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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Foi a folhinha

Ter vencido a seletiva norte-americana com o segundo melhor tempo do ano, ser o atual campeão olímpico e vice mundial da prova não foram apelo forte o suficiente para que Michael Phelps disputasse os 200m livre em Londres. O ianque, segundo seu treinador, preferiu se concentrar mais nas provas de revezamento.

É possível que o calendário olímpico da natação tenha feito o multimedalhista abdicar dessa disputa. As eliminatórias dos 200m livre estão marcadas para a sessão matutina do dia 29, com as semifinais para a noturna. Nestas mesmas sessões, o revezamento 4x100m livre dos EUA entra na piscina para defender o título suado 2008. A decisão dos 200 livre está marcada para a noite do dia 30, quando estão marcadas também as semifinais dos 200 borboleta (eliminatárias pela manhã).

Qual seja, em dois dias, se tudo der certo, o norte-americano terá nadado sete vezes, com perspeciva de, no dia seguinte, cair na piscina outras três - para as provas do 4x200 livre e para a final dos 200 borboleta. Claro que provavelmente ele seja poupado de uma ou outra prova de revezamento, mas vai ser, ainda assim, uma maratona desgastante.

Porque, no fim das contas, Michael Phelps vai disputar os 100 e 200 borboleta, os 200 e 400 medley e os revezamentos 4x100 livre e medley e 4x200 livre. E disputar sete medalhas nos Jogos Olímpicos, para quem completou 27 anos no sábado passado, é um desafio ao condicionamento físico, um acinte. Sete medalhas em Londres, sem importar a cor delas, se vierem, virão com mais sacrifício do que os oito ouros de Pequim, quando, inclusive, o calendário lhe foi mais simpático.

sábado, 23 de junho de 2012

Idade olímpica

Além do dia da noite da fogueira de São João, a folha indica que 23 de junho é o Dia Olímpico. Nesta data, em 1894, o Barão de Coubertin fundou o Comitê Olímpico Internacional e revigorou (ressuscitou, na verdade) a tradição dos Jogos pagãos da Grécia Antiga. Daquele 23 de junho em diante, a chama do ideal olímpico jamais se apartaria da humanidade, embora alguma vez ou outra o terror e a guerra tenham intentado apagá-la.

Por isso, hoje, 23 de junho, a 34 dias da Abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, é dia para homenagear quatro atletas para quem o fogo sagrado de Olímpia ainda flameja elevado, sem se acomodar com os troféus e medalhas na estante nem se conformar com a passagem indescutível do tempo.


Quando começou a competir, a ginasta Oksana Chusovitina defendia a União Soviética. Em 1990, nos Jogos de Amizade (alguém aí se lembra dos Goodwill Games?), ela conquistou a medalha de ouro na prova do salto (quando ainda era "sobre o cavalo"). No ano seguinte, em Indianápolis, ela se tornou campeã mundial no solo e por equipes. Aí, a URSS acabou, as 15 repúblicas foram cada uma para um lado e, só para competir nos Jogos de Barcelona/92, 12 delas se reuniram sob o pavilhão olímpico e com a alcunha de Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Foi com a equipe da CEI que Chusovitina se tornou campeã olímpica. Nas três olimpíadas seguintes, ela representou seu país natal, o Uzbequistão, e não conquistou medalha alguma. Daí, ela se naturalizou alemã e, em Pequim, com 33 anos de idade, foi prata na prova do salto. Um feito grandioso para quem ainda só competia para pagar o tratamento médico do filho.

O menino, felizmente, já está curado da leucemia, mas a mãe ainda compete. E, no próximo fim de semana, ela vai disputar uma vaga na equipe alemã que vai para Londres. Num esporte em que juventude é fundamental, em que há uma idade mínima limite para disputa de campeonatos internacionais (16 anos), Oksana Chusovitina, aos 37, desdenha da ditadura do tempo e ainda é temida pelas rivais.

Ela não é a única que impõe medo, que quer ir a Londres e que não liga muito para idade.


Intitular sua história como "O Estranho Caso de Dara Torres" não seria ofensa à nadadora norte-americana, nem qualquer insinuação sobre doping, nada disso. Seria, apenas, reconhecer o espantoso rendimento que essa mulher tem nas piscinas, mesmo depois dos 40. Ou melhor, principalmente depois dos 40.

Dara conquistou uma medalha de ouro nos Jogos de Los Angeles, com 17 anos, no revezamento 4x100m livre, sem participar de nenhuma prova individual. Quatro anos mais tarde, em Seul, ela voltou para casa com duas outras medalhas, uma prata e um bronze, ambas em revezamentos. Na prova individual de que participou, os 100m livre, teve de se contentar com o sétimo lugar. Em Barcelona/92, já com 25 anos (idade com que Ian Thorpe, por exemplo, já havia anunciado aposentadoria), ela ajudou o revezamento dos EUA a ficar com o ouro no 4x100m livre. E houve um hiato.

Se não competiu em Atlanta/96, Dara Torres voltou à cena em Sydney/2000 e saiu da piscina com cinco medalhas - dois ouros em revezamentos e três bronzes em provas individuais - 50 e 100m livre e 100m borboleta. Ela era a nadadora mais velha da equipe norte-americana e foi a maior medalhista do time. E houve outro hiato.

Se estava velha para ir a Atenas, com 37 anos, estava em plena forma para nadar em Pequim, com 41. Se não conquistou medalhas de ouro - pois os revezamentos 4x100m livre e medley dos EUA ficaram com a prata -, por outro lado, voltou para casa com o melhor resultado individual de sua carreira olímpica. Superada em 0s01, Dara Torres foi segunda colocada na prova mais rápida da natação. E é nos 50m livre que ela, com 45, disputa no próximo dia primeiro a seletiva olímpica nacional.

Outra que, embora sem sucesso, tentou competir em Londres este ano foi a ciclista francesa Jennifer Longo. Ela pleiteava uma vaga no time nacional da prova de estrada do contra-relógio, mas o quinto lugar no campeonato francês frustrou sua expectativa, e ela não foi convocada para o selecionado olímpico. Teria sido sua oitava olimpíada consecutiva.

A francesa participou de todos os Jogos entre Los Angeles/84 e Pequim/2008. Em 1984 e 1988, a longa prova de estrada não trouxe medalha para Longo. A prata que conquistou em Barcelona/92, na mesma modalidade, não foi bem recebida por ela.

Por isso, quando Jeannie Longo venceu em Atlanta/1996, com 37 anos, depois de pedalar por mais de 100 Km e cruzar a linha de chegada 25s à frente da vice-campeã, diferença absurda no ciclismo, era de se imaginar que ali ela se aposentasse. Mas, não. Em Sydney/2000, ela foi medalhista de bronze no contra-relógio, foi décima colocada na disputa de estrada em Atenas/2004 e, incrívelmente, quarta em Pequim/2008 no contra-relógio.

Se a história de Jennifer Longo-Ciprelli não tivesse um exame positivo de doping em 1987 e uma suspeita recente de uso de EPO, sua carreira esportiva seria, sem dúvida, das mais bonitas. Ainda mais por ter tentado participar dos Jogos de Londres com quase 54 anos de idade.


Também cinquentona em atividade, e que também já teve problemas com um exame antidoping, é a velocista Merlene Ottey. Jamaicana naturalizada eslovena, Ottey vai disputar o campeonato europeu de atletismo na próxima semana, para tentar classificar o revezamento de sua nação adotiva para Londres. Se conseguir, será um feito quase tão extraordinário quanto as medalhas que já conquistou.

Em duas olimpíadas estigmatizadas por boicotes, Ottey saiu das pistas com três bronzes - dois nos 200m rasos em Moscou e Los Angeles, e um nos 100m, em 1984. Seul/1988 não rendeu pódio à jamaicana, mas, em Barcelona, a corrida de 200m rasos teve Ottey na terceira posição outra vez. Em Atlanta/1996, outro bronze (dessa vez, no 4x100m), mas com duas pratas em provas individuais - nos 100 e 200m rasos.

A medalha que lhe faltou nas Olimpíadas, ela só pôde conquistar em campeonatos mundiais. Foi campeã com o revezamento jamaicano do 4x100m em 1991 e foi bicampeã nos 200 em 1993 e 1995. Uma carreira irretocável, diga-se, não fosse uma polêmica em 1999.

Primeiro, foi anunciado que seu exame antidoping dera positivo, mesmo resultado da contra-prova. Ela foi suspensa, não participou do mundial de Sevilla. Entretanto, em 2000, às vésperas dos Jogos de Sydney, ela foi julgada e absolvida. Competiu nas Olimpíadas, tomando, inclusive, o lugar de uma companheira de time que obtivera resultados melhores que os seus na seletiva nacional, e ajudou o time jamaicano a ficar com a medalha de prata no 4x100m. Herdou, ainda, graças à eliminação de Marion Jones, por doping, um lugar no pódio dos 100m rasos - novamente, o terceiro posto. Mas já tinha 40 anos de idade e o ouro ausente nem fez muita falta.

Em Atenas/2004, ela já havia se naturalizado eslovena, mas não trouxe medalhas para sua casa nova, nem nos 100, nem nos 200m rasos. Agora, com 52 anos de idade, Merlene Ottey quer voltar ao cenário olímpico, tentando empurrar o improvável revezamento da Eslovênia.

Se Oksana Chusovitina, Dara Torres e Marlene Ottey estarão em Londres ou não, pouca importa. Elas - assim como Jennifer Longo, que já sabe que não vai - são prova de que medalhas não são o todo do esporte competitivo. Desafiar todo o tempo o próprio tempo é a competição mais dura. Competição que o movimento olímpico disputa há 118 anos, graças ao Barão de Coubertin, que não via razão para os antigos Jogos Olímpicos ficassem esquecidos por mais tempo.

(fotos: ffgym.com; facebook.com)

domingo, 15 de abril de 2012

Última braçada


(foto: AOC.org)

Dono de um dos maiores currículos da história da natação, o anglo-australiano Murray Rose faleceu neste domingo, aos 73 anos, vítima de leucemia. Escocês naturalizado australiano, Rose disputou duas Olimpíadas e subiu ao pódio em todas as seis provas de que participou, sendo campeão em quatro delas.

Em Melbourne/1956, Rose foi o nadador mais premiado dos Jogos. Ele venceu os 400 e 1500m livre, além do Revezamento 4x200m livre, na única prova da modalidade, entre Londres/1948 e Seul/1988, que os EUA saíram derrotados da piscina.

Quatro anos mais tarde, em Roma, Rose se tornou o primeiro bicampeão olímpico dos 400m livre - feito que só seria igualado por Ian Thorpe, 44 anos depois. De lambuja, ainda encerrou a carreira olímpica com uma prata nos 1500 e um bronze no 4x200m livre.

Murray Rose não foi o primeiro campeão olímpico australiano, mas foi, sem dúvida, a primeira grande estrela do país na natação. Se hoje a Austrália tem tradição nas piscinas, se produz campeões e recordistas numa escala só inferior à dos EUA, é muito graças ao que Rose fez meio século atrás.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Sem Bernard

Enquanto todo mundo fala no duelo à distância entre Cielo e Magnussen nas provas de velocidade, o atual campeão olímpico dos 100m livre, Alain Bernard, decepcionou. Com o tempo de 48s97, o nadador terminou campeonato francês de natração na quinta posição e não vai defender seu título em Londres. Ainda lhe resta competir no revezamento 4x100 livre da França, que ele ajudou a conquistar a prata nas Olimpíadas de Pequim/2008 e no Mundial de Xangai/2011.

Não foi só Bernard quem decepcionou. Frédérick Bousquet, companheiro de Cielo nos tempos de Austin, nos EUA, foi o sétimo colocado, e o vice-campeão dos 50m livre de Pequim, Amaury Leveaux, terminou apenas na quarta posição. Já o vice-campeão do mundo em Xangai, William Meynard, nem sequer conseguiu se classificar pra final.

As duas vagas francesas nos 100m livre masculino são de Yannick Agnel, que venceu com 48s02, e Fabien Gilot, segundo com a marca de 48s38.

Na sexta-feira, sai a definição dos representantes franceses nos 50m livre. campeonato prossegue até o domingo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Um alerta pra dois


(foto: zimbio.com)

James Magnussen, hoje, exatamente hoje, é o cara da natação de velocidade. Foi campeão mundial nos 100m livre em Xangai/2011 e quase bateu o recorde mundial da prova, que ainda é de Cesar Cielo, uns dias atrás. Pra completar, nesta quarta-feira, nadou os 50m livres em 21s74. Está longe dos 20s91 que Cielo fez com um supermaiô, mas é melhor que os 21s85 que o brasileiro chamou de "recado". Enfim, se Cielo pensa em título olímpico, vai ter que bater o australiano em Londres. Disso, hoje, pouca gente duvida.

Porém, esse começo de ano amedrontador de Magnussen lembra um tanto a ascensão meteórica de seu compatriota Eamon Sullivan, em 2008. Naquele ano, o cara começou estabelecendo um novo recorde mundial pros 50m livre, o que o tornou favorito em Pequim. Depois, já nos Jogos, estabeleceu novo recorde para os 100m livre ainda nas semifinais e parecia que ia abocanhar os dois ouros mais rápidos das piscinas, coisa que só o norte-americano Matt Biondi (Seul/1988) e o russo Alexander Popov (Barcelona/1992 e Atlanta/1996) fizeram. Mas, que nada!

Quando a onça bebeu água, Sullivan foi superado por Alain Bernard e teve de se contentar com a prata nos 100. Quando caiu na piscina pros 50m, enxergou de binóculo, na sexta posição, a vitória de Cesar Cielo. Nos revezamentos, Sullivan ainda foi prata no 4x100m medley e bronze no 4x100m livre. Ou seja, voltou de Pequim recordista mundial nos 50 e 100m livre, mas não tinha nenhuma medalha dourada pendurada no pescoço.

Chegar favorito ou ser recordista não foi salutar em 2008. Ganha em Londres quem superar os adversários, o exemplo de Eamon Sullivan e os nervos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Recado anotado e respondido


(foto: Comitê Olímpico Australiano)


Dias atrás, Cielo nadou os 50m livre em 21s85 e disse que aquilo era um recado pra concorrência. Pelo jeito, lá do outro lado do mundo, teve gente que levou a coisa mesmo a sério e respondeu. Não na mesma prova, mas numa moeda ainda melhor.

James Magnussen, no pré-olímpico australiano, nadou os 100m livre em 47s10. É uma marca que lhe daria o ouro em Pequim/2008, mesmo contra nadadores turbinados pelos supermaiôs. É o tempo mais veloz desde 2010, quando o acessório tecnológico foi vetado. O recorde mundial de 46s91, que pertence a Cesar Cielo desde 2009, nunca esteve tão ameaçado. Foi um recado claro e rápido do campeão mundial de Xangai/2011:

"Preparem-se. Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para quebrar esse recorde mundial, porque quero ser considerado o homem mais rápido da história."

Youtube olímpico IV

Ian Thorpe falhou. Nas seletivas australianas pros Jogos Olímpicos, o nadador não conseguiu vaga nos 100 nem nos 200m livre. Depois de cinco anos oficalmente aposentado, ele havia retornado às competições no ano passado, visando participar das Olimpíadas de Londres. Uma pena não ter conseguido. Porque sua carreira, até parar, em 2006, era das mais vitoriosas da história do esporte. E porque venceu uma das provas de nível mais alto da natação olímpica.

Atenas, 2004. Michael Phelps chegava aos Jogos falando em conquistar oito medalhas, todas de ouro. Cacife, o norte-americano tinha: no Mundial de Barcelona, um ano antes, havia vencido quatro provas e ficado com a prata em outras duas (e tinha apenas 18 anos de idade). A missão, no entanto, era dificílima, pois as provas de velocidade no nado livre em Sydney/2000 haviam sido dominadas pelo holandês Pieter van der Hoogenband. Em Atenas, ele tentaria defender seus dois títulos olímpicos. Só que, para tanto, teria de bater o impetuoso Phelps e o rival de quatro anos antes, Ian Thorpe, que emergira da água em Sydney com três títulos. A prova dos 200m livre pôs os três titans na mesma piscina.

No primeiro dia da natação, Phelps saudou o público e a crítica, vencendo a prova dos 400m medley. Ocorre que, no dia seguinte, uma inesperada vitória do revezamento sul-africano no 4x100 livre lhe tirou a chance de conquistar os oito títulos que prometera. Ainda lhe restava, porém, tentar igualar os sete ouros que seu compatriota, Mark Spitz, conquistara em Munique/1972. Para isso, era preciso vencer os 200m livre. A prova que Hoogenband roubara de Thorpe em 2000.

Em Sydney/2000, a torcida australiana esperava que Thorpe vencesse as duas provas individuais de que participaria - os 200 e 400m livre - e conduzisse o revezamento da Austrália nos 4x100 e 4x200m livre e 4x100m medley. Com ele, a Austrália venceu os revezamentos de nado livre e ficou com a prata no dos quatro estilos. E ele até que conquistou a prova dos 400m livre, mas foi superado por Hoogenband nos 200m. Em Atenas, tinha a oportunidade de conquistar o título que o holandês lhe impedira.

Os 200m livre masculino em Atenas/2004, como se podia esperar, foi muito disputada. Hoogenband, na raia 4, liderou a competição por 150m, mas era sempre escoltado de perto por Thorpe, na 5. Na última virada, o holandês, que nadava bem abaixo do recorde mundial (que era de Thorpe desde 2001), ficou sem fôlego, sem pernas. Phelps, em prova quase discreta, talvez tivesse tirado a prata de Hoogenband, se ainda houvesse mais uns metros de piscina pela frente. A vitória, porém, e finalmente, dos 200m livre, era de Ian Thorpe, que estabelecia ali um novo recorde olímpico

Depois daquela derrota, Phelps jamais foi derrotado novamente numa prova olímpica. Em Atenas, depois daquele dia, conquistou cinco ouros e terminou a campanha com seis títulos e dois bronzes na Grécia - façanha hoje quase esquecida, em vista das oito vitórias em Pequim/2008.

Hoogenband, dois dias depois, teve sua revanche contra Thorpe, nos 100m livre, e não falhou: tornou-se bicampeão da distância, deixando o rival na terceira posição. Sua trajetória olímpica, que começou em Atlanta/1996 e terminou em Pequim/2008, teve três ouros, duas pratas e dois bronzes, medalhas que conquistou em Sydney e Atenas.

Já Ian Thorpe, com a vitória nos 200m, conquistava seu segundo ouro naqueles Jogos. O primeiro veio nos 400m livre, quando se tornou o segundo bicampeão olímpico da história da prova (o primeiro foi seu compatriota Murray Rose, em Roma/1960 e Tóquio/1964). Em duas participações, visitou o pódio olímpico nove vezes, sendo cinco no topo, três vezes como o segundo e uma em terceiro.

A prova que pôs ombro a ombro três dos maiores nomes da natação do século XXI esta neste vídeo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Recado

"É sempre bom mandar um recado para os nossos adversários, com mais um melhor tempo do mundo."

(Cesar Cielo, em entrevista ao SporTV, logo depois de nadar os 50m livre em 21s85, em Belém, no sul-americano. Com esse tempo, na final do mundial de Xangai/2011, só teria perdido para ele mesmo, que assinalou 21s52).

sábado, 2 de julho de 2011

O mordomo nega tudo

Ainda não se sabe que suplemento alimentar foi usado por Cielo e cia., mas, http://www.blogger.com/img/blank.gifagora, já se sabe o nome da farmácia onde foi manipulado, em Santa Bárbara D'Oeste - Anna Terra. Enfim, um avanço, um segredo a menos.

E, então, um retrocesso, uma volta terrível à estaca zero: a farmácia apareceu pra negar a versão da CBDA. Disse que a contaminação "por suspensão de partículas" até pode ter havido, mas não é algo provável. Disse que as duas manipulações em questão foram feitas em cabines diferentes e que os "tabuleiros são higienizados após o uso."

Agora, por uma questão de transparência, a CBDA vai ter que abadonar o laconismo e mostrar esse tal relatório.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Não é estranho?

A farmácia de manipulação, em Santa Bárbara D’Oeste, que lidou com o suplemento alimentar dos nadadores admitiu a culpa. Antes da tal manipulação, o mesmo balcão tinha sido utilizado para manipular outro medicamento, que continha furosemida, e, pela pressa dos atletas, o farmacêutico descuidou da assepsia e acabou “contaminando” o suplemento com resquício do material que era utilizado no outro remédio. Tudo esclarecido. Já podemos passar para o próximo assunto – Copa América, quem sabe.

O que me deixa intrigado é que, se foi descuido, Cielo e cia. podem pedir na justiça uma indenização por danos materiais (perda de premiação do Maria Lenk, perda das medalhas e certificados) e danos morais (incalculável, ainda mais que Cielo é o nadador mais rápido do mundo e, portanto, de fama em escala planetária). Além do quê, essa farmácia, agora, também está com a imagem totalmente arranhada: você manipularia um medicamento num lugar sem higiene? Pois o erro alegado é de falta de higiene.

E, no entanto, a farmácia foi logo levantando a mão e dizendo "fui eu que errei."

Se você não acha isso estranho, eu acho.

P.S.: lamentável que Cielo tenha convocado a imprensa para ler uma nota oficial, redigida pela assessoria, e não tenha permitido que lhe perguntassem nada.

E a trama se complica

Se não fosse o Mundial de Xangai batendo à porta, os quatro nadadores seriam punidos com rigor? Ou será que os outros três pegaram carona na mesma pena de Cielo?

Daynara de Paula pegou seis meses de suspensão, ano passado, também por furosemida, e o médico do programa antidoping do COB diz que “Não podemos comparar penas. A substância pode ser a mesma, mas tem que avaliar se mostra negligência ou culpa do atleta. Seis meses, a pena tradicional, às vezes cai em um período em que o atleta não tem competição importante. Outra hora você dá dois meses e, se fossem três, tiraria do Mundial. Às vezes não é tão grande para tirar do Mundial por uma coisa não grave.”

A história é contada cada vez pior. Se a punição é para não punir de fato, para que punir, ou mesmo, para que o antidoping?

Em 2007, Jaqueline ficou fora dos Jogos Pan-Americanos por uso de sibutramina. Maurren Maggi, em 2003, foi flagrada com clostebol e não disputou o Pan de Sto. Domingo nem as Olimpíadas de Atenas, no ano seguinte. E agora o médico Comitê Olímpico Brasileiro, responsável pelo controle antidoping, diz que não vai suspender ninguém por causa do mundial?

Há algo de podre, não no reino da Dinamarca, e sim, na piscina brasileira. Pesos e medidas não estão conferindo.

Investigar, sim




Antes da punição branda a Cesar Cielo, Henrique Barbosa, Nicholas Santos e Vinicius Waked, uma advertência com base nos antecedentes dos nadadores, a CBDA deveria estar preocupada em investigar o caso.

Cielo, Henrique Barbosa e Nicholas são nadadores do Flamengo. Além disso, Waked e Nicholas Santos fazem parte do PRO (Projeto Rumo ao Ouro), criado pelo próprio Cesar Cielo para preparação de nadadores de alto nível e com chance de conquistar medalhas olímpicas e em mundiais. E os quatro testaram positivamente para furosemida, a mesma substância encontrada num exame em Daiane dos Santos, ano passado. Pelo que se diz, a substância em si não serve para melhorar o desempenho esportivo, mas para mascarar o uso de alguma substância dopante.

O que pode depor a favor dos atletas (embora se deva reconhecer que depoimento não é sentença) é que nenhum deles conquistou grandes marcas ou resultados na competição em que foi realizado o teste, o Troféu Maria Lenk, em maio. Cielo, inclusive, foi derrotado por Bruno Fratus, na prova dos 100m livre. Waked foi terceiro nos 200m livre e quarto nos 100m. Henrique Barbosa, com experiência olímpica em Pequim, terminou os 100m peito em quarto lugar. Nicholas Santos, que também competiu em http://www.blogger.com/img/blank.gifPequim, foi o terceiro na prova dos 50m livre.

Os maus resultados na competição no Maria Lenk não podem servir como álibi dos nadadores. É preciso que eles expliquem melhor que suplemento alimentar ingeriram – pois Cielo disse que consumiu, no período, um suplemento que usa habitualmente – e é preciso, inclusive, que os outros três não usem como escudo a figura do campeão olímpico. Todos devem, sim, explicações.

O Blog de José Cruz foi taxativo: chama de "farsa olímpica", fala em proteção da cartolagem a Cielo, inclusive no eufesmismo que usou para falar do doping – “resultado adverso”. Não quero ir, ainda, a tal extremo, apesar de concordar com o jornalista no tocante à hipocrisia vocabular da CBDA. Mas quero, sim, que o caso seja investigado e esclarecido. Por enquanto, tudo é névoa.

domingo, 19 de junho de 2011

Ah, se fosse Londres...

Sem ufanismo, sem pachequismo, sem patriotada, sem empunhar com orgulho o Pavilhão Nacional, é preciso dizer que não pode passar em branco o bom fim de semana do esporte brasileiro.

Ontem, pelo GP de Natação de Santa Clara, nos Estados Unidos, Thiago Pereira bateu o norte-americano Ryan Lochte nos 400m medley. A ressalva é que o tempo de Thiago, 4min15s89, não foi lá essas coisas, mas o que valeu, aqui, foi a vitória em cima do favorito ao título olímpico e campeão do mundo.

No Mundial de Vôlei de Praia, em Roma, Juliana e Larissa conquistaram o título pela primeira vez, com uma virada fantástica no tie-break contra Walsh e May, a melhor dupla da história. No masculino, Emanuel e Alison, que haviam tirado a dupla campeã do mundo nas semifinais, Brinck e Rekermann, encabeçaram a dobradinha brasileira no masculino, deixando a prata com Ricardo e Márcio.

No Grand Slam de Judô, no Rio, o Brasil conquistou quatro ouros, com Érika Miranda (-52 Kg), Mayra Aguiar (-70 Kg), Leandro Guilheiro (-81 Kg) e João Gabriel Schilttler (+100 Kg). A observação a ser feita é que nem todas as categorias contaram com os melhores do ranking – mas isso acontece, também, nas etapas da Copa do Mundo e nas outras etapas do Grand Slam.

Não foi nada, não foi nada, e o fim de semana terminou com sete títulos importantes pro esporte nacional. Ainda falta quanto pra Londres, hein?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O tamanho da piscina curta

Que ninguém se empolgue se a delegação brasileira voltar do Mundial de Natação em Piscina Curta, em Dubai, largamente medalhada. A distância de 25 metros não tem a popularidade nem a importância da de 50. Um atleta que se destaca na meia piscina não será, necessariamente, um nadador de ponta na piscina inteira. Exemplo:

O britânico Mark Foster nadou cinco olimpíadas – de Seul/1988 a Pequim/2008. Era especialista nos 50m livre, mas também compôs os revezamentos 4x100 livre, em 1988 e 1992, e o 4x100 medley, em 1988. Embora Mark Foster seja o maior vencedor da história dos mundiais de 50m livre masculino em piscina curta – ouro em 1993, 1999, 2000 e 2004, prata em 1997, 2002 e 2008 – o mais perto que Foster chegou de uma medalha olímpica foi o sexto lugar individual, em 1992, e o sétimo nos revezamentos 4x100 medley em Seul e 4x100 livre em Barcelona.

(Para não ser injusto com Foster, é preciso dizer que ele foi prata nos 50m livre em piscina longa em 2003, perdendo para Alexsander Popov, mas batendo Pieter van den Hooogenband e Jason Lezak. E foi bronze nos 50m borboleta, em 2001, prova que não faz parte do calendário olímpico)

Posso ter usado um exemplo ruim, pouco conhecido do grande público – o que faz o exemplo ser bom, pois esses títulos não lhe renderam muita fama. Vamos ver o inverso.

Quantas medalhas o maior nadador da história tem em mundiais de piscina curta? Uma. Michael Phelps venceu os 200m livre em 2004 e foi só.

Outro: qual a relação de Popov com os mundiais de piscina curta? Curta. Uma participação apenas, em 2002 (com o apelo patriótico de ter sido em Moscou o campeonato) e apenas dois bronzes conquistados.

E Ian Thorpe? Só participou de um mundial curto.

Mas, e as mulheres?

Inge de Brujin só competiu em um mundial. Dara Torres, com idas e voltas ao esporte, nunca se interessou pelo evento. Britta Steffen, a mulher mais veloz do Cubo d’Água e do Foro Itálico, também não.

“Aí, então, é preciso ter cuidado”, como diz Vinicius de Moraes. O mundial tem relevância, sim, senhor.

Numa comparação torpe, é possível dizer que seja um campeonato do mesmo nível de importância do mundial indoor de Atletismo.

Além disso, alguns dos grandes nomes da natação de 2008 para cá, como César Cielo Filho (que já disputou um mundial curto, em 2004), Nathan Adrian, Alain Bernard, Frédérick Bousquets, Oussama Mellouli e Federica Pellegrini participam do campeonato, o que traz glamour a algumas provas – especialmente nas especialidades de Cielo, os 50 e 100m livre.

E um fator histórico deve ser levado em conta: é o primeiro mundial (seja lá de que tamanho for a piscina) sem os maiôs tecnológicos.

Daí, os olhos do público devem se voltar para Dubai. Muito embora, buscar previsões para os Jogos de Londres/2012 seja exagerado – isso fica para o mundial de Xangai, em julho do ano que vem, na piscina certa.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Campanha eleitoral

Depois de Neymar pedir votos, esse semana, para seu gol contra o Santo André, na eleição do gol do ano, da Fifa, foi a vez da nadadora Ana Marcela Cunha também convocar, agora há pouco, o eleitorado pelo twitter. A eleição que a baiana disputa é da Open Water Source, como a melhor nadadora em mar aberto de 2010.

Este ano, Ana Marcela, que também concorre ao Prêmio Brasil Olímpico, venceu o circuito da Copa do Mundo de Maratona Aquática e terminou em 3º lugar no Mundial do Canadá, na prova dos 5 Km.

Até agora, a principal concorrente da brasileira é a irlandesa Anne Marie Ward, de 41 anos, que, em setembro, atravessou o Canal do Norte, estreito que separa Escócia e Irlanda do Norte.

Curiosamente, a italiana Martina Grimaldi, campeã mundial dos 10 Km, não está concorrendo.

Se você quiser votar em Ana Marcela Cunha, – ou em outra maratonista aquática –, o link é esse aqui.