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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Olhos abertos


(foto: zimbio.com)

Ninguém duvidava que Usain Bolt se classificasse para defender, em Londres, os títulos dos 100 e 200m rasos. E suas marcas nas seletivas jamaicanas não foram nada desprezíveis - 9s86 e 19s83, respectivamente. Entretanto, o que deve estar tirando o sono do jamaicano é que esses tempos não foram suficientes para bater seu compatriota Yohan Blake.

É claro que o importante numa seletiva olímpica é a vaga. Mas é pouco achar que Bolt estava correndo em Kingston só pensando no carimbo no passaporte, e não, no resultado em si. Ele sabe - Blake também - que esse duelo caseiro era uma importante batalha de uma guerra psicológica que deve eclodir em Londres. E Blake, essa batalha, venceu.

Admito que o título mundial nos 100m rasos não foi o que mais me espantou em Blake - e acho que nem a Bolt. Porque muito mais se creditou sua vitória ao erro do adversário, que queimou a largada, do que à velocidade do campeão. Só fui perceber que o homem era rápido de verdade, quando venceu os 200m rasos no meeting de Bruxelas, com um tempo muito próximo do recorde do compatriota (até fiz uma crônica sobre o caso).

Se eu já pensava que Blake poderia vencer os 200m rasos em Londres, começo a acreditar que isso seja possível, também, nos 100. E acho que agora até o Homem-Raio, embora ainda favorito, também acredita nisso.

sábado, 17 de setembro de 2011

O homem mais rápido da meia pista

Se o tempo de Yohan Blake nos 200m rasos, em Bruxelas, assombrou o mundo, o tempo líquido do jamaicano deve ter assombrado Usain Bolt.

Campeão mundial dos 200m rasos há algumas semanas, em Daegu, Bolt correu, ontem, na Bélgica, a prova dos 100m. Se havia algum trauma pela largada queimada na final do Mundial, o tratamento veio rebocado pela marca de 9s76, melhor marca do ano na distância.

De bem com seus fantasmas, Bolt saudou a torcida, dançou, fez o gesto do arqueiro. Tudo certo, Daegu é passado.

Mas aí, coisa de cinco minutos depois, a prova dos 200m rasos abalou a paz reconquistada pelo Homem-Raio.

O compatriota de Bolt, Yohan Blake, que herdou o título dos 100 em Daegu, correu os 200m rasos em 19s26. O tempo é tão espetacular que bate, por exemplo, o recorde olímpico estabelecido por Bolt em Pequim/2008 - 19ss30. Esse tempo, sim, se aproximou perigosamente do recorde mundial da prova (19s19) e deve ter deixado Usain com a respiração presa antes do abraço que deu em Blake, ainda na pista belga.

O pior, no entanto, só os computadores da IAAF puderam dizer: o tempo liquido da prova de Blake foi melhor que o melhor já feito por Bolt.

Em Berlim/2009, Bolt estabeleceu o recorde da prova com 19s19, com uma reação de largada em 0s133. Significa dizer que o tempo de corrida do jamaicano foi 19s057.

Já em Bruxelas/2011, Yohan Blake correu a mesma distância em 19s26, só que com um tempo de reação de 0s269 (muito fraco para um velocista, diga-se). Isso significa que o tempo líquido de Blake foi, incrivelmente, de 18s991.

Sim, senhoras e senhores: mesmo sem recorde, Blake é o homem mais rápido da meia pista.