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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Youtube olímpico (II)

Essa semana, Daiane dos Santos disse que não suportava mais ouvir “Brasileirinho”, música que foi tema de sua coreografia no Solo talvez a invenção da roda. Houve um curto tempo em que a ginasta trocou a trilha sonora para “Isto aqui, o que é?” (o trecho mais famoso da composição, que é de Ary Barroso, diz “Isto aqui, ô, ô, é um pouquinho de Brasil, Iaiá”). E no pré-olímpico de Londres, mês passado, a música que embalou sua apresentação era caribenha. Entretanto, quando falarem de Daiane dos Santos daqui a 20, 30 anos, o Duplo Mortal Twist Carpado estará ao som de Brasileirinho mesmo.

O chorinho esteve presente nas duas Olimpíadas de que participo a mais importantes da maior ginasta brasileira da história. Em Pequim, Daiane já não tinha mais os holofotes da mídia nem as cobranças da torcida. Por isso, seu sexto lugar não causou muita comoção. Bem diferente de Atenas/2004, quando chegou com o selo de campeã mundial e terminou em quinto lugar.

Ainda hoje, é fácil encontrar na TV alguém reprisando as duas pisadas fora do tablado que a gauchinha dá na final em Atenas. O que pouca gente lembra é de sua apresentação nas eliminatórias – onde ela também quase pisou fora do quadrado no fim do último exercício. A nota que a classificou para a final – 9,637 – teria sido suficiente para lhe dar a prata. Foi a melhor série que Daiane apresentou numa olimpíada.

Veja, ao som de Brasileirinho, como foi o exercício que qualificou Daiane dos Santos para a final olímpica, há oito anos.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Doha/2020 só em outubro

Candidata a sediar os Jogos Olímpicos de 2020, Doha, no Qatar, quer que as disputas fujam do calor intenso do verão e se abriguem no outono, no mês outubro. Não seria a primeira vez que as Olimpíadas de Verão ocorreriam noutra estação. Em Sydney/2000, por exemplo, os Jogos, de 15 de setembro a 1º de outubro, coincidiram com o fim do inverno e começo da primavera no hemisfério sul. Doze anos antes, Seul, no hemisfério norte, recebeu a chama olímpica no final do verão e começo do outono, entre 17/set e 2/out. Isso são apenas os casos mais recentes, porque, por exemplo, a Cidade do México, em 1968, recebeu as disputas num mês de outubro.

A mesma preocupação os catarianos têm em relação à Copa do Mundo de Futebol que vão sediar em 2022. Nesse caso, há quem fale, até, em antecipar o calendário de disputas pra janeiro ou adiá-lo pra dezembro. Outro evento esportivo que sofre com o calor é a etapa do Qatar de MotoGP, que faz a corrida ser noturna.

Além de Doha, Istambul, Baku, Madrid e Tóquio são as candidatas aos Jogos de 2020. Curiosamente, Tóquio, única dessas cidades que já hospedou uma Olimpíada, quando o fez, em 1964, o fez no mês de outubro.

A escolha da sede está marcada para o dia 7 de setembro do ano que vem, em Buenos Aires.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Youtube olímpico

Final dos 800m rasos masculino em Seul/1988. Os brasileiros Joaquim Cruz e Zequinha Barbosa, juntos com o queniano Nixon Kiprotich, ditam o ritmo da prova desde a largada. A impressão que dá é de que Zequinha e Joaquim, campeão em Los Angeles/1984, subirão ao pódio.

A 250 metros do fim da prova, Zequinha Barbosa dá sinal de cansaço e o pelotão de trás se aproxima. No inicio da curva final, Kiprotich também diminui o ritmo e Joaquim Cruz inicia uma arrancada que parece levá-lo ao bicampeonato.

No entanto, Paul Ereng, que era o penúltimo no início da última volta e o quarto colocado a 100 metros do final, sai do caixote imposto por Joaquim Cruz e pelo britânico Peter Elliott, e ultrapassa o brasileiro espetacularmente nos últimos, sei lá, 50, 60 metros.

Dois oito finalistas daquela prova, apenas dois deles – Zequinha Barbosa e o italiano Donato Sabia – encerrariam a carreira sem conseguir uma medalha olímpica.

OURO – Paul Ereng (Quênia)
PRATA – Joaquim Cruz (Brasil – campeão olímpico dos 800m em Los Angeles/84
BRONZE – Said Aoita (Marrocos) – campeão olímpico dos 1500m em Los Angeles/84
4º - Peter Elliot (Grã-Bretanha) – prata nos 1500m em Seul/88
5º - Johnny Gray (EUA) – bronze nos 800m em Barcelona /92
6º - Zequinha Barbosa (Brasil)
7º - Donato Sabia (Itália)
8º - Nixon Kiprotich (Quênia) – prata nos 800m em Barcelona/92

O áudio da gravação (uma preciosidade, diga-se, postada no youtube pelo usuário Nilsondm, com narração de Luciano do Valle e comentário de Álvaro José) está muito baixo. Portanto, não tenha medo: coloque o volume no ponto máximo e aprecie um dos grandes momentos do atletismo nas Olimpíadas de Seul/1988.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Caderno de saúde




Noticiário esportivo. Certo?

Basquete
Anderson Varejão teve uma fratura detectada na mão direita e ainda não sabe quando vai atuar de novo pelo Cleveland Cavaliers.

Ginástica
Com ombro lesionado, Diego Hypólito não foi ao pré-olímpico e diz que fará o possível pra adiar cirurgia e poder competir em Londres.

Judô
Tiago Camilo sofre lesão no ombro e só vai para as Olimpíadas, se Hugo Pessanha não conseguir os pontos necessários para conseguir a vaga olímpica.

Vôlei
Por causa de uma fratura por stress, Giba vai operar a tíbia e não atua mais nesta Superliga. *** Depois de nova cirurgia pra retirar, em dezembro, um tumor da perna esquerda, Natália ainda não voltou às quadras.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Logo, logos

Devo ser um cara antiquado. Melhor: sou um cara antiquado.

Consultei duas comunidades do orkut, olhei alguns depoimentos no twitter. A imensa maioria dos internautas que se manifestaram sobre a logomarca dos Jogos Olímpicos de 2016 gostou do que viu. Um triplo abraço em 3D, valorizando as cores da Bandeira Nacional. A forma, além do um abraço, remete abstratamente ao Pão de Açúcar.

Essa junção de símbolo do Rio com signo da modernidade agradou quase em cheio na rede. Quase.

Olhando logomarcas de todos os outros Jogos Olímpicos, disponibilizado nesse link do globoesporte.com, dá para ver a “evolução” (não sei se o termo se aplica ao caso) dos desenhos ao longo do tempo – dos trabalhos artísticos dos primeiros Jogos, passando pela exaltação à tradição e chegando ao culto da logomarca em sentido absoluto.

È possível notar, por exemplo, que os Jogos de Saint Louis, em 1904, eram apenas um cartaz anunciando a Feira Mundial. É possível enxergar que a figura do atleta esteve presente até Amsterdã/1928 (exceto em Paris/1924) e só voltou, ainda que de maneira espectral, na logo de Pequim/2008.

Há menção a monumentos, como as Ruínas Gregas (Atenas/1896) e o Palácio de Westminster (Londres/1948), e a reprodução da Lupa Capitolina, estátua de bronze da idade média que retrata a loba amamentando Rômulo e Remo (Roma/1960).

Tem a simplicidade geométrica dos contornos na logo do da Cidade do México/1968 e na espiral de Munique/1972. Ou a simplicidade franciscana das logomarcas de Montreal/1976 e Moscou/1980 (a mais bela de todas, na minha visão caquética).

Tem a fixação ianque pelas próprias estrelas (Los Angeles/1984 e Atlanta/1996), a bandeira nipônica mostrando como se utilizar a cor branca (Tóquio/1964) e, até, um mapa nacional (Melbourne/1956).

Mas essa logomarca do Rio/2016 me deixou com uma sensação antiolímpica de vazio. Tenho a impressão de estar vendo nada.

Na melhor das hipóteses, posso pensar uma gravura dadaísta. Ou, na pior, achar que “faltou dinheiro para fazer o resto”. É claro que eu estou errado.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cinco estrelas, cinco medalhas

Jogos Olímpicos de Seul, 1988. Torben Grael e Nelson Falcão ficam com a medalha de bronze, graças ao descarte do pior resultado (teriam sido quarto colocados, não fosse isso) e apesar de maus resultados nas duas últimas regatas. Nos dois anos seguintes, o Brasil conquista o título mundial da categoria. Em 1989, com Alan Adler e Nelson Falcão, e em 1990, com Torben Grael e Marcelo Ferreira.

Atlanta, 1996. Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistam o ouro com o terceiro lugar na última regata e uma folga de quatro pontos sobre a embarcação vice-campeã.

Sydney, 2000. Torben Grael e Marcelo Ferreira chegam à última regata na liderança, mas o azar que se abateu sobre a delegação brasileira naquelas olimpíadas os atinge também: um erro na largada tira a chance da medalha de ouro para os brasileiros, mas, pelo menos, não os tira do pódio. Ficam com o bronze.

Atenas, 2004. Depois do fiasco em Barcelona (11º lugar), do título em Atlanta e do quase em Sydney, Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistam o bicampeonato olímpico de maneira incontestável, com uma regata de antecedência. Tanto, que nem competiram na última – que serviu, apenas, para definir prata e bronze.

Pequim, 2008. Com o anúncio de que Torben Grael não iria disputar os Jogos, dando preferência à Volvo Ocean Race (regata ao redor do mundo), coube a Robert Scheidt e Bruno Prada representar o Brasil. Depois de uma campanha muito irregular, a dupla cresceu nas regatas finais e, na medal race – regata especial, valendo o dobro de pontos – um terceiro lugar rendeu prata à dupla. Um ano antes, eles haviam vencido o Mundial e terminado um hiato de 17 anos sem títulos mundiais para o Brasil.

Londres, 2012. Esta deve ser a última chance para quem quiser escrever (ou ratificar) o nome no livro de história da modalidade.

Porque no Rio de Janeiro, 2016, a Classe Star não fará parte do programa olímpico. A modalidade que, junto com o Salto Triplo masculino, Vôlei de Praia masculino e o Vôlei de Praia feminino, mais deu medalhas ao Brasil, não fará parte das olimpíadas brasileiras.

As estrelas olímpicas do Brasil, na Classe Star:

Torben Grael – 2 ouros, 2 bronzes
Marcelo Ferreira – 2 ouros, 1 bronze
Bruno Prada – 1 prata
Robert Scheidt – 1 prata
Nelson Falcão – 1 bronze