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terça-feira, 5 de julho de 2011

Quebrar o gelo e balançar a rede


(foto: Gazeta Esportiva)

A Copa América de Futebol não encanta. Mais do que pelo futebol pobre praticado pelas seleções do continente – e pelas sub-22 convidadas, México e Costa Rica – foi a falta de gols que chamou a atenção na primeira rodada. O fato de a rede não haver balançado no gol inaugural da competição (foto) foi um péssimo prenúncio.

As seis partidas do torneio produziram oito gols, o que dá uma média de 1,33 gols por partida – de quebra, ainda houve dois zero a zero. A Copa América, no entanto, não está sozinha: no começo, todo mundo é meio tímido.

Na Eurocopa de 2008, disputada na Suíça e na Áustria, a primeira rodada teve média de 2 gols por partida, o que não é muito animador. No fim das contas, a média foi de 2,48 gols por jogo. Nada excepcional, nada decepcionante. Normal.

Na Copa do Mundo da África do Sul, ano passado, a primeira rodada teve uma média (ridícula) de 1,56 gols por jogo. Míseros 25 gols em 16 partidas, e ainda contando com a benesse de a Alemanha ter feito quatro em cima da Austrália. Terminado mundial africano, Espanha campeã com a pior média de gols da história – oito tentos em sete prélios, média de 1,14 gols em cada jogo – a Copa, ao contrário do que tudo indicava, não teve a pior média da história (a honraria ainda cabe à Copa da Itália, em 1990): a média final foi de 2,26 g/p.

E, vejam, até as meninas ficam tímidas também. As oito partidas da primeira rodada da Copa do Mundo deste ano só viram a rede balançar 14 vezes. Mas, no segundo round, as coisas claramente melhoraram: com 24 gols, a rodada teve média de 3 gols em cada jogo.

Na Argentina, ainda tem muitas partidas pela frente. E tomara que muitos gols também.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Yane, sim! E Priscila e Larissa também


(na foto: LArissa Lellys, Yane Marques e Priscila Oliveira)

O ranking divulgado pela União Internacional de Pentatlo Moderno (UIPM) reflete o surpreendente crescimento do esporte nessas terras tupiniquins. Yane Marques atingiu sua melhor posição e é a quarta colocada, com Priscila Oliveira na 19ª posição e Larissa Lellys em 26º. Mais até do que isso, mostra o nível que o Pentatlo Moderno atingiu em Pernambuco – eis que todas moram e treinam no Recife.

Yane Marques ganhou fama nacional com o título no Pan do Rio, em 2007. No ano seguinte, a pentatleta de Afogados da Ingazeira se tornou a primeira brasileira nata disputando uma Olimpíada nesse esporte – antes dela, o Brasil importara Samantha Harvey, dos EUA, pros Jogos de Atenas/2004. E Yane, apesar dos problemas que teve na prova de equitação, ficou na 18ª colocação, superando o 25º lugar de Samantha, quatro anos antes.

Depois disso, ela ficou em segundo lugar na final da Copa do Mundo de 2009, no Rio de Janeiro, foi sexta colocada no Mundial de Chengdu, na China, ano passado e, agora, alcançou uma posição no ranking que lhe faz sonhar, quem sabe, com um pódio em Londres.

Mas se engana quem pensa que o pentatlo brasileiro é só Yane Marques.

O ranking de Priscila Oliveira e de Larissa Lellys faz as duas acreditarem que seja possível conquistar uma vaga olímpica. Como só é permitido que o país inscreva duas pentatletas, a briga entre as pernambucanas (Larissa nasceu na Paraíba, mas veio morar em Pernambuco com poucos dias de vida) promete ser muito boa. Boa como, aliás, vem sendo.

Mês passado, sem a presença de Yane, as duas disputaram ponto a ponto o campeonato sul-americano. O equilíbrio foi tamanho que, ao fim das provas de Esgrima, Natação e Equitação, as duas estavam empatadas na liderança. No biatlo (corrida e tiro), deu Priscila, com 34s de folga.

A briga por uma segunda vaga em Londres, ao que tudo indica, vai ficar aqui em Pernambuco mesmo. Mérito das pentatletas e, é claro, do técnico delas, Michael Cunningham.

Nesse fim de semana, em Londres, tem a final da Copa do Mundo. Do Brasil, só Yane participa. Do jeito que as coisas têm caminhado (e esgrimado e nadado e montado e atirado), é possível que, em 2012, a sertaneja volte à capital britânica, acompanhada de uma rival conterrânea.

domingo, 3 de julho de 2011

Três do trio

(foto: Fifa.com)

Se a Seleção Brasileira ainda não jogou um futebol primoroso, na Copa do Mundo da Alemanha, pelo menos o segundo tempo da partida contra a Noruega mostrou que o ataque brasileiro, finalmente, entrou em campo. Depois de um primeiro tempo amarrado, limitado a um chute de fora da área de Rosana e com um golaço irregular de Marta – ela derrubou duas norueguesas, uma com um drible, uma com um empurrão pelas costas –, o trio adiantado brasileiro voltou com vontade, no segundo tempo, resolveu o jogo em três minutos.

Primeiro, Marta fez uma jogada de Marta, tocou pro meio da área, Cristiane, com a visão de jogo que tinha há três anos, fez o corta-luz e Rosana marcou o segundo gol. Em seguida, Cristiane marcou a zagueira na entrada da área, conseguiu roubar a bola da goleira, mas chutou em cima da defensora. Marta aproveitou o rebote e sacramentou a classificação brasileira, 3 a 0, sem susto e com futebol. Elogios à zaga – Daiane, Aline e Érika – que não deu chance à bola alta das nórdicas.

O Brasil, em três minutos de segundo tempo, conseguiu vaga às quartas de final, conheceu um trio ofensivo competente e reencontrou o bom futebol de Marta. E que venha Suécia ou EUA.

Liga Mundial: de novo, um grupo da casa e um grupo da morte

Não entendo ao certo o critério da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) na escolha das chaves da fase decisiva da Liga Mundial. Se foi por sorteio, deviam dizer que colocou as bolinhas no globo e quem as puxou.

Assim como na Liga Mundial de 2003, o time da casa este ano – a Polônia – foi agraciado com adversários bons, enquanto os “marvado” estão todos na outra chave.

Comparemos os grupos deste ano:

Grupo E:
Polônia (time da casa)
Argentina (um bom time e com um certo conjunto adquirido nas seleções de base, mas muito jovem ainda)
Itália (bastante renovada, se aproveitou do esfacelamento do time cubano)
Bulgária (que se classificou a duras penas, graças à incompetência da Sérvia)

Grupo F:
Brasil (dispensa credenciais)
EUA (atual campeão olímpico)
Rússia (melhor campanha da primeira fase)
Cuba (só é o mais fraco da chave porque perdeu três titulares esse ano, Simon, Hierrizuelo e Leal)

Melhor dizendo: num grupo está o pódio dos Jogos de Pequim (EUA, Brasil e Rússia), estão os dois finalistas do último mundial (Brasil e Cuba), ao passo que não há ninguém premiado recentemente na chave polonesa. Caminho aberto pro time da casa chegar às semifinais, assim como em 2003, né?

Só para ilustrar a composição das chaves, há oito anos: enquanto a Espanha enfrentou Sérvia, Grécia e Rep. Tcheca, no grupo E, Brasil, Rússia, Itália e Bulgária se digladiaram no grupo F. O resultado? A Espanha perdeu para Sérvia e Rep. Tcheca, ficou fora das semifinais e o Brasil voltou pra casa com o título.

Pode ter sido um bom prenúncio.

Sorte nas bolinhas

Para coroar a noite em que conquistou o Pan-Americano de Handebol (35-16 contra a Argentina), a Seleção Brasileira foi agraciada com uma boa chave no sorteio dos grupos para o Mundial feminino. Bem diferente do mundial de 2009, na China, quando o Brasil caiu no grupo de Suécia, Alemanha, França, Dinamarca e Congo!

As brasileiras escaparam das gigantes – as russas e as norueguesas –, e ao invés de enfrentarem Coreia do Sul ou Alemanha, que estavam no pote 3, vão jogar contra a Tunísia, cuja tradição no Handebol se resume ao time masculino. As adversárias mais fortes do grupo são a Romênia, terceira colocada no europeu do ano passado, e a França, vice-campeã do mundo em 2009, num campeonato em que, vejam só, estreou perdendo para o Brasil. Cuba, que há muito não assusta as brasileiras, e Japão completam o grupo C.

O emparelhamento das partidas nas fases de mata-mata ainda não está definido, portanto, ainda não dá pra dizer com time de que grupo o Brasil pode cruzar na segunda fase. Mas, como quatro times se classificam em cada chave, e pensando num confronto de oitavas de final, é importante que as brasileiras fiquem, pelo menos, em segundo lugar na chave para enfrentarem uma terceira colocada de outro grupo – posição que dificilmente será ocupada por Rússia, Noruega, Coreia do Sul, Suécia ou Dinamarca.

Também não está claro quem o Brasil enfrenta na abertura do Mundial, no dia 02/12. Contudo, se a ordem das seleções usada na tabela for a mesma que aparece no site da Federação Internacional de Handebol (IHF), o Brasil seria o time C3 e enfrentaria, na estreia, C5, que é Cuba. Mas isso é ESPECULAÇÃO, ainda faltam muitos esclarecimentos sobre a tabela por parte da IHF e, por que não, da Confederação Brasileira de Handebol, cujo site se encontra “em manutenção” há alguns dias.

Eis os grupos:
Grupo A
• Noruega
• Montenegro
• Angola
• Alemanha
• China
• Islândia

Grupo B
• Rússia
• Cazaquistão
• Holanda
• Coreia do Sul
• Espanha
• Austrália

Grupo C
• Romênia
• França
• Brasil
• Tunísia
• Cuba
• Japão

Grupo D
• Suécia
• Dinamarca
• Croácia
• Argentina
• Costa do Marfim
• Uruguai

sábado, 2 de julho de 2011

O mordomo nega tudo

Ainda não se sabe que suplemento alimentar foi usado por Cielo e cia., mas, http://www.blogger.com/img/blank.gifagora, já se sabe o nome da farmácia onde foi manipulado, em Santa Bárbara D'Oeste - Anna Terra. Enfim, um avanço, um segredo a menos.

E, então, um retrocesso, uma volta terrível à estaca zero: a farmácia apareceu pra negar a versão da CBDA. Disse que a contaminação "por suspensão de partículas" até pode ter havido, mas não é algo provável. Disse que as duas manipulações em questão foram feitas em cabines diferentes e que os "tabuleiros são higienizados após o uso."

Agora, por uma questão de transparência, a CBDA vai ter que abadonar o laconismo e mostrar esse tal relatório.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Não é estranho?

A farmácia de manipulação, em Santa Bárbara D’Oeste, que lidou com o suplemento alimentar dos nadadores admitiu a culpa. Antes da tal manipulação, o mesmo balcão tinha sido utilizado para manipular outro medicamento, que continha furosemida, e, pela pressa dos atletas, o farmacêutico descuidou da assepsia e acabou “contaminando” o suplemento com resquício do material que era utilizado no outro remédio. Tudo esclarecido. Já podemos passar para o próximo assunto – Copa América, quem sabe.

O que me deixa intrigado é que, se foi descuido, Cielo e cia. podem pedir na justiça uma indenização por danos materiais (perda de premiação do Maria Lenk, perda das medalhas e certificados) e danos morais (incalculável, ainda mais que Cielo é o nadador mais rápido do mundo e, portanto, de fama em escala planetária). Além do quê, essa farmácia, agora, também está com a imagem totalmente arranhada: você manipularia um medicamento num lugar sem higiene? Pois o erro alegado é de falta de higiene.

E, no entanto, a farmácia foi logo levantando a mão e dizendo "fui eu que errei."

Se você não acha isso estranho, eu acho.

P.S.: lamentável que Cielo tenha convocado a imprensa para ler uma nota oficial, redigida pela assessoria, e não tenha permitido que lhe perguntassem nada.

E a trama se complica

Se não fosse o Mundial de Xangai batendo à porta, os quatro nadadores seriam punidos com rigor? Ou será que os outros três pegaram carona na mesma pena de Cielo?

Daynara de Paula pegou seis meses de suspensão, ano passado, também por furosemida, e o médico do programa antidoping do COB diz que “Não podemos comparar penas. A substância pode ser a mesma, mas tem que avaliar se mostra negligência ou culpa do atleta. Seis meses, a pena tradicional, às vezes cai em um período em que o atleta não tem competição importante. Outra hora você dá dois meses e, se fossem três, tiraria do Mundial. Às vezes não é tão grande para tirar do Mundial por uma coisa não grave.”

A história é contada cada vez pior. Se a punição é para não punir de fato, para que punir, ou mesmo, para que o antidoping?

Em 2007, Jaqueline ficou fora dos Jogos Pan-Americanos por uso de sibutramina. Maurren Maggi, em 2003, foi flagrada com clostebol e não disputou o Pan de Sto. Domingo nem as Olimpíadas de Atenas, no ano seguinte. E agora o médico Comitê Olímpico Brasileiro, responsável pelo controle antidoping, diz que não vai suspender ninguém por causa do mundial?

Há algo de podre, não no reino da Dinamarca, e sim, na piscina brasileira. Pesos e medidas não estão conferindo.

Investigar, sim




Antes da punição branda a Cesar Cielo, Henrique Barbosa, Nicholas Santos e Vinicius Waked, uma advertência com base nos antecedentes dos nadadores, a CBDA deveria estar preocupada em investigar o caso.

Cielo, Henrique Barbosa e Nicholas são nadadores do Flamengo. Além disso, Waked e Nicholas Santos fazem parte do PRO (Projeto Rumo ao Ouro), criado pelo próprio Cesar Cielo para preparação de nadadores de alto nível e com chance de conquistar medalhas olímpicas e em mundiais. E os quatro testaram positivamente para furosemida, a mesma substância encontrada num exame em Daiane dos Santos, ano passado. Pelo que se diz, a substância em si não serve para melhorar o desempenho esportivo, mas para mascarar o uso de alguma substância dopante.

O que pode depor a favor dos atletas (embora se deva reconhecer que depoimento não é sentença) é que nenhum deles conquistou grandes marcas ou resultados na competição em que foi realizado o teste, o Troféu Maria Lenk, em maio. Cielo, inclusive, foi derrotado por Bruno Fratus, na prova dos 100m livre. Waked foi terceiro nos 200m livre e quarto nos 100m. Henrique Barbosa, com experiência olímpica em Pequim, terminou os 100m peito em quarto lugar. Nicholas Santos, que também competiu em http://www.blogger.com/img/blank.gifPequim, foi o terceiro na prova dos 50m livre.

Os maus resultados na competição no Maria Lenk não podem servir como álibi dos nadadores. É preciso que eles expliquem melhor que suplemento alimentar ingeriram – pois Cielo disse que consumiu, no período, um suplemento que usa habitualmente – e é preciso, inclusive, que os outros três não usem como escudo a figura do campeão olímpico. Todos devem, sim, explicações.

O Blog de José Cruz foi taxativo: chama de "farsa olímpica", fala em proteção da cartolagem a Cielo, inclusive no eufesmismo que usou para falar do doping – “resultado adverso”. Não quero ir, ainda, a tal extremo, apesar de concordar com o jornalista no tocante à hipocrisia vocabular da CBDA. Mas quero, sim, que o caso seja investigado e esclarecido. Por enquanto, tudo é névoa.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Blankas nuvens



(Foto divulgação: IAAF.org)

Não há dúvida de que a melhor saltadora em altura do mundo seja a croata Blanka Vlasic. Ela é bicampeã do mundo, tanto em competições indoor quanto ao ar livre, e até poderia ter na estante a medalha de ouro de Pequim, não fosse a zebra belga, Tia Hellebaut, tê-la vencido no desempate – coube-lhe a prata.

Também não há dúvida de que ela seja a saltadora melhor qualificada para superar o recorde mundial da prova – 2,09m, estabelecido em 1987 pela búlgara Stefka Kostadinova. Há dois anos Blanka ficou a um centímetro do recorde e sempre que ela vence as adversárias, seu divertimento é continuar no estádio tentando derrubar Kostadinova do topo. Mas isso não tem se repetido esse ano.

O melhor salto do mundo em 2011 é da própria Vlasic, com 2,00m – marca obtida semana passada. Ocorre que ela tem sido derrotada em etapas da Diamod League com uma frequência inesperada.

Hoje, em Lausanne, ela ficou com o sexto lugar, depois de falhar em 1,95m. Em Nova Iorque, ficou em segundo, falhando em 1,94m. As vitórias da croata, Xangai e Roma, foram com marcas muito aquém do potencial da saltadora – 1,94 e 1,95m, respectivamente.

O Mundial de Daegu, na Coreia do Sul, começa em 27 de agosto. Blanka é favorita ao tri. Já a marca de Kostadinova, pelo menos esse ano, parece a salvo: a croata tem competido cada vez mais com as adversárias do que com o livro de estatísticas.

Mundial com nova fórmula




Depois de o Brasil mudar quatro vezes a sede do Mundial feminino (primeiro, foi Santa Catarina, depois Santa Catarina e Paraná, depois apenas Santa Catarina novamente, e, por fim, São Paulo), foi a vez de a Federação Internacional de Handebol (IHF) fazer uma mudança também: a fórmula de disputa da competição é diferente da dos últimos mundiais.

Nos últimos quatro campeonatos, três de seis seleções de cada grupo se classificavam para a segunda fase. Nela, as 12 equipes eram divididas em grupos de seis times, os resultados da primeira fase dos jogos entre as seleções classificadas eram levados em conta e, daí, seguiam os times que disputariam os mata-matas (fosse quartas de final, como em 2007, fossem as semifinais, como em 2003, 2005 e 2009). Seja como for, havia duas fases de grupo.

No Mundial de São Paulo, não.

A primeira fase continua com as 24 seleções divididas em quatro grupos de seis equipes. A diferença é que se classificam os quatro primeiros de cada grupo e, a partir de então, todo jogo é eliminatório, das oitavas de final até a decisão.

De acordo com o site da IHF, a cidade de São Paulo é a sede de todas as partidas de quartas de final, semifinal e final. Cada um das quatro sedes – Barueri, Santos, São Bernardo do Campo e São Paulo – sediará duas partidas de oitavas de final. Mas, na primeira fase, não há indicação de que cada grupo terá sede própria. Ou seja, a primeira fase pode ser itinerante, a exemplo do que ocorre, hoje, com a Copa do Mundo de Futebol.

O calendário do Mundial feminino de Handebol está assim:

1ª fase – 24 times em quatro grupos – de 02/12 a 09/12
Oitavas de final (quatro melhores de cada grupo) – dias 11 e 12/12
President’s Cup (definição do 17º ao 24º lugar) – dias 11 e 12/12
Quartas de final – dia 14/12
Definição do 5º ao 8º lugar – dias 16 e 18/12
Semifinais – dia 16/12
Final e 3º lugar – dia 18/12

O sorteio dos grupos do mundial ocorre neste sábado, 2 de julho, às 21 horas, em São Bernardo do Campo, quando se definirem as donas das três vagas pan-americanas do mundial.

Brasil sem privilégio



Na teoria, não existem cabeças de chave no sorteio deste sábado, pro Mundial feminino de Handebol. Na prática, existem. E, o mais curioso, o Brasil, sede do evento, não está entre as cabeças.

As 24 seleções serão divididas em quatro grupos de seis seleções. Para o sorteio, as equipes estão divididas em potes. Na prática, as seleções do pote 1 são os times mais fortes, são os cabeças de chave: Rússia (atual bicampeão do mundo), Noruega (atual tetracampeã europeia e medalha de ouro em Pequim/2008), Suécia (atual vice-campeã europeia) e Romênia (terceira colocada no europeu do ano passado).

É curioso que Suécia e Romênia fiquem em posição melhor no sorteio que a França, vice-campeã do mundo há dois anos. As francesas estão no pote 2 e podem, perfeitamente, cair no grupo das russas ou da norueguesas. Interpretação lógica: a Federação Internacional de Handebol levou mais em conta o último torneio promovido pela federação europeia do que o último dela mesma.

O Brasil está no pote 3 e pode enfrentar qualquer time na primeira fase (das Américas, inclusive), exceto suas companheiras de pote Holanda, Croácia (vindas da repescagem europeia) e Angola (campeã africana). E diga-se: o Brasil só está nesse pote 3 por ser o país-sede, pois o time que vencer o pan-americano já está, automaticamente, no 4, junto com Coreia do Sul, Alemanha e Tunísia (esse pote até parece mais difícil, não?)

Uma observação pertinente é de que o Cazaquistão, que venceu o campeonato asiático, está no pote 2, ao passo que a Coreia do Sul, de seis medalhas olímpicas, incluindo os títulos de 1984 e 1988 e o bronze de Pequim/2008, está junto de seleções consideradas, no sorteio, de força menor.

Pote 1 – Rússia, Noruega, Suécia, Romênia
Pote 2 – Dinamarca, Cazaquistão, França, Montenegro
Pote 3 – Brasil, Angola, Holanda, Croácia
Pote 4 – Coreia do Sul, Alemanha, Tunísia, Campeão Pan-Americano
Pote 5 – China, Espanha, Costa do Marfim, Vice-campeão Pan-Americano
Pote 6 – Japão, Islândia, Austrália, 3º colocado do Pan-Americano

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mortal




A estreia do Brasil na Copa do Mundo não foi das melhores. O resultado, ao menos, não foi pior do que as outras estreias da seleção em mundiais. A exemplo do que aconteceu na China/1991 (1 a 0 Japão), Suécia/1995 (1 a 0 Suécia), EUA/1999 (7 a 1 México), EUA/2003 (3 a 0 Coréia do Sul) e China/2007 (5 a 0 Nova Zelândia), a Seleção Brasileira feminina estreou na Alemanha vencendo a Austrália.

O resultado magro foi do tamanho do futebol que as brasileiras jogaram, especialmente no primeiro tempo, quando quem pegava na bola procurava Marta imediatamente. Isso, até, era esperado. O que não se esperava era que a Rainha, hoje, jogasse mal – mal, é claro, no padrão que ela mesma nos acostumou a vê-la, porque ela buscou jogo o tempo todo, apesar da marcação cerrada que sofreu.

Diga-se, ainda, que, como time, a Austrália mostrou-se ligeiramente superior ao Brasil. Não seria absurdo, mesmo, que as Matildas saíssem com a vitória. Talvez tivessem vencido, se a atacante Lisa de Vanna não fosse tão pouco oportunista na frente do gol.

Mas, voltando às brasileiras, os destaques individuais foram poucos. Maurine fez uma boa partida pela esquerda. Rosana, depois de um gol bisonhamente desperdiçado na primeira etapa, mostrou mais vontade no segundo tempo (jogando mais recuada, inclusive), fazendo um gol de muita habilidade. E Cristiane foi, para surpresa geral de quem tem visto seus jogos pela seleção de dezembro pra cá, a melhor brasileira em campo.

Cristiane não foi brilhante, mas conseguia driblar as adversárias, se movimentou bem no segundo tempo e fez uma jogada primorosa no gol de Rosana.

Ela ainda não é a mesma Cristiane que terminou os Jogos de Pequim como artilheira. É, no entanto, uma Cristiane que pode ser a ótima coadjuvante que sempre foi da Rainha Marta ou, eventualmente, assumir o papel de protagonista no jogo. Como fez hoje, com uma jogada e um passe mortais.

Desatenção

A Federação Pernambucana de Futebol marcou a segunda e última partida da final do estadual feminino para o dia 17 de julho, às 15 horas. Não deve ter notado, porém, que a final da Copa do Mundo da Alemanha será às 15:45 horas, pelo horário do Recife. Se o problema foi desatenção da FPF, é só obedecer ao bom senso e mudar a data da final do Pernambucano, para privilegiar o torcedor do estado que realmente gosta da modalidade. Fácil, sem maiores traumas.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ruins de conta

O puxão de orelha é duplo.

A primeira orelha puxada é da Confederação Brasileira de Vôlei. Se as comissões técnicas das seleções brasileiras – masculina e feminina, diga-se – são conhecidas pelo auxílio estatístico que dão aos respectivos treinadores no estudo do jogo e na análise do adversário, é de ser admirar a tremenda bola na antena da CBV.

Na madrugada do domingo, dia 26, logo após a derrota contra os EUA, o site da entidade publicou que a seleção ainda tentaria garantir vaga na fase decisiva da Liga Mundial esta semana, contra a Polônia. Refeitas as contas, a correção veio na segunda-feira. Ao meio-dia, o site da confederação noticiou que o Brasil já estava classificado, dizendo, no entanto, que a classificação só veio no fim da rodada, quando os jogos dos outros grupos já haviam sido realizados.

Não foi assim.

No sábado à tarde, a Polônia venceu Porto Rico. À noite, os EUA fizeram 3-1 contra o Brasil. Com esse resultado, pelo possível desempate no set average, o Brasil só perde o primeiro lugar da chave para a Polônia, o que lhe dá, assim, a segunda vaga do grupo, classificação direta à fase final. Erro da CBV.

Certo, foi só um descuido, eu é que sou chato mesmo.

A segunda orelha puxada é da imprensa especializada.

Logo depois do jogo em questão, os portais nacionais de notícia lamentavam a chance de classificação desperdiçada:

“Em jogo nervoso, EUA vencem e adiam classificação do Brasil” (globoesporte.com)

“Brasil repete atuação, perde dos EUA e adia classificação” (ig.com.br)

“EUA vencem e adiam classificação brasileira na Liga Mundial” (terra.com.br)

“EUA vencem por 3 a 1 e adiam classificação do Brasil” (gazetaesportiva.net)

Até o blog de Bruno Voloch, na UOL, dizia, na manhã do domingo, 26, que “A seleção tem bola para se classificar contra a Polônia e certamente conseguirá.”

Compreendam: o problema, aqui, não está no erro matemático em si. A questão é que as correções nesses sites só ocorreram depois do release redentor da CBV. A investigação estava ao alcance de qualquer um e ninguém se preocupou em checar, de fato, se a matemática já não havia qualificado a seleção.

Esse equívoco é a repetição de uma confusão matemática ocorrida no Mundial feminino, ano passado.

Ao contrário da Liga deste ano, o primeiro critério de desempate não era o set average, mas o ponto average. Assim, quando o Brasil venceu os EUA por 3x1, na última rodada da segunda fase, houve quem dissesse que a Itália não tinha mais chances de chegar às semifinais. E tinha: bastaria às bambinas vencerem as cubanas por, digamos, um triplo 25/18 para que a vaga fosse delas. Mas a Itália perdeu o jogo e livrou a imprensa brasileira de maiores explicações.

A dez e mais dez




A Seleção Brasileira estreia nesta quarta-feira na Copa do Mundo feminina de Futebol, na Alemanha, mais dependente de Marta do que nunca. Isso preocupa.

Entre 2007 e 2008, quando a seleção entrava em campo com ares de favorita e pensando em decidir campeonato, os dribles de Marta, os gols de Marta e as arrancadas de Marta impressionavam. Mas também impressionava a potência dos chutes de longa distância de Daniela Alves e o oportunismo (e a habilidade, por que não?) de Cristiane. O trio de ferro levou a seleção a decidir uma Copa do Mundo e uma Olimpíada.

Quando Marta não estava num dia inspirado, como ocorreu nas quartas-de-final em Pequim, contra a Noruega, Daniela Alves mandou uma bomba da intermediária e abriu o placar. Quando Marta quase passou a primeira fase olímpica em branco, lá foi Cristiane fazer os gols que o time precisava.

Mas, agora, na Alemanha, o time só tem Marta.

Com Cristiane em má fase e Daniela Alves longe dos gramados há um bom tempo, a seleção de Kleiton Lima se resume a Marta, ofensivamente. Ao que parece, ainda não há, entre as novatas ninguém que possa dividir com a alagoana a responsabilidade ali na frente. E o que é pior: fico com a impressão de que todo mundo, a começar pelo treinador, se conformou com isso.

Quem viu a seleção jogar o torneio de São Paulo, no final do ano passado, e o amistoso contra o Chile, há algumas semanas, viu um time desorganizado, sem poder de marcação no meio-campo e na defesa, e com um ataque que reza para que a rainha jogue bola e resolva.

Não posso deixar de lembrar que, em 1994, tinha-se a mesma expectativa sobre Romário. Mas, diferentemente do time de Parreira, a defesa da seleção de Kleiton Lima é longe de ser boa, e não tem uma goleira que inspire confiança. Recordemos que Andréia, a provável titular contra a Austrália, começou as últimas olimpíadas no time principal, mas perdeu a vaga depois do segundo jogo, para Bárbara. Mas Bárbara, pelas falhas grotescas do amistoso contra a seleção pernambucana, também não está no melhor da forma (penso se, de repente, não pode pintar uma chance pra terceira goleira, Thaís).

Futebol surpreende? Que surpreenda mais uma vez.

Zebra em Pasto

Se a fase do Basquete Brasileiro masculino ainda não é das melhores, com estrela da NBA pedindo dispensa da seleção, a do feminino é bem ruim. Mas a terceira partida das meninas brasileiras, no sul-americano sub-17, foi pior do que qualquer má fase.

Jogando em Pasto, na Colômbia, as brasileiras foram derrotadas, agora há pouco, por 49-44 pelo time da casa, na prorrogação. Detalhe que, no primeiro quarto, o time comandado por Janeth Arcain fez cinco pontos. No quarto seguinte, apenas quatro. Ou seja, nos 20 primeiros minutos de basquete o Brasil só marcou 9 pontos. O jogo terminou empatado em 39 pontos, com a colombiana Marlyn Caicedo perdendo um lance livre a dois segundos do fim. No tempo extra, não teve perdão. A Colômbia dominou o placar e venceu por cinco pontos.

Na estreia, o Brasil havia vencido o Chile por 79-46. Depois, fez 92-25 no Uruguai. Agora, restam duas partidas à seleção nesta primeira fase: quarta, contra o Equador, e quinta, contra a Argentina.

domingo, 19 de junho de 2011

Ah, se fosse Londres...

Sem ufanismo, sem pachequismo, sem patriotada, sem empunhar com orgulho o Pavilhão Nacional, é preciso dizer que não pode passar em branco o bom fim de semana do esporte brasileiro.

Ontem, pelo GP de Natação de Santa Clara, nos Estados Unidos, Thiago Pereira bateu o norte-americano Ryan Lochte nos 400m medley. A ressalva é que o tempo de Thiago, 4min15s89, não foi lá essas coisas, mas o que valeu, aqui, foi a vitória em cima do favorito ao título olímpico e campeão do mundo.

No Mundial de Vôlei de Praia, em Roma, Juliana e Larissa conquistaram o título pela primeira vez, com uma virada fantástica no tie-break contra Walsh e May, a melhor dupla da história. No masculino, Emanuel e Alison, que haviam tirado a dupla campeã do mundo nas semifinais, Brinck e Rekermann, encabeçaram a dobradinha brasileira no masculino, deixando a prata com Ricardo e Márcio.

No Grand Slam de Judô, no Rio, o Brasil conquistou quatro ouros, com Érika Miranda (-52 Kg), Mayra Aguiar (-70 Kg), Leandro Guilheiro (-81 Kg) e João Gabriel Schilttler (+100 Kg). A observação a ser feita é que nem todas as categorias contaram com os melhores do ranking – mas isso acontece, também, nas etapas da Copa do Mundo e nas outras etapas do Grand Slam.

Não foi nada, não foi nada, e o fim de semana terminou com sete títulos importantes pro esporte nacional. Ainda falta quanto pra Londres, hein?

sábado, 18 de junho de 2011

Dois passos para trás

O Basquete masculino do Brasil não vai a uma Olimpíada desde 1996. Mas depois da onda de renovação pela qual o esporte tem passado no país, é de se supor que alguma coisa esteja mudando – e para melhor.

A NBB ainda não é um sucesso absoluto, mas já teve três edições e começou a flertar com a TV aberta. O Grego, que conseguia desagradar jogadores e clubes, deixou a CBB. Hoje, há quatro brasileiros na NBA e eles, em maior ou menor grau, têm sido utilizados em seus respectivos times – talvez só Splitter possa reclamar do tempo que seu time o deixava em quadra. E a Seleção, com técnico argentino e jogadores de alguma expressão internacional, fez um bom mundial na Turquia, com uma vitória sobre a Croácia e ótimas partidas contra EUA e Argentina. Parecia que alguma coisa estava entrando no eixo. Parecia.

Mas eis que a NBB retrocedeu. O namoro com a Globo roubou do basquete nacionaluma decisão em melhor de cinco partidas para a temporada que vem: em 2012, o campeonato será decidido em um jogo apenas, porque é demais pedir que a TV aberta transmita três, quatro ou cinco jogos de basquete – ainda que sejam jogos decisivos. Uma perda sensível de qualidade por trinta dinheiros.

E, ontem, um golpe profundo: Magnano convocou Larry Taylor para a Seleção e espera que ele consiga ser naturalizado (não tive como não pensar no Futebol do Catar querendo, recentemente, comprar a naturalização de Ailton, paraibano e artilheiro na Alemanha).

Não fui daqueles ufanistas que se posicionaram contra o argentino Magnano no comando da Seleção Brasileira. Acho que o trabalho dele pode servir de espelho para o próximo brasileiro que assumir o posto e, ainda, que ele, pelo currículo olímpico que tem (ouro em Atenas/2004) pode fazer o Brasil disputar a edição de Londres e, quem sabe, voltar de lá com uma medalha. Poderia.

Naturalizar um americano não é inédito no Basquete de alto nível. A Alemanha fez isso com Demond Greene e Chris Kaman. A Rússia fez isso com J.R. Holden, no masculino, e Rebecca Hammon, no feminino. Todos presentes em Pequim/2008. Mas isso não deveria servir de exemplo.

O perigoso caminho da naturalização pode não ter volta. Primeiro, descobriremos que é mais barato naturalizar um ianque do que investir nas categorias de base. Depois, os clubes descobrirão que é mais barato contratar jogadores de terceira ou quarta linha do Basquete Americano, pela grife, do que investir nos jogadores daqui, já que os melhores daqui vão para os states. E, talvez, em alguns anos mais, descobriremos que a Seleção Brasileira não sabe mais falar português. Pessimismo?

sábado, 4 de junho de 2011

Deu pro gasto

A Seleção Brasileira fez somente o necessário para vencer os poloneses pela Liga Mundial de Vôlei. O público que lotou o Maracanãzinho, na manhã deste sábado, não viu um bom jogo, mas deve ter voltado satisfeito para casa, com a atuação de Serginho e os surpreendentes últimos dois sets de Giba. O ex-melhor do mundo tinha uma atuação fraca, até que virou as duas últimas bolas no primeiro set. A partir daí, até em ataques pelo meio-fundo ele conseguiu pontuar. Arrisco dizer que ele foi o melhor do jogo, embora Vissotto tenha sido o pontuador máximo do duelo, com 20 pontos.

No mais, nada demais.

Porque João Paulo Bravo e os centrais demoraram muito a engrenar. E porque faltou a Bruno ousadia ou confiança para levantar pelo meio-fundo de quadra – a não ser, com Giba.

E porque a Polônia, renovada (ou desfalcada?) poderia ter vencido os dois primeiros sets, mas pecou na hora H. Resultado? Sai do ginásio sem ganhar um set.

Amanhã, às 10 horas, tem mais.