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domingo, 3 de junho de 2012

Youtube olímpico IX

Dores num joelho operado há dois anos encerraram uma das carreiras mais brilhantes deste século na ginástica artística. A uma semana do pré-olímpico nacional, a norte-americana Shawn Johnson anunciou, neste domingo, que não tentará vaga no time para Londres, porque está definitivamente aposentada.

Johnson havia se afastado da ginástica logo depois das Olimpíadas de Pequim. Em janeiro de 2010, quando sofreu um acidente enquanto esquiava e feriu gravemente o joelho, disse que entendia, com a contusão, que não conseguiria viver sem o esporte. Voltou a competir, ganhou uma medalha de ouro por equipes no Pan de Guadalajara/2011, mas nunca voltou a ser a atleta que fora até 2008.

No mundial de Stuttgart/2007, então com 15 anos de idade, foi (entre homens e mulheres) a atleta mais premiada da competição, conquistando três medalhas de ouro, sendo uma com a equipe dos EUA, uma no solo e, a mais consagradora, uma no individual geral.

A vida da moça (e da equipe norte-americana) não foi nada fácil, contudo, nos Jogos Olímpicos do ano seguinte. Primeiro, as chinesas não deram chance a ninguém na competição por equipes e deixou os EUA com a prata. Depois, no individual geral, Shawn Johnson encontrou, no próprio time, uma adversária à altura. A russa naturalizada norte-americana Nastia Liukin só permitiu à compatriota o prêmio de prata. E do solo colheu outro segundo lugar, superada que foi pela romena Sandra Izbasa. Os três títulos mundiais do ano véspera se transformaram em três pratas olímpicas. Bom, sem dúvida, embora um tanto frustrante.

Faltava, ainda, a trave, no último dia de disputas da ginástica. A trave e... um trauma?

Em Stuttgart, as medalhas de ouro no pescoço foram um peso insuportável para Johnson, que, na final da trave, caiu do aparelho duas vezes e terminou na oitava posição entre as oito finalistas.

Trauma? Que nada.

Johnson aumentou, nas olimpíadas, a dificuldade de sua série em relação ao mundial e bateu Liukin justamente por causa da escolha dos exercícios: se na nota de execução Liukin fez 9,425 contra 9,225 de Johnson, a nota de dificuldade Johnson foi 7,000 contra 6,600 da compatriota. O resultado da soma lhe deu medalha de ouro. A única da carreira olímpica de Shawn Johnson.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Celebridade

(foto: facebook.com/pages/Official-Victoria-Pendleton)


Quando se aproxima o início dos Jogos Olímpicos, a gente começa a ler, aqui e ali, notícias sobre esportes e atletas dos quais quase não se ouvirá falar pelos próximos anos. Triste, mas é assim mesmo: esporte, no Brasil, é futebol e o que estiver dando títulos ao país. A exceção é agora e só haverá exceção, de novo, em 2016.

Notícias sobre levantamento de peso, Robert Scheidt, concurso completo de equitação e resultados de um meeting em pista coberta soam comuns nesses dias, nem parece que o não-futebol passou praticamente em segredo nos últimos anos. Nesses tempos pré-olímpicos, o nome estrangeiro de atleta que eu mais recordo ter visto e lido na mídia é o da ciclista britânica Victoria Pendleton. E não é à toa.

Pendleton é uma das grandes esperanças de medalha para o Reino Unido, no esporte que deu mais medalhas ao país em Pequim/2008. O ciclismo rendeu 14 dos 47 pódios do time britânico e oito dos 19 ouros da Terra da Rainha. A própria Victoria colaborou na conta, vencendo a prova feminina de Velocidade.

Hoje, além de duas participações em olimpíadas e um ouro, a mulher acumula oito títulos mundiais, uma inimizade na Austrália, alguns anúncios publicitários e uma polêmica recente. Em suma, ela tem sido notícia.

Dia desses, ela disse, numa entrevista, que não gostava do estilo da rival australiana Anna Meares, campeã olímpica em Atenas/2004 e a quem Victoria venceu em Pequim. Tudo porque Meares, numa competição em Bordeaux, há seis anos, teria feito uma manobra que a levou ao chão. Pelo jeito, o tempo passou, a britânica se tornou gigante no esporte, mas nunca esqueceu o incidente.

Aí, uma companheira de time de Meares, Kaarle McCulloch, escudou a amiga e disse que, na verdade, Pendleton estaria era com medo de perder e, por isso, trazia à tona uma história tão antiga.

Nesse meio-tempo, porém, a mídia já se ocupava de Pendleton por outra razão, já que ela assumiu que namorava um membro da comissão técnica do time britânico de ciclismo, a quem conhecera durante os Jogos de Pequim. Nos bastidores, os outros atletas se queixavam de que o romance atrapalhava a relação do sortudo (sortudo, sim!, olhe de novo a foto dela) com o restante da equipe.

Ruim pra imagem dela? Pois ontem mesmo a Samsung anunciou que ela faz parte de um programa da empresa para promover os Jogos de Londres.

Nesse turbilhão de acusações, ciumeira e campanhas publictária, a agenda da inglesa guardou espaço para competição. Começou hoje o mundial de ciclismo de pista, em Melbourne, Austrália. Na prova de Velocidade por Equipes, as alemãs Kristina Vogel e Miriam Welte ficaram com o título e estabeleceram novo recorde mundial. Mas as atenções dadas à dupla campeã foram divididas com a vitória de Anna Meares (correndo com Kaarle McCulloch) num confronto direto contra Victoria Pendleton (parceira de Jessica Varnish), ainda durante a fase de classificação.

O campeonato mundial termina já neste domingo, porém, o rostinho bonito da moça ligeira ainda continuará sendo notícia depois disso. A imprensa vai repercutir suas declarações, que continuarão sendo polêmicas. As polêmicas serão reacesas a cada resultado na pista ou a cada entrevista das adversárias. E a mídia brasileira falará seu nome com uma proximidade quase familiar, como se ela sempre tivesse sido notícia por essas bandas e como se os internautas e leitores daqui colecionassem tudo o que escrevem sobre Victoria Pendleton. Será assim, poelo menos, até a Olimpíada chegar.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Youtube Olímpico V

Pequim, 2008. O atirador norte-americano Matthew Emmons chegou às Olimpíadas lutando pelo bicampeonato. Em Atenas, com a vitória na prova da Carabina Deitado 50m, o homem foi o único ianque, no tiro masculino, a conquistar uma medalha de ouro. Por isso, na China, recaíam sobre a arma dele as maiores chances de título do país.

Emmons disputou duas provas. Tentava novamente o título na prova que o consagrou na Grécia, mas ficou em segundo lugar. Perdeu para o ucraniano Artur Ayvazyan, que disputava sua terceira olimpíada e jamais havia conquistado medalha alguma. Para não sair de Pequim sem conhecer o ponto mais alto do pódio, restava-lhe a Carabina de Três Posições.

Convém dizer que Emmons, em Atenas, atirou nessa prova e não se saiu bem, terminou apenas em oitavo lugar. Só que, quatro anos mais tarde, esta parecia ser a competição que renderia um ouro.

Depois de chegar à final em segundo lugar, o atirador do Tio Sam assumiu a liderança do concurso logo no primeiro disparo. Nos oito tiros seguintes, a distância dele em relação à concorrência só aumentou. No décimo e último tiro, sua vantagem para o vice-líder, o chinês Qiu Jian, era de 1,4 ponto. Para se ter ideia do que isso representa, quando atirou pela última vez, Jian fez 10,0 pontos (a mosca vale 10,9 pontos). Bastava, portanto, um tiro de 8,7 para Emmons ficar com o título, ao passo que seu pior tiro, na sessão final, havia sido 9,7. Traduzindo, quando Matthew Emmons foi atirar pela última vez, era só por protocolo, pra cumprir tabela, o ouro era barbada. E, para completar a festa de Emmons, o segundo colocado era um chinês, resultado importante para os Estados Unidos na guerra quente contra os anfitriões no quadro de medalhas.

Mas ele, inexplicavelmente, falhou. De tão ruim, seu tiro não apareceu nem dentro do alvo eletrônico da TV. Com o inacreditável 4,4, Matthew Emmons fez o pior tiro dentre todos os finalistas, deixou boquiaberta a comentarista de TV (na verdade, Katerina Emmons, atiradora da República Tcheca, campeã em Pequim, e esposa de Matthew), e - dá pra adivinhar, mesmo sem saber mandarim - deixou entre atônito e eufórico o narrador da televisão chinesa, pensando, certamente, noutro ouro do time da casa. Mais do que isso: Emmons terminou em quarto lugar, sem medalha, sem pódio, sem nada.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Um alerta pra dois


(foto: zimbio.com)

James Magnussen, hoje, exatamente hoje, é o cara da natação de velocidade. Foi campeão mundial nos 100m livre em Xangai/2011 e quase bateu o recorde mundial da prova, que ainda é de Cesar Cielo, uns dias atrás. Pra completar, nesta quarta-feira, nadou os 50m livres em 21s74. Está longe dos 20s91 que Cielo fez com um supermaiô, mas é melhor que os 21s85 que o brasileiro chamou de "recado". Enfim, se Cielo pensa em título olímpico, vai ter que bater o australiano em Londres. Disso, hoje, pouca gente duvida.

Porém, esse começo de ano amedrontador de Magnussen lembra um tanto a ascensão meteórica de seu compatriota Eamon Sullivan, em 2008. Naquele ano, o cara começou estabelecendo um novo recorde mundial pros 50m livre, o que o tornou favorito em Pequim. Depois, já nos Jogos, estabeleceu novo recorde para os 100m livre ainda nas semifinais e parecia que ia abocanhar os dois ouros mais rápidos das piscinas, coisa que só o norte-americano Matt Biondi (Seul/1988) e o russo Alexander Popov (Barcelona/1992 e Atlanta/1996) fizeram. Mas, que nada!

Quando a onça bebeu água, Sullivan foi superado por Alain Bernard e teve de se contentar com a prata nos 100. Quando caiu na piscina pros 50m, enxergou de binóculo, na sexta posição, a vitória de Cesar Cielo. Nos revezamentos, Sullivan ainda foi prata no 4x100m medley e bronze no 4x100m livre. Ou seja, voltou de Pequim recordista mundial nos 50 e 100m livre, mas não tinha nenhuma medalha dourada pendurada no pescoço.

Chegar favorito ou ser recordista não foi salutar em 2008. Ganha em Londres quem superar os adversários, o exemplo de Eamon Sullivan e os nervos.