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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Chave aberta

O sorteio dos grupos para da Copa do Mundo feminina de Futebol, na Alemanha, não chegou a ser generoso com o Brasil, mas também não foi dantesco. Contra a Austrália, o jogo é um bom amistoso; contra a Noruega, um bom teste (talvez um jogo-chave, mas eu explico adiante por que); e contra Guiné Equatorial, talvez não chegue, sequer, a ser um bom treino.

De toda a sorte, o campeonato começa de verdade no mata-mata, na fase seguinte, quando o Brasil, se conseguir classificação, enfrentará um time do grupo C. Se passar em primeiro, a tendência é enfrentar Suécia, Colômbia ou Coreia do Norte. Se ficar em segundo, deve enfrentar os EUA.

Considerando que é muito provável que as norte-americanas e as brasileiras se classifiquem em primeiro, pode-se dizer que a tabela foi simpática às aspirações brasileiras. Explico.

Se Brasil, EUA e Alemanha, as três superpotências do futebol feminino atual, vencerem seus grupos, o Brasil só enfrentaria uma das duas equipes na final. Assim, para as pretensões brasileiras, é imprescindível vencer a Noruega (principalmente, a Noruega) no segundo jogo. Isso ocorrendo (e contando, é claro, com um passeio norte-americano no grupo C e uma lavada alemã no A), EUA, Noruega (ex-campeã olímpica, não esqueçamos) e Alemanha iam lutar por uma vaga na decisão, muito provavelmente contra o Brasil.

Restaria, talvez, a Suécia como grande rival brasileira numa quarta-de-final e Inglaterra ou Japão numa semifinal. Adversários, cá pra nós, menos difíceis do que os do outro lado da chave – e, por favor, ninguém lembre que a Suécia eliminou o Brasil nas quartas, em 2003, ou que a Noruega venceu o Brasil, na disputa do bronze olímpico, em 1996, porque disso eu já esqueci.

Confira os grupos do Mundial e a tabela.

domingo, 28 de novembro de 2010

A outro o que foi de César

Murilo foi eleito o melhor jogador da Liga Mundial e do Campeonato Mundial de Vôlei, além de ter levantado o título nas duas ocasiões – títulos que Giba conquistou quando recebeu o prêmio, em 2006. Leandro Guilheiro venceu a etapa de Paris do Grand Slam de Judô e foi vice-campeão mundial, em Tóquio.

Embora Murilo seja favorito destacado, não será absurdo que o prêmio fique com o judoca, que é o terceiro do ranking mundial da categoria até 81Kg – a mais forte do Judô Brasileiro.

A única possibilidade de o Prêmio Brasil Olímpico ser dado injustamente é, justamente, ao maior atleta brasileiro da atualidade – César Cielo Filho. Pode? Pode.

A indicação de Cielo parece mais fruto de sua história recente do que pelo ano em si. Depois de um ouro e um bronze olímpicos, dois títulos e dois recordes mundiais, o ano de Cielo, adaptando-se a competir sem as vestimentas tecnológicas, não foi dos melhores. Claro, não foi bom para seus padrões.

Além de não ter sido o nadador mais rápido do ano nem nos 50 nem nos 100m livre, ainda foi derrotado nessas duas provas (especialidades dele) na competição mais importante do ano, o Pan-Pacífico, nos EUA. Embora tenha, até, vencido uma prova por lá, os 50m Borboleta, há que se dizer, até, que o nadador mais destacado do Brasil este ano não foi ele, mas Thiago Pereira, o melhor atleta do circuito da Copa do Mundo de Piscina Curta – se alguém da natação tivesse de ser indicado, seria ele.

Tão justo quanto Cielo ter recebido o prêmio em 2009 é Murilo ou Guilheiro recebê-lo este ano. Vou deixar para decidir meu voto no último instante.

E o prêmio deve ir para...

Entre as mulheres que concorrem o Prêmio Brasil Olímpico, Juliana e Larissa conquistaram o Circuito Mundial de Vôlei de Praia pela quinta vez. Contudo, como não é novidade uma dupla brasileira levantar o título do circuito – só no feminino, esse foi o 16º título em 19 edições disputadas –, é muito difícil que a dupla receba o prêmio.

Ficam Ana Marcela Cunha e Fabiana Murer. Páreo duro.

Ana Marcela venceu a Copa do Mundo de Maratona Aquática, igualando o feito que fez com que Poliana Okimoto fosse considerada favorita ano passado. Já Fabiana Murer conquistou o título da Diamond League no salto com vara. Aí, alguém dirá que ela o fez sem a presença de Yelena Isinbayeva, a dona da prova. Prêmio para a nadadora baiana? Ainda não.

Se ambas conquistaram o circuito mundial de sua modalidade (pois a Copa do Mundo e a Diamond League são isso, circuitos mundiais), a exemplo, até, do que Juliana e Larissa fizeram, e ainda se pode dizer que a conquista de Fabiana foi ofuscada por uma ausência, o que dizer de um campeonato mundial?

Enquanto Ana Marcela ficou em 6º na prova dos 10 Km do Mundial de Maratona Aquática, no Canadá, e em 3º na prova dos 5 Km, Fabiana Murer venceu, em Doha, o Mundial indoor de Atletismo. E se não enfrentou Isinbayeva na Liga de Diamante foi porque a derrotou nessa competição – resultado que fez a russa desistir de competir pelo resto do ano.

Assim, mesmo levando em conta que Ana Marcela Cunha foi uma gigante nas etapas da Copa do Mundo e que Juliana e Larissa ratificaram a condição de melhor dupla brasileira do Vôlei de Praia, vai ser muito injusto se Fabiana Murer não receber a honraria. Tão injusto quanto foi não premiar Poliana Okimoto ano passado.

Olímpico e justo

Depois da injustiça do ano passado – Sarah Menezes sendo premiada em lugar de Poliana Okimoto –, não é possível garantir que algo parecido não ocorra no Prêmio Brasil Olímpico deste ano, conferido pelo COB. Com César Cielo, Leandro Guilheiro e Murilo concorrendo na categoria masculina, e Ana Marcela Cunha, Fabiana Murer, Juliana/Larissa na feminina, há espaço para uma premiação injusta? Há.

Uma postagem para a premiação feminina e outra, para a masculina.

sábado, 27 de novembro de 2010

Os elefantes

Os elefantes

A 37ª edição da Taça Brasil de Futsal começa a ser disputada na próxima segunda-feira, em Santa Catarina. Como normalmente acontece, o torneio dura uma semana, as equipes são divididas em duas chaves, de onde saem os quatro semifinalistas, etc.

Chama muito a atenção a chave B. Malwee/Cimed – time da casa –, Copagril/PR, Corinthians e Carlos Barbosa, os quatro primeiros colocados da edição deste ano da Liga Futsal, se enfrentam por duas vagas às finais. Aos quatro elefantes se junta o ABC/Macau, do Rio Grande do Norte, que tem tudo para ser a grama.

No outro grupo, V&M Minas, Moita Bonita/SE, Joinville, Tigre/Natto e Horizonte/CE fazem uma disputa menos estrelada do que a do grupo B, mas que também resultará em dois semifinalistas.

Veja a tabela:

Grupo A
Dia 29/11 – Tigre/Natto x Horizonte; V&M Minas x Moita Bonita
Dia 30/11 – Moita Bonita x Horizonte; V&M Minas x Joinville
Dia 1º/12 – Moita Bonita x Tigre/Natto; Horizonte x Joinville
Dia 02/12 – Horizonte x V&M Minas; Joinville x Tigre/Natto
Dia 03/12 – Joinville x Moita Bonita; Tigre x V&M Minas

Grupo B
Dia 29/11 – ABC/Macau x Copagril; Malwee/Cimed x Carlos Barbosa
Dia 30/11 – ABC/Macau x Corinthians; Malwee/Cimed x Copagril
Dia 1º/12 – Copagril x Carlos Barbosa; Malwee/Cimed x Corinthians
Dia 02/12 – Carlos Barbosa x ABC/Macau; Corinthians x Copagril
Dia 03/12 – Corinthians x Carlos Barbosa; Malwee/Cimed x ABC/Macau

Força e sorte

Pernambuco já teve tradição no futsal. Já teve Manoel Tobias como melhor jogador do mundo, no título mundial que o Brasil ganhou na Espanha, em 1996. Já teve o Náutico como campeão da Taça Brasil em 1976 e a Votorantim como vice-campeã da Taça, em 1990.

Então, o futsal do estado caiu no ostracismo, nos anos 90. A Votorantim fechou, os clubes grandes do Recife pararam de investir no esporte e os talentos que por acaso surgiram na quadra foram parar no gramado – Juninho Pernambucano, por exemplo.

Eis, no entanto, que Pernambuco não é só a capital. O interior reavivou o futsal adulto daqui e é quem, hoje, domina a modalidade no estado.

Anteontem, o Tigre/Natto, de Garanhuns, conquistou o bicampeonato estadual, batendo o Atlético, de Goiana. Justo e esperado: o Tigre, ano passado, decidiu a Taça Brasil contra o Carlos Barbosa e só perdeu o título na disputa de pênaltis.

A partir da próxima segunda-feira, o Tigre disputa, novamente, a segunda competição mais importante do futsal brasileiro. A missão de chegar à final novamente é muito difícil, já que terá a concorrência do Carlos Barbosa e do Corinthians, semifinalistas derrotados na Liga Futsal desse ano, e do Malwee/Cimed (a quem chamam de “Jaraguá”) e Copagril/PR, respectivamente, campeão e vice da Liga.

O título nacional sub-17 do Sport, em setembro, é outra prova de vitalidade do futsal do estado, que se soma ao vice-campeonato adulto do time de Garanhuns, em 2009. Se isso é sinal de que a modalidade volta a ter força em Pernambuco, o Tigre/Natto não enfrentar nenhum dos quatro favoritos, na primeira fase, parece ser sinal de sorte.

Com a força que volta e a sorte que chega, quem sabe o Tigre não tire Pernambuco da fila e traga o título para cá?

Regresso

Depois de uma semana de provas e entrega de trabalhos na faculdade, estou de volta ao blog. E eu estava com uma saudade danada de falar de esporte.

sábado, 20 de novembro de 2010

De volta ao Ninho

Pequim será sede do Mundial de Atletismo de 2015. Com o anúncio, uma das maravilhas arquitetônicas das últimas Olimpíadas, o Ninho de Pássaro, volta à cena do esporte.

É o retorno do Atletismo ao palco onde Bolt marcou seu nome na história do olimpismo, onde Maurren Maggi venceu Lebedeva por um centímetro e onde Isinbayeva elevou a marca do salto com vara.

Mas é também a volta à pista onde os dois revezamentos 4x100m dos EUA deixaram (misteriosamente) o bastão cair nas quartas-de-final, onde uma contusão de Liu Xiang frustrou a maior torcida do mundo e onde Fabiana Murer perdeu uma vara.

Murer saiu do estádio dizendo que não competiria ali nunca mais.

Mas disse isso com raiva, frustrada, sem medalha no peito, sem um título mundial indoor e sem a conquista da Diamond League.

Depois de sete anos, com as Olimpíadas de Londres no meio e às vésperas dos Jogos do Rio, não duvido que Murer quebre a promessa e volte ao Ninho.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Revanchismo meu

Em 2007, quando o Brasil perdeu a final da Copa do Mundo feminina de Futebol para a Alemanha, houve quem cobrasse da CBF alguma premiação às meninas pela conquista – nem que o prêmio fosse um campeonato nacional decente.

Com a arrogância de quem já está no cargo há mais tempo do que merece, Ricardo Teixeira ironizou as meninas, disse que elas não haviam conquistado nada, nem a vaga olímpica. De fato, em 2006, a Argentina venceu o campeonato sul-americano e obrigou o Brasil a disputar um jogo extra contra Gana para ver se iria a Pequim – venceu, foi aos Jogos e terminou com a prata.

Já que o presidente Ricardo Teixeira valoriza tanto a vaga olímpica, é bom que lhe digam que o time de Marta, Cristiane & cia. conquistou vaga para Londres uma rodada antes do fim do sul-americano, passando por cima da Argentina (4x0) e, essa noite, da Colômbia (5x0). É bom lhe perguntarem, também, se, com a vaga, tem premiação para nossas meninas.

Não porque precisem disso para defender o futebol nacional – fazem isso com um prazer que outras seleções brasileiras não têm e nem dão ao torcedor –, mas, sim, porque merecem.

Cinco estrelas, cinco medalhas

Jogos Olímpicos de Seul, 1988. Torben Grael e Nelson Falcão ficam com a medalha de bronze, graças ao descarte do pior resultado (teriam sido quarto colocados, não fosse isso) e apesar de maus resultados nas duas últimas regatas. Nos dois anos seguintes, o Brasil conquista o título mundial da categoria. Em 1989, com Alan Adler e Nelson Falcão, e em 1990, com Torben Grael e Marcelo Ferreira.

Atlanta, 1996. Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistam o ouro com o terceiro lugar na última regata e uma folga de quatro pontos sobre a embarcação vice-campeã.

Sydney, 2000. Torben Grael e Marcelo Ferreira chegam à última regata na liderança, mas o azar que se abateu sobre a delegação brasileira naquelas olimpíadas os atinge também: um erro na largada tira a chance da medalha de ouro para os brasileiros, mas, pelo menos, não os tira do pódio. Ficam com o bronze.

Atenas, 2004. Depois do fiasco em Barcelona (11º lugar), do título em Atlanta e do quase em Sydney, Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistam o bicampeonato olímpico de maneira incontestável, com uma regata de antecedência. Tanto, que nem competiram na última – que serviu, apenas, para definir prata e bronze.

Pequim, 2008. Com o anúncio de que Torben Grael não iria disputar os Jogos, dando preferência à Volvo Ocean Race (regata ao redor do mundo), coube a Robert Scheidt e Bruno Prada representar o Brasil. Depois de uma campanha muito irregular, a dupla cresceu nas regatas finais e, na medal race – regata especial, valendo o dobro de pontos – um terceiro lugar rendeu prata à dupla. Um ano antes, eles haviam vencido o Mundial e terminado um hiato de 17 anos sem títulos mundiais para o Brasil.

Londres, 2012. Esta deve ser a última chance para quem quiser escrever (ou ratificar) o nome no livro de história da modalidade.

Porque no Rio de Janeiro, 2016, a Classe Star não fará parte do programa olímpico. A modalidade que, junto com o Salto Triplo masculino, Vôlei de Praia masculino e o Vôlei de Praia feminino, mais deu medalhas ao Brasil, não fará parte das olimpíadas brasileiras.

As estrelas olímpicas do Brasil, na Classe Star:

Torben Grael – 2 ouros, 2 bronzes
Marcelo Ferreira – 2 ouros, 1 bronze
Bruno Prada – 1 prata
Robert Scheidt – 1 prata
Nelson Falcão – 1 bronze

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

De Mano e das Meninas

O texto abaixo está no site da CBF (na íntegra, aqui), sobre o Sul-americano feminino de Futebol, no Equador:

“Apesar da derrota no último minuto da Seleção Masculina, a Seleção Brasileira Feminina estreou com vitória na fase final do Sul-Americano, no Equador, nesta quarta-feira. A seleção derrotou a Argentina por 4 a 0, com gols de Grazielle, Rosana, Marta e Cristiane.”

Alguém supunha que o time de Marta e Cristiane fosse entrar em campo abatido pela derrota do time masculino? Ou que as meninas quisessem vingança pela derrota dos jogadores de Mano? Ou, ainda: é como se a CBF quisesse dizer que a goleada que as brasileiras aplicaram sobre as argentinas, no Equador, só serviu para redimir a derrota dos brasileiros para os argentinos, no Catar.

Se fosse o contrário, duvido que alguém da entidade disse que o time masculino, apesar da derrota do feminino, foi lá e venceu.

O Sul-americano dá duas vagas para a Copa do Mundo da Alemanha, ano que vem, e uma para as Olimpíadas de Londres/2012. Isso, por si só, já basta.

O futebol feminino do Brasil não recebe quase nada da CBF – ou é para se conformar com a Copa do Brasil que as meninas têm?

Mas, sem nada em troca, a CBF não tem o menor pudor para usar o sucesso das meninas em proveito próprio, seja para esconder os erros da entidade, dizendo que o Brasil é uma das três potências do futebol feminino mundial, seja para esconder as derrotas, como foi o caso desse jogo contra a Argentina, que a CBF fez parecer que era revanche do time de Mano.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

É a matemática

Campeonato Brasileiro de Futebol, classificação da Série B: 4º) América/MG, 59 pontos e 18 vitórias; 5º) Portuguesa, 56 pontos e 17 vitórias; 6º) Sport, 56 pontos, 15 vitórias. A CBF e o destino quiseram que o Sport enfrentasse os dois rivais diretos à última vaga para a primeira divisão, justamente nas duas últimas rodadas. Primeiro, enfrenta o América, em Minas, e, depois, a Lusa, no Recife. Se vencer os dois jogos e o América não passar pela Ponte Preta (última rodada, em Campinas… não vai ser fácil, né?) o Leão volta à elite do futebol nacional. Assim, a partida de sábado, contra o Coelho, é decisiva, etc. e tal.

A matemática até dá uma força, tem jogado descaradamente a favor do Sport. E é só pela matemática que o clube ainda nutre alguma expectativa nesse fim de novembro. Só por ela.

Porque, pelo futebol, não dá mais.

Pelo meio-de-campo cansado e confuso, com Marcelinho Paraíba limitado à bola parada e Elton jogando bem só às vezes, não dá mais. Pela defesa, desmontada, desfalcada, com saudade de Durval e dos bons tempos de Igor, não dá mais. Por Dutra, que só faz correr, mas não acerta um drible, um cruzamento ou um desarme, não dá mais. Pela dupla de ataque, com os gols ocasionais de Ciro e a volta de Wilson em marcha muito lenta, não dá mais.

Há três razões para que o Sport não esteja ali, junto com o Náutico, brigando palmo a palmo por um pedaço de chão na Série B de 2011.

A primeira é Magrão, que dispensa adjetivos, comentários ou frases de efeito.

A segunda é o técnico Geninho, que, apesar de ter sido conservador quando o time precisou de ousadia, deu ânimo ao Sport e fez a torcida acreditar que dava para subir.

A terceira razão é a matemática. Se não fosse por ela – pois, pelo futebol, não dá –, o ano para o Sport já teria terminado, os medalhões do time estariam de férias e todo mundo, na Ilha do Retiro, já estaria pensando em outro infeliz ano novo na segunda divisão.

Bendita seja a matemática! Porque, se fosse só pelo futebol…

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Caminho errado

O êxito no ano de estreia da Maratona Internacional Mauricio de Nassau só não foi completo por conta de uma falha grave da organização. Os quatro primeiros colocados da prova masculina dos 10 Km erraram o caminho e cruzaram a linha de chegada em sentido inverso. Apesar do erro, os atletas não foram desclassificados e o resultado deles foi homologado pelos organizadores. “Os atletas não tiveram culpa. Foi um descuido que tivemos no percurso. O resultado não seria alterado nesse tempo que ganharam”, alegou o presidente da Federação Pernambucana de Atletismo, Warlindo Carneiro.

Gilmar de Oliveira Silva, vencedor da prova, criticou a organização e se defendeu. “O batedor vinha à frente, e eu o acompanhei. Não tive culpa de nada. Foi o batedor que errou o percurso”, completou. Rildo Pereira, quarto colocado, se queixo que, além de enfrentar o calor, “a gente ainda teve que perguntar (ao público) qual era o caminho (para a chegada). Isso atrapalhou”, afirmou o atleta.

A confusão ocorreu perto do fim da prova. “Faltando um quilômetro, um orientador (aluno voluntário da Faculdade Mauricio de Nassau) indicou o caminho certo. Os quatro, que iam mais à frente, erraram. O erro fez com que eles corressem menos (que a distância prevista)”, disse Welson Figueiredo, que terminou na sexta posição.

“Eu fiz o percurso certo, que foi determinado pela organização, fui o segundo colocado, mas fui excluído da premiação”, lamentou. Se os líderes fossem desclassificados, Welson teria conquistado o prêmio de mil reais, referente ao segundo posto da prova. No entanto, como só os cinco primeiros subiam ao pódio, ele recebeu, apenas, uma medalha de participação.

Embora tenha sido atrapalhado no fim da prova e corrido o risco de ser desclassificado, Rildo Pereira fez questão de dizer quer competir na prova, no ano que vem. “Pretendo (disputar a corrida em agosto de 2011), porque eu sou brasileiro, corredor e teimoso”, brincou.

Com vitória do campeão

O batismo da Maratona Internacional do Recife, disputada na manhã da segunda-feira, teve participação de cerca de mil atletas e vitória de Franck Caldeira e Marily dos Santos. Além da prova principal, a Maratona Mauricio de Nassau, faculdade que promoveu o evento, reuniu competidores em provas de meia-maratona e de 10 mil metros.

Apesar do circuito plano, o tempo dos vencedores da maratona não foi dos melhores – 2h21min36s na masculina e 2h43min49s na feminina. “Não foi uma prova para fazer marca, foi uma prova para ganhar. A questão de o tempo ter sido fraco foi em função do calor. Aqui é um local muito complicado para fazer marca.”, resumiu Franck.

O desgaste pela temperatura foi bem menor na meia-maratona. O vencedor Alan Bizerra de Oliveira, sergipano de 24 anos, não viu grande empecilho no calor recifense. “Estou feliz por ter feito um excelente resultado e ter baixado em dois minutos meu melhor tempo. O percurso é muito bom, muito gostoso de correr. Só atrapalhou um pouco o sol, mas isso não é dificuldade”, disse o atleta, que treina em Garanhuns junto com Marcos Antônio Pereira, vencedor da Maratona do Rio de Janeiro de 2009.

A segunda edição da prova, no ano que vem, está marcada para o mês de agosto e prevê uma premiação de R$ 200 mil reais, contra R$ 150 mil deste ano.

Foto: João Batista Jr.

Maratona Internacional do Recife 2010 – Maratona Mauricio de Nassau

Classificação
Maratona masc.
1) Franck Caldeira – 2h21min36s
2) Valdir Sérgio de Oliveira – 2h22min42s
3) Jair José da Silva – 2h23min33s

Maratona fem.
1) Marily dos Santos – 2h43min49s
2) Jacqueline Jerotich Chebor (Quênia) – 2h49min52
3) Marluce Queiroz Ferreira Borges – 2h50min52

Meia-maratona masc.
1) Alan Bizerra de Oliveira – 1h07min27s
2) Enio Kleiton de Lima – 1h07min46s
3) José Everaldo da Silva Santos – 1h08min32s

Meia-maratona fem.
1) Mirian Farias Silva – 1h24min32s
2) Maria dos Remédios Castro – 1h26min32s
3) Maria de Fátima Pereira Andrade – 1h29min49s

10 Km masc.
1) Gilmar de Oliveira Silva – 31min43s
2) José Nilson de Jesus – 31min46s
3) Justino Pedro da Silva – 32min09s

10 Km fem.
1) Sandra Maria Alexandre da Silva – 41min53s
2) Midian da Silva Costa – 46min22s
3) Andreia Pinheiro Almeida – 47min59s

domingo, 14 de novembro de 2010

Marco histórico

A Maratona Mauricio de Nassau promete fazer história, nas ruas do Recife. Com largada prevista para as sete da manhã, no Marco Zero, a prova é a primeira internacional desse porte, em Pernambuco. Além da maratona, outras duas provas vão se desenvolver simultaneamente, a meia-maratona (percurso de 21 Km) e a prova de 10 Km.

A presença estrangeira fica por conta dos quenianos Jacob Kipleting Kendagor e Nicholas Kibor Sabulei e da queniana Jacqueline Jerotich Chebor. Os maiores destaques nacionais são os pernambucanos Ubiratan dos Santos, fundista, que faz sua estreia em maratonas, e Marcos Antônio Pereira, além de Franck Caldeira. Marcos Antônio venceu a Maratona do Rio de Janeiro (2009) e de Punta del Leste (2010), enquanto Caldeira foi campeão pan-americano (2007) e representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, há dois anos.

(Tomara que as próximas edições da prova não se limitem, como se costuma fazer Brasil afora, a convidar atletas quenianos, o que dá um caráter de “match race” entre Brasil e Quênia.)

A prova possui dois bons atrativos. Primeiro, distribuirá R$ 150 mil em premiação; segundo, o circuito plano, semelhante ao da Maratona de Berlim, favorece os corredores que pensam em atingir boas marcas.

O êxito da Maratona do Recife será um grande impulso para o Atletismo do estado, que até revela bons atletas – como Keila Costa, no salto em distância e salto triplo, e Wagner Domingos, no arremesso do martelo – mas os vê seguirem para outros centros, quando pensam em profissionalização.

A prata e a bruxa

Nem o choro do inconformismo, nem a ira dos maus perdedores. A caça às bruxas não combina com este século, nem com a final do Mundial feminino de Vôlei.

É possível lamentar a ausência de Mari e Paula e dizer que as duas poderiam ter feito a diferença nessa final, mas não vou dizer isso: seria desmerecer as meninas que, sem elas, chegaram à final do campeonato.

Também é possível apontar a inépcia das atacantes, o passe ruim e o bloqueio que quase não achou as russas, mas também não vou fazer isso: a Rússia também teve os mesmos problemas, mas tinha uma jogadora que os resolvia.

Prefiro dizer que, com dois desfalques de muito peso – a dupla titular de ponteiras do título olímpico –, a Seleção Brasileira superou uma chave difícil nas duas primeiras fases e uma semifinal épica. Não há qualquer demérito na medalha de prata.

Prefiro dizer que, numa partida fraca de vôlei (as parciais dos cinco sets mostram que não houve equilíbrio), Gamova foi maior do que seus dois metros e dois, e ganhou o ouro quase sozinha. Com 30 anos de idade, ela ataca de qualquer ponto da quadra e do globo terrestre e pontua como se não houvesse outro motivo para ser tão grande.

Eu cheguei a pensar que ela não fosse mais a melhor jogadora do mundo. Mas, agora, eu prefiro dizer que Gamova está acima das outras e, hoje, para nosso azar, foi bruxa.

É Brasil e Rússia

O título do jogo, por si só, torna excessivo qualquer comentário. Estarão em quadra, daqui a pouco, dois times invictos decidindo o título mundial do Vôlei feminino. Também decidiram o título em 2006 – e deu Rússia. Mas essa não é a segunda vez em que o choque entre brasileiras e russas decide alguma coisa.

Em Mundiais, além da decisão passada, as duas equipes, embora noutras fases, também se enfrentaram em jogos decisivos. Em 1986, o Brasil venceu a URSS por 3 sets a 0, na decisão do quinto lugar (mas isso é uma decisão, não é?). No campeonato seguinte, em 1990, o troco soviético: vitória por 3-1 nas quartas-de-final, com direito a um humilhante 15/0 no segundo set. Já nas semifinais de 1994, no Brasil, as donas da casa venceram a Rússia (Rússia, mesmo, sem as repúblicas soviéticas) por 3-2 e foi para a final. Novamente, a vingança russa veio no Mundial seguinte, em 1998, com uma vitória de virada por 3-1, na disputa do terceiro lugar.

No Grand Prix do ano passado, Brasil e Rússia se mediram na primeira rodada da fase final. A vitória brasileira significou o título, pois nenhuma das duas equipes perdeu de mais ninguém, até o final da competição. Antes, a Rússia vencera o Brasil na final de 1999, e o Brasil, na de 1998 e 2006. Em 1996, o duelo aconteceu na última rodada e o título seria russo, se tivesse vencido o Brasil por 3-0 ou 3-1, mas perdeu por 3-2 e o Brasil levou esse título também – à Rússia, o bronze.

Em Jogos Olímpicos, nunca houve uma final entre os dois times. Houve, contudo, duas semifinais – em 1992, quando a Rússia integrava a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), e no famigerado jogo de 2004 – com vitória das europeias, e uma decisão de medalha de bronze, em 1996, com triunfo brasileiro.

Nesse placar quase arbitrário de jogos decisivos (pois incluo, por exemplo, um jogo que valia um quinto lugar num campeonato mundial), a URSS/CEI/Rússia tem 6 vitórias contra 7 do Brasil. É claro que, nesse caso, os números mentem: com duas vitórias em semifinais olímpicas e uma em mundiais, a vantagem no confronto em decisões é russa. O que o placar mostra, isso, sim, é o equilíbrio histórico entre as duas seleções.

Contudo, a história não entra em quadra, não influencia o saque de Thaisa, o ataque de Gamova, o bloqueio de Fabiana. Os números do confronto servem mais para diversão e análise do que previsão. Por isso, quem leva o título? Impossível dizer: é Brasil e Rússia!

sábado, 13 de novembro de 2010

Viva a dança!

Tóquio, 26 de junho de 2005. O Brasil perdia por 2 sets a 0 para o Japão, com um duplo 25/17, em jogo válido pela primeira fase do Grand Prix. Como de praxe, o intervalo para o terceiro set teve a apresentação de um grupo de dança e durou dez minutos. Na volta, o Brasil venceu por 3 a 2 (25/17, 25/21, 20/18).

Tóquio, 13 de novembro de 2010. O Brasil perdia por 2 sets a 0 para o Japão, com parciais de 25/22 e 35/33, em jogo válido pelas semifinais do Campeonato Mundial. Como de praxe, o intervalo para o terceiro set teve a apresentação de um grupo de dança e durou dez minutos. Na volta, o Brasil venceu por 3 a 2 (25/22, 25/22, 15/11).

A propósito: o Brasil foi campeão daquele Grand Prix.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Números que mandam

Das 56 jogadoras que ainda pensam em título, a maior pontuadora é a atacante japonesa Saori. Com 187 pontos, ela só fez menos pontos do que a turca Neslihan, que tem 208. É bom o passe brasileiro ficar atento a Saori: ela tem 18 pontos de saque e lidera as estatísticas desse fundamento.

Outra japonesa aparece bem posicionada, também, nas estatísticas de bloqueio. A meio-de-rede Inoue é a segunda melhor da competição, muito próxima da líder Plchtova, da Rep. Tcheca – que não joga mais. Ainda de acordo com os números da Federação Internacional de Vôlei – FIVB – esse é o fundamento em que as brasileiras mais se destacam. De todos os semifinalista, a única seleção que tem duas jogadoras entre as dez melhores bloqueadoras é a brasileira – Fabiana em terceiro e Thaisa em quarto.

O que assusta, mesmo, é a estatística do ataque russo. Três das quatro melhores jogadoras nesse fundamento são da Rússia. Kosheleva lidera, com Gamova em terceiro e Sokolova em quarto lugar. As três pontuaram em mais 50% das vezes que atacaram. A brasileira que mais se aproxima delas é Sheilla, quinta colocada, com 48,6%. Natália, outro destaque ofensivo do Brasil, tem 45% de eficiência, aparecendo em 12º lugar.

Quem está muito bem em muitos critérios estatísticos é o time dos EUA. Sykora aparece como melhor líbero, Logan Tom é a melhor passadora (apesar do jogo horrendo que fez contra o Brasil) e Glass lidera no levantamento, não obstante o baile que tomou de Lo Bianco na derrota para a Itália.

Curiosamente, Startseva, levantadora da Rússia, o time das melhores atacantes da competição, aparece numa modesta décima posição em seu fundamento, um posto acima de Fabíola. Outra levantadora que, nas estatísticas da FIVB, não tem se destacado é Takeshita. Apontada como melhor levantadora e eleita melhor jogadora do mundial passado, o percentual de aproveitamento de suas levantadas a coloca na oitava posição.

Pelas estatísticas, dá para prever um duelo entre o ataque russo e a defesa norte-americana, numa semifinal, e entre Saori e o block brasileiro, na outra. A matemática promete bons duelos para essa madrugada.

Cardápio

O Mundial feminino de Vôlei entra na última reta e já pode enxergar a bandeira quadriculada. Os quatro times que restam na disputa do título representam três dos quatro continentes presentes à competição – a Oceania não teve representante e a África, representada por Quênia e Argélia, não tinha grandes pretensões, mesmo.

Dentre os quatro semifinalistas estão os dois times que decidiram o Mundial de 2006 – Rússia e Brasil – e os dois que fizeram a final das Olimpíadas de 2008 – Brasil e EUA. O intruso, Japão, é o time da casa e foi beneficiado, surpreendentemente, pela campanha desastrosa da China – a quem só resta, agora, disputar o nono lugar, com Cuba, Polônia e Holanda.

Só Brasil e Rússia estão invictos. Se chegarem à final, no domingo, será a primeira vez, desde o Mundial de 1994, no Brasil, que o título será disputado por duas seleções que não conheceram derrota em toda a competição.

Aliás, se a decisão for Brasil e Rússia, será a primeira vez que dois mundiais consecutivos têm a mesma final. Vale dizer que Japão e União Soviética, teoricamente, fizeram isso em 1960/1962, e em 1970/1974, mas, nessas ocasiões, não havia um jogo final, e sim, uma fase decisiva, com o título sendo decidido nos pontos corridos entre as seis ou oito melhores equipes da primeira fase – essa, sim, disputada em grupos.