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sábado, 30 de junho de 2012

Do bronze e do nada ao penta sem África



Dez anos atrás, a Família Scolari conquistou, na Ásia, o improvável quinto título brasileiro numa Copa do Mundo de futebol. Um time que tinha oito remanescentes de dois dos mais retumbantes fracassos da longa história do Futebol Brasileiro.

Campeões mundiais em 2002, os titulares Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo e os reservas Dida, Luizão e Juninho Paulista estavam no time medalhista de bronze em Atlanta/1996. Os outros dois ex-olímpicos foram os também titulares Ronaldinho Gaúcho e Lúcio, que estavam no grupo que naufragou em Sydney/2000.

Em 1996, depois de uma campanha titubeante na primeira fase, quando até perdeu para o Japão, o Brasil chegou às semifinais e foi eliminado num jogo dramático e inesqucível contra a Nigéria de Kanu. A Seleção Canarinho ainda conquistou o bronze, dois dias depois, goleando Portugal, mas aumentou o vexame das semis, se recusando a esperar pelo pódio no dia seguinte - as medalhas foram entregues logo depois do jogo, sem muita cerimônia, sem qualquer brilho, como fora, aliás, o futebol do time naqueles Jogos.

Quatro anos mais tarde, num time sem qualquer jogador acima dos 23 anos, a Seleção fraquejou, novamente, diante do futebol africano e não conseguiu avançar para a final. Nem para as semifinais, aliás. Derrotado pela África do Sul na primeira fase, o time enfrentou Camarões nas quartas e conseguiu a proeza de ser eliminado com um gol de ouro, quando tinha dois jogadores a mais em campo.

Curiosamente, a Copa de 2002 foi a única entre 1994 e 2010 que o Brasil não jogou contra nenhum time africano. Quase enfrentou Senegal nas semis, mas os turcos se encarregaram de tirar os senegaleses da Copa. Deve ter sido melhor assim. Porque seria injusto um futebol em que Rivaldo e Ronaldo jamais fossem protagonistas de um título mundial.

(foto: FIFA.com)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Youtube olímpico VII

Em homenagem ao Dia do Goleiro, um momento histórico para um guarda-metas brasileiro numa Olimpíada. O momento maior, talvez.

Seul, 1988. Naqueles Jogos, assim como em Los Angeles/1984, não havia limite de idade para inscrever um jogador no torneio olímpico de futebol. Essa restrição de seleções sub-23, inchertadas por até três atletas de qualquer idade, só começou a valer em 1992. Em 1984 e 1988, a única restrição era que o jogador jamais houvesse disputado uma Copa do Mundo.

A Seleção Brasileira fazia uma campanha irretocável na Ásia. Sob comando técnico de Carlos Alberto Silva, o time de Romário, Bebeto, Neto, Jorginho, Valdo, André Cruz e Geovani venceu todos os jogos da primeira fase (4-0 Nigéria, 3-0 Austrália e 2-1 Iugoslávia). Nas quartas, a vítima foi a rival eterna Argentina, num suado 1-0, gol de Geovani lá de longe. Parêntese: depois dessa derrota para o Brasil, nunca mais a Argentina competiu no futebol olímpico sem chegar à decisão do torneio - não foi a Barcelona/92 nem a Sydney/2000, foi prata em Atlanta/1996 e ouro em Atenas/2004 e Pequim/2008. Nas semis, Brasil vs Alemanha. Alemanha Ocidental.

Nos tempos do (pseudo-)amadorismo, a Alemanha do lado leste do muro tinha muita tradição olímpica, com quatro medalhas e um título em Montreal/1976. Mas, nas Copas do Mundo, nada. Já os alemães capitalistas, ao contrário, tinham tradição de apanhar nos campeonatos do COI, mas, vira e mexe, sempre estavam (e estão) entre os quatro melhores dos mundiais da Fifa. Contudo, os germano-ocidentais desses Jogos eram diferentes: como pregava o regulamento, eram profissionais virgens de Copa, mas bons de bola, como Juergen Klismann, que seria campeão mundial na Itália, dois anos depois - daquele time, além de Klinsmann, Thomas Haessler, Frank Mill e Karlheinz Riedle também venceram a Copa de 1990.

A campanha alemã em Seul era bastante tranquila. Na fase inicial, 3-0 sobre a China e 4-1 na Tunísia, com uma derrota muito a contento diante da Suécia, por 2-1. Derrota boa (que é o outro nome para resultado arranjado) porque colocou os germânicos diante de Zâmbia no mata-mata. Zâmbia, que assombrara o mundo fazendo 4-0 na Itália, recebeu o placar de volta nas quartas e voltou pra casa. E a Alemanha Ocidental estava nas semifinais olímpicas, pela primeira vez.

O jogo entre Brasil e Alemanha foi dominado amplamente pelos europeus no tempo normal. Depois de um injusto 0-0 no primeiro tempo, Holger Fach inaugura o marcador aos 5 minutos da segunda etapa, graças à falha da linha burra brasileira. Só aí é que o Brasil acordou em campo e chegou ao empate aos 34, com um gol do Romário (prenúncio de que, em semifinal, o baixinho faz gol de cabeça). Mas, um minuto e meio depois, Klinsmann sofre um pênalti que vai mudar a história do jogo.

O zagueirão Wolfgang Funkel cobrou rasteiro, no canto esquerdo, e foi a vez do herói brasileiro naquele dia aparecer. Taffarel fez a defesa em dois tempos, não deu rebote e levou o jogo para a prorrogação. Diga-se, de passagem, que ele já havia feito ótimas defesas durante a partida e era somente graças a ele que a vitória não foi alemã já no primeiro tempo.

Na prorrogação, os dois times cansaram, mas destaca-se uma arrancada de Romário que quase parou dentro do gol. E foi só. Pênaltis. Um momento histórico, de verdade.

Taffarel abriu os trabalhos defendendo a cobrança de Janssen, ao que João Paulo converteu seu chute e fez Brasil 1-0. Aí, Klinsmann deslocou o goleiro e acertou a trave, enquanto Luis Carlos Winck (se lembra dele?) quase não tomou distância pra dobrar a vantagem da seleção canarinho. Kleppinger e Romário deixaram o marcador em 3-1, e bastava ao Brasil um gol ou uma defesa para ir à final. Fach fez. E André Cruz, famoso por suas cobranças de falta, não. Brasil 3-2. Perigo? Tudo certo. O dia era de Taffarel e ele espalmou pra longe o chute de Wuttke e as chances alemãs. Brasil na final. Taffarel? Três pênaltis defendidos, o herói do dia. E, um dia, se converteria num herói das decisões por pênaltis também em Copas do Mundo.

Quatro dias depois, o Brasil seria derrotado pela União Soviética por 2-1 e ficaria com a prata. Na luta pelo bronze, os alemães passariam por cima do time italiano com um 3-0.

O mais curioso de tudo é que, depois desse 27 de setembro de 1988, nunca mais uma seleção masculina alemã foi derrotada numa decisão por pênaltis. Falo em Copas do Mundo, Mundiais sub-17 e sub-20, campeonatos europeus (adultos ou de jovens). Histórico o feito de Taffarel ou não? E também nunca mais o futebol masculino alemão conseguiu chegar, de novo, aos Jogos Olímpicos.

Por tudo disso, em homenagem ao Dia do Goleiro, é que vale a pena ver essa meia hora de vídeo, com narração alemã, do compacto da partida. Uma das grande partidas de futebol nos Jogos Olímpicos.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Começa por aqui




A saga brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres/2012 começa no dia 25, antevéspera da cerimônia de abertura, quando as meninas do futebol entrarem em campo contra Camarões. A partida será no Millennium Stadium, em Cardiff, um dos estádios mais bonitos do mundo, que já foi sede, inclusive, da Copa do Mundo de Rugby de 1999. No dia seguinte, no mesmo gramado, o time masculino enfrenta o Egito.

Quis o sorteio que o País de Gales fosse a porta de entrada para a delegação do Brasil nas Olimpíadas do Reino Unido. Quis o sorteio, também, que a seleção feminina, cambaleante como está, ficasse num grupo relativamente fácil, em que pudesse enfrentar a Grã Bretanha, mas também Nova Zelândia e Camarões.

O sorteio ainda determinou que o time de Mano Menezes também ficasse numa chave tranquila e com boas possibilidades de pegar um adversário mediano nas quartas-de-final, pois, se terminar mesmo em primeiro lugar, joga contra o segundo colocado do grupo da Espanha - que deve ser, convenhamos, Honduras, Japão ou Marrocos.

O primeiro evento olímpico de verdade foi hoje. E o Brasil começou, ao que parece, com sorte.

Futebol - Torneio masculino
Grupo A
Grã Bretanha
Senegal
Emirados Árabes
Uruguai

Grupo B
México
Coreia do Sul
Gabão
Suíça

Grupo C
Brasil
Egito
Bielorrúsia
Nova Zelândia

Grupo D
Espanha
Honduras
Japão
Marrocos

Futebol - Torneio feminino
Grupo E
Grã Bretanha
Nova Zelândia
Camarões
Brasil

Grupo F
Japão
Suécia
Africa do Sul
Canadá

Grupo G
EUA
França
Colômbia
Coreia do Norte

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Mau retrato

(foto: CBF)


Admito: fui enganado. Ver a Seleção Brasileira feminina de futebol enfrentar EUA e Japão nesta semana me fez acreditar que alguma coisa, ainda que de muito longe, havia mudado. Nem que fosse a mentalidade da CBF, que sempre tratou a modalidade como produto de fim de feira. Ou, pelo menos, eu achava que os jogos serviriam pra preparar o time pras Olimpíadas. Nada disso.

Os dois jogos sem Marta serviram, apenas, para mostrar o que todo mundo sabia desde sempre: sem Marta, sem chance. As duas goleadas que o Brasil sofreu essa semana fazem crer que esse time, sem sua craque, é bem mais fraco do aquele dos anos 90, que tinha Roseli, Sissi, Pretinha, mas do qual ninguém podia esperar muita coisa, além de uma luta danada e alguns resultados surpreendentes. Do time de hoje, quando a dez não joga, não se pode esperar, nem mesmo, que encare um adversário de gabarito.

Mudou o treinador. Saiu Kleiton Lima, em novembro, e voltou Jorge Barcellos, vice-campeão mundial na China, em 2007, e prata em Pequim/2008. E a defesa continua horrível. Aline sabe fazer gol de cabeça, Daiane tem boa estatura, mas as duas não ganham uma bola cruzada na área. Hoje, eu fico até surpreso que Wambach só tenha conseguido fazer um gol de cabeça nessa defesa aos 17 do segundo tempo da prorrogação, na Copa do Mundo do ano passado.

O meio-de-campo e o ataque são incapazes de segurar uma bola, de trocar passes (mesmo aqueles improdutivos, de lado) de evitar que o time adversário se arme e desça com tudo contra a defesa brasileira. Pedir uma boa jogada, então, é querer demais. Querer que as meias chutem de fora da área, arma mortal no futebol feminino, também é pedir muito. Querer que Cristiane se pareça com a que jogou entre 2004 e 2008, então, nem se fala. Mas ela não é, necessariamente, "a maior culpada" de alguma coisa. Seria injusto dizer isso.

Porque o time inteiro não rende bulhufas, como diz meu pai. Elas esperam que Marta receba uma bola casual ali na frente, saia driblando todo mundo e faça o gol sozinha ou presenteie alguém com um passe na cara do gol. Conclusão terrível: se Marta, por azar, ficar fora de alguma partida decisiva nas Olimpíadas, adeus!

Contudo, se as meninas não estão jogando nada, há de se reconhecer que a CBF tem muita culpa nisso. José Maria Marin não entra em campo, não marca a atacante que fez o gol de cabeça, não tabela com Marta, mas ele, que assumiu a CBF há quase um mês, ainda não se pronunciou sobre a modalidade. Ainda não disse o que espera da seleção, se quer manter esse campeonato mequetrefe que chamam de "Copa do Brasil"; não fala nada sobre categorias de base, não está nem ligando se a seleção foi jogar contra os dois favoritos ao ouro olímpico e só chegou ao Japão 48 horas antes da estreia.

Sim, 48 horas foi o que as meninas tiveram para se acostumarem a trocar o dia pela noite no Japão. Certo, a seleção passou uns dez dias treinando em Boston, mas, por que não foi direto para o Japão? Foi dinheiro o que faltou à CBF?

Esses dois jogos, que se juntam à derrota para o Canadá, no mês passado, mostram que a preparação para os Jogos de Londres vai ser tensa e que, mesmo na Inglaterra, o time vai sofrer muito, quando Marta não jogar ou não estiver muito inspirada. Mas o retrato do descaso da CBF com o futebol das mulheres, pra mim, é o uniforme.

Enquanto o time masculino já enfrentou a Bósnia, mês passado, de roupa nova, sem aquela camisa chinfrim de 2011, é esse uniforme velho, surrado, pavoroso que as brasileiras ainda estão estão usando. Feio como o futebol que jogaram no Japão e como é o tratamento que a CBF lhes dá.

domingo, 1 de abril de 2012

Já podia valer medalha

Semana de jogaços no futebol feminino. De hoje até quinta-feira, no Japão, o time da casa enfrenta EUA e Brasil e, de quebra, ainda hospeda uma partida entre as duas seleções. São jogos amistosos, é claro, mas podem valer muita coisa, já que, com a Alemanha fora do páreo, é bem possível que as três seleções dividam o pódio olímpico (embora não se descarte uma intromissão da Suécia na distribuição dessas medalhas). O desfalque desses amistosos é Homare Sawa, eleita melhor do mundo em 2011, pela Fifa, ausente por problemas de saúde.

Hoje pela manhã, numa reedição da final da Copa do Mundo do ano passado, EUA e Japão empataram em 1 a 1. Kinga abriu o placar para o Japão no primeiro tempo e Alex Morgan, autora do primeiro gol ianque na decisão do mundial, empatou para as visitantes.

Na terça-feira, às 8h da manhã (horário do Recife), o Brasil pega os EUA, o confronto de maior rivalidade do futebol feminino. E na quinta-feira, às 7h45 da manhã, as brasileiras enfrentam as campeãs mundiais e donas da casa. O Bandsports transmite os dois amistosos ao vivo.

Candidatos

(foto: femexfut.org.mx)



México e Honduras são os representantes da Concacaf no torneio masculino de futebol, em Londres. Os dois (Honduras, principalmente) contaram com a ajuda inesperada de El Salvador, que eliminou os EUA com um gol nos acréscimos, ainda no estágio de grupos.

A Seleção Hondurenha esteve nos Jogos de Pequim/2008, mas não passou da primeira fase. Aliás, nem ponto fez. A medalha que ganham é a da participação, nada mais. Já os mexicanos, ao que parece, podem sonhar com alguma coisa além da importância de competir.

Primeiro de tudo, é bom que se ressalte que o futebol tem evoluído no México esses últimos anos. Desde 1994, o time principal sempre tem se classificado para a Copa do Mundo e, lá, pelo menos, tem conseguido chegar aos mata-matas. Já suas seleções de base, vira e mexe, têm feito bons campeonatos mundiais e até, como foi no sub-17 de 2005 e de 2011, conquistado títulos.

Além disso, convenhamos, a concorrência no futebol masculino não vai ser das mais fortes. Os sempre temidos africanos, finalistas em três das últimas quatro olimpíadas, medalhistas em quatro das últimas cinco edições, dessa vez, não mandam Camarões, Gana ou Nigéria, e sim, Egito, Marrocos e Gabão. Os dois sul-americanos, Brasil e Uruguai, são fortes, mas é melhor enfrentá-los a concorrer com a atual bicampeã olímpica, a Argentina, que certamente escalaria Messi. E na Europa, a Espanha é o time a ser batido. Suíça e Bielorrússia não têm grande credenciais, exceto, talvez, pelo mundial sub-17 que suíços ganharam há três anos. O país-sede, a Grã Bretanha, só compete porque é em casa e deve usar o selecionado mais como ente político (talvez convocando o inglês David Beckham e o galês Ryan Giggs) do que esportivo, pois não vai utilizar nenhum atleta que participe da Eurocopa desse ano, que termina em 1º de julho.

Talvez o México não seja um time para levar o ouro. Entretanto, se de fato seus concorrentes mais fortes forem apenas Espanha, Uruguai e Brasil, é possível pensar que, com bola em campo e sorte nos cruzamentos das quartas-de-final e semifinal, os mexicanos possam, pela primeira vez, voltar dos Jogos com uma medalha no futebol.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Quebrar o gelo e balançar a rede


(foto: Gazeta Esportiva)

A Copa América de Futebol não encanta. Mais do que pelo futebol pobre praticado pelas seleções do continente – e pelas sub-22 convidadas, México e Costa Rica – foi a falta de gols que chamou a atenção na primeira rodada. O fato de a rede não haver balançado no gol inaugural da competição (foto) foi um péssimo prenúncio.

As seis partidas do torneio produziram oito gols, o que dá uma média de 1,33 gols por partida – de quebra, ainda houve dois zero a zero. A Copa América, no entanto, não está sozinha: no começo, todo mundo é meio tímido.

Na Eurocopa de 2008, disputada na Suíça e na Áustria, a primeira rodada teve média de 2 gols por partida, o que não é muito animador. No fim das contas, a média foi de 2,48 gols por jogo. Nada excepcional, nada decepcionante. Normal.

Na Copa do Mundo da África do Sul, ano passado, a primeira rodada teve uma média (ridícula) de 1,56 gols por jogo. Míseros 25 gols em 16 partidas, e ainda contando com a benesse de a Alemanha ter feito quatro em cima da Austrália. Terminado mundial africano, Espanha campeã com a pior média de gols da história – oito tentos em sete prélios, média de 1,14 gols em cada jogo – a Copa, ao contrário do que tudo indicava, não teve a pior média da história (a honraria ainda cabe à Copa da Itália, em 1990): a média final foi de 2,26 g/p.

E, vejam, até as meninas ficam tímidas também. As oito partidas da primeira rodada da Copa do Mundo deste ano só viram a rede balançar 14 vezes. Mas, no segundo round, as coisas claramente melhoraram: com 24 gols, a rodada teve média de 3 gols em cada jogo.

Na Argentina, ainda tem muitas partidas pela frente. E tomara que muitos gols também.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mortal




A estreia do Brasil na Copa do Mundo não foi das melhores. O resultado, ao menos, não foi pior do que as outras estreias da seleção em mundiais. A exemplo do que aconteceu na China/1991 (1 a 0 Japão), Suécia/1995 (1 a 0 Suécia), EUA/1999 (7 a 1 México), EUA/2003 (3 a 0 Coréia do Sul) e China/2007 (5 a 0 Nova Zelândia), a Seleção Brasileira feminina estreou na Alemanha vencendo a Austrália.

O resultado magro foi do tamanho do futebol que as brasileiras jogaram, especialmente no primeiro tempo, quando quem pegava na bola procurava Marta imediatamente. Isso, até, era esperado. O que não se esperava era que a Rainha, hoje, jogasse mal – mal, é claro, no padrão que ela mesma nos acostumou a vê-la, porque ela buscou jogo o tempo todo, apesar da marcação cerrada que sofreu.

Diga-se, ainda, que, como time, a Austrália mostrou-se ligeiramente superior ao Brasil. Não seria absurdo, mesmo, que as Matildas saíssem com a vitória. Talvez tivessem vencido, se a atacante Lisa de Vanna não fosse tão pouco oportunista na frente do gol.

Mas, voltando às brasileiras, os destaques individuais foram poucos. Maurine fez uma boa partida pela esquerda. Rosana, depois de um gol bisonhamente desperdiçado na primeira etapa, mostrou mais vontade no segundo tempo (jogando mais recuada, inclusive), fazendo um gol de muita habilidade. E Cristiane foi, para surpresa geral de quem tem visto seus jogos pela seleção de dezembro pra cá, a melhor brasileira em campo.

Cristiane não foi brilhante, mas conseguia driblar as adversárias, se movimentou bem no segundo tempo e fez uma jogada primorosa no gol de Rosana.

Ela ainda não é a mesma Cristiane que terminou os Jogos de Pequim como artilheira. É, no entanto, uma Cristiane que pode ser a ótima coadjuvante que sempre foi da Rainha Marta ou, eventualmente, assumir o papel de protagonista no jogo. Como fez hoje, com uma jogada e um passe mortais.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Musa

Marta ganhar o prêmio de melhor do mundo não é surpresa. Sentadas lado a lado no auditório em Zurique, as duas – Marta e Prinz – sabiam que o prêmio era da alagoana. A alemã, aliás, sabia disso há mais tempo.

Birgit Prinz descobriu, em 2007, que o troféu de 2010 iria para Marta. Não porque a brasileira defendesse o troféu de 2006, mas porque, naquele ano, a alemã vencera a Copa do Mundo e ainda viu Marta, na hora fatal, desperdiçar o pênalti que empataria o jogo. Ali, com um bicampeonato mundial no peito, Prinz percebeu que o título de melhor do mundo nunca mais iria para suas mãos.

É claro que, em 2007, Marta trocaria de bom grado o troféu de melhor jogadora pelo título que a alemã conquistou. Mas o danado é que a fisionomia incrédula de Prinz denunciava que ela aceitaria a troca como se lhe fizessem um favor, sem fazer maiores concessões.

Desde então, seja em dezembro, seja em janeiro, ano após ano, as duas chegam à Suíça sabendo qual vai ser a vencedora. Prinz, antes de premiação, já tem um olhar distante, abatido, como se tivesse burlado a surpresa do envelope lacrado e visse novamente o nome de Marta. A surpresa esse ano foi outra.

Prinz, sempre da maquiagem sóbria e óculos discretos, que lhe atribuem rumor culto à beleza, na premiação dessa tarde, foi ofuscada por Marta. Não pelo futebol de Marta, mas pela exuberância de Marta.

Longe do uniforme masculinizante dos gramados, Marta mostrou ter a mesma beleza do futebol que joga. Ela já era a melhor do mundo, a Pelé de saias, e, agora, é a musa da premiação da Fifa – acho que, essa, Prinz também sabe que perdeu.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Esticar, melhorar, desobedecer

Este ano, faz duas décadas que a Fifa começou a promover a Copa do Mundo feminina de Futebol. Com efeito, faz 15 anos que a modalidade se tornou olímpica. Com duas datas significativas, é hora de avaliar a modalidade sob o ponto de vista do espetáculo.

De antemão, objetivamente, comparemos a altura das goleiras e dos goleiros e pensemos que a altura da meta não muda. Enquanto a alemã Angerer tem 1,74m, o espanhol Casillas, o melhor da última Copa do Mundo passada, tem 1,85m (e olhe que ele não é considerado alto para a posição). Mas Angerer tem dois motivos para não ficar triste com isso: primeiro, porque as norte-americanas Hope Solo e Briana Scurry têm apenas um centímetro a mais que ela, e Bárbara, titular do Brasil a partir do terceiro jogo da campanha de Pequim, tem 1,70m; segundo, porque, mesmo com essa estatura, ela não sofreu um único gol na campanha vitoriosa do mundial de 2007.

De qualquer forma, se é difícil encontrar jogadoras mais altas – já que estas acabam optando pelo Basquete, pelo Vôlei ou pelo Handebol –, a dispendiosa solução para melhorar o espetáculo seria diminuir a altura e a largura do gol, como o Vôlei faz com a altura da rede. Mas isso, convenhamos, não vai acontecer nunca (e vai haver quem lembre que a Fiba não diminui a altura do aro e da tabela para as basqueteiras).

Contudo, se é caro adaptar as balizas do mundo inteiro para as meninas, não seria exorbitante exigir da Fifa que escalasse árbitras, pelo menos, razoáveis nas competições vitais do esporte – Copa do Mundo e Olimpíadas. É impressionante como a arbitragem feminina não gosta de aplicar o cartão vermelho. Não fosse assim, num exemplo aleatório, Marta teria sido expulsa na semifinal de Pequim, contra a Alemanha.

Aliás, em toda a história olímpica do Futebol Feminino, só houve três jogadoras expulsas de campo, e todas em Atlanta/1996. Ou seja, a partir de Sydney/2000, nenhuma árbitra exibiu, sequer, um cartão vermelho. Fair Play?

Por fim, para melhorar a competitividade do jogo (subjetivamente falando), peço encarecidamente às jogadoras menos obediência tática. Finzinho de jogo, time perdendo por um a zero: é hora de pressão absoluta, de colocar zagueira alta jogando de centroavante, de atacar com as duas laterais e as cabeças-de-área? Não.

O gostoso de ver uma partida de futebol é que, do nada, aos 44 do segundo tempo, um gol no abafa destrói uma retranca bem feitinha, um bombão pra área desvia na cabeça de alguém e morre no fundo do gol. Mas isso raríssimas vezes pude ver no Futebol Feminino. Raras, mesmo – lembro, por assim dizer, a Suécia pressionando, brutalmente e sem sucesso, a Alemanha nos últimos minutos da final de 2003.

Nesses 15 anos de Olimpíadas e 20 de Copa do Mundo, dá para ver que a modalidade cresceu bastante, em número e qualidade de atletas e de clubes. E para que continue se expandindo e atraindo mais público, creio ser premente encontrar goleiras altas, investir na arbitragem (até, se for o caso, escalando árbitrOs de Copa do Mundo, para as partidas mais importantes) e, especialmente, desobedecer o treinador, colocando em campo mais coração do que mente – que, no fim, é a graça desse jogo que os bretões inventaram.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Olho no Canadá

Com todas as ressalvas que devem ser feitas – brasileiras em más condições físicas, desfalque de Cristiane e Daniela Alves –, é preciso reconhecer que o Canadá jogou um bom futebol no Torneio Cidade de São Paulo e mereceu o título.

Título que, se ficasse com o Brasil, seria apenas pela genialidade de Marta. Não pela organização do time, não pela solidez da defesa, não pelo apoio do meio-de-campo, apenas, por causa de Marta.

Com a Copa do Mundo batendo à porta, não dá para não pensar que esse time canadense, com Sinclair e Tancred, vai dar um trabalho desgraçado lá na Alemanha.

Imaginando que o Brasil vença seu grupo (contra Noruega, Austrália e Guiné Equatorial) e que o Canadá fique em segundo no seu (com Alemanha, França e Nigéria), as duas equipes podem se encontrar nas semifinais. Ou ainda pior: se o Canadá vence o grupo, o Brasil pegaria a Alemanha, nas sêmis.

Certo, Brasil, Alemanha e EUA são a trinca de ases do Futebol feminino mundial. Mas o Canadá, com o título da Concacaf e esse agora, na casa das brasileiras, começa a se aproximar perigosamente do grupo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O roteiro

Não gosto muito de falar de futebol aqui no blog. Não é meu tema preferido. Até falei um pouquinho do futebol feminino, até já falei da campanha do Sport na Série B, até já falei da inclusão do Japão na Copa América do ano que vem, e falei até, dia desses, do Mundial Interclubes. Nada mais.

Devo admitir que gosto de escrever sobre o futebol das meninas. Vejo Marta e me lembro de Roseli. Penso nas duas gerações como pioneiras da modalidade por aqui e isso me dá ânimo, vontade, mesmo, de dissertar. Mas a versão masculina, de tão pisada e repisada por comentaristas e palpiteiros, me cansa. A mídia futebolística me cansa. Ronaldo está de saco cheio? Eu também.

O futebol me parece assunto esgotado, encerrado, que devia ser proibido na net e ficar só onde realmente conta: na genuína conversa jogada fora, descompromissada, sem esquemas táticos, sem pranchetas, sem o filosofismo barato e a mediocridade da auto-ajuda que paira como ciência na boca dos “professores” – pois ainda chamam treinadores de “professores”.

Hoje, contudo, depois que o Internacional foi eliminado pelo Mazembe, achei que eu deveria escrever alguma coisa sobre o jogo. Primeiro, pensei em dizer que “futebol é mesmo surpreendente” e ia usar o gancho-clichê para dizer que a soberba do Inter o derrotou. Para amenizar o tom, eu iria listar uma série de partidas históricas em que o inusitado entrou em campo e acabou com o jogo. Que nada, já devem ter feito isso mais rápido e melhor do que eu…

Depois, pensei em falar que o Mazembe mereceu a vitória, mas aí eu pensei que não tenho nenhum conhecimento técnico-tático-pedante para descrever o esquema de jogo dos africanos e enumerar os erros do sistema colorado.

O que eu sei é que, de agora até o fim dos tempos, toda vez que um time brasileiro se meter a ganhar a Libertadores e for para o Mundial, os programas de televisão vão castigar o espectador com os lances da partida de hoje. Aí, o comentarista, com a fala coberta pela comemoração esdrúxula do goleiro do Mazembe, dirá “é bom não pensar só no time europeu, pois antes há uma semifinal e, com certeza, o adversário nela pode pregar uma peça. Vejam o que aconteceu ao Inter”, etc.

O jornal publicará, ao lado do texto principal, que certamente vai ressaltar a chance única que o time tem para ser campeão do mundo, uma matéria com o técnico, título devidamente aspeado, na qual ele diz usar o Inter para evitar o já-ganhou. E nos sites não será muito diferente – o chamariz do “a chance é essa” e o alerta do “não se esqueçam do Inter”.

Depois dessa reflexão fajuta, de minha previsão óbvia e da vitória do Mazembe, concluo: a imprensa segue o roteiro; o futebol, para a sorte das mesas de bar, não.

sábado, 11 de dezembro de 2010

O melhor Inter(clubes)?

É quase certo que o clube campeão mundial de futebol, este ano, vai ser o Internacional ou a Internazionale. Ou alguém acha que o Mazembe (do Congo) ou o Seongnam (da Coreia do Sul) pode preparar uma surpresa para os inter-favoritos, nas semifinais?

Mas a questão que eu proponho é outra: o campeão mundial de clubes, se for mesmo um dos dois gigantes, pode ser considerado o melhor time do mundo?

Sendo cretino o suficiente para esquecer a qualidade individual dos jogadores e do futebol das duas equipes, vou me ater a números e história recente (bem recente mesmo).

O time brasileiro terminou o campeonato nacional na sétima posição, há uma semana, 13 pontos atrás do campeão.

Já o time italiano está (por coincidência) na sétima posição do campeonato nacional, a dez pontos do líder. Além disso, na Liga dos Campeões da Europa, classificou-se para a segunda fase na segunda posição, atrás do Tottenham (apenas o quinto colocado no campeonato inglês) e terminou a primeira fase levando de 3 a 0 do Werder Bremen, que já estava eliminado.

Daí, posso dizer que o melhor time do mundo, com certeza, não será, sequer, o melhor time de seu próprio país. E posso ser mais cretino ainda.

No Brasileiro, o melhor time do returno foi o Grêmio, que terminou o campeonato na quarta posição. Grêmio de Porto Alegre – a mesma Porto Alegre do Inter.

No Italiano, ainda que com um futebol capenga, quem tem seis colocações e dez pontos acima da Internazionale é o Milan – da mesma Milão da Inter.

Então, se eu quisesse mesmo ser cretino, eu diria que, com certeza, o melhor time do mundo não será o melhor time de sua cidade. Ganhar o Mundial de Clubes não lhes assegura o título no campeonato de bairros.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Chave aberta

O sorteio dos grupos para da Copa do Mundo feminina de Futebol, na Alemanha, não chegou a ser generoso com o Brasil, mas também não foi dantesco. Contra a Austrália, o jogo é um bom amistoso; contra a Noruega, um bom teste (talvez um jogo-chave, mas eu explico adiante por que); e contra Guiné Equatorial, talvez não chegue, sequer, a ser um bom treino.

De toda a sorte, o campeonato começa de verdade no mata-mata, na fase seguinte, quando o Brasil, se conseguir classificação, enfrentará um time do grupo C. Se passar em primeiro, a tendência é enfrentar Suécia, Colômbia ou Coreia do Norte. Se ficar em segundo, deve enfrentar os EUA.

Considerando que é muito provável que as norte-americanas e as brasileiras se classifiquem em primeiro, pode-se dizer que a tabela foi simpática às aspirações brasileiras. Explico.

Se Brasil, EUA e Alemanha, as três superpotências do futebol feminino atual, vencerem seus grupos, o Brasil só enfrentaria uma das duas equipes na final. Assim, para as pretensões brasileiras, é imprescindível vencer a Noruega (principalmente, a Noruega) no segundo jogo. Isso ocorrendo (e contando, é claro, com um passeio norte-americano no grupo C e uma lavada alemã no A), EUA, Noruega (ex-campeã olímpica, não esqueçamos) e Alemanha iam lutar por uma vaga na decisão, muito provavelmente contra o Brasil.

Restaria, talvez, a Suécia como grande rival brasileira numa quarta-de-final e Inglaterra ou Japão numa semifinal. Adversários, cá pra nós, menos difíceis do que os do outro lado da chave – e, por favor, ninguém lembre que a Suécia eliminou o Brasil nas quartas, em 2003, ou que a Noruega venceu o Brasil, na disputa do bronze olímpico, em 1996, porque disso eu já esqueci.

Confira os grupos do Mundial e a tabela.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Revanchismo meu

Em 2007, quando o Brasil perdeu a final da Copa do Mundo feminina de Futebol para a Alemanha, houve quem cobrasse da CBF alguma premiação às meninas pela conquista – nem que o prêmio fosse um campeonato nacional decente.

Com a arrogância de quem já está no cargo há mais tempo do que merece, Ricardo Teixeira ironizou as meninas, disse que elas não haviam conquistado nada, nem a vaga olímpica. De fato, em 2006, a Argentina venceu o campeonato sul-americano e obrigou o Brasil a disputar um jogo extra contra Gana para ver se iria a Pequim – venceu, foi aos Jogos e terminou com a prata.

Já que o presidente Ricardo Teixeira valoriza tanto a vaga olímpica, é bom que lhe digam que o time de Marta, Cristiane & cia. conquistou vaga para Londres uma rodada antes do fim do sul-americano, passando por cima da Argentina (4x0) e, essa noite, da Colômbia (5x0). É bom lhe perguntarem, também, se, com a vaga, tem premiação para nossas meninas.

Não porque precisem disso para defender o futebol nacional – fazem isso com um prazer que outras seleções brasileiras não têm e nem dão ao torcedor –, mas, sim, porque merecem.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

De Mano e das Meninas

O texto abaixo está no site da CBF (na íntegra, aqui), sobre o Sul-americano feminino de Futebol, no Equador:

“Apesar da derrota no último minuto da Seleção Masculina, a Seleção Brasileira Feminina estreou com vitória na fase final do Sul-Americano, no Equador, nesta quarta-feira. A seleção derrotou a Argentina por 4 a 0, com gols de Grazielle, Rosana, Marta e Cristiane.”

Alguém supunha que o time de Marta e Cristiane fosse entrar em campo abatido pela derrota do time masculino? Ou que as meninas quisessem vingança pela derrota dos jogadores de Mano? Ou, ainda: é como se a CBF quisesse dizer que a goleada que as brasileiras aplicaram sobre as argentinas, no Equador, só serviu para redimir a derrota dos brasileiros para os argentinos, no Catar.

Se fosse o contrário, duvido que alguém da entidade disse que o time masculino, apesar da derrota do feminino, foi lá e venceu.

O Sul-americano dá duas vagas para a Copa do Mundo da Alemanha, ano que vem, e uma para as Olimpíadas de Londres/2012. Isso, por si só, já basta.

O futebol feminino do Brasil não recebe quase nada da CBF – ou é para se conformar com a Copa do Brasil que as meninas têm?

Mas, sem nada em troca, a CBF não tem o menor pudor para usar o sucesso das meninas em proveito próprio, seja para esconder os erros da entidade, dizendo que o Brasil é uma das três potências do futebol feminino mundial, seja para esconder as derrotas, como foi o caso desse jogo contra a Argentina, que a CBF fez parecer que era revanche do time de Mano.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

É a matemática

Campeonato Brasileiro de Futebol, classificação da Série B: 4º) América/MG, 59 pontos e 18 vitórias; 5º) Portuguesa, 56 pontos e 17 vitórias; 6º) Sport, 56 pontos, 15 vitórias. A CBF e o destino quiseram que o Sport enfrentasse os dois rivais diretos à última vaga para a primeira divisão, justamente nas duas últimas rodadas. Primeiro, enfrenta o América, em Minas, e, depois, a Lusa, no Recife. Se vencer os dois jogos e o América não passar pela Ponte Preta (última rodada, em Campinas… não vai ser fácil, né?) o Leão volta à elite do futebol nacional. Assim, a partida de sábado, contra o Coelho, é decisiva, etc. e tal.

A matemática até dá uma força, tem jogado descaradamente a favor do Sport. E é só pela matemática que o clube ainda nutre alguma expectativa nesse fim de novembro. Só por ela.

Porque, pelo futebol, não dá mais.

Pelo meio-de-campo cansado e confuso, com Marcelinho Paraíba limitado à bola parada e Elton jogando bem só às vezes, não dá mais. Pela defesa, desmontada, desfalcada, com saudade de Durval e dos bons tempos de Igor, não dá mais. Por Dutra, que só faz correr, mas não acerta um drible, um cruzamento ou um desarme, não dá mais. Pela dupla de ataque, com os gols ocasionais de Ciro e a volta de Wilson em marcha muito lenta, não dá mais.

Há três razões para que o Sport não esteja ali, junto com o Náutico, brigando palmo a palmo por um pedaço de chão na Série B de 2011.

A primeira é Magrão, que dispensa adjetivos, comentários ou frases de efeito.

A segunda é o técnico Geninho, que, apesar de ter sido conservador quando o time precisou de ousadia, deu ânimo ao Sport e fez a torcida acreditar que dava para subir.

A terceira razão é a matemática. Se não fosse por ela – pois, pelo futebol, não dá –, o ano para o Sport já teria terminado, os medalhões do time estariam de férias e todo mundo, na Ilha do Retiro, já estaria pensando em outro infeliz ano novo na segunda divisão.

Bendita seja a matemática! Porque, se fosse só pelo futebol…

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Japão

Se, pelo título, parece que vai ser outro texto sobre o Mundial feminino de Vôlei, não é. As aparências, dessa vez, enganaram.

A Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol) promoveu, ontem, o sorteio para os grupos da Copa América do ano que vem, que vai ser disputada na Argentina. Se, aparentemente, é preciso ser sul-americano (americano, vá lá, já que sempre vem alguém da Concacaf para inchar o torneio) para disputar a competição, as aparências enganaram novamente.

As aparências que não enganam:

1) Apesar da globalização, da velocidade da internet e da aviação comercial, o Japão continua na Ásia;

2) A Conmebol, que não tem o mínimo respeito pelas competições que organiza, continua a não respeitar, por exemplo, a geografia dos afiliados – desde 1993, sempre algum americano central ou do norte sempre aparece no torneio dessas bandas, assim como, desde 1998, os clubes mexicanos disputam a Taça Libertadores;

3) O torneio, assim como todas as Copas América desde 1991, não serve mais para medir a qualidade do futebol sul-americano. É de se apostar que vai ser outra copa repleta de seleções desfalcadas – exceto a Argentina, que, dessa vez, tem a obrigação dobrada de vencer, pois joga em casa.

Esqueça, no entanto, tudo de mau que ouvir a respeito das edições passadas da Copa América. Fraca? Desorganizada? Inchada? Descabida? Que nada! O Japão vai disputar a Copa América, o que significa um salto de qualidade no futebol de cá do mundo.

Copa América 2011 – 1º a 24 de julho

Grupo A
Argentina
Colômbia
Japão
Bolívia

Grupo B
Brasil
Paraguai
Equador
Venezuela

Grupo C
Uruguai
Chile
México
Peru

domingo, 7 de novembro de 2010

Esporte é conhecimento

Fiquei surpreso quando soube que, na prova do Enem aplicada hoje, uma das questões versava sobre Vôlei. A pergunta se referia aos fundamentos do esporte, que apareciam num quadro em três fotos – um saque, uma manchete e um ataque, pela ordem. Vi, também, que havia uma questão sobre a média de gols dos artilheiros das Copas do Mundo de Futebol desde 1930, mas era uma questão que envolvia mais conhecimento matemático do que esportivo, já que um gráfico mostrava quantos gols cada goleador de cada mundial marcara.

Recordei uma questão de dez anos atrás, num concurso público da Caixa Econômica Federal. A pergunta, que aparecia em “Atualidades”, queria saber o nome do piloto de Fórmula 1 que terminou o GP do Brasil daquele ano em 2º lugar, mas foi desclassificado – David Coulthard, escocês da McLaren, era a resposta certa.

Problemas com o gabarito de ontem à parte, boa iniciativa do MEC a de cobrar, do estudante, algum conhecimento na área esportiva. Falta, agora, o próprio MEC valorizar o professor de Educação Física, profissional que, além de educador, deveria ser visto (e remunerado) como formador de novos atletas e disseminador de uma cultura esportiva no país – o que traz, consigo, a ideia de aliar a prática esportiva à saúde e ao lazer.