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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Um lado azul, o outro, vermelho

Nas duas partidas semifinais do Mundial de masculino de Handebol, o melhor time foi a França e o melhor jogador, o goleiro da Dinamarca, Jacobsen.

A França não teve muita dificuldade contra a Suécia, apesar do habitual cochilo do segundo tempo, quando viu a diferença cair de 24-17 pra 25-22. Mas a reação sueca não foi além.

Já o Dinamarca x Espanha parecia o Coiote contra o Papaléguas. Toda vez que a Dinamarca abria boa vantagem, a Espanha reduzia, encostava e via os nórdicos se distanciarem de novo.

O melhor momento da Espanha no jogo foi no segundo período, quando tirou uma diferença de 23-20 para 23-23, sendo que os dois últimos gols foram com um jogador a menos. Contudo, a Espanha logo em seguida teve outro jogador excluído e não resistiu a quase 4 min seguidos em inferioridade numérica. A Dinamarca abriu 4 gols e ficou trocando pontos com os espanhóis até o final.

Domingo, França e Dinamarca decidem o título.

A Dinamarca está com aproveitamento de 100%, enquanto a França tem seguido cirurgicamente no campeonato, fazendo só o necessário para vencer e ser bi.

Ou melhor, tetra, já que, além do último mundial, também ganhou em 1995 e 2001. Ou será que os dinamarqueses, que só haviam chegado uma vez à final (em 1967 e foram vice-campeões) podem quebra a incrível sequência francesa – Olimpíadas de 2008, Mundial de 2009 e Europeu de 2010?

Dinamarca ou França? Vermelho ou Azul? Quem vencerá o Handebol de Parintins?

domingo, 16 de janeiro de 2011

Segredo islandês

Resolvi, sem mas ou mais, implicar com a Islândia. Não preciso esconder que a razão é a vitória islandesa sobre o Brasil, pelo Mundial masculino de Handebol. Registre-se em ata que foi uma vitória folgada, esperada e – que tristeza! – obrigatória. A Islândia vencer o Brasil no Handebol é obrigação. Não deveria ser.

Brasil e Islândia se enfrentaram na estreia das Olimpíadas de Barcelona/1992. Era a primeira participação brasileira, enquanto os islandeses haviam disputado os dois Jogos anteriores, sem jamais haver passado da primeira fase. O time brasileiro, por sua vez, só estava ali porque Cuba desistira de mandar seu handebol à Barcelona (herdamos vaga cubana, também, em 1996).

O resultado do jogo? Um suado 19 a 18 em favor dos europeus. Aliás, naqueles Jogos, eles perderam a disputa pelo bronze contra a França, enquanto os brasileiros voltaram para casa sem um único ponto na bagagem.

Há dezoito anos, a distância do handebol islandês para o brasileiro começou com um gol e terminou com um sendo semifinalista e o outro, lanterna. Isso era um prenúncio de que os islandeses estavam em franca ascendência e que o céu seria o limite? Não.

Danado é que, depois disso, os ilhéus passaram longe do pódio nas competições que disputaram, ficaram fora dos Jogos de Atlanta e Sydney e nunca chegaram nem perto de uma boa campanha em mundiais, nem no que sediaram, em 1995.

Com boa vontade, dava para dizer que, nesse tempo, o handebol dos dois países estaria num nível parecido, já que o Brasil teve participação (discreta) em todos os mundiais de 1995 para cá e em todas as Olimpíadas – exceto, a de 2000.

Estaria, até vir o grande salto. O salto nórdico.

De 2008 para cá, a Islândia passou misteriosamente a figurar entre os grandes. Foi prata em Pequim, conquistou o bronze no Europeu do ano passado e chegou ao Mundial da Suécia sabendo que bateria o Brasil.

Aí, alguém pode dizer que a Islândia está nesse nível porque o esporte lá tem um tratamento diferenciado. Pode até ter, mas não o de alto rendimento. Até hoje, o país só conquistou quatro medalhas olímpicas – uma prata e um bronze no atletismo, um bronze no judô e a prata no handebol – e nunca, sequer, em olimpíadas consecutivas. Antes que alguém pergunte, Jogos de Inverno nunca viram um islandês no pódio, embora não haja islandês que não tenha neve no quintal o ano quase todo.

Não é pela tradição esportiva que a Islândia vence o Brasil no Handebol. E também não é, com certeza, porque a geografia o determine.

Fosse um estado brasileiro, a Islândia seria o 19º estado em extensão territorial e o último em população. Donde se conclui que, por mais “País do Futebol” que seja o Brasil, deveria haver, no mínimo, tanto espaço para o Handebol aqui quanto na ilha nórdica. Espaço e material humano.

Então, a resposta deveria estar no próprio Handebol. Os islandeses têm um handebol forte, há um bom número de times no país e que jogam muitas partidas por ano, né? Não.

Se, no Brasil, a Liga Nacional dura cinco meses e, na primeira fase, cada time disputa 14 partidas, o campeonato nacional deles dura oito meses, mas o número de jogos nem é tão grande assim – apenas 21 na fase inicial. Isso quer dizer, por exemplo, que um jogador brasileiro que dispute o Campeonato Paulista (único estadual decente no Brasil e que deveria ser o bastante para superar, pelo menos, o handebol de lá) e a Liga Nacional tem mais jogos por seu clube do que um jogador islandês.

E antes, mesmo, que alguém diga, “então, os clubes islandeses disputam muitos torneios continentais”, digo o contrário. Nenhum clube do país participa de nenhuma das quatro competições continentais no masculino – Liga dos Campeões, Copa da Europa, Copa dos Campeões ou Challenge Cup.

Então, o motivo de a Islândia já entrar em quadra ganhando do Brasil por um a zero está nos jogadores. Nenhum deles joga em clubes do próprio país. Eles se dividem entre times alemães e dinamarqueses – só o goleiro Gustavsson joga num time suíço.

Se isso revela o segredo do sucesso islandês, suscita outra dúvida: se os clubes são fracos, como os atletas têm chance de aparecer no cenário internacional? Se a resposta for que é por causa da seleção, o círculo volta ao quinto parágrafo, digo que a seleção nacional não tinha grande representatividade até dois anos atrás, e que não há uma explicação sensata para o sucesso internacional do time nórdico.

Descubro que minha implicância foi em vão. Tenho muitas perguntas e nenhuma resposta. O fato é que, da próxima vez que a Islândia cruzar o caminho do Handebol Brasileiro, tenho certeza de que é azar nosso e de que a derrota é certa. Incerto, inexpugnável, insuspeito, ainda, continuará sendo o motivo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Musa

Marta ganhar o prêmio de melhor do mundo não é surpresa. Sentadas lado a lado no auditório em Zurique, as duas – Marta e Prinz – sabiam que o prêmio era da alagoana. A alemã, aliás, sabia disso há mais tempo.

Birgit Prinz descobriu, em 2007, que o troféu de 2010 iria para Marta. Não porque a brasileira defendesse o troféu de 2006, mas porque, naquele ano, a alemã vencera a Copa do Mundo e ainda viu Marta, na hora fatal, desperdiçar o pênalti que empataria o jogo. Ali, com um bicampeonato mundial no peito, Prinz percebeu que o título de melhor do mundo nunca mais iria para suas mãos.

É claro que, em 2007, Marta trocaria de bom grado o troféu de melhor jogadora pelo título que a alemã conquistou. Mas o danado é que a fisionomia incrédula de Prinz denunciava que ela aceitaria a troca como se lhe fizessem um favor, sem fazer maiores concessões.

Desde então, seja em dezembro, seja em janeiro, ano após ano, as duas chegam à Suíça sabendo qual vai ser a vencedora. Prinz, antes de premiação, já tem um olhar distante, abatido, como se tivesse burlado a surpresa do envelope lacrado e visse novamente o nome de Marta. A surpresa esse ano foi outra.

Prinz, sempre da maquiagem sóbria e óculos discretos, que lhe atribuem rumor culto à beleza, na premiação dessa tarde, foi ofuscada por Marta. Não pelo futebol de Marta, mas pela exuberância de Marta.

Longe do uniforme masculinizante dos gramados, Marta mostrou ter a mesma beleza do futebol que joga. Ela já era a melhor do mundo, a Pelé de saias, e, agora, é a musa da premiação da Fifa – acho que, essa, Prinz também sabe que perdeu.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Melhor que a encomenda

Ontem à noite, a Seleção Brasileira masculina de Handebol chegou a Oslo.

Hoje, menos de 24 horas depois do desembarque, com 26 horas de voo na mala, o Brasil vence a Noruega (32-31) pela primeira vez na história.

Foi uma revanche dos 39-21 do Mundial da Croácia, há dois anos? Não. Melhor acreditar que é um bom prenúncio para o confronto entre os dois times, dia 18, pelo Mundial da Suécia. Aí, sim, o jogo que vale.

Amanhã logo cedo, os brasileiros seguem para a Dinamarca, onde disputam um torneio contra os anfitriões, os suecos e os tunisianos.

Melhor começo nesse giro pelo mundo nórdico impossível.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Voa, Canarinho, voa

A Seleção Brasileira masculina de Handebol já está na Europa, se aclimatando para o Mundial da Suécia. Pelo twitter, o goleiro Gil Pires (@Gilhandebol) postou que “Depois de 26 horas de viagem chegamos a Oslo na Noruega! 1º vista da cidade é de tudo muito branco”, disse o ponta, sem esquecer a neve.

Ainda de acordo com o jogador o Brasil, antes de chegar à Suécia, no dia 13, véspera da estreia, jogará “amanhã, contra a Noruega. Depois, embarcamos para a Dinamarca, onde jogaremos um torneio com Dinamarca, Suécia e Tunísia”, completou o jogador pela rede social.

O Brasil está no Grupo B, junto com Áustria, Hungria, Islândia, Noruega e Japão. Os três primeiros colocados avançam à segunda fase, acumulando os resultados entre si, e enfrentam os três melhores do Grupo A – que tem França, Alemanha, Espanha, Egito, Tunísia e Bahrein.

Pensar numa classificação à próxima fase talvez seja sonho – ainda mais para uma seleção que nunca fez isso num mundial masculino. A chave é bem complicada e o mais provável, mesmo, é que o Brasil brigue com o Japão para não ficar na lanterna. Mas nunca fará mal lembrar que a saga vencedora do futebol brasileiro começou exatamente na Suécia, 53 anos atrás. E a estreia é contra a Áustria? Em 1958 também foi…

MUNDIAL MASCULINO DE HANDEBOL – SUÉCIA/2011
GRUPO A
França
Alemanha
Espanha
Egito
Tunísia
Bahrein

GRUPO B
Islândia
Noruega
Hungria
Áustria
Brasil
Japão

GRUPO C
Croácia
Dinamarca
Sérvia
Romênia
Argélia
Austrália

GRUPO D
Suécia
Coreia do Sul
Polônia
Eslováquia
Argentina
Chile

Jogos do Brasil
Dia 14 – Brasil x Áustria 16:30
Dia 15 – Brasil x Islândia 16:00
Dia 17 – Brasil x Hungria 12:00
Dia 18 – Brasil x Noruega 14:10
Dia 19 – Brasil x Japão 12:00
* Horário de Pernambuco

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Londres sem Diana?

O Basquete feminino dos EUA pode perder Diana Taurasi para as Olimpíadas de 2012. Atuando pelo Fenerbahçe desde o fim da temporada da WNBA (onde joga pelo Phoenix Mercury), Taurasi testou positivamente para a estimulante modafinil no dia 13 de novembro. O resultado positivo foi divulgado no dia 24 de dezembro e, hoje, o laboratório turco informou que a contraprova também foi positiva. A punição para a jogadora pode chegar a dois anos de suspensão.

O curioso da história é que a tcheca Horakova e a australiana Penny Taylor, companheiras de time de Taurasi na Turquia, se recusaram a fazer o teste nesse laboratório, depois da divulgação do resultado positivo do exame. Elas teriam ido fazer o anti-doping num laboratório em Colônia, na Alemanha.

Até agora, não houve pronunciamento oficial da federação turca, do Fenerbahçe ou da Wada (a agência mundial do controle anti-doping) sobre o assunto.

Diana Taurasi, 28, foi medalhista de ouro nos Jogos de Atenas/2004 e Pequim/2008, campeã mundial em 2010 e bronze em 2006. No Mundial da República Tcheca, a armadora foi a cestinha do time norte-americano, com média de 12 pontos por partida, e foi a segunda melhor assistente da equipe, atrás, apenas, de Sue Bird – 2,6 assistências por jogo.

Em 2003, no Mundial de Atletismo de Paris, a velocista norte-americana Kelli White perdeu as duas medalhas de ouro que conquistou nos 100 e 200m rasos por ter testado positivamente para modafinil, a mesma substância supostamente encontrada no exame de Taurasi. White foi banida por dois anos, em 2004, teve todos os resultados obtidos de 2000 até aquela data anulados e, em 2006, ela se retirou do esporte.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Esticar, melhorar, desobedecer

Este ano, faz duas décadas que a Fifa começou a promover a Copa do Mundo feminina de Futebol. Com efeito, faz 15 anos que a modalidade se tornou olímpica. Com duas datas significativas, é hora de avaliar a modalidade sob o ponto de vista do espetáculo.

De antemão, objetivamente, comparemos a altura das goleiras e dos goleiros e pensemos que a altura da meta não muda. Enquanto a alemã Angerer tem 1,74m, o espanhol Casillas, o melhor da última Copa do Mundo passada, tem 1,85m (e olhe que ele não é considerado alto para a posição). Mas Angerer tem dois motivos para não ficar triste com isso: primeiro, porque as norte-americanas Hope Solo e Briana Scurry têm apenas um centímetro a mais que ela, e Bárbara, titular do Brasil a partir do terceiro jogo da campanha de Pequim, tem 1,70m; segundo, porque, mesmo com essa estatura, ela não sofreu um único gol na campanha vitoriosa do mundial de 2007.

De qualquer forma, se é difícil encontrar jogadoras mais altas – já que estas acabam optando pelo Basquete, pelo Vôlei ou pelo Handebol –, a dispendiosa solução para melhorar o espetáculo seria diminuir a altura e a largura do gol, como o Vôlei faz com a altura da rede. Mas isso, convenhamos, não vai acontecer nunca (e vai haver quem lembre que a Fiba não diminui a altura do aro e da tabela para as basqueteiras).

Contudo, se é caro adaptar as balizas do mundo inteiro para as meninas, não seria exorbitante exigir da Fifa que escalasse árbitras, pelo menos, razoáveis nas competições vitais do esporte – Copa do Mundo e Olimpíadas. É impressionante como a arbitragem feminina não gosta de aplicar o cartão vermelho. Não fosse assim, num exemplo aleatório, Marta teria sido expulsa na semifinal de Pequim, contra a Alemanha.

Aliás, em toda a história olímpica do Futebol Feminino, só houve três jogadoras expulsas de campo, e todas em Atlanta/1996. Ou seja, a partir de Sydney/2000, nenhuma árbitra exibiu, sequer, um cartão vermelho. Fair Play?

Por fim, para melhorar a competitividade do jogo (subjetivamente falando), peço encarecidamente às jogadoras menos obediência tática. Finzinho de jogo, time perdendo por um a zero: é hora de pressão absoluta, de colocar zagueira alta jogando de centroavante, de atacar com as duas laterais e as cabeças-de-área? Não.

O gostoso de ver uma partida de futebol é que, do nada, aos 44 do segundo tempo, um gol no abafa destrói uma retranca bem feitinha, um bombão pra área desvia na cabeça de alguém e morre no fundo do gol. Mas isso raríssimas vezes pude ver no Futebol Feminino. Raras, mesmo – lembro, por assim dizer, a Suécia pressionando, brutalmente e sem sucesso, a Alemanha nos últimos minutos da final de 2003.

Nesses 15 anos de Olimpíadas e 20 de Copa do Mundo, dá para ver que a modalidade cresceu bastante, em número e qualidade de atletas e de clubes. E para que continue se expandindo e atraindo mais público, creio ser premente encontrar goleiras altas, investir na arbitragem (até, se for o caso, escalando árbitrOs de Copa do Mundo, para as partidas mais importantes) e, especialmente, desobedecer o treinador, colocando em campo mais coração do que mente – que, no fim, é a graça desse jogo que os bretões inventaram.

Gamova? Não. Mustafina

A eleição de Gamova como maior atleta da Rússia de 2010 tem muito mérito. Foi uma eleição popular promovida pelo canal de televisão Russia 2 e pelo portal digital Sportbox.ru.

A disputa se deu por etapas. Primeiro, mês a mês, o público escolhia um atleta finalista – fevereiro, por exemplo, Ivan Skobrev, prata e bronze na Patinação de Velocidade, nos Jogos Olímpicos de Vancouver. Em seguida, os 12 campeões mensais foram divididos em quatro chaves com três concorrentes. Os ganhadores avançavam às semifinais e, depois, à final, quando Gamova (novembro) venceu o goleiro do CSKA Igor Akinfeev (outubro) por 52,7% a 47,3%.

A vitória de Gamova reflete, primeiro, a importância que tem o Vôlei na Rússia, e, segundo, o quanto ela foi importante na conquista do título mundial. Nem é preciso lembrar que ela fez 35 pontos contra o Brasil, na decisão, sendo oito só no tie break. Qual seja, ela teve mérito. Mas houve quem merecesse mais.

Creio que o tempo mostrará que a atleta russa do ano foi a ginasta Aliya Mustafna. Em outubro (e olhe que ela perdeu a eleição mensal para Akinfeev), ela conquistou o título mundial por equipes e o individual geral.

Desde Svetlana Khorkina, em 2003, uma russa não era campeão do individual geral.

Além disso, a ginástica russa estava numa fase decadente. O último título mundial por equipes foi em 1991 (ainda como União Sovética). Nas Olimpíadas de Pequim, o time russo não foi ao pódio, pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos (exceto em 1984, pelo boicote). Aliás, em 2008, a equipe feminina da Rússia voltou para casa de mãos e pescoço vazios: não houve uma única russa no pódio – é claro que Nastia Liukin não conta, porque ela competiu pelos Estados Unidos.

E Mustafina conduziu a Rússia de volta ao topo da Ginástica.

Por tudo o que representam as conquistas de Aliya Mustafina, queiram ou não queiram os juízes, ela foi a atleta russa do ano passado.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Logo, logos

Devo ser um cara antiquado. Melhor: sou um cara antiquado.

Consultei duas comunidades do orkut, olhei alguns depoimentos no twitter. A imensa maioria dos internautas que se manifestaram sobre a logomarca dos Jogos Olímpicos de 2016 gostou do que viu. Um triplo abraço em 3D, valorizando as cores da Bandeira Nacional. A forma, além do um abraço, remete abstratamente ao Pão de Açúcar.

Essa junção de símbolo do Rio com signo da modernidade agradou quase em cheio na rede. Quase.

Olhando logomarcas de todos os outros Jogos Olímpicos, disponibilizado nesse link do globoesporte.com, dá para ver a “evolução” (não sei se o termo se aplica ao caso) dos desenhos ao longo do tempo – dos trabalhos artísticos dos primeiros Jogos, passando pela exaltação à tradição e chegando ao culto da logomarca em sentido absoluto.

È possível notar, por exemplo, que os Jogos de Saint Louis, em 1904, eram apenas um cartaz anunciando a Feira Mundial. É possível enxergar que a figura do atleta esteve presente até Amsterdã/1928 (exceto em Paris/1924) e só voltou, ainda que de maneira espectral, na logo de Pequim/2008.

Há menção a monumentos, como as Ruínas Gregas (Atenas/1896) e o Palácio de Westminster (Londres/1948), e a reprodução da Lupa Capitolina, estátua de bronze da idade média que retrata a loba amamentando Rômulo e Remo (Roma/1960).

Tem a simplicidade geométrica dos contornos na logo do da Cidade do México/1968 e na espiral de Munique/1972. Ou a simplicidade franciscana das logomarcas de Montreal/1976 e Moscou/1980 (a mais bela de todas, na minha visão caquética).

Tem a fixação ianque pelas próprias estrelas (Los Angeles/1984 e Atlanta/1996), a bandeira nipônica mostrando como se utilizar a cor branca (Tóquio/1964) e, até, um mapa nacional (Melbourne/1956).

Mas essa logomarca do Rio/2016 me deixou com uma sensação antiolímpica de vazio. Tenho a impressão de estar vendo nada.

Na melhor das hipóteses, posso pensar uma gravura dadaísta. Ou, na pior, achar que “faltou dinheiro para fazer o resto”. É claro que eu estou errado.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ano de prata, véspera de quê?

O vice-campeonato do Vôlei Futuro no Torneio da Basileia consagra 2010 como o ano de prata do vôlei feminino brasileiro.

Enquanto a seleção ficou em segundo lugar no Grand Prix e no Mundial do Japão, o Sollys/Osasco foi vice-campeão mundial de clubes e, agora, o time de Araçatuba fecha o ano perdendo para o Volero Zürich.

Além dos vices, 2010 ficará na memória do torcedor pelas contusões de Mari e Paula na fase final do Grand Prix, que as tiraram do Mundial, e pela busca infinita pela substituta de Fofão: Dani Lins começou com vantagem, perdeu a titularidade para Fabíola, mas essa briga deve seguir e ganhar mais concorrentes até os Jogos de Londres – Ana Cristina, do Vôlei Futuro, pode ser uma que entre nessa disputa; Ana Tiemi, não mais.

Foi ano para Natália se firmar na seleção, com ótimas possibilidades de seguir como ponteira titular pelos próximos anos. E foi também para que Sheilla consolidasse sua posição de melhor atacante do vôlei nacional.

A pedida é para que Zé Roberto Guimarães, em 2011, teste Fernanda Garay mais vezes e comece a convocar Tandara, que fez um ótimo paulista e foi destaque do Vôlei Futuro, na Suíça. O Grand Prix servirá para isso.

O ano novo será feliz para o Vôlei feminino do Brasil se, sobretudo, conquistar a Copa do Mundo (porque pensar só na vaga olímpica é pensar pequeno), encontrar uma levantadora confiável e buscar novas opções de jogo para o passe e o ataque.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Suécia e o Handebol

A Suécia tem tradição no Handebol. Ganhou três pratas olímpicas, entre Barcelona/1992 e Sydney/2000, venceu dois campeonatos mundiais na década de 1990 – com direito a dois vice-campeonatos e dois terceiros lugares – e venceu o campeonato europeu quatro vezes. Ratifico: a Suécia tem tradição no Handebol masculino: nenhuma dessas conquistas pertence às suecas.

O time feminino da Suécia nunca fez cócegas nas gigantes do esporte. Nunca havia participado das Olimpíadas, até que as disputou em 2008, e não jogava em mundiais desde 1995. Mas, súbito, tudo mudou radicalmente.

Depois da boa participação em Pequim, quando saiu na segunda fase pela mão da Noruega – que levaria o ouro para casa –, a Suécia conseguiu vaga no Mundial da China, no fim do ano passado. É verdade que a campanha não foi boa e o time caiu fora logo na primeira fase.

Mas, no europeu deste ano, o torneio mais difícil do Handebol – mais do que campeonato mundial ou Jogos Olímpicos –, as suecas terminaram com a medalha de prata, dando conta de uma evolução meteórica que coloca o time entre os candidatos a pódio em qualquer competição de que participe.

(Um detalhe que dá mais mérito ainda à campanha sueca: a Suécia perdeu a final para a Noruega, de quem havia vencido na segunda fase. Nada mal para quem, no Europeu de 2008, havia ficado na oitava posição.)

Amanhã, tem final no Basquete

Sport e Católica entram em quadra amanhã, às 21 horas, na Ilha do Retiro, para a decisão do Pernambucano masculino de Basquete. A Católica venceu o primeiro jogo por WO, graças à confusão entre Sport e Náutico, nas semifinais, e o Sport fez 62-58 na segunda partida.

Se vencer, o Sport garante mais um título estadual masculino adulto esse ano, a se juntar ao Futebol e ao Hóquei sobre Patins. Já a Católica luta pelo terceiro estadual consecutivo no Basquete. Tem cara e jeito de jogão.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Olho no Canadá

Com todas as ressalvas que devem ser feitas – brasileiras em más condições físicas, desfalque de Cristiane e Daniela Alves –, é preciso reconhecer que o Canadá jogou um bom futebol no Torneio Cidade de São Paulo e mereceu o título.

Título que, se ficasse com o Brasil, seria apenas pela genialidade de Marta. Não pela organização do time, não pela solidez da defesa, não pelo apoio do meio-de-campo, apenas, por causa de Marta.

Com a Copa do Mundo batendo à porta, não dá para não pensar que esse time canadense, com Sinclair e Tancred, vai dar um trabalho desgraçado lá na Alemanha.

Imaginando que o Brasil vença seu grupo (contra Noruega, Austrália e Guiné Equatorial) e que o Canadá fique em segundo no seu (com Alemanha, França e Nigéria), as duas equipes podem se encontrar nas semifinais. Ou ainda pior: se o Canadá vence o grupo, o Brasil pegaria a Alemanha, nas sêmis.

Certo, Brasil, Alemanha e EUA são a trinca de ases do Futebol feminino mundial. Mas o Canadá, com o título da Concacaf e esse agora, na casa das brasileiras, começa a se aproximar perigosamente do grupo.

Tragédia: ciclista comete suicídio

O ciclista argentino Armando Borrajo, de 34 anos, cometeu suicídio. Segundo o site El Depornauta, ele pulou da sacada de um prédio no bairro La Paternal, em Buenos Aires, nesse sábado. O irmão dele, o também ciclista Alejandro Borrajo, que participou dos Jogos Olímpicos de Pequim, teria quebrado o braço, tentando evitar que Amando pulasse. As causas do suicídio ainda são desconhecidas.

Além de já ter participado da Volta Ciclística de São Paulo, Armando foi vice-campeão argentino de Ciclismo de Estrada, em 2006 e havia vencido, também, provas na Espanha. Há alguns dias, num episódio não totalmente explicado, ele sofreu um sequestro e foi localizado pela polícia bastante ferido.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Pelo esporte nada?

Eleito presidente do Sport há dois dias, Gustavo Dubeux concedeu ontem, na Ilha do Retiro, sua primeira entrevista coletiva depois da eleição (para ver os principais pontos da entrevista, clique aqui).

Ele falou da construção de um centro de treinamento em parceira com o Banco BMG, patrocinador do futebol do Sport, falou que a estratégia de marketing de sua gestão se baseia em fortalecer a marca recuperando o sócio inadimplente, falou da construção, que deve começar, no máximo, em 2012, da arena para substituir o estádio da Ilha do Retiro, etc., etc. Mas não falou nada sobre esportes que também fazem parte da história do clube. Ou, pelo menos, ninguém perguntou nada a ele.

O Sport disputou as três últimas Superligas femininas de Vôlei, já foi várias vezes semifinalista da Liga Nacional feminina de Basquete, conquistou três títulos nacionais de Hóquei masculino adulto – sendo o atual campeão, inclusive –, venceu o brasileiro masculino de Futsal sub-17 e sub-20 este ano, tem um dos melhores centros para o Tênis de Mesa do Norte-Nordeste, formou atletas como Jaqueline e Dani Lins, da seleção feminina de vôlei, e Joanna Maranhão, maior nadadora brasileira desde Maria Lenk.

Tudo inútil, esquecido: o único esporte presente na coletiva foi o Futebol.

Quando falam da “arena” – nunca entendi por que esse nome –, não falam das quadras do complexo, que serão demolidas junto com o estádio. Há possibilidade de o futebol do Sport, durante a obra, utilizar os Aflitos, o Arruda, o Lacerdão (em Caruaru), ou, até, a Arena da Copa (mais uma arena). Mas ninguém falou nada sobre os esportes ditos amadores.

A propósito: é Sport Club do Recife, e não, Football Club do Recife.

Pelo esporte nada?

Eleito presidente do Sport há dois dias, Gustavo Dubeux concedeu ontem, na Ilha do Retiro, sua primeira entrevista coletiva depois da eleição (para ver os principais pontos da entrevista, clique aqui).

Ele falou da construção de um centro de treinamento em parceira com o Banco BMG, patrocinador do futebol do Sport, falou que a estratégia de marketing de sua gestão se baseia em fortalecer a marca recuperando o sócio inadimplente, falou da construção, que deve começar, no máximo, em 2012, da arena para substituir o estádio da Ilha do Retiro, etc., etc. Mas não falou nada sobre esportes que também fazem parte da história do clube. Ou, pelo menos, ninguém perguntou nada a ele.

O Sport disputou as três últimas Superligas femininas de Vôlei, já foi várias vezes semifinalista da Liga Nacional feminina de Basquete, conquistou três títulos nacionais de Hóquei masculino adulto – sendo o atual campeão, inclusive –, venceu o brasileiro masculino de Futsal sub-17 e sub-20 este ano, tem um dos melhores centros para o Tênis de Mesa do Norte-Nordeste, formou atletas como Jaqueline e Dani Lins, da seleção feminina de vôlei, e Joanna Maranhão, maior nadadora brasileira desde Maria Lenk.

Tudo inútil, esquecido: o único esporte presente na coletiva foi o Futebol.

Quando falam da “arena” – nunca entendi por que esse nome –, não falam das quadras do complexo, que serão demolidas junto com o estádio. Há possibilidade de o futebol do Sport, durante a obra, utilizar os Aflitos, o Arruda, o Lacerdão (em Caruaru), ou, até, a Arena da Copa (mais uma arena). Mas ninguém falou nada sobre os esportes ditos amadores.

A propósito: é Sport Club do Recife, e não, Football Club do Recife.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os melhores do Brasil

Sport e Português decidiram, há dois meses, o Campeonato Brasileiro masculino de Hóquei sobre Patins, no Recife. O título ficou com o rubro-negro, que, nas semifinais, havia eliminado o Sertãozinho, time que é referência de Hóquei sobre Patins no país.

Eis que, no Campeonato Pernambucano, o Português havia vencido o primeiro turno (antes do Brasileiro) e poderia ter se sagrado campeão estadual essa semana.

Mas, no jogo válido pelo segundo turno da competição, os times empataram em 2 a 2, no Português, na última terça-feira. Com o resultado, as equipes jogaram uma partida-extra para decidir o turno.

E na extra, ontem à noite, deu Sport 3 a 1.

Agora, Português e Sport se enfrentam em jogo único pelo título estadual. A partida será nesse sábado, às 10h, na quadra do Clube Português. O resultado pode coroar o ano do Hóquei do Leão ou dá revanche aos Lusos.

A uma do dodeca

Faz onze temporadas que o Português/Aeso vence o Pernambucano masculino adulto de Handebol. Faz cinco que não perde uma partida. E se vencer hoje, às 19h30, em casa, o Barrozo, o Português conquista, ao mesmo tempo, o dodecacampeonato e o hexa invicto.

Um lado dessa moeda é a superioridade inquestionável do Português no Handebol daqui. Além de ter jogadores convocados recente para Seleções Brasileiras – Zola e Welton, no masculino, Débora Hannah e Juliana Malta, medalhistas de bronze nas Olimpíadas da Juventude de Cingapura, em agosto – o clube tem vencido com certa regularidade os torneios nacionais que disputa.

Em 2010, o luso recifense se sagrou tricampeão brasileiro adulto (segunda competição mais importante do Handebol nacional, atrás apenas da Liga Nacional), foi vice- campeão da Copa do Brasil e foi campeão nacional Júnior, tudo no masculino. Já as lusas conseguiram o terceiro lugar no nacional juvenil e o vice-campeonato sub-15 dos Jogos Mundiais de Língua Portuguesa, em agosto.

(Só falta, agora, o Português/Aeso conseguir disputar a Liga Nacional, mas isso são outros quinhentos.)

O outro lado da moeda é que essa sequência de títulos demonstra que o Handebol Pernambucano vive só dessa equipe. Se nos últimos anos, até houve a inserção de times do interior no estadual, como Caruaru e Petrolina, isso ainda não foi suficiente para tirar o domínio da modalidade no estado das mãos dos lusos.

O ideal, a médio prazo, é que clubes de camisa – como Sport, Náutico e Santa Cruz – comecem a se interessar pelo Handebol também, para darem alguma graça ao estadual. Senão, o Português terá mais títulos à vista e nenhuma derrota por temer.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O tamanho da piscina curta

Que ninguém se empolgue se a delegação brasileira voltar do Mundial de Natação em Piscina Curta, em Dubai, largamente medalhada. A distância de 25 metros não tem a popularidade nem a importância da de 50. Um atleta que se destaca na meia piscina não será, necessariamente, um nadador de ponta na piscina inteira. Exemplo:

O britânico Mark Foster nadou cinco olimpíadas – de Seul/1988 a Pequim/2008. Era especialista nos 50m livre, mas também compôs os revezamentos 4x100 livre, em 1988 e 1992, e o 4x100 medley, em 1988. Embora Mark Foster seja o maior vencedor da história dos mundiais de 50m livre masculino em piscina curta – ouro em 1993, 1999, 2000 e 2004, prata em 1997, 2002 e 2008 – o mais perto que Foster chegou de uma medalha olímpica foi o sexto lugar individual, em 1992, e o sétimo nos revezamentos 4x100 medley em Seul e 4x100 livre em Barcelona.

(Para não ser injusto com Foster, é preciso dizer que ele foi prata nos 50m livre em piscina longa em 2003, perdendo para Alexsander Popov, mas batendo Pieter van den Hooogenband e Jason Lezak. E foi bronze nos 50m borboleta, em 2001, prova que não faz parte do calendário olímpico)

Posso ter usado um exemplo ruim, pouco conhecido do grande público – o que faz o exemplo ser bom, pois esses títulos não lhe renderam muita fama. Vamos ver o inverso.

Quantas medalhas o maior nadador da história tem em mundiais de piscina curta? Uma. Michael Phelps venceu os 200m livre em 2004 e foi só.

Outro: qual a relação de Popov com os mundiais de piscina curta? Curta. Uma participação apenas, em 2002 (com o apelo patriótico de ter sido em Moscou o campeonato) e apenas dois bronzes conquistados.

E Ian Thorpe? Só participou de um mundial curto.

Mas, e as mulheres?

Inge de Brujin só competiu em um mundial. Dara Torres, com idas e voltas ao esporte, nunca se interessou pelo evento. Britta Steffen, a mulher mais veloz do Cubo d’Água e do Foro Itálico, também não.

“Aí, então, é preciso ter cuidado”, como diz Vinicius de Moraes. O mundial tem relevância, sim, senhor.

Numa comparação torpe, é possível dizer que seja um campeonato do mesmo nível de importância do mundial indoor de Atletismo.

Além disso, alguns dos grandes nomes da natação de 2008 para cá, como César Cielo Filho (que já disputou um mundial curto, em 2004), Nathan Adrian, Alain Bernard, Frédérick Bousquets, Oussama Mellouli e Federica Pellegrini participam do campeonato, o que traz glamour a algumas provas – especialmente nas especialidades de Cielo, os 50 e 100m livre.

E um fator histórico deve ser levado em conta: é o primeiro mundial (seja lá de que tamanho for a piscina) sem os maiôs tecnológicos.

Daí, os olhos do público devem se voltar para Dubai. Muito embora, buscar previsões para os Jogos de Londres/2012 seja exagerado – isso fica para o mundial de Xangai, em julho do ano que vem, na piscina certa.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O roteiro

Não gosto muito de falar de futebol aqui no blog. Não é meu tema preferido. Até falei um pouquinho do futebol feminino, até já falei da campanha do Sport na Série B, até já falei da inclusão do Japão na Copa América do ano que vem, e falei até, dia desses, do Mundial Interclubes. Nada mais.

Devo admitir que gosto de escrever sobre o futebol das meninas. Vejo Marta e me lembro de Roseli. Penso nas duas gerações como pioneiras da modalidade por aqui e isso me dá ânimo, vontade, mesmo, de dissertar. Mas a versão masculina, de tão pisada e repisada por comentaristas e palpiteiros, me cansa. A mídia futebolística me cansa. Ronaldo está de saco cheio? Eu também.

O futebol me parece assunto esgotado, encerrado, que devia ser proibido na net e ficar só onde realmente conta: na genuína conversa jogada fora, descompromissada, sem esquemas táticos, sem pranchetas, sem o filosofismo barato e a mediocridade da auto-ajuda que paira como ciência na boca dos “professores” – pois ainda chamam treinadores de “professores”.

Hoje, contudo, depois que o Internacional foi eliminado pelo Mazembe, achei que eu deveria escrever alguma coisa sobre o jogo. Primeiro, pensei em dizer que “futebol é mesmo surpreendente” e ia usar o gancho-clichê para dizer que a soberba do Inter o derrotou. Para amenizar o tom, eu iria listar uma série de partidas históricas em que o inusitado entrou em campo e acabou com o jogo. Que nada, já devem ter feito isso mais rápido e melhor do que eu…

Depois, pensei em falar que o Mazembe mereceu a vitória, mas aí eu pensei que não tenho nenhum conhecimento técnico-tático-pedante para descrever o esquema de jogo dos africanos e enumerar os erros do sistema colorado.

O que eu sei é que, de agora até o fim dos tempos, toda vez que um time brasileiro se meter a ganhar a Libertadores e for para o Mundial, os programas de televisão vão castigar o espectador com os lances da partida de hoje. Aí, o comentarista, com a fala coberta pela comemoração esdrúxula do goleiro do Mazembe, dirá “é bom não pensar só no time europeu, pois antes há uma semifinal e, com certeza, o adversário nela pode pregar uma peça. Vejam o que aconteceu ao Inter”, etc.

O jornal publicará, ao lado do texto principal, que certamente vai ressaltar a chance única que o time tem para ser campeão do mundo, uma matéria com o técnico, título devidamente aspeado, na qual ele diz usar o Inter para evitar o já-ganhou. E nos sites não será muito diferente – o chamariz do “a chance é essa” e o alerta do “não se esqueçam do Inter”.

Depois dessa reflexão fajuta, de minha previsão óbvia e da vitória do Mazembe, concluo: a imprensa segue o roteiro; o futebol, para a sorte das mesas de bar, não.