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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um pouquinho de história

EUA e Japão decidem a Copa do Mundo feminina de Futebol neste domingo. A final é inédita, embora não em todos os aspectos.

Não é a primeira vez que um time asiático chega à final da Copa do Mundo. A China fez isso em 1999. Na ocasião, foi derrotada pelos EUA nos pênaltis, depois de 120 minutos sem gol no tempo normal. Por conseguinte, também não é a primeira vez que os EUA decidem uma Copa do Mundo contra uma equipe oriental.

Não é a primeira vez que EUA e Japão se enfrentam em Copas do Mundo. A primeira, em 1991, terminou com vitória ianque por 3 a 0 na primeira fase. Na segunda, quatro anos depois, as americanas fizeram 4 a 0 nas japonesas nas quartas de final, na primeira e, até 2011, única vez em que as nipônicas haviam passado da primeira fase.

Curiosidade: se a Suécia tivesse avançado à decisão, contra os EUA, teria sido o segundo jogo repetido numa mesma edição de mundial feminino, a primeira numa final. A única vez em que isso ocorreu foi na Copa de 1995: EUA e China empataram em 3 a 3 na primeira fase e, na decisão do terceiro lugar, as americanas ficaram com o bronze, metendo 2 a 0 nas chinesas.

Outra curiosidade é que a Copa do Mundo terá, pela primeira vez, um campeão não invicto. As duas equipes conheceram derrota na primeira fase, mas se recuperaram e jogam domingo.

Domingo, aliás, o Japão se torna a sétima seleção a disputar uma final de Copa do Mundo para mulheres. De quebra, pode se tornar o primeiro país não europeu ou americano a conquistar uma Copa do Mundo Fifa na categoria adulta. Por outro lado, os EUA podem retomar a supremacia da Copa do Mundo, ganhando da Alemanha a corrida pelo tricampeonato.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A derrota e a eliminação




O Brasil ter perdido para os Estados Unidos nos pênaltis e o Brasil ter sido eliminado pelos Estados Unidos, ao contrário do que parece, não são a mesma coisa. A derrota, ainda que nos pênaltis, é a parte chata e necessária do jogo. A eliminação (precoce, pelas finais que as meninas disputaram nesses últimos sete anos) é outra história.

O jogo foi conturbado. Um gol contra de Daiane em 80 segundos de disputa, jogadas ríspidas das brasileiras e violentas das americanas, uma cobrança repetida de pênalti capricho da árbitra, uma árbitra fraca, um golaço ilegal de Marta no tempo extra, três minutos de acréscimo em 15 de segundo tempo prorrogação, um gol de Wambach de novo – como em Atenas. E pênaltis.

E nos pênaltis, um erro estratégico. Um erro que é o vértice em que se encontram os motivos da derrota e da eliminação de hoje.

Não queria correr o risco de repetir o choro (quase sempre justificado, diga-se) de quem diz que “falta apoio ao futebol feminino no Brasil”. Mas é exatamente isso que eu vou fazer. Sem medo.

Jogos Olímpicos de Atenas, 2004. Sem saber que havia grandes craques no time, pois Cristiane e Marta ainda estavam em formação, tinham, respectivamente, 18 e 19 anos de idade, René Simões, com menos de um ano de trabalho, levou o time ao vice-campeonato olímpico, e com direito a poder reclamar muito da arbitragem no jogo decisivo. René Simões não é exatamente um treinador vitorioso, mas tem passagens nas seleções de base masculinas, levou a Jamaica à Copa do Mundo de 1998, e até 2004, havia treinado times no Brasil e no Oriente Médio. Em síntese, o Brasil foi a Atenas com um treinador.

No ciclo seguinte, veio Jorge Barcellos. Ele tinha experiência em categorias de base nas seleções femininas. Se o futebol das mulheres está engatinhando no Brasil, imagine o das meninas. Seu trabalho no time principal começou em 2006, com um vice-campeonato sul-americano, seguiu com um título no Pan do Rio e terminou com o vice-campeonato mundial e olímpico. Mesmo tendo feito um trabalho bom, convenhamos, não era um treinador pra Seleção Brasileira. E deu lugar a Kleiton Lima.

Não obstante haver levado o Santos a conquistar títulos nacionais e continentais, com todo respeito, toda vez que se fala nele alguém diz “e ele foi espião da seleção brasileira na Copa de 1994.” Ou seja, mais uma vez, a CBF contratou um treinador sem larga experiência larga. Faltou, de novo, cuidado da Confederação Brasileira de Futebol com o Futebol das mulheres. A eliminação da Copa, se nada anormal ocorresse, aconteceria a qualquer tempo.

Nem vou falar da preparação pro Mundial, com dois amistosos, contra o Chile e contra a Seleção Pernambucana. Nem vou falar da sobrecarga tática em cima de Marta ou da posição em campo de Érika, Maurine e Rosana, ou do medo que Kleiton tinha de fazer alterações no time. Vou falar dos pênaltis.

Por ter um treinador inexperiente, o Brasil foi pras cobranças da marca fatal com duas jogadoras abaladas psicologicamente. Cristiane, que perdeu o pênalti anulado no tempo normal, e Daiane, autora do gol contra no início do jogo. Cristiane até converteu sua cobrança. Mas Daiane, que pouco errou em toda a Copa, saiu de campo marcada pelo gol contra e pelo pênalti desperdiçado no jogo de hoje. Faltou um treinador que tivesse vivência o suficiente no futebol pra prever o buraco em que a zagueira se meteria na batida do pênalti.

O Brasil perdeu por causa um gol contra, um gol nos acréscimos infindáveis da prorrogação e um pênalti perdido. E o Brasil foi eliminado porque, mais uma vez, a seleção feminina foi tratada como subproduto pela CBF.

(republicado por erro de edição)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Riem nas quartas. Vão rir no domingo?


(foto: http://www.facebook.com/officialussoccer)

A definição dos confrontos das quartas de final da Copa do Mundo feminina de Futebol foi cruel com a Seleção Brasileira. O Brasil fez a melhor campanha da fase, melhor ataque, junto com Alemanha e França, única defesa zerada, etc. e tal. Mas aí a vitória das suecas sobre as norte-americanas pôs as ianques no caminho de Marta & Cia. E a história mostra: não há adversário pior de para enfrentar do que os EUA.

Essa é a sexta Copa do Mundo de Futebol das mulheres. Os EUA têm dois títulos e três terceiros lugares.

Em quatro edições do Futebol feminino em Olimpíadas, os EUA levaram três ouros e uma prata – perderam para a Noruega, em Sydney/2000, na prorrogação.

Nos torneios de grande relevância, as ianques sempre chegaram, pelo menos, nas semifinais. O detalhe é que nunca saíram sem medalham. Noutras palavras, quartas de final, até hoje, é uma terra em que elas não conhecem derrota.

A única coisa boa dessa história é que, com certeza, as americanas não gostaram nada, nada de enfrentar o Brasil no próximo domingo. Elas podem até se lembrar das duas últimas finais olímpicas, mas não se esqueceram da semifinal de 2007.

domingo, 3 de julho de 2011

Três do trio

(foto: Fifa.com)

Se a Seleção Brasileira ainda não jogou um futebol primoroso, na Copa do Mundo da Alemanha, pelo menos o segundo tempo da partida contra a Noruega mostrou que o ataque brasileiro, finalmente, entrou em campo. Depois de um primeiro tempo amarrado, limitado a um chute de fora da área de Rosana e com um golaço irregular de Marta – ela derrubou duas norueguesas, uma com um drible, uma com um empurrão pelas costas –, o trio adiantado brasileiro voltou com vontade, no segundo tempo, resolveu o jogo em três minutos.

Primeiro, Marta fez uma jogada de Marta, tocou pro meio da área, Cristiane, com a visão de jogo que tinha há três anos, fez o corta-luz e Rosana marcou o segundo gol. Em seguida, Cristiane marcou a zagueira na entrada da área, conseguiu roubar a bola da goleira, mas chutou em cima da defensora. Marta aproveitou o rebote e sacramentou a classificação brasileira, 3 a 0, sem susto e com futebol. Elogios à zaga – Daiane, Aline e Érika – que não deu chance à bola alta das nórdicas.

O Brasil, em três minutos de segundo tempo, conseguiu vaga às quartas de final, conheceu um trio ofensivo competente e reencontrou o bom futebol de Marta. E que venha Suécia ou EUA.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mortal




A estreia do Brasil na Copa do Mundo não foi das melhores. O resultado, ao menos, não foi pior do que as outras estreias da seleção em mundiais. A exemplo do que aconteceu na China/1991 (1 a 0 Japão), Suécia/1995 (1 a 0 Suécia), EUA/1999 (7 a 1 México), EUA/2003 (3 a 0 Coréia do Sul) e China/2007 (5 a 0 Nova Zelândia), a Seleção Brasileira feminina estreou na Alemanha vencendo a Austrália.

O resultado magro foi do tamanho do futebol que as brasileiras jogaram, especialmente no primeiro tempo, quando quem pegava na bola procurava Marta imediatamente. Isso, até, era esperado. O que não se esperava era que a Rainha, hoje, jogasse mal – mal, é claro, no padrão que ela mesma nos acostumou a vê-la, porque ela buscou jogo o tempo todo, apesar da marcação cerrada que sofreu.

Diga-se, ainda, que, como time, a Austrália mostrou-se ligeiramente superior ao Brasil. Não seria absurdo, mesmo, que as Matildas saíssem com a vitória. Talvez tivessem vencido, se a atacante Lisa de Vanna não fosse tão pouco oportunista na frente do gol.

Mas, voltando às brasileiras, os destaques individuais foram poucos. Maurine fez uma boa partida pela esquerda. Rosana, depois de um gol bisonhamente desperdiçado na primeira etapa, mostrou mais vontade no segundo tempo (jogando mais recuada, inclusive), fazendo um gol de muita habilidade. E Cristiane foi, para surpresa geral de quem tem visto seus jogos pela seleção de dezembro pra cá, a melhor brasileira em campo.

Cristiane não foi brilhante, mas conseguia driblar as adversárias, se movimentou bem no segundo tempo e fez uma jogada primorosa no gol de Rosana.

Ela ainda não é a mesma Cristiane que terminou os Jogos de Pequim como artilheira. É, no entanto, uma Cristiane que pode ser a ótima coadjuvante que sempre foi da Rainha Marta ou, eventualmente, assumir o papel de protagonista no jogo. Como fez hoje, com uma jogada e um passe mortais.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A dez e mais dez




A Seleção Brasileira estreia nesta quarta-feira na Copa do Mundo feminina de Futebol, na Alemanha, mais dependente de Marta do que nunca. Isso preocupa.

Entre 2007 e 2008, quando a seleção entrava em campo com ares de favorita e pensando em decidir campeonato, os dribles de Marta, os gols de Marta e as arrancadas de Marta impressionavam. Mas também impressionava a potência dos chutes de longa distância de Daniela Alves e o oportunismo (e a habilidade, por que não?) de Cristiane. O trio de ferro levou a seleção a decidir uma Copa do Mundo e uma Olimpíada.

Quando Marta não estava num dia inspirado, como ocorreu nas quartas-de-final em Pequim, contra a Noruega, Daniela Alves mandou uma bomba da intermediária e abriu o placar. Quando Marta quase passou a primeira fase olímpica em branco, lá foi Cristiane fazer os gols que o time precisava.

Mas, agora, na Alemanha, o time só tem Marta.

Com Cristiane em má fase e Daniela Alves longe dos gramados há um bom tempo, a seleção de Kleiton Lima se resume a Marta, ofensivamente. Ao que parece, ainda não há, entre as novatas ninguém que possa dividir com a alagoana a responsabilidade ali na frente. E o que é pior: fico com a impressão de que todo mundo, a começar pelo treinador, se conformou com isso.

Quem viu a seleção jogar o torneio de São Paulo, no final do ano passado, e o amistoso contra o Chile, há algumas semanas, viu um time desorganizado, sem poder de marcação no meio-campo e na defesa, e com um ataque que reza para que a rainha jogue bola e resolva.

Não posso deixar de lembrar que, em 1994, tinha-se a mesma expectativa sobre Romário. Mas, diferentemente do time de Parreira, a defesa da seleção de Kleiton Lima é longe de ser boa, e não tem uma goleira que inspire confiança. Recordemos que Andréia, a provável titular contra a Austrália, começou as últimas olimpíadas no time principal, mas perdeu a vaga depois do segundo jogo, para Bárbara. Mas Bárbara, pelas falhas grotescas do amistoso contra a seleção pernambucana, também não está no melhor da forma (penso se, de repente, não pode pintar uma chance pra terceira goleira, Thaís).

Futebol surpreende? Que surpreenda mais uma vez.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Chave aberta

O sorteio dos grupos para da Copa do Mundo feminina de Futebol, na Alemanha, não chegou a ser generoso com o Brasil, mas também não foi dantesco. Contra a Austrália, o jogo é um bom amistoso; contra a Noruega, um bom teste (talvez um jogo-chave, mas eu explico adiante por que); e contra Guiné Equatorial, talvez não chegue, sequer, a ser um bom treino.

De toda a sorte, o campeonato começa de verdade no mata-mata, na fase seguinte, quando o Brasil, se conseguir classificação, enfrentará um time do grupo C. Se passar em primeiro, a tendência é enfrentar Suécia, Colômbia ou Coreia do Norte. Se ficar em segundo, deve enfrentar os EUA.

Considerando que é muito provável que as norte-americanas e as brasileiras se classifiquem em primeiro, pode-se dizer que a tabela foi simpática às aspirações brasileiras. Explico.

Se Brasil, EUA e Alemanha, as três superpotências do futebol feminino atual, vencerem seus grupos, o Brasil só enfrentaria uma das duas equipes na final. Assim, para as pretensões brasileiras, é imprescindível vencer a Noruega (principalmente, a Noruega) no segundo jogo. Isso ocorrendo (e contando, é claro, com um passeio norte-americano no grupo C e uma lavada alemã no A), EUA, Noruega (ex-campeã olímpica, não esqueçamos) e Alemanha iam lutar por uma vaga na decisão, muito provavelmente contra o Brasil.

Restaria, talvez, a Suécia como grande rival brasileira numa quarta-de-final e Inglaterra ou Japão numa semifinal. Adversários, cá pra nós, menos difíceis do que os do outro lado da chave – e, por favor, ninguém lembre que a Suécia eliminou o Brasil nas quartas, em 2003, ou que a Noruega venceu o Brasil, na disputa do bronze olímpico, em 1996, porque disso eu já esqueci.

Confira os grupos do Mundial e a tabela.