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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Desatenção

A Federação Pernambucana de Futebol marcou a segunda e última partida da final do estadual feminino para o dia 17 de julho, às 15 horas. Não deve ter notado, porém, que a final da Copa do Mundo da Alemanha será às 15:45 horas, pelo horário do Recife. Se o problema foi desatenção da FPF, é só obedecer ao bom senso e mudar a data da final do Pernambucano, para privilegiar o torcedor do estado que realmente gosta da modalidade. Fácil, sem maiores traumas.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ruins de conta

O puxão de orelha é duplo.

A primeira orelha puxada é da Confederação Brasileira de Vôlei. Se as comissões técnicas das seleções brasileiras – masculina e feminina, diga-se – são conhecidas pelo auxílio estatístico que dão aos respectivos treinadores no estudo do jogo e na análise do adversário, é de ser admirar a tremenda bola na antena da CBV.

Na madrugada do domingo, dia 26, logo após a derrota contra os EUA, o site da entidade publicou que a seleção ainda tentaria garantir vaga na fase decisiva da Liga Mundial esta semana, contra a Polônia. Refeitas as contas, a correção veio na segunda-feira. Ao meio-dia, o site da confederação noticiou que o Brasil já estava classificado, dizendo, no entanto, que a classificação só veio no fim da rodada, quando os jogos dos outros grupos já haviam sido realizados.

Não foi assim.

No sábado à tarde, a Polônia venceu Porto Rico. À noite, os EUA fizeram 3-1 contra o Brasil. Com esse resultado, pelo possível desempate no set average, o Brasil só perde o primeiro lugar da chave para a Polônia, o que lhe dá, assim, a segunda vaga do grupo, classificação direta à fase final. Erro da CBV.

Certo, foi só um descuido, eu é que sou chato mesmo.

A segunda orelha puxada é da imprensa especializada.

Logo depois do jogo em questão, os portais nacionais de notícia lamentavam a chance de classificação desperdiçada:

“Em jogo nervoso, EUA vencem e adiam classificação do Brasil” (globoesporte.com)

“Brasil repete atuação, perde dos EUA e adia classificação” (ig.com.br)

“EUA vencem e adiam classificação brasileira na Liga Mundial” (terra.com.br)

“EUA vencem por 3 a 1 e adiam classificação do Brasil” (gazetaesportiva.net)

Até o blog de Bruno Voloch, na UOL, dizia, na manhã do domingo, 26, que “A seleção tem bola para se classificar contra a Polônia e certamente conseguirá.”

Compreendam: o problema, aqui, não está no erro matemático em si. A questão é que as correções nesses sites só ocorreram depois do release redentor da CBV. A investigação estava ao alcance de qualquer um e ninguém se preocupou em checar, de fato, se a matemática já não havia qualificado a seleção.

Esse equívoco é a repetição de uma confusão matemática ocorrida no Mundial feminino, ano passado.

Ao contrário da Liga deste ano, o primeiro critério de desempate não era o set average, mas o ponto average. Assim, quando o Brasil venceu os EUA por 3x1, na última rodada da segunda fase, houve quem dissesse que a Itália não tinha mais chances de chegar às semifinais. E tinha: bastaria às bambinas vencerem as cubanas por, digamos, um triplo 25/18 para que a vaga fosse delas. Mas a Itália perdeu o jogo e livrou a imprensa brasileira de maiores explicações.

A dez e mais dez




A Seleção Brasileira estreia nesta quarta-feira na Copa do Mundo feminina de Futebol, na Alemanha, mais dependente de Marta do que nunca. Isso preocupa.

Entre 2007 e 2008, quando a seleção entrava em campo com ares de favorita e pensando em decidir campeonato, os dribles de Marta, os gols de Marta e as arrancadas de Marta impressionavam. Mas também impressionava a potência dos chutes de longa distância de Daniela Alves e o oportunismo (e a habilidade, por que não?) de Cristiane. O trio de ferro levou a seleção a decidir uma Copa do Mundo e uma Olimpíada.

Quando Marta não estava num dia inspirado, como ocorreu nas quartas-de-final em Pequim, contra a Noruega, Daniela Alves mandou uma bomba da intermediária e abriu o placar. Quando Marta quase passou a primeira fase olímpica em branco, lá foi Cristiane fazer os gols que o time precisava.

Mas, agora, na Alemanha, o time só tem Marta.

Com Cristiane em má fase e Daniela Alves longe dos gramados há um bom tempo, a seleção de Kleiton Lima se resume a Marta, ofensivamente. Ao que parece, ainda não há, entre as novatas ninguém que possa dividir com a alagoana a responsabilidade ali na frente. E o que é pior: fico com a impressão de que todo mundo, a começar pelo treinador, se conformou com isso.

Quem viu a seleção jogar o torneio de São Paulo, no final do ano passado, e o amistoso contra o Chile, há algumas semanas, viu um time desorganizado, sem poder de marcação no meio-campo e na defesa, e com um ataque que reza para que a rainha jogue bola e resolva.

Não posso deixar de lembrar que, em 1994, tinha-se a mesma expectativa sobre Romário. Mas, diferentemente do time de Parreira, a defesa da seleção de Kleiton Lima é longe de ser boa, e não tem uma goleira que inspire confiança. Recordemos que Andréia, a provável titular contra a Austrália, começou as últimas olimpíadas no time principal, mas perdeu a vaga depois do segundo jogo, para Bárbara. Mas Bárbara, pelas falhas grotescas do amistoso contra a seleção pernambucana, também não está no melhor da forma (penso se, de repente, não pode pintar uma chance pra terceira goleira, Thaís).

Futebol surpreende? Que surpreenda mais uma vez.

Zebra em Pasto

Se a fase do Basquete Brasileiro masculino ainda não é das melhores, com estrela da NBA pedindo dispensa da seleção, a do feminino é bem ruim. Mas a terceira partida das meninas brasileiras, no sul-americano sub-17, foi pior do que qualquer má fase.

Jogando em Pasto, na Colômbia, as brasileiras foram derrotadas, agora há pouco, por 49-44 pelo time da casa, na prorrogação. Detalhe que, no primeiro quarto, o time comandado por Janeth Arcain fez cinco pontos. No quarto seguinte, apenas quatro. Ou seja, nos 20 primeiros minutos de basquete o Brasil só marcou 9 pontos. O jogo terminou empatado em 39 pontos, com a colombiana Marlyn Caicedo perdendo um lance livre a dois segundos do fim. No tempo extra, não teve perdão. A Colômbia dominou o placar e venceu por cinco pontos.

Na estreia, o Brasil havia vencido o Chile por 79-46. Depois, fez 92-25 no Uruguai. Agora, restam duas partidas à seleção nesta primeira fase: quarta, contra o Equador, e quinta, contra a Argentina.

domingo, 19 de junho de 2011

Ah, se fosse Londres...

Sem ufanismo, sem pachequismo, sem patriotada, sem empunhar com orgulho o Pavilhão Nacional, é preciso dizer que não pode passar em branco o bom fim de semana do esporte brasileiro.

Ontem, pelo GP de Natação de Santa Clara, nos Estados Unidos, Thiago Pereira bateu o norte-americano Ryan Lochte nos 400m medley. A ressalva é que o tempo de Thiago, 4min15s89, não foi lá essas coisas, mas o que valeu, aqui, foi a vitória em cima do favorito ao título olímpico e campeão do mundo.

No Mundial de Vôlei de Praia, em Roma, Juliana e Larissa conquistaram o título pela primeira vez, com uma virada fantástica no tie-break contra Walsh e May, a melhor dupla da história. No masculino, Emanuel e Alison, que haviam tirado a dupla campeã do mundo nas semifinais, Brinck e Rekermann, encabeçaram a dobradinha brasileira no masculino, deixando a prata com Ricardo e Márcio.

No Grand Slam de Judô, no Rio, o Brasil conquistou quatro ouros, com Érika Miranda (-52 Kg), Mayra Aguiar (-70 Kg), Leandro Guilheiro (-81 Kg) e João Gabriel Schilttler (+100 Kg). A observação a ser feita é que nem todas as categorias contaram com os melhores do ranking – mas isso acontece, também, nas etapas da Copa do Mundo e nas outras etapas do Grand Slam.

Não foi nada, não foi nada, e o fim de semana terminou com sete títulos importantes pro esporte nacional. Ainda falta quanto pra Londres, hein?

sábado, 18 de junho de 2011

Dois passos para trás

O Basquete masculino do Brasil não vai a uma Olimpíada desde 1996. Mas depois da onda de renovação pela qual o esporte tem passado no país, é de se supor que alguma coisa esteja mudando – e para melhor.

A NBB ainda não é um sucesso absoluto, mas já teve três edições e começou a flertar com a TV aberta. O Grego, que conseguia desagradar jogadores e clubes, deixou a CBB. Hoje, há quatro brasileiros na NBA e eles, em maior ou menor grau, têm sido utilizados em seus respectivos times – talvez só Splitter possa reclamar do tempo que seu time o deixava em quadra. E a Seleção, com técnico argentino e jogadores de alguma expressão internacional, fez um bom mundial na Turquia, com uma vitória sobre a Croácia e ótimas partidas contra EUA e Argentina. Parecia que alguma coisa estava entrando no eixo. Parecia.

Mas eis que a NBB retrocedeu. O namoro com a Globo roubou do basquete nacionaluma decisão em melhor de cinco partidas para a temporada que vem: em 2012, o campeonato será decidido em um jogo apenas, porque é demais pedir que a TV aberta transmita três, quatro ou cinco jogos de basquete – ainda que sejam jogos decisivos. Uma perda sensível de qualidade por trinta dinheiros.

E, ontem, um golpe profundo: Magnano convocou Larry Taylor para a Seleção e espera que ele consiga ser naturalizado (não tive como não pensar no Futebol do Catar querendo, recentemente, comprar a naturalização de Ailton, paraibano e artilheiro na Alemanha).

Não fui daqueles ufanistas que se posicionaram contra o argentino Magnano no comando da Seleção Brasileira. Acho que o trabalho dele pode servir de espelho para o próximo brasileiro que assumir o posto e, ainda, que ele, pelo currículo olímpico que tem (ouro em Atenas/2004) pode fazer o Brasil disputar a edição de Londres e, quem sabe, voltar de lá com uma medalha. Poderia.

Naturalizar um americano não é inédito no Basquete de alto nível. A Alemanha fez isso com Demond Greene e Chris Kaman. A Rússia fez isso com J.R. Holden, no masculino, e Rebecca Hammon, no feminino. Todos presentes em Pequim/2008. Mas isso não deveria servir de exemplo.

O perigoso caminho da naturalização pode não ter volta. Primeiro, descobriremos que é mais barato naturalizar um ianque do que investir nas categorias de base. Depois, os clubes descobrirão que é mais barato contratar jogadores de terceira ou quarta linha do Basquete Americano, pela grife, do que investir nos jogadores daqui, já que os melhores daqui vão para os states. E, talvez, em alguns anos mais, descobriremos que a Seleção Brasileira não sabe mais falar português. Pessimismo?

sábado, 4 de junho de 2011

Deu pro gasto

A Seleção Brasileira fez somente o necessário para vencer os poloneses pela Liga Mundial de Vôlei. O público que lotou o Maracanãzinho, na manhã deste sábado, não viu um bom jogo, mas deve ter voltado satisfeito para casa, com a atuação de Serginho e os surpreendentes últimos dois sets de Giba. O ex-melhor do mundo tinha uma atuação fraca, até que virou as duas últimas bolas no primeiro set. A partir daí, até em ataques pelo meio-fundo ele conseguiu pontuar. Arrisco dizer que ele foi o melhor do jogo, embora Vissotto tenha sido o pontuador máximo do duelo, com 20 pontos.

No mais, nada demais.

Porque João Paulo Bravo e os centrais demoraram muito a engrenar. E porque faltou a Bruno ousadia ou confiança para levantar pelo meio-fundo de quadra – a não ser, com Giba.

E porque a Polônia, renovada (ou desfalcada?) poderia ter vencido os dois primeiros sets, mas pecou na hora H. Resultado? Sai do ginásio sem ganhar um set.

Amanhã, às 10 horas, tem mais.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Campeonato secreto

Não há nada sobre o assunto no site da Confederação Brasileira de Vôlei. Portais de notícias, sites especializados e blogueiros (este, inclusive) também calaram. Mas hoje, com largo atraso, encontro a notícia publicada no último dia 15, no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB): o Brasil vai sediar o Mundial Júnior masculino de Vôlei este ano. As cidades-sede são Rio de Janeiro e Campo Grande.

Esta é a segunda vez que o Mundial masculino até 21 anos é disputado no país. A primeira vez foi justamente na estreia da competição, em 1977. Na ocasião, o título ficou com a antiga União Soviética, cabendo ao Brasil a terceira posição – a China, com a prata, completou o pódio.

A luta brasileira pelo quinto título, terceiro consecutivo, começa dia 1º de agosto. A competição contará com 16 seleções e a final será no dia 10 de agosto.

P.S.: se alguém encontrar um link com essa notícia em alguma página brasileira, eu assumo a barrigada, retiro o puxão geral de orelha e publico aqui.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Novas remadas

O Campeonato Pernambucano de Remo deste ano começa no próximo domingo, dia 20. A exemplo do ano passado, o estadual será uma disputa exclusiva entre Náutico, atual campeão, e Sport, que dominou as competições no estado entre 1985 e 2009.

De acordo com a Federação Pernambucana de Remo, este ano serão disputadas seis regatas, todas com previsão de 11 provas, sendo duas delas na categoria Master e as demais, em provas de categorias de base, divididas por faixa etária. Em cada prova, os clubes podem inscrever, até, duas embarcações. O detalhe é que as provas dos Masters não contam pontos para a classificação do Pernambucano.

A definição do título se dá na soma da pontuação obtida em cada prova e em cada regata. O clube vencedor de uma prova soma quatro pontos, o segundo colocado, dois, e o terceiro, um. Já o clube que vencer a regata – que é o cômputo geral das provas disputadas naquele dia, exceto entre os masters – ganha uma bonificação de três pontos.

Com competidoras solitárias nas categorias Duplo Skiff, na categoria Júnior feminino, e Skiff Individual, na Novos Talentos feminino, o Náutico larga à frente, na luta pelo bi. Além disso, nas provas de Skiff Individual, categoria Novos masculino, e Duplo Skiff, Novos masculino, são dois barcos alvirrubros contra um rubro-negro.

A única vantagem numérica do Leão sobre o Timbu é na prova do Skiff Individual, categoria Novos feminino, quando o Sport terá dois barcos contra um do rival.

A disputa da primeira regata começa às nove da manhã, deste domingo. A linha de chegada das provas será no Marco Zero, no Recife. As demais regatas estão marcadas para os dias 27 de março, 1º de maio, 11 de junho, 24 de julho e 9 de outubro.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Socorro providencial

O Estado de Santa Catarina escapou do que seria um fiasco histórico. Depois de anunciarem que sediariam sozinhos o Mundial feminino de Handebol, em dezembro deste ano, os catarinenses descobriram que não tinham rede hoteleira suficiente para hospedar as delegações nem ginásios o bastante com condições para as disputas. Sob risco de o Brasil perder o evento, o socorro veio do Paraná, que vai co-sediar o campeonato e salvou o vizinho de uma situação embaraçosa.

O Mundial será disputado por 24 equipes, divididas, na primeira fase, em quatro grupos de seis times. Pelo acerto entre os dois estados, o grupo que abrigar a Seleção Brasileira jogará em Curitiba na primeira fase, enquanto todo o restante da disputa será disputado em Santa Catarina. Blumenau, Brusque, Balneário Camboriú, Itajaí e Jaraguá do Sul devem ser as sedes do lado catarinense.

A abertura do Mundial será no dia 2 de dezembro, na estreia do Brasil em partida isolada. A final, no dia 18, deve ser na Arena Jaraguá, em Jaraguá do Sul (cidade famosa pelo futsal da Malwee, que contou, até ano passado, com Falcão no elenco), por ser o ginásio de maior capacidade do estado. A entrada para todos os jogos é franca.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A hora do Handebol

Terminar o mundial em 21º lugar não anima ninguém. O handebol masculino do Brasil repetiu a posição do campeonato de 2009 e isso significa dizer, vendo a situação a olho nu, que não houve evolução alguma nesse biênio. Pelo menos, dentro de quadra.

A ressalva tem motivos óbvios. E midiáticos.

Jamais houve um campeonato de handebol com tanta visibilidade no país. O Bandsports, na TV fechada, e o Esporte Interativo, na aberta e na internet, fizeram uma transmissão digna, por exemplo, do que se viu nos mundiais de basquete e de vôlei, do ano passado – pelo menos, em termos de transmissões em direto.

A exibição ao vivo e diária de duas ou três partidas, incluindo todas as da Seleção Brasileira na primeira fase, fizeram a alegria de um dos espectadores mais carentes do esporte nacional, o Amante do Handebol – com as devidas maiúsculas.

Acostumado a acompanhar VTs de partidas realizadas um mês atrás, o torcedor de handebol que tivesse TV por assinatura pôde escolher, certa vez, se assistiria à França dar uma surra na Tunísia ou à Islândia encarar a Hungria.

Por 17 dias, os gols de Hansen, as defesas de Omeyer e o contra-ataques de Zrnic se tornaram trivialidades nas redes sociais e artigo de inveja (de boa inveja) para quem quer ver o esporte das bandas de cá do Atlântico se expandir. Se o handebol da seleção foi pífio, o nível dos estrangeiros foi um imenso atrativo para quem quer tomar gosto pelo jogo. Nunca a mídia fez tanto pelo handebol.

Ainda não se sabe se a TV brasileira vai ter transmissão de algum campeonato europeu ou se a TV aberta vai, finalmente, exibir a Liga Nacional. Mas um passo importante foi dado e, com o mundial feminino batendo à porta, em Santa Catarina, não parece que vai haver retrocesso nesse avanço, pelo menos a curto prazo.

A chance de fazer o Handebol Brasileiro crescer é essa. A chance de formar uma geração que gosta do Handebol é essa. A chance de se tornar independente do investimento estatal e de captar patrocinadores é essa. Tolice da mídia é regredir. Tolice de quem dirige o esporte é não aproveitar.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Um lado azul, o outro, vermelho

Nas duas partidas semifinais do Mundial de masculino de Handebol, o melhor time foi a França e o melhor jogador, o goleiro da Dinamarca, Jacobsen.

A França não teve muita dificuldade contra a Suécia, apesar do habitual cochilo do segundo tempo, quando viu a diferença cair de 24-17 pra 25-22. Mas a reação sueca não foi além.

Já o Dinamarca x Espanha parecia o Coiote contra o Papaléguas. Toda vez que a Dinamarca abria boa vantagem, a Espanha reduzia, encostava e via os nórdicos se distanciarem de novo.

O melhor momento da Espanha no jogo foi no segundo período, quando tirou uma diferença de 23-20 para 23-23, sendo que os dois últimos gols foram com um jogador a menos. Contudo, a Espanha logo em seguida teve outro jogador excluído e não resistiu a quase 4 min seguidos em inferioridade numérica. A Dinamarca abriu 4 gols e ficou trocando pontos com os espanhóis até o final.

Domingo, França e Dinamarca decidem o título.

A Dinamarca está com aproveitamento de 100%, enquanto a França tem seguido cirurgicamente no campeonato, fazendo só o necessário para vencer e ser bi.

Ou melhor, tetra, já que, além do último mundial, também ganhou em 1995 e 2001. Ou será que os dinamarqueses, que só haviam chegado uma vez à final (em 1967 e foram vice-campeões) podem quebra a incrível sequência francesa – Olimpíadas de 2008, Mundial de 2009 e Europeu de 2010?

Dinamarca ou França? Vermelho ou Azul? Quem vencerá o Handebol de Parintins?

domingo, 16 de janeiro de 2011

Segredo islandês

Resolvi, sem mas ou mais, implicar com a Islândia. Não preciso esconder que a razão é a vitória islandesa sobre o Brasil, pelo Mundial masculino de Handebol. Registre-se em ata que foi uma vitória folgada, esperada e – que tristeza! – obrigatória. A Islândia vencer o Brasil no Handebol é obrigação. Não deveria ser.

Brasil e Islândia se enfrentaram na estreia das Olimpíadas de Barcelona/1992. Era a primeira participação brasileira, enquanto os islandeses haviam disputado os dois Jogos anteriores, sem jamais haver passado da primeira fase. O time brasileiro, por sua vez, só estava ali porque Cuba desistira de mandar seu handebol à Barcelona (herdamos vaga cubana, também, em 1996).

O resultado do jogo? Um suado 19 a 18 em favor dos europeus. Aliás, naqueles Jogos, eles perderam a disputa pelo bronze contra a França, enquanto os brasileiros voltaram para casa sem um único ponto na bagagem.

Há dezoito anos, a distância do handebol islandês para o brasileiro começou com um gol e terminou com um sendo semifinalista e o outro, lanterna. Isso era um prenúncio de que os islandeses estavam em franca ascendência e que o céu seria o limite? Não.

Danado é que, depois disso, os ilhéus passaram longe do pódio nas competições que disputaram, ficaram fora dos Jogos de Atlanta e Sydney e nunca chegaram nem perto de uma boa campanha em mundiais, nem no que sediaram, em 1995.

Com boa vontade, dava para dizer que, nesse tempo, o handebol dos dois países estaria num nível parecido, já que o Brasil teve participação (discreta) em todos os mundiais de 1995 para cá e em todas as Olimpíadas – exceto, a de 2000.

Estaria, até vir o grande salto. O salto nórdico.

De 2008 para cá, a Islândia passou misteriosamente a figurar entre os grandes. Foi prata em Pequim, conquistou o bronze no Europeu do ano passado e chegou ao Mundial da Suécia sabendo que bateria o Brasil.

Aí, alguém pode dizer que a Islândia está nesse nível porque o esporte lá tem um tratamento diferenciado. Pode até ter, mas não o de alto rendimento. Até hoje, o país só conquistou quatro medalhas olímpicas – uma prata e um bronze no atletismo, um bronze no judô e a prata no handebol – e nunca, sequer, em olimpíadas consecutivas. Antes que alguém pergunte, Jogos de Inverno nunca viram um islandês no pódio, embora não haja islandês que não tenha neve no quintal o ano quase todo.

Não é pela tradição esportiva que a Islândia vence o Brasil no Handebol. E também não é, com certeza, porque a geografia o determine.

Fosse um estado brasileiro, a Islândia seria o 19º estado em extensão territorial e o último em população. Donde se conclui que, por mais “País do Futebol” que seja o Brasil, deveria haver, no mínimo, tanto espaço para o Handebol aqui quanto na ilha nórdica. Espaço e material humano.

Então, a resposta deveria estar no próprio Handebol. Os islandeses têm um handebol forte, há um bom número de times no país e que jogam muitas partidas por ano, né? Não.

Se, no Brasil, a Liga Nacional dura cinco meses e, na primeira fase, cada time disputa 14 partidas, o campeonato nacional deles dura oito meses, mas o número de jogos nem é tão grande assim – apenas 21 na fase inicial. Isso quer dizer, por exemplo, que um jogador brasileiro que dispute o Campeonato Paulista (único estadual decente no Brasil e que deveria ser o bastante para superar, pelo menos, o handebol de lá) e a Liga Nacional tem mais jogos por seu clube do que um jogador islandês.

E antes, mesmo, que alguém diga, “então, os clubes islandeses disputam muitos torneios continentais”, digo o contrário. Nenhum clube do país participa de nenhuma das quatro competições continentais no masculino – Liga dos Campeões, Copa da Europa, Copa dos Campeões ou Challenge Cup.

Então, o motivo de a Islândia já entrar em quadra ganhando do Brasil por um a zero está nos jogadores. Nenhum deles joga em clubes do próprio país. Eles se dividem entre times alemães e dinamarqueses – só o goleiro Gustavsson joga num time suíço.

Se isso revela o segredo do sucesso islandês, suscita outra dúvida: se os clubes são fracos, como os atletas têm chance de aparecer no cenário internacional? Se a resposta for que é por causa da seleção, o círculo volta ao quinto parágrafo, digo que a seleção nacional não tinha grande representatividade até dois anos atrás, e que não há uma explicação sensata para o sucesso internacional do time nórdico.

Descubro que minha implicância foi em vão. Tenho muitas perguntas e nenhuma resposta. O fato é que, da próxima vez que a Islândia cruzar o caminho do Handebol Brasileiro, tenho certeza de que é azar nosso e de que a derrota é certa. Incerto, inexpugnável, insuspeito, ainda, continuará sendo o motivo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Musa

Marta ganhar o prêmio de melhor do mundo não é surpresa. Sentadas lado a lado no auditório em Zurique, as duas – Marta e Prinz – sabiam que o prêmio era da alagoana. A alemã, aliás, sabia disso há mais tempo.

Birgit Prinz descobriu, em 2007, que o troféu de 2010 iria para Marta. Não porque a brasileira defendesse o troféu de 2006, mas porque, naquele ano, a alemã vencera a Copa do Mundo e ainda viu Marta, na hora fatal, desperdiçar o pênalti que empataria o jogo. Ali, com um bicampeonato mundial no peito, Prinz percebeu que o título de melhor do mundo nunca mais iria para suas mãos.

É claro que, em 2007, Marta trocaria de bom grado o troféu de melhor jogadora pelo título que a alemã conquistou. Mas o danado é que a fisionomia incrédula de Prinz denunciava que ela aceitaria a troca como se lhe fizessem um favor, sem fazer maiores concessões.

Desde então, seja em dezembro, seja em janeiro, ano após ano, as duas chegam à Suíça sabendo qual vai ser a vencedora. Prinz, antes de premiação, já tem um olhar distante, abatido, como se tivesse burlado a surpresa do envelope lacrado e visse novamente o nome de Marta. A surpresa esse ano foi outra.

Prinz, sempre da maquiagem sóbria e óculos discretos, que lhe atribuem rumor culto à beleza, na premiação dessa tarde, foi ofuscada por Marta. Não pelo futebol de Marta, mas pela exuberância de Marta.

Longe do uniforme masculinizante dos gramados, Marta mostrou ter a mesma beleza do futebol que joga. Ela já era a melhor do mundo, a Pelé de saias, e, agora, é a musa da premiação da Fifa – acho que, essa, Prinz também sabe que perdeu.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Melhor que a encomenda

Ontem à noite, a Seleção Brasileira masculina de Handebol chegou a Oslo.

Hoje, menos de 24 horas depois do desembarque, com 26 horas de voo na mala, o Brasil vence a Noruega (32-31) pela primeira vez na história.

Foi uma revanche dos 39-21 do Mundial da Croácia, há dois anos? Não. Melhor acreditar que é um bom prenúncio para o confronto entre os dois times, dia 18, pelo Mundial da Suécia. Aí, sim, o jogo que vale.

Amanhã logo cedo, os brasileiros seguem para a Dinamarca, onde disputam um torneio contra os anfitriões, os suecos e os tunisianos.

Melhor começo nesse giro pelo mundo nórdico impossível.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Voa, Canarinho, voa

A Seleção Brasileira masculina de Handebol já está na Europa, se aclimatando para o Mundial da Suécia. Pelo twitter, o goleiro Gil Pires (@Gilhandebol) postou que “Depois de 26 horas de viagem chegamos a Oslo na Noruega! 1º vista da cidade é de tudo muito branco”, disse o ponta, sem esquecer a neve.

Ainda de acordo com o jogador o Brasil, antes de chegar à Suécia, no dia 13, véspera da estreia, jogará “amanhã, contra a Noruega. Depois, embarcamos para a Dinamarca, onde jogaremos um torneio com Dinamarca, Suécia e Tunísia”, completou o jogador pela rede social.

O Brasil está no Grupo B, junto com Áustria, Hungria, Islândia, Noruega e Japão. Os três primeiros colocados avançam à segunda fase, acumulando os resultados entre si, e enfrentam os três melhores do Grupo A – que tem França, Alemanha, Espanha, Egito, Tunísia e Bahrein.

Pensar numa classificação à próxima fase talvez seja sonho – ainda mais para uma seleção que nunca fez isso num mundial masculino. A chave é bem complicada e o mais provável, mesmo, é que o Brasil brigue com o Japão para não ficar na lanterna. Mas nunca fará mal lembrar que a saga vencedora do futebol brasileiro começou exatamente na Suécia, 53 anos atrás. E a estreia é contra a Áustria? Em 1958 também foi…

MUNDIAL MASCULINO DE HANDEBOL – SUÉCIA/2011
GRUPO A
França
Alemanha
Espanha
Egito
Tunísia
Bahrein

GRUPO B
Islândia
Noruega
Hungria
Áustria
Brasil
Japão

GRUPO C
Croácia
Dinamarca
Sérvia
Romênia
Argélia
Austrália

GRUPO D
Suécia
Coreia do Sul
Polônia
Eslováquia
Argentina
Chile

Jogos do Brasil
Dia 14 – Brasil x Áustria 16:30
Dia 15 – Brasil x Islândia 16:00
Dia 17 – Brasil x Hungria 12:00
Dia 18 – Brasil x Noruega 14:10
Dia 19 – Brasil x Japão 12:00
* Horário de Pernambuco

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Londres sem Diana?

O Basquete feminino dos EUA pode perder Diana Taurasi para as Olimpíadas de 2012. Atuando pelo Fenerbahçe desde o fim da temporada da WNBA (onde joga pelo Phoenix Mercury), Taurasi testou positivamente para a estimulante modafinil no dia 13 de novembro. O resultado positivo foi divulgado no dia 24 de dezembro e, hoje, o laboratório turco informou que a contraprova também foi positiva. A punição para a jogadora pode chegar a dois anos de suspensão.

O curioso da história é que a tcheca Horakova e a australiana Penny Taylor, companheiras de time de Taurasi na Turquia, se recusaram a fazer o teste nesse laboratório, depois da divulgação do resultado positivo do exame. Elas teriam ido fazer o anti-doping num laboratório em Colônia, na Alemanha.

Até agora, não houve pronunciamento oficial da federação turca, do Fenerbahçe ou da Wada (a agência mundial do controle anti-doping) sobre o assunto.

Diana Taurasi, 28, foi medalhista de ouro nos Jogos de Atenas/2004 e Pequim/2008, campeã mundial em 2010 e bronze em 2006. No Mundial da República Tcheca, a armadora foi a cestinha do time norte-americano, com média de 12 pontos por partida, e foi a segunda melhor assistente da equipe, atrás, apenas, de Sue Bird – 2,6 assistências por jogo.

Em 2003, no Mundial de Atletismo de Paris, a velocista norte-americana Kelli White perdeu as duas medalhas de ouro que conquistou nos 100 e 200m rasos por ter testado positivamente para modafinil, a mesma substância supostamente encontrada no exame de Taurasi. White foi banida por dois anos, em 2004, teve todos os resultados obtidos de 2000 até aquela data anulados e, em 2006, ela se retirou do esporte.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Esticar, melhorar, desobedecer

Este ano, faz duas décadas que a Fifa começou a promover a Copa do Mundo feminina de Futebol. Com efeito, faz 15 anos que a modalidade se tornou olímpica. Com duas datas significativas, é hora de avaliar a modalidade sob o ponto de vista do espetáculo.

De antemão, objetivamente, comparemos a altura das goleiras e dos goleiros e pensemos que a altura da meta não muda. Enquanto a alemã Angerer tem 1,74m, o espanhol Casillas, o melhor da última Copa do Mundo passada, tem 1,85m (e olhe que ele não é considerado alto para a posição). Mas Angerer tem dois motivos para não ficar triste com isso: primeiro, porque as norte-americanas Hope Solo e Briana Scurry têm apenas um centímetro a mais que ela, e Bárbara, titular do Brasil a partir do terceiro jogo da campanha de Pequim, tem 1,70m; segundo, porque, mesmo com essa estatura, ela não sofreu um único gol na campanha vitoriosa do mundial de 2007.

De qualquer forma, se é difícil encontrar jogadoras mais altas – já que estas acabam optando pelo Basquete, pelo Vôlei ou pelo Handebol –, a dispendiosa solução para melhorar o espetáculo seria diminuir a altura e a largura do gol, como o Vôlei faz com a altura da rede. Mas isso, convenhamos, não vai acontecer nunca (e vai haver quem lembre que a Fiba não diminui a altura do aro e da tabela para as basqueteiras).

Contudo, se é caro adaptar as balizas do mundo inteiro para as meninas, não seria exorbitante exigir da Fifa que escalasse árbitras, pelo menos, razoáveis nas competições vitais do esporte – Copa do Mundo e Olimpíadas. É impressionante como a arbitragem feminina não gosta de aplicar o cartão vermelho. Não fosse assim, num exemplo aleatório, Marta teria sido expulsa na semifinal de Pequim, contra a Alemanha.

Aliás, em toda a história olímpica do Futebol Feminino, só houve três jogadoras expulsas de campo, e todas em Atlanta/1996. Ou seja, a partir de Sydney/2000, nenhuma árbitra exibiu, sequer, um cartão vermelho. Fair Play?

Por fim, para melhorar a competitividade do jogo (subjetivamente falando), peço encarecidamente às jogadoras menos obediência tática. Finzinho de jogo, time perdendo por um a zero: é hora de pressão absoluta, de colocar zagueira alta jogando de centroavante, de atacar com as duas laterais e as cabeças-de-área? Não.

O gostoso de ver uma partida de futebol é que, do nada, aos 44 do segundo tempo, um gol no abafa destrói uma retranca bem feitinha, um bombão pra área desvia na cabeça de alguém e morre no fundo do gol. Mas isso raríssimas vezes pude ver no Futebol Feminino. Raras, mesmo – lembro, por assim dizer, a Suécia pressionando, brutalmente e sem sucesso, a Alemanha nos últimos minutos da final de 2003.

Nesses 15 anos de Olimpíadas e 20 de Copa do Mundo, dá para ver que a modalidade cresceu bastante, em número e qualidade de atletas e de clubes. E para que continue se expandindo e atraindo mais público, creio ser premente encontrar goleiras altas, investir na arbitragem (até, se for o caso, escalando árbitrOs de Copa do Mundo, para as partidas mais importantes) e, especialmente, desobedecer o treinador, colocando em campo mais coração do que mente – que, no fim, é a graça desse jogo que os bretões inventaram.

Gamova? Não. Mustafina

A eleição de Gamova como maior atleta da Rússia de 2010 tem muito mérito. Foi uma eleição popular promovida pelo canal de televisão Russia 2 e pelo portal digital Sportbox.ru.

A disputa se deu por etapas. Primeiro, mês a mês, o público escolhia um atleta finalista – fevereiro, por exemplo, Ivan Skobrev, prata e bronze na Patinação de Velocidade, nos Jogos Olímpicos de Vancouver. Em seguida, os 12 campeões mensais foram divididos em quatro chaves com três concorrentes. Os ganhadores avançavam às semifinais e, depois, à final, quando Gamova (novembro) venceu o goleiro do CSKA Igor Akinfeev (outubro) por 52,7% a 47,3%.

A vitória de Gamova reflete, primeiro, a importância que tem o Vôlei na Rússia, e, segundo, o quanto ela foi importante na conquista do título mundial. Nem é preciso lembrar que ela fez 35 pontos contra o Brasil, na decisão, sendo oito só no tie break. Qual seja, ela teve mérito. Mas houve quem merecesse mais.

Creio que o tempo mostrará que a atleta russa do ano foi a ginasta Aliya Mustafna. Em outubro (e olhe que ela perdeu a eleição mensal para Akinfeev), ela conquistou o título mundial por equipes e o individual geral.

Desde Svetlana Khorkina, em 2003, uma russa não era campeão do individual geral.

Além disso, a ginástica russa estava numa fase decadente. O último título mundial por equipes foi em 1991 (ainda como União Sovética). Nas Olimpíadas de Pequim, o time russo não foi ao pódio, pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos (exceto em 1984, pelo boicote). Aliás, em 2008, a equipe feminina da Rússia voltou para casa de mãos e pescoço vazios: não houve uma única russa no pódio – é claro que Nastia Liukin não conta, porque ela competiu pelos Estados Unidos.

E Mustafina conduziu a Rússia de volta ao topo da Ginástica.

Por tudo o que representam as conquistas de Aliya Mustafina, queiram ou não queiram os juízes, ela foi a atleta russa do ano passado.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Logo, logos

Devo ser um cara antiquado. Melhor: sou um cara antiquado.

Consultei duas comunidades do orkut, olhei alguns depoimentos no twitter. A imensa maioria dos internautas que se manifestaram sobre a logomarca dos Jogos Olímpicos de 2016 gostou do que viu. Um triplo abraço em 3D, valorizando as cores da Bandeira Nacional. A forma, além do um abraço, remete abstratamente ao Pão de Açúcar.

Essa junção de símbolo do Rio com signo da modernidade agradou quase em cheio na rede. Quase.

Olhando logomarcas de todos os outros Jogos Olímpicos, disponibilizado nesse link do globoesporte.com, dá para ver a “evolução” (não sei se o termo se aplica ao caso) dos desenhos ao longo do tempo – dos trabalhos artísticos dos primeiros Jogos, passando pela exaltação à tradição e chegando ao culto da logomarca em sentido absoluto.

È possível notar, por exemplo, que os Jogos de Saint Louis, em 1904, eram apenas um cartaz anunciando a Feira Mundial. É possível enxergar que a figura do atleta esteve presente até Amsterdã/1928 (exceto em Paris/1924) e só voltou, ainda que de maneira espectral, na logo de Pequim/2008.

Há menção a monumentos, como as Ruínas Gregas (Atenas/1896) e o Palácio de Westminster (Londres/1948), e a reprodução da Lupa Capitolina, estátua de bronze da idade média que retrata a loba amamentando Rômulo e Remo (Roma/1960).

Tem a simplicidade geométrica dos contornos na logo do da Cidade do México/1968 e na espiral de Munique/1972. Ou a simplicidade franciscana das logomarcas de Montreal/1976 e Moscou/1980 (a mais bela de todas, na minha visão caquética).

Tem a fixação ianque pelas próprias estrelas (Los Angeles/1984 e Atlanta/1996), a bandeira nipônica mostrando como se utilizar a cor branca (Tóquio/1964) e, até, um mapa nacional (Melbourne/1956).

Mas essa logomarca do Rio/2016 me deixou com uma sensação antiolímpica de vazio. Tenho a impressão de estar vendo nada.

Na melhor das hipóteses, posso pensar uma gravura dadaísta. Ou, na pior, achar que “faltou dinheiro para fazer o resto”. É claro que eu estou errado.