Pages

Mostrando postagens com marcador Futebol Feminino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Futebol Feminino. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de abril de 2012

Começa por aqui




A saga brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres/2012 começa no dia 25, antevéspera da cerimônia de abertura, quando as meninas do futebol entrarem em campo contra Camarões. A partida será no Millennium Stadium, em Cardiff, um dos estádios mais bonitos do mundo, que já foi sede, inclusive, da Copa do Mundo de Rugby de 1999. No dia seguinte, no mesmo gramado, o time masculino enfrenta o Egito.

Quis o sorteio que o País de Gales fosse a porta de entrada para a delegação do Brasil nas Olimpíadas do Reino Unido. Quis o sorteio, também, que a seleção feminina, cambaleante como está, ficasse num grupo relativamente fácil, em que pudesse enfrentar a Grã Bretanha, mas também Nova Zelândia e Camarões.

O sorteio ainda determinou que o time de Mano Menezes também ficasse numa chave tranquila e com boas possibilidades de pegar um adversário mediano nas quartas-de-final, pois, se terminar mesmo em primeiro lugar, joga contra o segundo colocado do grupo da Espanha - que deve ser, convenhamos, Honduras, Japão ou Marrocos.

O primeiro evento olímpico de verdade foi hoje. E o Brasil começou, ao que parece, com sorte.

Futebol - Torneio masculino
Grupo A
Grã Bretanha
Senegal
Emirados Árabes
Uruguai

Grupo B
México
Coreia do Sul
Gabão
Suíça

Grupo C
Brasil
Egito
Bielorrúsia
Nova Zelândia

Grupo D
Espanha
Honduras
Japão
Marrocos

Futebol - Torneio feminino
Grupo E
Grã Bretanha
Nova Zelândia
Camarões
Brasil

Grupo F
Japão
Suécia
Africa do Sul
Canadá

Grupo G
EUA
França
Colômbia
Coreia do Norte

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Mau retrato

(foto: CBF)


Admito: fui enganado. Ver a Seleção Brasileira feminina de futebol enfrentar EUA e Japão nesta semana me fez acreditar que alguma coisa, ainda que de muito longe, havia mudado. Nem que fosse a mentalidade da CBF, que sempre tratou a modalidade como produto de fim de feira. Ou, pelo menos, eu achava que os jogos serviriam pra preparar o time pras Olimpíadas. Nada disso.

Os dois jogos sem Marta serviram, apenas, para mostrar o que todo mundo sabia desde sempre: sem Marta, sem chance. As duas goleadas que o Brasil sofreu essa semana fazem crer que esse time, sem sua craque, é bem mais fraco do aquele dos anos 90, que tinha Roseli, Sissi, Pretinha, mas do qual ninguém podia esperar muita coisa, além de uma luta danada e alguns resultados surpreendentes. Do time de hoje, quando a dez não joga, não se pode esperar, nem mesmo, que encare um adversário de gabarito.

Mudou o treinador. Saiu Kleiton Lima, em novembro, e voltou Jorge Barcellos, vice-campeão mundial na China, em 2007, e prata em Pequim/2008. E a defesa continua horrível. Aline sabe fazer gol de cabeça, Daiane tem boa estatura, mas as duas não ganham uma bola cruzada na área. Hoje, eu fico até surpreso que Wambach só tenha conseguido fazer um gol de cabeça nessa defesa aos 17 do segundo tempo da prorrogação, na Copa do Mundo do ano passado.

O meio-de-campo e o ataque são incapazes de segurar uma bola, de trocar passes (mesmo aqueles improdutivos, de lado) de evitar que o time adversário se arme e desça com tudo contra a defesa brasileira. Pedir uma boa jogada, então, é querer demais. Querer que as meias chutem de fora da área, arma mortal no futebol feminino, também é pedir muito. Querer que Cristiane se pareça com a que jogou entre 2004 e 2008, então, nem se fala. Mas ela não é, necessariamente, "a maior culpada" de alguma coisa. Seria injusto dizer isso.

Porque o time inteiro não rende bulhufas, como diz meu pai. Elas esperam que Marta receba uma bola casual ali na frente, saia driblando todo mundo e faça o gol sozinha ou presenteie alguém com um passe na cara do gol. Conclusão terrível: se Marta, por azar, ficar fora de alguma partida decisiva nas Olimpíadas, adeus!

Contudo, se as meninas não estão jogando nada, há de se reconhecer que a CBF tem muita culpa nisso. José Maria Marin não entra em campo, não marca a atacante que fez o gol de cabeça, não tabela com Marta, mas ele, que assumiu a CBF há quase um mês, ainda não se pronunciou sobre a modalidade. Ainda não disse o que espera da seleção, se quer manter esse campeonato mequetrefe que chamam de "Copa do Brasil"; não fala nada sobre categorias de base, não está nem ligando se a seleção foi jogar contra os dois favoritos ao ouro olímpico e só chegou ao Japão 48 horas antes da estreia.

Sim, 48 horas foi o que as meninas tiveram para se acostumarem a trocar o dia pela noite no Japão. Certo, a seleção passou uns dez dias treinando em Boston, mas, por que não foi direto para o Japão? Foi dinheiro o que faltou à CBF?

Esses dois jogos, que se juntam à derrota para o Canadá, no mês passado, mostram que a preparação para os Jogos de Londres vai ser tensa e que, mesmo na Inglaterra, o time vai sofrer muito, quando Marta não jogar ou não estiver muito inspirada. Mas o retrato do descaso da CBF com o futebol das mulheres, pra mim, é o uniforme.

Enquanto o time masculino já enfrentou a Bósnia, mês passado, de roupa nova, sem aquela camisa chinfrim de 2011, é esse uniforme velho, surrado, pavoroso que as brasileiras ainda estão estão usando. Feio como o futebol que jogaram no Japão e como é o tratamento que a CBF lhes dá.

domingo, 1 de abril de 2012

Já podia valer medalha

Semana de jogaços no futebol feminino. De hoje até quinta-feira, no Japão, o time da casa enfrenta EUA e Brasil e, de quebra, ainda hospeda uma partida entre as duas seleções. São jogos amistosos, é claro, mas podem valer muita coisa, já que, com a Alemanha fora do páreo, é bem possível que as três seleções dividam o pódio olímpico (embora não se descarte uma intromissão da Suécia na distribuição dessas medalhas). O desfalque desses amistosos é Homare Sawa, eleita melhor do mundo em 2011, pela Fifa, ausente por problemas de saúde.

Hoje pela manhã, numa reedição da final da Copa do Mundo do ano passado, EUA e Japão empataram em 1 a 1. Kinga abriu o placar para o Japão no primeiro tempo e Alex Morgan, autora do primeiro gol ianque na decisão do mundial, empatou para as visitantes.

Na terça-feira, às 8h da manhã (horário do Recife), o Brasil pega os EUA, o confronto de maior rivalidade do futebol feminino. E na quinta-feira, às 7h45 da manhã, as brasileiras enfrentam as campeãs mundiais e donas da casa. O Bandsports transmite os dois amistosos ao vivo.

sábado, 16 de julho de 2011

Perto do Vitória




Se a decisão de mudar o horário da final só saiu no meio dessa semana, o campeonato parece ter sido decidido antes. Domingo, o Vitória conseguiu uma vantagem quase definitiva, fazendo 4 a 0 sobre o Sport, na Ilha do Retiro. Pra perder o título e o bicampeonato, o Vitória terá de perder por cinco gols de diferença, o que é bem difícil, já que, nas oito partidas que disputaram, até agora, as interioranas sofreram, apenas, dois gols.

O placar elástico mostrou a diferença entre um time que trabalha o futebol feminino com profissionalismo e outro que não fez questão nenhuma de repatriar uma jogadora formada na casa.

Enquanto o Vitória contratou jogadoras com passagem pelas seleções de base, como a goleira Letícia e as atacantes Carol Baiana e Ketlen Wiggers, além de revelações do futebol local, como a artilheira Lili Bala, o Sport esnobou a goleira Bárbara.

Bárbara começou no próprio Sport e, esse ano, voltou ao Brasil à procura de um time. Chegou a treinar no clube, mas só pra manter a forma. O Sport não quis nada com a moça e ela foi pro Foz Cataratas.

O resultado disso, dessa indiferença com o futebol das mulheres, é que o clube, pelo segundo ano seguido, a menos que consiga um milagre hoje à tarde, não deverá disputar a Copa do Brasil, a única vitrine do futebol feminino nacional. Triste, pra quem se vangloria de ser um clube verdadeiramente poliesportivo e que, até, já foi vice-campeão nacional na modalidade.

Ficou pra hoje

O bom senso prevaleceu na Federação Pernambucana de Futebol (FPF). A segunda partida da decisão do estadual feminino, entre Vitória e Sport, em Vitória de Sto. Antão, será hoje à tarde, às 15h, e não amanhã, como estabelecido no início do campeonato. Fosse amanhã, no mesmo horário, as meninas daqui jogariam no mesmo horário da final da Copa do Mundo. Enfim, uma atitude que privilegia quem gosta da modalidade. Ponto pra FPF.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um pouquinho de história

EUA e Japão decidem a Copa do Mundo feminina de Futebol neste domingo. A final é inédita, embora não em todos os aspectos.

Não é a primeira vez que um time asiático chega à final da Copa do Mundo. A China fez isso em 1999. Na ocasião, foi derrotada pelos EUA nos pênaltis, depois de 120 minutos sem gol no tempo normal. Por conseguinte, também não é a primeira vez que os EUA decidem uma Copa do Mundo contra uma equipe oriental.

Não é a primeira vez que EUA e Japão se enfrentam em Copas do Mundo. A primeira, em 1991, terminou com vitória ianque por 3 a 0 na primeira fase. Na segunda, quatro anos depois, as americanas fizeram 4 a 0 nas japonesas nas quartas de final, na primeira e, até 2011, única vez em que as nipônicas haviam passado da primeira fase.

Curiosidade: se a Suécia tivesse avançado à decisão, contra os EUA, teria sido o segundo jogo repetido numa mesma edição de mundial feminino, a primeira numa final. A única vez em que isso ocorreu foi na Copa de 1995: EUA e China empataram em 3 a 3 na primeira fase e, na decisão do terceiro lugar, as americanas ficaram com o bronze, metendo 2 a 0 nas chinesas.

Outra curiosidade é que a Copa do Mundo terá, pela primeira vez, um campeão não invicto. As duas equipes conheceram derrota na primeira fase, mas se recuperaram e jogam domingo.

Domingo, aliás, o Japão se torna a sétima seleção a disputar uma final de Copa do Mundo para mulheres. De quebra, pode se tornar o primeiro país não europeu ou americano a conquistar uma Copa do Mundo Fifa na categoria adulta. Por outro lado, os EUA podem retomar a supremacia da Copa do Mundo, ganhando da Alemanha a corrida pelo tricampeonato.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A derrota e a eliminação




O Brasil ter perdido para os Estados Unidos nos pênaltis e o Brasil ter sido eliminado pelos Estados Unidos, ao contrário do que parece, não são a mesma coisa. A derrota, ainda que nos pênaltis, é a parte chata e necessária do jogo. A eliminação (precoce, pelas finais que as meninas disputaram nesses últimos sete anos) é outra história.

O jogo foi conturbado. Um gol contra de Daiane em 80 segundos de disputa, jogadas ríspidas das brasileiras e violentas das americanas, uma cobrança repetida de pênalti capricho da árbitra, uma árbitra fraca, um golaço ilegal de Marta no tempo extra, três minutos de acréscimo em 15 de segundo tempo prorrogação, um gol de Wambach de novo – como em Atenas. E pênaltis.

E nos pênaltis, um erro estratégico. Um erro que é o vértice em que se encontram os motivos da derrota e da eliminação de hoje.

Não queria correr o risco de repetir o choro (quase sempre justificado, diga-se) de quem diz que “falta apoio ao futebol feminino no Brasil”. Mas é exatamente isso que eu vou fazer. Sem medo.

Jogos Olímpicos de Atenas, 2004. Sem saber que havia grandes craques no time, pois Cristiane e Marta ainda estavam em formação, tinham, respectivamente, 18 e 19 anos de idade, René Simões, com menos de um ano de trabalho, levou o time ao vice-campeonato olímpico, e com direito a poder reclamar muito da arbitragem no jogo decisivo. René Simões não é exatamente um treinador vitorioso, mas tem passagens nas seleções de base masculinas, levou a Jamaica à Copa do Mundo de 1998, e até 2004, havia treinado times no Brasil e no Oriente Médio. Em síntese, o Brasil foi a Atenas com um treinador.

No ciclo seguinte, veio Jorge Barcellos. Ele tinha experiência em categorias de base nas seleções femininas. Se o futebol das mulheres está engatinhando no Brasil, imagine o das meninas. Seu trabalho no time principal começou em 2006, com um vice-campeonato sul-americano, seguiu com um título no Pan do Rio e terminou com o vice-campeonato mundial e olímpico. Mesmo tendo feito um trabalho bom, convenhamos, não era um treinador pra Seleção Brasileira. E deu lugar a Kleiton Lima.

Não obstante haver levado o Santos a conquistar títulos nacionais e continentais, com todo respeito, toda vez que se fala nele alguém diz “e ele foi espião da seleção brasileira na Copa de 1994.” Ou seja, mais uma vez, a CBF contratou um treinador sem larga experiência larga. Faltou, de novo, cuidado da Confederação Brasileira de Futebol com o Futebol das mulheres. A eliminação da Copa, se nada anormal ocorresse, aconteceria a qualquer tempo.

Nem vou falar da preparação pro Mundial, com dois amistosos, contra o Chile e contra a Seleção Pernambucana. Nem vou falar da sobrecarga tática em cima de Marta ou da posição em campo de Érika, Maurine e Rosana, ou do medo que Kleiton tinha de fazer alterações no time. Vou falar dos pênaltis.

Por ter um treinador inexperiente, o Brasil foi pras cobranças da marca fatal com duas jogadoras abaladas psicologicamente. Cristiane, que perdeu o pênalti anulado no tempo normal, e Daiane, autora do gol contra no início do jogo. Cristiane até converteu sua cobrança. Mas Daiane, que pouco errou em toda a Copa, saiu de campo marcada pelo gol contra e pelo pênalti desperdiçado no jogo de hoje. Faltou um treinador que tivesse vivência o suficiente no futebol pra prever o buraco em que a zagueira se meteria na batida do pênalti.

O Brasil perdeu por causa um gol contra, um gol nos acréscimos infindáveis da prorrogação e um pênalti perdido. E o Brasil foi eliminado porque, mais uma vez, a seleção feminina foi tratada como subproduto pela CBF.

(republicado por erro de edição)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Riem nas quartas. Vão rir no domingo?


(foto: http://www.facebook.com/officialussoccer)

A definição dos confrontos das quartas de final da Copa do Mundo feminina de Futebol foi cruel com a Seleção Brasileira. O Brasil fez a melhor campanha da fase, melhor ataque, junto com Alemanha e França, única defesa zerada, etc. e tal. Mas aí a vitória das suecas sobre as norte-americanas pôs as ianques no caminho de Marta & Cia. E a história mostra: não há adversário pior de para enfrentar do que os EUA.

Essa é a sexta Copa do Mundo de Futebol das mulheres. Os EUA têm dois títulos e três terceiros lugares.

Em quatro edições do Futebol feminino em Olimpíadas, os EUA levaram três ouros e uma prata – perderam para a Noruega, em Sydney/2000, na prorrogação.

Nos torneios de grande relevância, as ianques sempre chegaram, pelo menos, nas semifinais. O detalhe é que nunca saíram sem medalham. Noutras palavras, quartas de final, até hoje, é uma terra em que elas não conhecem derrota.

A única coisa boa dessa história é que, com certeza, as americanas não gostaram nada, nada de enfrentar o Brasil no próximo domingo. Elas podem até se lembrar das duas últimas finais olímpicas, mas não se esqueceram da semifinal de 2007.

domingo, 3 de julho de 2011

Três do trio

(foto: Fifa.com)

Se a Seleção Brasileira ainda não jogou um futebol primoroso, na Copa do Mundo da Alemanha, pelo menos o segundo tempo da partida contra a Noruega mostrou que o ataque brasileiro, finalmente, entrou em campo. Depois de um primeiro tempo amarrado, limitado a um chute de fora da área de Rosana e com um golaço irregular de Marta – ela derrubou duas norueguesas, uma com um drible, uma com um empurrão pelas costas –, o trio adiantado brasileiro voltou com vontade, no segundo tempo, resolveu o jogo em três minutos.

Primeiro, Marta fez uma jogada de Marta, tocou pro meio da área, Cristiane, com a visão de jogo que tinha há três anos, fez o corta-luz e Rosana marcou o segundo gol. Em seguida, Cristiane marcou a zagueira na entrada da área, conseguiu roubar a bola da goleira, mas chutou em cima da defensora. Marta aproveitou o rebote e sacramentou a classificação brasileira, 3 a 0, sem susto e com futebol. Elogios à zaga – Daiane, Aline e Érika – que não deu chance à bola alta das nórdicas.

O Brasil, em três minutos de segundo tempo, conseguiu vaga às quartas de final, conheceu um trio ofensivo competente e reencontrou o bom futebol de Marta. E que venha Suécia ou EUA.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Desatenção

A Federação Pernambucana de Futebol marcou a segunda e última partida da final do estadual feminino para o dia 17 de julho, às 15 horas. Não deve ter notado, porém, que a final da Copa do Mundo da Alemanha será às 15:45 horas, pelo horário do Recife. Se o problema foi desatenção da FPF, é só obedecer ao bom senso e mudar a data da final do Pernambucano, para privilegiar o torcedor do estado que realmente gosta da modalidade. Fácil, sem maiores traumas.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A dez e mais dez




A Seleção Brasileira estreia nesta quarta-feira na Copa do Mundo feminina de Futebol, na Alemanha, mais dependente de Marta do que nunca. Isso preocupa.

Entre 2007 e 2008, quando a seleção entrava em campo com ares de favorita e pensando em decidir campeonato, os dribles de Marta, os gols de Marta e as arrancadas de Marta impressionavam. Mas também impressionava a potência dos chutes de longa distância de Daniela Alves e o oportunismo (e a habilidade, por que não?) de Cristiane. O trio de ferro levou a seleção a decidir uma Copa do Mundo e uma Olimpíada.

Quando Marta não estava num dia inspirado, como ocorreu nas quartas-de-final em Pequim, contra a Noruega, Daniela Alves mandou uma bomba da intermediária e abriu o placar. Quando Marta quase passou a primeira fase olímpica em branco, lá foi Cristiane fazer os gols que o time precisava.

Mas, agora, na Alemanha, o time só tem Marta.

Com Cristiane em má fase e Daniela Alves longe dos gramados há um bom tempo, a seleção de Kleiton Lima se resume a Marta, ofensivamente. Ao que parece, ainda não há, entre as novatas ninguém que possa dividir com a alagoana a responsabilidade ali na frente. E o que é pior: fico com a impressão de que todo mundo, a começar pelo treinador, se conformou com isso.

Quem viu a seleção jogar o torneio de São Paulo, no final do ano passado, e o amistoso contra o Chile, há algumas semanas, viu um time desorganizado, sem poder de marcação no meio-campo e na defesa, e com um ataque que reza para que a rainha jogue bola e resolva.

Não posso deixar de lembrar que, em 1994, tinha-se a mesma expectativa sobre Romário. Mas, diferentemente do time de Parreira, a defesa da seleção de Kleiton Lima é longe de ser boa, e não tem uma goleira que inspire confiança. Recordemos que Andréia, a provável titular contra a Austrália, começou as últimas olimpíadas no time principal, mas perdeu a vaga depois do segundo jogo, para Bárbara. Mas Bárbara, pelas falhas grotescas do amistoso contra a seleção pernambucana, também não está no melhor da forma (penso se, de repente, não pode pintar uma chance pra terceira goleira, Thaís).

Futebol surpreende? Que surpreenda mais uma vez.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Esticar, melhorar, desobedecer

Este ano, faz duas décadas que a Fifa começou a promover a Copa do Mundo feminina de Futebol. Com efeito, faz 15 anos que a modalidade se tornou olímpica. Com duas datas significativas, é hora de avaliar a modalidade sob o ponto de vista do espetáculo.

De antemão, objetivamente, comparemos a altura das goleiras e dos goleiros e pensemos que a altura da meta não muda. Enquanto a alemã Angerer tem 1,74m, o espanhol Casillas, o melhor da última Copa do Mundo passada, tem 1,85m (e olhe que ele não é considerado alto para a posição). Mas Angerer tem dois motivos para não ficar triste com isso: primeiro, porque as norte-americanas Hope Solo e Briana Scurry têm apenas um centímetro a mais que ela, e Bárbara, titular do Brasil a partir do terceiro jogo da campanha de Pequim, tem 1,70m; segundo, porque, mesmo com essa estatura, ela não sofreu um único gol na campanha vitoriosa do mundial de 2007.

De qualquer forma, se é difícil encontrar jogadoras mais altas – já que estas acabam optando pelo Basquete, pelo Vôlei ou pelo Handebol –, a dispendiosa solução para melhorar o espetáculo seria diminuir a altura e a largura do gol, como o Vôlei faz com a altura da rede. Mas isso, convenhamos, não vai acontecer nunca (e vai haver quem lembre que a Fiba não diminui a altura do aro e da tabela para as basqueteiras).

Contudo, se é caro adaptar as balizas do mundo inteiro para as meninas, não seria exorbitante exigir da Fifa que escalasse árbitras, pelo menos, razoáveis nas competições vitais do esporte – Copa do Mundo e Olimpíadas. É impressionante como a arbitragem feminina não gosta de aplicar o cartão vermelho. Não fosse assim, num exemplo aleatório, Marta teria sido expulsa na semifinal de Pequim, contra a Alemanha.

Aliás, em toda a história olímpica do Futebol Feminino, só houve três jogadoras expulsas de campo, e todas em Atlanta/1996. Ou seja, a partir de Sydney/2000, nenhuma árbitra exibiu, sequer, um cartão vermelho. Fair Play?

Por fim, para melhorar a competitividade do jogo (subjetivamente falando), peço encarecidamente às jogadoras menos obediência tática. Finzinho de jogo, time perdendo por um a zero: é hora de pressão absoluta, de colocar zagueira alta jogando de centroavante, de atacar com as duas laterais e as cabeças-de-área? Não.

O gostoso de ver uma partida de futebol é que, do nada, aos 44 do segundo tempo, um gol no abafa destrói uma retranca bem feitinha, um bombão pra área desvia na cabeça de alguém e morre no fundo do gol. Mas isso raríssimas vezes pude ver no Futebol Feminino. Raras, mesmo – lembro, por assim dizer, a Suécia pressionando, brutalmente e sem sucesso, a Alemanha nos últimos minutos da final de 2003.

Nesses 15 anos de Olimpíadas e 20 de Copa do Mundo, dá para ver que a modalidade cresceu bastante, em número e qualidade de atletas e de clubes. E para que continue se expandindo e atraindo mais público, creio ser premente encontrar goleiras altas, investir na arbitragem (até, se for o caso, escalando árbitrOs de Copa do Mundo, para as partidas mais importantes) e, especialmente, desobedecer o treinador, colocando em campo mais coração do que mente – que, no fim, é a graça desse jogo que os bretões inventaram.