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domingo, 3 de junho de 2012

Youtube olímpico IX

Dores num joelho operado há dois anos encerraram uma das carreiras mais brilhantes deste século na ginástica artística. A uma semana do pré-olímpico nacional, a norte-americana Shawn Johnson anunciou, neste domingo, que não tentará vaga no time para Londres, porque está definitivamente aposentada.

Johnson havia se afastado da ginástica logo depois das Olimpíadas de Pequim. Em janeiro de 2010, quando sofreu um acidente enquanto esquiava e feriu gravemente o joelho, disse que entendia, com a contusão, que não conseguiria viver sem o esporte. Voltou a competir, ganhou uma medalha de ouro por equipes no Pan de Guadalajara/2011, mas nunca voltou a ser a atleta que fora até 2008.

No mundial de Stuttgart/2007, então com 15 anos de idade, foi (entre homens e mulheres) a atleta mais premiada da competição, conquistando três medalhas de ouro, sendo uma com a equipe dos EUA, uma no solo e, a mais consagradora, uma no individual geral.

A vida da moça (e da equipe norte-americana) não foi nada fácil, contudo, nos Jogos Olímpicos do ano seguinte. Primeiro, as chinesas não deram chance a ninguém na competição por equipes e deixou os EUA com a prata. Depois, no individual geral, Shawn Johnson encontrou, no próprio time, uma adversária à altura. A russa naturalizada norte-americana Nastia Liukin só permitiu à compatriota o prêmio de prata. E do solo colheu outro segundo lugar, superada que foi pela romena Sandra Izbasa. Os três títulos mundiais do ano véspera se transformaram em três pratas olímpicas. Bom, sem dúvida, embora um tanto frustrante.

Faltava, ainda, a trave, no último dia de disputas da ginástica. A trave e... um trauma?

Em Stuttgart, as medalhas de ouro no pescoço foram um peso insuportável para Johnson, que, na final da trave, caiu do aparelho duas vezes e terminou na oitava posição entre as oito finalistas.

Trauma? Que nada.

Johnson aumentou, nas olimpíadas, a dificuldade de sua série em relação ao mundial e bateu Liukin justamente por causa da escolha dos exercícios: se na nota de execução Liukin fez 9,425 contra 9,225 de Johnson, a nota de dificuldade Johnson foi 7,000 contra 6,600 da compatriota. O resultado da soma lhe deu medalha de ouro. A única da carreira olímpica de Shawn Johnson.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Youtube olímpico VIII

Mesmo sem um título olímpico ou sem um recorde mundial, um dos nomes mais respeitados da história do atletismo é o do norte-americano Steve Prefontaine. Morto aos 24 de idade, Prefontaine era recordista nacional das duas e três milhas, e dos 5.000m e 10.000m, com marcas estabelecidas abril e julho de 1974. Ele e o maratonista Frank Shorter, campeão em Munique/1972 e vice em Montreal/1976, foram os grandes responsáveis, nos anos 70, pela popularização das corridas de longa distância nos EUA.

A única aventura olímpica de Pre, como era conhecido, foi em Munique/1972. Com os Jogos e atletas já bastante estremecidos pelo atentado terrorista do Setembro Negro, cinco dias antes, a prova dos 5.000m rasos se desenvolveu em 10 de setembro, penúltimo dia de competições. O ianque era apontado como um dos maiores candidatos ao ouro da prova, mas o grande favorito era mesmo o finlandês Lasse Viren, que, dias antes, havia faturado a prova dos 10.000m. Outro candidato ao ouro era o tunisiano Mohamed Gammoudi, que defendia o título conquistado na Cidade do México/1968.

A pouco mais de um quilômetro do fim da prova, Prefontaine tomou a dianteira e tentou imprimir um ritmo forte, talvez para explorar o cansaço de Viren e Gammoudi, que haviam corrido, também, a prova dos 10 Km. Só que a tática do norte-americano, rapidamente, se mostrou ineficaz. Na abertura da penúltima volta, o finlandês se recuperou espetacularmente, depois de correr encaixotado entre os intermediários durante muito tempo, e tomou a ponta. Prefontaine apertou o passo e 200 metros adiante, retomou a liderança. Cedo demais.

Viren conseguiu abrir a última volta em primeiro. A liderança poderia ser definitiva, mas Gammoudi o acompanhou e os dois fizeram a curva seguinte quase emparelhados, com o tunisiano por fora. Na reta oposta, Gammoudi passou à liderança e Prefontaine, num sprint inacreditável, também ultrapassou Viren, encostando perigosamente no novo líder. O esforço, no entanto, foi demasiado para Prefontaine.

Ele perdeu a passada por um momento e, enquanto Viren o ultrapassava por dentro, o ianque olhava para trás, claramente preocupado em assegurar um lugar no pódio. A cerca de 150 metros do fim, Gammoudi procurou Lasse Viren no retrovisor e viu Prefontaine, que retomava a velocidade mais uma vez.

Quando os três, separados pela expessura de uma lâmina, entraram na reta de chegada, Viren ultrapassou Gammoudi por fora e não deixou a corrida escapar. Gammoudi se conformou com a prata passou a controlar as passadas de Prefontaine. E o ianque, entretido na briga com os dois líderes, perdeu fôlego e foi ultrapassado pelo britânico Ian Stewart, que não tinha entrado na história. Uma das mais emocionantes provas de 5 Km da história.

Em 30 de maio de 1975, há exatamente 37 anos, poucos dias depois de vencer o primeiro meeting internacional de Eugene, universidade onde estudava e competia, Steve Prefontaine morreu num acidente de carro. O meeting, que é disputado ainda hoje, faz parte da Diamond League e se chama Prefontaine Classic - prova que vai ocorrer no próximo sábado, dia 2.

As marcas obtidas por Prefontaine, depois de Munique, foram melhores do que as que deram a Viren o bi-olímpico em Montreal/1976, tanto nos 5.000 quanto nos 10.000 metros. Se é leviano dizer que, por isso, Pre teria ficado com as duas medalhas de ouro, é de se imaginar, por outro lado, como teria sido a revanche olímpica entre os dois. O fato é que a única vez que Prefontaine e Viren se encontraram nas pistas foi um momento histórico, uma corrida inesquecível. O vídeo é mais eloquente do que o relato.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Youtube olímpico VII

Em homenagem ao Dia do Goleiro, um momento histórico para um guarda-metas brasileiro numa Olimpíada. O momento maior, talvez.

Seul, 1988. Naqueles Jogos, assim como em Los Angeles/1984, não havia limite de idade para inscrever um jogador no torneio olímpico de futebol. Essa restrição de seleções sub-23, inchertadas por até três atletas de qualquer idade, só começou a valer em 1992. Em 1984 e 1988, a única restrição era que o jogador jamais houvesse disputado uma Copa do Mundo.

A Seleção Brasileira fazia uma campanha irretocável na Ásia. Sob comando técnico de Carlos Alberto Silva, o time de Romário, Bebeto, Neto, Jorginho, Valdo, André Cruz e Geovani venceu todos os jogos da primeira fase (4-0 Nigéria, 3-0 Austrália e 2-1 Iugoslávia). Nas quartas, a vítima foi a rival eterna Argentina, num suado 1-0, gol de Geovani lá de longe. Parêntese: depois dessa derrota para o Brasil, nunca mais a Argentina competiu no futebol olímpico sem chegar à decisão do torneio - não foi a Barcelona/92 nem a Sydney/2000, foi prata em Atlanta/1996 e ouro em Atenas/2004 e Pequim/2008. Nas semis, Brasil vs Alemanha. Alemanha Ocidental.

Nos tempos do (pseudo-)amadorismo, a Alemanha do lado leste do muro tinha muita tradição olímpica, com quatro medalhas e um título em Montreal/1976. Mas, nas Copas do Mundo, nada. Já os alemães capitalistas, ao contrário, tinham tradição de apanhar nos campeonatos do COI, mas, vira e mexe, sempre estavam (e estão) entre os quatro melhores dos mundiais da Fifa. Contudo, os germano-ocidentais desses Jogos eram diferentes: como pregava o regulamento, eram profissionais virgens de Copa, mas bons de bola, como Juergen Klismann, que seria campeão mundial na Itália, dois anos depois - daquele time, além de Klinsmann, Thomas Haessler, Frank Mill e Karlheinz Riedle também venceram a Copa de 1990.

A campanha alemã em Seul era bastante tranquila. Na fase inicial, 3-0 sobre a China e 4-1 na Tunísia, com uma derrota muito a contento diante da Suécia, por 2-1. Derrota boa (que é o outro nome para resultado arranjado) porque colocou os germânicos diante de Zâmbia no mata-mata. Zâmbia, que assombrara o mundo fazendo 4-0 na Itália, recebeu o placar de volta nas quartas e voltou pra casa. E a Alemanha Ocidental estava nas semifinais olímpicas, pela primeira vez.

O jogo entre Brasil e Alemanha foi dominado amplamente pelos europeus no tempo normal. Depois de um injusto 0-0 no primeiro tempo, Holger Fach inaugura o marcador aos 5 minutos da segunda etapa, graças à falha da linha burra brasileira. Só aí é que o Brasil acordou em campo e chegou ao empate aos 34, com um gol do Romário (prenúncio de que, em semifinal, o baixinho faz gol de cabeça). Mas, um minuto e meio depois, Klinsmann sofre um pênalti que vai mudar a história do jogo.

O zagueirão Wolfgang Funkel cobrou rasteiro, no canto esquerdo, e foi a vez do herói brasileiro naquele dia aparecer. Taffarel fez a defesa em dois tempos, não deu rebote e levou o jogo para a prorrogação. Diga-se, de passagem, que ele já havia feito ótimas defesas durante a partida e era somente graças a ele que a vitória não foi alemã já no primeiro tempo.

Na prorrogação, os dois times cansaram, mas destaca-se uma arrancada de Romário que quase parou dentro do gol. E foi só. Pênaltis. Um momento histórico, de verdade.

Taffarel abriu os trabalhos defendendo a cobrança de Janssen, ao que João Paulo converteu seu chute e fez Brasil 1-0. Aí, Klinsmann deslocou o goleiro e acertou a trave, enquanto Luis Carlos Winck (se lembra dele?) quase não tomou distância pra dobrar a vantagem da seleção canarinho. Kleppinger e Romário deixaram o marcador em 3-1, e bastava ao Brasil um gol ou uma defesa para ir à final. Fach fez. E André Cruz, famoso por suas cobranças de falta, não. Brasil 3-2. Perigo? Tudo certo. O dia era de Taffarel e ele espalmou pra longe o chute de Wuttke e as chances alemãs. Brasil na final. Taffarel? Três pênaltis defendidos, o herói do dia. E, um dia, se converteria num herói das decisões por pênaltis também em Copas do Mundo.

Quatro dias depois, o Brasil seria derrotado pela União Soviética por 2-1 e ficaria com a prata. Na luta pelo bronze, os alemães passariam por cima do time italiano com um 3-0.

O mais curioso de tudo é que, depois desse 27 de setembro de 1988, nunca mais uma seleção masculina alemã foi derrotada numa decisão por pênaltis. Falo em Copas do Mundo, Mundiais sub-17 e sub-20, campeonatos europeus (adultos ou de jovens). Histórico o feito de Taffarel ou não? E também nunca mais o futebol masculino alemão conseguiu chegar, de novo, aos Jogos Olímpicos.

Por tudo disso, em homenagem ao Dia do Goleiro, é que vale a pena ver essa meia hora de vídeo, com narração alemã, do compacto da partida. Uma das grande partidas de futebol nos Jogos Olímpicos.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Youtube Olímpico VI

Faltam 100 dias para os Jogos de Londres. Não exatamente 100 dias para o início, já que o futebol começa em 25 de julho, com a rodada inaugural do campeonato das mulheres. Mas são, sim, 100 dias para a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos, o maior show da Terra, desfile das escolas de samba que me perdoe.

De hoje a 100 dias, Londres se tornará, oficialmente e na era atual, a mais olímpica das cidades do Globo Terrestre, pois será a primeira a receber o evento pela terceira vez. A primeira olimpíada londrina, em 1908, dizem ter sido a última da trinca lamentável que sucedeu aos Jogos de Atenas/1896. Assim como Paris/1900 e Saint Louis/1904, Londres/1908 foi uma edição demais desorganizada dos Jogos. Edição, contudo, que acabou imortalizada numa das provas-mãe do olimpismo: a Maratona disputada naquelas olimpíadas foi a primeira da historia com a distância de 42.195m.

Já quando Londres recebeu os Jogos pela segunda vez, em 1948, o mundo e a Europa ainda juntavam os tijolos. O movimento olímpico ressurgia de muitas cinzas, depois de 12 anos de intervalo. Muita coisa foi improvisada, os recursos eram compreensivelmente parcos, mas os Jogos Olímpicos ocorreram. E, nem pela Guerra Fria, nem pelos boicotes, nem por manifestações políticas, nunca mais uma edição das Olimpíadas deixou de ocorrer.

O vídeo abaixo é um trecho do Filme Oficial das Olimpíadas de Londres/1948 que mostra o desfile das nações na Abertura dos Jogos. O rigor quase militar da marcha dos atletas e o corte impecável de seus trajes não escondem o triunfo da humanidade sobre a barbárie. Depois de seis anos afundado na II Guerra, o mundo voltava a pleitar ideais, ainda que esportivos, ainda que muito houvesse por ser reconstruído, ainda que EUA e URSS quisessem dividi-lo ao meio; depois de seis anos em batalha constante, os homens (e as mulheres) voltavam a disputar medalhas, e não terras, e a se dizer rivais, e não, inimigos. Pelo menos, durante as Olímpíadas. Pelo menos, nas Olimpíadas.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Youtube Olímpico V

Pequim, 2008. O atirador norte-americano Matthew Emmons chegou às Olimpíadas lutando pelo bicampeonato. Em Atenas, com a vitória na prova da Carabina Deitado 50m, o homem foi o único ianque, no tiro masculino, a conquistar uma medalha de ouro. Por isso, na China, recaíam sobre a arma dele as maiores chances de título do país.

Emmons disputou duas provas. Tentava novamente o título na prova que o consagrou na Grécia, mas ficou em segundo lugar. Perdeu para o ucraniano Artur Ayvazyan, que disputava sua terceira olimpíada e jamais havia conquistado medalha alguma. Para não sair de Pequim sem conhecer o ponto mais alto do pódio, restava-lhe a Carabina de Três Posições.

Convém dizer que Emmons, em Atenas, atirou nessa prova e não se saiu bem, terminou apenas em oitavo lugar. Só que, quatro anos mais tarde, esta parecia ser a competição que renderia um ouro.

Depois de chegar à final em segundo lugar, o atirador do Tio Sam assumiu a liderança do concurso logo no primeiro disparo. Nos oito tiros seguintes, a distância dele em relação à concorrência só aumentou. No décimo e último tiro, sua vantagem para o vice-líder, o chinês Qiu Jian, era de 1,4 ponto. Para se ter ideia do que isso representa, quando atirou pela última vez, Jian fez 10,0 pontos (a mosca vale 10,9 pontos). Bastava, portanto, um tiro de 8,7 para Emmons ficar com o título, ao passo que seu pior tiro, na sessão final, havia sido 9,7. Traduzindo, quando Matthew Emmons foi atirar pela última vez, era só por protocolo, pra cumprir tabela, o ouro era barbada. E, para completar a festa de Emmons, o segundo colocado era um chinês, resultado importante para os Estados Unidos na guerra quente contra os anfitriões no quadro de medalhas.

Mas ele, inexplicavelmente, falhou. De tão ruim, seu tiro não apareceu nem dentro do alvo eletrônico da TV. Com o inacreditável 4,4, Matthew Emmons fez o pior tiro dentre todos os finalistas, deixou boquiaberta a comentarista de TV (na verdade, Katerina Emmons, atiradora da República Tcheca, campeã em Pequim, e esposa de Matthew), e - dá pra adivinhar, mesmo sem saber mandarim - deixou entre atônito e eufórico o narrador da televisão chinesa, pensando, certamente, noutro ouro do time da casa. Mais do que isso: Emmons terminou em quarto lugar, sem medalha, sem pódio, sem nada.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Youtube olímpico IV

Ian Thorpe falhou. Nas seletivas australianas pros Jogos Olímpicos, o nadador não conseguiu vaga nos 100 nem nos 200m livre. Depois de cinco anos oficalmente aposentado, ele havia retornado às competições no ano passado, visando participar das Olimpíadas de Londres. Uma pena não ter conseguido. Porque sua carreira, até parar, em 2006, era das mais vitoriosas da história do esporte. E porque venceu uma das provas de nível mais alto da natação olímpica.

Atenas, 2004. Michael Phelps chegava aos Jogos falando em conquistar oito medalhas, todas de ouro. Cacife, o norte-americano tinha: no Mundial de Barcelona, um ano antes, havia vencido quatro provas e ficado com a prata em outras duas (e tinha apenas 18 anos de idade). A missão, no entanto, era dificílima, pois as provas de velocidade no nado livre em Sydney/2000 haviam sido dominadas pelo holandês Pieter van der Hoogenband. Em Atenas, ele tentaria defender seus dois títulos olímpicos. Só que, para tanto, teria de bater o impetuoso Phelps e o rival de quatro anos antes, Ian Thorpe, que emergira da água em Sydney com três títulos. A prova dos 200m livre pôs os três titans na mesma piscina.

No primeiro dia da natação, Phelps saudou o público e a crítica, vencendo a prova dos 400m medley. Ocorre que, no dia seguinte, uma inesperada vitória do revezamento sul-africano no 4x100 livre lhe tirou a chance de conquistar os oito títulos que prometera. Ainda lhe restava, porém, tentar igualar os sete ouros que seu compatriota, Mark Spitz, conquistara em Munique/1972. Para isso, era preciso vencer os 200m livre. A prova que Hoogenband roubara de Thorpe em 2000.

Em Sydney/2000, a torcida australiana esperava que Thorpe vencesse as duas provas individuais de que participaria - os 200 e 400m livre - e conduzisse o revezamento da Austrália nos 4x100 e 4x200m livre e 4x100m medley. Com ele, a Austrália venceu os revezamentos de nado livre e ficou com a prata no dos quatro estilos. E ele até que conquistou a prova dos 400m livre, mas foi superado por Hoogenband nos 200m. Em Atenas, tinha a oportunidade de conquistar o título que o holandês lhe impedira.

Os 200m livre masculino em Atenas/2004, como se podia esperar, foi muito disputada. Hoogenband, na raia 4, liderou a competição por 150m, mas era sempre escoltado de perto por Thorpe, na 5. Na última virada, o holandês, que nadava bem abaixo do recorde mundial (que era de Thorpe desde 2001), ficou sem fôlego, sem pernas. Phelps, em prova quase discreta, talvez tivesse tirado a prata de Hoogenband, se ainda houvesse mais uns metros de piscina pela frente. A vitória, porém, e finalmente, dos 200m livre, era de Ian Thorpe, que estabelecia ali um novo recorde olímpico

Depois daquela derrota, Phelps jamais foi derrotado novamente numa prova olímpica. Em Atenas, depois daquele dia, conquistou cinco ouros e terminou a campanha com seis títulos e dois bronzes na Grécia - façanha hoje quase esquecida, em vista das oito vitórias em Pequim/2008.

Hoogenband, dois dias depois, teve sua revanche contra Thorpe, nos 100m livre, e não falhou: tornou-se bicampeão da distância, deixando o rival na terceira posição. Sua trajetória olímpica, que começou em Atlanta/1996 e terminou em Pequim/2008, teve três ouros, duas pratas e dois bronzes, medalhas que conquistou em Sydney e Atenas.

Já Ian Thorpe, com a vitória nos 200m, conquistava seu segundo ouro naqueles Jogos. O primeiro veio nos 400m livre, quando se tornou o segundo bicampeão olímpico da história da prova (o primeiro foi seu compatriota Murray Rose, em Roma/1960 e Tóquio/1964). Em duas participações, visitou o pódio olímpico nove vezes, sendo cinco no topo, três vezes como o segundo e uma em terceiro.

A prova que pôs ombro a ombro três dos maiores nomes da natação do século XXI esta neste vídeo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Youtube olímpico III

Sábado passado, o ucraniano peso pesado Wladimir Klitschko venceu o francês Jean-Mark Mormeck e manteve os cinturões da Associação Mundial de Boxe, da Organização Mundial de Boxe e da Federação Internacional de Boxe. Das quatro associações mais importantes, ele só não tem o título do Conselho Mundial de Boxe, porque esse pertence a seu irmão mais velho, Vitali, e a mãe dos dois, dizem, não permite a luta. De qualquer modo, Wladimir tem 57 vitórias, sendo 50 por nocaute, e apenas três derrotas. Uma carreira que começou em novembro de 1996, cinco meses depois de se sagrar campeão olímpico.

Em Atlanta/1996, Wladimir Klitschko lutava pela categoria +91 Kg, como peso superpesado. Na estreia, ele enfrentou o boxeador da casa Lawrence Clay-Bey, que havia sido medalhista de bronze no mundial de 1995, e o venceu por 10-8. Na segunda luta, já nas quartas-de-final, nocauteou o sueco Attila Levin, no primeiro round. Nas semifinais, fez quatro golpes a um contra o russo Alexei Lezin, então campeão mundial, e foi para a decisão do ouro contra o tonganês Paea Wolfgramm.

Na luta decisiva, vê-se claramente que Wladimir Klitschko tinha melhor forma física que seu rival e que seu boxe era mais próximo do que se luta profissionalmente – com defesa e contragolpe – do que o que se luta como amador – em que o que vale é a quantidade de socos certeiros que se acertam no oponente. Assim, lutando como se deve no boxe amador e mais na garra do que na técnica, Wolfgramm começou melhor a luta e chegou ao terceiro e último round em pequena vantagem de 3 a 2.

Os últimos três minutos de luta mostram um Klitschko incisivo, com golpes contundentes (um deles faz o nariz do tonganês sangrar) e, enfim, vitorioso, campeão olímpico, com o placar de 7 a 3.

Porém, o vice-campeão, Paea Wolfgramm, é quem talvez tenha verdadeiramente feito história daquela noite de boxe em Atlanta: sua medalha de prata é, ainda hoje, a única conquistada por Tonga numa edição dos Jogos Olímpicos.

O primeiro vídeo contém os dois primeiros rounds e o início do terceiro. O terceiro round só termina no segundo vídeo, ambos postados por xyzSports.






sábado, 25 de fevereiro de 2012

Youtube olímpico (II)

Essa semana, Daiane dos Santos disse que não suportava mais ouvir “Brasileirinho”, música que foi tema de sua coreografia no Solo talvez a invenção da roda. Houve um curto tempo em que a ginasta trocou a trilha sonora para “Isto aqui, o que é?” (o trecho mais famoso da composição, que é de Ary Barroso, diz “Isto aqui, ô, ô, é um pouquinho de Brasil, Iaiá”). E no pré-olímpico de Londres, mês passado, a música que embalou sua apresentação era caribenha. Entretanto, quando falarem de Daiane dos Santos daqui a 20, 30 anos, o Duplo Mortal Twist Carpado estará ao som de Brasileirinho mesmo.

O chorinho esteve presente nas duas Olimpíadas de que participo a mais importantes da maior ginasta brasileira da história. Em Pequim, Daiane já não tinha mais os holofotes da mídia nem as cobranças da torcida. Por isso, seu sexto lugar não causou muita comoção. Bem diferente de Atenas/2004, quando chegou com o selo de campeã mundial e terminou em quinto lugar.

Ainda hoje, é fácil encontrar na TV alguém reprisando as duas pisadas fora do tablado que a gauchinha dá na final em Atenas. O que pouca gente lembra é de sua apresentação nas eliminatórias – onde ela também quase pisou fora do quadrado no fim do último exercício. A nota que a classificou para a final – 9,637 – teria sido suficiente para lhe dar a prata. Foi a melhor série que Daiane apresentou numa olimpíada.

Veja, ao som de Brasileirinho, como foi o exercício que qualificou Daiane dos Santos para a final olímpica, há oito anos.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Youtube olímpico

Final dos 800m rasos masculino em Seul/1988. Os brasileiros Joaquim Cruz e Zequinha Barbosa, juntos com o queniano Nixon Kiprotich, ditam o ritmo da prova desde a largada. A impressão que dá é de que Zequinha e Joaquim, campeão em Los Angeles/1984, subirão ao pódio.

A 250 metros do fim da prova, Zequinha Barbosa dá sinal de cansaço e o pelotão de trás se aproxima. No inicio da curva final, Kiprotich também diminui o ritmo e Joaquim Cruz inicia uma arrancada que parece levá-lo ao bicampeonato.

No entanto, Paul Ereng, que era o penúltimo no início da última volta e o quarto colocado a 100 metros do final, sai do caixote imposto por Joaquim Cruz e pelo britânico Peter Elliott, e ultrapassa o brasileiro espetacularmente nos últimos, sei lá, 50, 60 metros.

Dois oito finalistas daquela prova, apenas dois deles – Zequinha Barbosa e o italiano Donato Sabia – encerrariam a carreira sem conseguir uma medalha olímpica.

OURO – Paul Ereng (Quênia)
PRATA – Joaquim Cruz (Brasil – campeão olímpico dos 800m em Los Angeles/84
BRONZE – Said Aoita (Marrocos) – campeão olímpico dos 1500m em Los Angeles/84
4º - Peter Elliot (Grã-Bretanha) – prata nos 1500m em Seul/88
5º - Johnny Gray (EUA) – bronze nos 800m em Barcelona /92
6º - Zequinha Barbosa (Brasil)
7º - Donato Sabia (Itália)
8º - Nixon Kiprotich (Quênia) – prata nos 800m em Barcelona/92

O áudio da gravação (uma preciosidade, diga-se, postada no youtube pelo usuário Nilsondm, com narração de Luciano do Valle e comentário de Álvaro José) está muito baixo. Portanto, não tenha medo: coloque o volume no ponto máximo e aprecie um dos grandes momentos do atletismo nas Olimpíadas de Seul/1988.