vasta no vôlei. Falo de uma Cuba que, em 1978, venceu um mundial em Moscou, ou que, entre 1992 e 2000, não permitia que ninguém mais vencesse olimpíada, mundial e copa do mundo. Aquela Cuba não perderia um set por 25-12, se a regra já fosse a atual. Mas a Cuba de hoje perde – e, ontem, perdeu logo dois.

O placar de 3 sets a 1 pode dizer, ainda, que houve um momento em que Cuba foi Cuba de novo e venceu um set, o segundo. Mas ele não diz que, nesse mesmo set, Cuba vencia por 20 a 10, quando viu a Holanda reagir abruptamente e só perder o set, por 25-22, graças a um erro de saque.

Esse time de Cuba, aliás, não tem uma só jogadora que pudesse ser daquela outra Cuba. A força do ataque, que, nos anos de ouro, compensava o passe fraco, agora é espectral. Essa Cuba de hoje, com a ressalva da renovação do plantel, mostra que é de pequeno que se começa a passar errado e que não é de uma hora para outra que aparece alguém saiba atacar – os 15 pontos de Carcaces mostram bem isso: ela é uma das raras veteranas na seleção caribenha.

Na madrugada do domingo, Cuba enfrenta o Brasil. As chances de classificação das ex-campeãs são quase nulas. O único alento que as cubanas têm, para hoje, é a rivalidade anacrônica entre os dois times. Essa deve ser a motivação que resta para essa Cuba terá até o fim do campeonato, que, para elas, talvez nem tenha começado. Em nome da tradição, o mundial de 2010 será, para essa e qualquer outra Cuba, nada mais que uma lembrança constrangida.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dupla retrô

No princípio dos tempos, a hegemonia do vôlei feminino era disputada por soviéticas e japonesas. Os sete primeiros mundiais (entre 1952 e 1974) e as cinco primeiras participações olímpicas do vôlei (1964 a 1980) só tiveram dois campeões. A URSS, com quatro mundiais e três olimpíadas, teve uma conquista a mais, nos dois eventos, que o Japão – tri-mundial e bi-olímpico.

Aí, o vôlei virou um esporte de força. E o Japão, que não decide um mundial desde o vice-campeonato de 1978 e que não chega às semifinais olímpicas desde Seul/1988, ficou para trás e para baixo.

Aí, o vôlei, além de força, ganhou velocidade. A Rússia/URSS ainda é uma potência do esporte, mas não teve, nos últimos 30 anos, um período muito farto de conquistas, com um título olímpico, em 1988, e dois mundiais, em 1990 e 2006. Mesmo sendo as atuais campeãs do mundo, a inédita eliminação olímpica nas quartas-de-final, em Pequim, ainda pesa bastante.

Eis, agora, que há uma chance latente de as duas seleções chegarem às semifinais do mundial deste ano, o que não acontece desde 1978.

Pelo que a Rússia vem apresentando, inclusive por ter, no ataque, a experiência de Sokolova, a juventude de Kosheleva e a força de Gamova, é muito provável que se classifique.

O Japão, se não tem ainda um time muito confiável, ao menos conseguiu, nesta temporada, vitórias bem raras nos últimos tempos, como contra Brasil e Itália, no Grand Prix. As nipônicas podem, além do barulho da torcida, contar com a habilidade da levantadora Takeshida e a eficiência de Kimura, segunda maior pontuadora do campeonato. E o que é surpreendente: a central Inoue, de acordo com as estatísticas da FIVB, é a terceira melhor bloqueadora da competição.

As duas seleções já começam a caminhada no Grupo E dividindo a liderança entre si, com 3 vitórias. Se chegarem juntas à próxima fase, chinesas, sérvias, turcas, sul-coreanas, peruanas e polonesas terão tido o gostinho do que era enfrentar japonesas e russo-soviéticas décadas atrás.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Projeções de poucas dúvidas

Na madrugada da sexta-feira para o sábado, vai começar a segunda fase do Mundial feminino de Vôlei. Antes, uma rápida explicação do regulamento do campeonato.

Para essa fase, se classificaram os quatro primeiros colocados de cada grupo da primeira fase. Os times que formaram o Grupo A enfrentam os classificados do Grupo D, e formam, esses oito, o Grupo E; os do Grupo B enfrentam os do C e, juntos, são o Grupo F. Nesses grupos E e F, que definem os semifinalistas, os resultados da primeira entre os times classificados continuam valendo, ao passo que os resultados dos que seguem contra os que já saíram do torneio são descartados.

A importância de saber disso? Cuba perdeu três partidas na primeira fase, para EUA, Alemanha e Croácia, e venceu duas, contra Tailândia e Cazaquistão. No Grupo F, contudo, Cuba não começa com duas vitórias e três derrotas, mas sim, com uma vitória e duas derrotas. Ficam valendo, para efeito de classificação cubana, a vitória sobre a Tailândia e as derrotas para EUA e Alemanha. A derrota para a Croácia e a vitória sobre o Cazaquistão são descartadas, porque essas seleções foram eliminadas.

Agora, aos grupos da segunda fase, com tabela e classificação:

Grupo E – Tóquio
Dia 6 – Sérvia x Turquia; Peru x Rússia; Polônia e Coreia do Sul; China x Japão
Dia 7 – Peru x Coreia do Sul; Sérvia x China; Polônia x Rússia; Japão x Turquia
(jogos, respectivamente, às 10:30, 12:45, 15:00, 18:00 – hora do Japão)
Dia 9 – Sérvia x Rússia; Turquia x Peru; Polônia x China; Japão x Coreia do Sul
Dia 10 – Peru x China; Sérvia x Coreia do Sul; Polônia x Turquia; Japão x Rússia
(jogos, respectivamente, às 11:15, 13:30, 15:45, 18:45 – hora do Japão)

Classificação
1) Rússia – 3v, 0d
2) Japão – 3v, 0d
3) Sérvia – 2v, 1d
4) Coreia do Sul – 2v, 1d
5) Polônia – 1v, 2d
6) Turquia – 1v, 2d
7) China – 0v, 3d
8) Peru – 0v, 3d

Grupo F – Nagoya
Dia 6 – Holanda x Cuba; Rep. Tcheca x EUA; Brasil x Tailândia; Itália x Alemanha
Dia 7 – Holanda x Tailândia; Rep. Tcheca x Alemanha; Brasil x Cuba; EUA x Itália
(jogos, respectivamente, às 11:00, 13:15, 15:30, 18:00 – hora do Japão)
Dia 9 – Rep. Tcheca x Cuba; Brasil x Alemanha; Itália x Tailândia; EUA x Holanda
Dia 10 – Tailândia x Rep. Tcheca; Brasil x EUA; Holanda x Alemanha; Itália x Cuba
(jogos, respectivamente, às 11:45, 14:00, 16:15, 18:30 – hora do Japão)

Classificação
1) Brasil – 3v, 0d
2) EUA – 3v, 0d
3) Alemanha – 2v, 1d
4) Cuba – 1v, 2d
5) Holanda – 1v, 2d
6) Rep. Tcheca – 1v, 2d
7) Itália – 1v, 2d
8) Tailândia – 0v, 3d

No Grupo E, Rússia e Japão largam na frente, com três vitórias. Se é possível acreditar que a Rússia vai manter o nível de jogo e se classificar para as semifinais, o mesmo não se pode dizer do Japão. Embora tenha o apoio da torcida, esse ano o Japão deu prova de que é capaz de oscilar perigosamente em curto espaço de tempo. No Grand Prix, apesar de ter vencido Brasil e Itália, perdeu para China e Polônia. Das japonesas, pode-se esperar tudo – até, mesmo, que conquistem a vaga.

Das adversárias mais próximas das donas da casa, Sérvia e Coreia do Sul, acredito mais na Sérvia. As sul-coreanas, depois de um começo avassalador, perderam para a Rússia e sofreram para derrotar a Turquia, time de uma jogadora só (Neslihan). Esse grupo conta com um dos gigantes do Vôlei feminino, a China, mas, para pensar em classificação, a China teria de contar com um milagre matemático.

No Grupo F, a situação parece que se definiu, na última rodada da primeira fase. Brasil e EUA têm duas vitórias a mais que Cuba e Itália, principais rivais, e nada indica, pelo que apresentaram até aqui, que vão deixar a vaga escapar. A única ameaça real é a Alemanha. Contudo, enfrentando três times europeus (Itália, Holanda e Rep. Tcheca), além do Brasil, não vai surpreender se as alemãs terminarem a fase com mais derrotas do que vitórias.

A dúvida real do Grupo F é saber quem vai enfrentar a Rússia nas semifinais. E, se nenhuma surpresa ocorrer, essa dúvida será desfeita só na última rodada, dia 10, quando Brasil e EUA se enfrentam às duas da madrugada, hora do Nordeste. Esse jogo, por enquanto, ainda não dá para projetar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A sete

Só deu Natália.

Thaísa mandou no jogo.

Até Jaqueline jogou bem.

Esses eram títulos possíveis para o texto sobre o jogo de hoje cedo. A vitória contra a Itália, ao mesmo tempo em que evoca alguns chavões do sensacionalismo, mostrou uma Seleção Brasileira muito eloquente na quadra e no banco.

Impossível não creditar a vitória no jogo e a goleada no último set a José Roberto Guimarães. O Brasil só não esteve na liderança do placar na abertura do terceiro set (o castigo veio depois), mas ele nunca deixou de recomendar, de cobrar, de jogar como se ali, do lado da quadra, fosse possível estar dentro dos nove por nove da área de jogo. Mais: desde o ano passado, ele preparava a seleção para este confronto, reafirmando, como prece, que o melhor time do mundo era o italiano – as brasileiras acreditaram e entraram em campo como quem vai a um combate titânico.

Fabíola, ao contrário da partida contra Porto Rico, não fez o jogo de uma bola só. Se ainda não levanta à perfeição para a saída de rede, dessa vez, ao menos, descobriu uma bola muito boa de meio-fundo com Sheilla e Jaqueline. A pernambucana, enfim, jogou uma partida de alto nível no ataque e, assim como a líbero Fabí, cometeu pouquíssimos erros no passe e defesa – francamente, só me lembro de um erro de Fabí, numa bola que veio de graça e ela acabou passando para o lado italiano.

Natália foi a pontuadora máxima da partida. A Itália fez 26 pontos de ataque, enquanto Natália, 21 – 25 no total, com dois bloqueios e dois aces. Mas, cá entre nós, não achei que ela tenha sido a melhor da partida.

Fabiana jogou um partidaço, sem dúvida. Mas a central que está se destacando é Thaísa. Hoje, ela fez cinco pontos de bloqueio, o mesmo que Fabiana. E ela ainda pontuou seis vezes atacando, uma sacandoe, até, defendeu dois ataques no fundo de quadra. Por toda a versatilidade e regularidade, ela é tem sido melhor do time e foi a melhor jogadora de hoje.

E a Itália?

Antes de dizer que a Itália jogou uma partida digna de Quênia ou Argélia, é preciso lembrar que o Brasil levava desvantagem em confrontos pós-Pequim. Na Copa do Campeões do ano passado, a Itália fez 3 a 0 e, na primeira fase do Grand Prix desse ano, 3 a 1.

Dito isso, tenho de confessar que o terceiro set me fez recordar: na Copa do Mundo de 1995, o time masculino do Brasil fazendo 15 a 0 em cima de Cuba. Considerei aquilo o fim declarado da rivalidade – e, de certa forma e por algum tempo, foi mesmo.

Falar da Itália em detalhe é inútil a essa altura – porque foi uma atuação digna de Quênia ou Argélia. Não pelo 3 a 0 em si, que tem ocorrido para um lado ou para outro, ultimamente. Melhor dizer que hoje só deu Natália, que Thaísa mandou no jogo e que até Jaqueline jogou bem: qualquer chavão é eloquente, quando se vence a Itália por vinte e cinco a sete.