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sábado, 21 de abril de 2012

Entre bandeiras




O Kosovo ganhou um aliado importante para ter seu pavilhão desfraudado nos Jogos Olímpicos. Ontem, a federação de judô do país foi aceita como membro da federação internacional do esporte. Na prática, isso significa mais pressão sobre o Comitê Olímpico Internacional, que ainda não acolheu os kosovares pela falta de um comitê no país. O Kosovo se declarou independente da Sérvia em 2008, mas também ainda não integra a ONU e tem seu território reivindicado pelos sérvios.

Se o Kosovo não for reconhecido pelo olimpismo como estado independente ou membro, é possível que os atletas de lá participem dos Jogos sob uma bandeira olímpica ou, ainda, como parte da delegação da Albânia, já que a maior parte da população local tem ascedência albanesa.

Em miúdos, pelo desenho atual, se Majlinda Kelmendi, quinta colocada no ranking mundial até 52 Kg, conquistar uma medalha em Londres, a bandeira hasteada poderá ser a albanesa (como até já aconteceu em etapas da Copa do Mundo) ou a do COI. O pavilhão de seu país, por enquanto, ainda não pode tremular no território olímpico. Por enquanto.

(foto: IJF.org)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Se, e somente se


Foto: blog de Hugo Pessanha

A Federação Internacional de Judô (IJF) atualizou o ranking hoje. Na categoria até 90 Kg, Hugo Pessanha é o sétimo colocado, com 920 pontos, ao passo que Tiago Camilo está em nono, com 886. Se, contudo, nenhum dos dois lutar até o dia 30 de abril, data em que se definem os classificados pras Olimpíadas no judô, Pessanha terá sido ultrapassado por Camilo, graças aos descartes do intrincado sistema de pontuação que a IJF estabeleceu.

Ocorre que, de fato, ainda existe um, e somente um, torneio em vista – a Copa Pan-Americana do Canadá, entre 26 e 29 de abril. Um título de Pessanha o classificaria pros Jogos. O problema é que, como cada país só pode mandar ao Pan um, e somente um, atleta em cada categoria, a CBJ já havia definido que não mandaria quem ainda estivesse disputando vaga olímpica com outro judoca brasileiro. Sensato.

Mas, se, e somente se, a convenção da CBJ estiver valendo, a vaga já é de Camilo. Concordam? Já que não vai ninguém (nem Luiza) pro Canadá, Tiago Camilo vai pra Londres. Portanto, se, e somente se, isso já está definido, não é hora de a própria CBJ rever o conceito e mandar Camilo pro Pan?

Explico.

Tiago Camilo é o nono do ranking. Levando-se em conta só os que devem ir ás Olimpíadas, ele, hoje, seria em quinto. Já que esse ano a IJF resolveu usar o sistema de cabeças de chave para os Jogos, seria interessante que o brasileiro ficasse entre os quatro primeiros do ranking (um título pode até deixá-lo em terceiro) pra, eventualmente, só pegar o japonês que conseguir a vaga (três ainda a disputam ferozmente) ou o campeão mundial e ex-campeão olímpico, o grego Ilias Iliadis, numa semifinal.

Se, e somente se, a vaga de Camilo for confirmada, será a terceira olimpíada dele na terceira categoria diferente. Foi prata em Sydney/2000 na -73 Kg e bronze em Pequim/2008 na -81 Kg. E pode ser o único judoca a conseguir três medalhas em três categorias diferentes.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Caderno de saúde




Noticiário esportivo. Certo?

Basquete
Anderson Varejão teve uma fratura detectada na mão direita e ainda não sabe quando vai atuar de novo pelo Cleveland Cavaliers.

Ginástica
Com ombro lesionado, Diego Hypólito não foi ao pré-olímpico e diz que fará o possível pra adiar cirurgia e poder competir em Londres.

Judô
Tiago Camilo sofre lesão no ombro e só vai para as Olimpíadas, se Hugo Pessanha não conseguir os pontos necessários para conseguir a vaga olímpica.

Vôlei
Por causa de uma fratura por stress, Giba vai operar a tíbia e não atua mais nesta Superliga. *** Depois de nova cirurgia pra retirar, em dezembro, um tumor da perna esquerda, Natália ainda não voltou às quadras.

domingo, 19 de junho de 2011

Ah, se fosse Londres...

Sem ufanismo, sem pachequismo, sem patriotada, sem empunhar com orgulho o Pavilhão Nacional, é preciso dizer que não pode passar em branco o bom fim de semana do esporte brasileiro.

Ontem, pelo GP de Natação de Santa Clara, nos Estados Unidos, Thiago Pereira bateu o norte-americano Ryan Lochte nos 400m medley. A ressalva é que o tempo de Thiago, 4min15s89, não foi lá essas coisas, mas o que valeu, aqui, foi a vitória em cima do favorito ao título olímpico e campeão do mundo.

No Mundial de Vôlei de Praia, em Roma, Juliana e Larissa conquistaram o título pela primeira vez, com uma virada fantástica no tie-break contra Walsh e May, a melhor dupla da história. No masculino, Emanuel e Alison, que haviam tirado a dupla campeã do mundo nas semifinais, Brinck e Rekermann, encabeçaram a dobradinha brasileira no masculino, deixando a prata com Ricardo e Márcio.

No Grand Slam de Judô, no Rio, o Brasil conquistou quatro ouros, com Érika Miranda (-52 Kg), Mayra Aguiar (-70 Kg), Leandro Guilheiro (-81 Kg) e João Gabriel Schilttler (+100 Kg). A observação a ser feita é que nem todas as categorias contaram com os melhores do ranking – mas isso acontece, também, nas etapas da Copa do Mundo e nas outras etapas do Grand Slam.

Não foi nada, não foi nada, e o fim de semana terminou com sete títulos importantes pro esporte nacional. Ainda falta quanto pra Londres, hein?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

País do Judô

Faz tempo que o judô brasileiro não faz um bom papel em Olimpíadas. Nos dois últimos Jogos, a delegação tupiniquim trouxe apenas medalhas de bronze, com o detalhe insólito de não ter tido nenhum atleta em nenhuma semifinal. Ou seja, nossos judocas abandonaram a luta pelo título olímpico cedo demais. Nosso consolo, desde as duas pratas em Sydney/2000, foi o título mundial de João Derly em 2005, no Cairo, e os de Tiago Camilo, de Luciano Correa e do próprio Derly, em 2007, no Rio de Janeiro. Afora isso, nada muito relevante.

Eis, contudo, que 2010 se mostrou um ano redentor para o judô nacional.

Depois de três medalhas de prata (com Leandro Guilheiro, Leandro Cunha e Mayra Aguiar) e uma de bronze (com Sara Menezes) no Mundial de Tóquio, o time masculino do Brasil conquistou ontem, em Antalya, Turquia, o vice-campeonato mundial por equipes, perdendo a final para o Japão. O resultado iguala a melhor campanha verde-amarela na competição, em Minsk, 1998, com derrota também para o Japão, na final.

Não bastasse a evolução no tatame, o Brasil ganhou, ainda, o direito de sediar quatro mundiais do esporte. Em 2012, Salvador hospeda o mundial por Equipes. Em 2013, São Paulo vai receber o mundial individual. E em 2015, ano-véspera dos Jogos Olímpicos do Rio, a cidade receberá o mundial por equipes e, pela segunda vez em 8 anos, o individual.

É lógico que foram os Jogos de 2016 que possibilitaram a tripla escolha. Resta, agora, ao judô brasileiro aproveitar o seis anos de vacas gordas para promover e popularizar o esporte e, de quebra, colocá-lo de novo no caminho do ouro olímpico, que não vem desde 1992, com Rogério Sampaio.

sábado, 25 de julho de 2009

Ausências e apostas

A equipe brasileira que vai ao Mundial de Judô em Roterdã, mês que vem, foi convocada essa semana. A maior ausência é João Derly, contundido, que não defenderá o título mundial conquistado em 2005, no Cairo, ratificado há dois anos, no Rio, na categoria até 66 Kg.

Quem também não vai é Flávio Canto, na -81 Kg. Bronze em Atenas/2004, desde a derrota nas semifinais do Pan do Rio de Janeiro, Canto não consegue mais obter bons resultados – inclusive, ficou fora dos Jogos de Pequim. Ele parecia ser o herdeiro natural da vaga deixada por Tiago Camilo – que luta, agora, um peso acima – mas acabou perdendo a vaga para o jovem Nacif Elias, mesmo sendo o brasileiro melhor ranqueado nesse peso.

Embora os resultados desse ano digam o contrário, é surpreendente a ausência de João Gabriel Schlittler na categoria acima de 100 Kg. Bronze no Mundial de 2007 e quinto colocado nas últimas Olimpíadas, ele perdeu a vaga para o veterano Daniel Hernandes, remanescente dos Jogos de Atenas/2004, vencedor da etapa do Rio de Janeiro do Grand Slam deste ano (deve ter pesado muito a vitória de Hernandes sobre Yasuyuki Muneta na semifinal desse torneio).

Quem também não vai para Roterdã é Ketleyn Quadros (-57 Kg). A única medalhista da história de nosso Judô Feminino atravessa uma péssima fase e perdeu lugar para uma aposta: Rafaela Silva, bronze no Grand Slam do Rio e na etapa de Belo Horizonte da Copa do Mundo, terá a oportunidade de participar de sua primeira grande competição – os dois torneios em que subiu ao pódio não tiveram nível muito alto.

Se no Mundial do Rio de Janeiro/2007 o Brasil saiu do tatame com três títulos mundiais, a melhor participação brasileira na história do evento, acreditar na reedição da façanha é demasiado. Nossas esperanças de medalha para Roterdã recaem sobre três judocas.

Lutando na categoria até 90 Kg, Tiago Camilo até já conseguiu um título pan-americano (Rio/2007), mas não deve repetir o título mundial de dois anos atrás, na -81. Naquela ocasião, ele venceu as sete lutas por ippon (uma delas foi por dois waza-ari) e foi apontado como o melhor atleta da competição. Bronze em Pequim, mudou de categoria para este ciclo olímpico. Ainda em fase de adaptação, conseguiu uma bom terceiro lugar no Grand Slam do Rio e foi campeão em Belo Horizonte – título que conquistou enfrentando mais rivais brasileiros que estrangeiros. É possível que o resultado dele nesse mundial seja decisivo em suas pretensões de continuar lutando nessa faixa de peso – um título é pouco provável.

Bronze nas duas últimas Olimpíadas, Leandro Guilheiro (-73 Kg) pode, finalmente, conquistar uma medalha em campeonatos mundiais. Não será surpresa se voltar para o Brasil com o título – ainda mais por este Mundial não contar pontos para o ranking olímpico, o que pode levar algumas seleções a usá-lo como laboratório.

Luciano Correa (-100 Kg) é o único dos três campeões mundiais do Brasil que pode defender o título de dois anos atrás – Tiago não pode, já que mudou de peso.Ter sido segundo colocado em duas etapas do Grand Slam desse ano – Moscou e Rio – faz crer que seja possível lutar pelo ouro novamente. Único brasileiro a liderar o ranking em sua categoria, em Luciano Correa estão depositadas as melhores fichas do Brasil para o Mundial deste ano.

domingo, 12 de julho de 2009

Não mais que um nome

A etapa brasileira da Copa do Mundo de Judô, disputada este fim de semana, em Belo Horizonte, pode levar o público (brasileiro, em especial) a ter impressões equivocadas a respeito da real força do país no esporte.

No primeiro dia, cinco categorias distribuíram medalhas e o Brasil conquistou três de ouro. Pode parecer um salto imenso de qualidade, já que, em Pequim, a delegação nacional voltou com apenas três bronzes, mas não é nada disso.

Se o Grand Slam do Rio de Janeiro, semana passada, não teve a presença de algumas potências do Judô, como as duas Coreias, Cuba, Itália e Geórgia, em BH o nível da competição é ainda mais baixo: França, Holanda e Japão também não mandaram competidores, deixando o torneio quase com cara de Copa América.

A categoria até 60Kg, no masculino, é uma amostra desse nível parco: os quatro medalhistas foram brasileiros. Além deles, havia, apenas, outros oito judocas – nenhum era fora do Continente Americano. Se uma disputa de escala mundial com 12 competidores parece pouco, há que se lembrar que existem categorias com menos atletas ainda. Nas de maior peso, +100Kg masculino e +78Kg feminino, que subirão ao tatame daqui a pouco, são apenas meia dúzia de lutadores, com o agravante de quatro brasileiros lutarem em cada uma delas. Noutras palavras, na pior das hipóteses, o Judô nacional vai subir no pódio com dois bronzes em cada categoria.

A partir do ano que vem, quando a pontuação do ranking começar a valer como classificação para as Olimpíadas de Londres, pode ser que o nível da etapa brasileira tenha alguma melhora. Do contrário, chamar o torneio disputado em Belo Horizonte de “Copa do Mundo” continuará soando estranho. Não será surpresa se, em poucos anos, a Federação Internacional de Judô retirá-la daqui, já que, no ano passado, a competição foi quase tão fraca quanto esta edição.